Enquanto isso, por sua vez, os castelhanos cada vez mais avançavam em território sob atuação dos paulistas, preocupando a governança da capitania. Em uma sessão de 2 de outubro de 1627, a Câmara de São Paulo registrava que “os espanhóis de Vila Rica e mais povoações vinham dentro nas terras da Coroa de Portugal e cada vez se vinham apossando mais delas e descendo todo o gentio que está nesta coroa para seus repartimentos e serviços de que resultava a esta capitania grande dano pelo que disto se avisasse ao dito capitão-mor […] e ao geral deste estado”. Os vereadores, nesse momento, não enviavam mais recados políticos ou cuidavam da questão apenas do ponto de vista econômico, tratava-seda reivindicação de um território de atividades de jesuítas e espanhóis que os paulistas julgavam ser de soberania portuguesa (Actas da Camara da Villa de São Paulo, 1915b, p.282-3). [31486]
Éste historiador, argumentando a favor da precedência dos portuguêses na região de Guaíra, alude ao Mapa Mundi de Bartolomeu Velho, datado de 1562, onde já aparece a citada região de Guaíra (35), o que faz supor, admite ainda Jaime Cortesão, haver o mesmo sido desenhado com informações colhidas entre a gente de São Vicente.Lembremo-nos, de que os caminhos indígenas (o Piabiru ou dos Pinheiros) que saíam de S. Vicente, de Cananéia ou de Santa Catarina conduziam todos à região de Guaíra, e eram seguidos pelos bandeirantes (36).Mas os portuguêses precederam cs espanhóis nas penetrações para o Paraguai (37) não só em terra como por água — pois a pilotagem no Prata “desde o comêço da colonização do Prata pelos espanhóis até aos meados do século XVII” era feita por portuguêses (38).Começa a ação do bandeiranteCriando aquelas reduções e aquelas cidades os espanhóis se aproximaram de Piratininga e, com isso, começaram a criar, aos homens da Vila, incômodos de ordem econômica, eis que de Vila Rica se irradiavam, sôbre o Paranapanema e mais ao norte, a caça ao índio tupi. Fizeram mais: ocuparam terras nas vizinhanças da Vila; aí fundaram reduções; aí se apossaram, com índios guaranis e chefes brancos, das glebas próximas a ela. Por isso, em 1627, na própria Câmara da Cidade, o procurador Cosme da Silva pedia providências: “que avisassem o Capitão-mór, por carta ou requerimento” [26236]
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