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autor:11/12/2023 00:52:21
Tradição Paulista, 11.06.2012. Movimento São Paulo Independente

    11 de agosto de 2012, sábado
    Atualizado em 30/10/2025 10:57:58
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Tradição Paulista11 de agosto de 2012

São Paulo possui a maior colônia de espanhóis do Brasil, por conseguinte foram de suma importância na formação da sociedade paulista. Abaixo uma interessante descrição do historiador Afonso d’Escragnolle Taunay publicada em seu livro São Paulo no Século XVI:

A Fusão do Sangue Castelhano na São Paulo Quinhentista Em São Paulo, desde os primeiros anos, vieram numerosos espanhóis fixar-se, fenômeno muito natural se atendermos à série contínua de navegações castelhanas dirigidas ao Rio da Prata, a alegria com que na pequena Vila se recebiam os novos moradores, a vida livre que nela imperava e, afinal, o fato de, de 1580 em diante, serem todos iberos súditos do mesmo monarca.

Dentre esses espanhóis, o mais celebrado é Bartolomeu Bueno da Ribeira, alcunhado o Sevilhano, a São Paulo chegado com seu pai, Francisco Ramires, em 1571. Parece provir de modesta origem; a este respeito é Pedro Taques inteiramente omisso, ao passo que em diversas atas quinhentistas lhe surge o nome dos “oficiais mecânicos”, como o de um carpinteiro, juiz do seu ofício.

Numa sociedade em formação como a de São Paulo nos primeiros anos, tão mal provida ainda de elementos de civilização, a presença de um mestre de ofício era fato a encarecer-se. Nem desaire podia atingir a Bartolomeu, apesar das Ordenações de Sua Majestade, excluírem dos cargos de eleição os que exerciam ofícios mecânicos.

Casou-se Bartolomeu Bueno com a filha de um dos homens de maior prestígio da Vila: Salvador Pires; uma trineta, portanto, do maioral de Ururaí.

O filho, como todos sabem, tal prestígio angariou que, em 1641, recusou a coroa paulistana. De Bartolomeu Bueno, que viveu muito apagado no século XVI, apenas exercendo os cargos de aferidor a escrivão municipal, em 1591, procedem, entre muitos, dois sertanistas ilustres, seus homônimos, os dois Anhangüera, a quem se deve a incorporação de Goiás ao território nacional. E ainda descende o sábio cronista beneditino, o historiador das primeiras eras paulistas, Frei Gaspar de Madre de Deus. Entre outros castelhanos, cidadãos de São Paulo no século XVI, e troncos de numerosas famílias, citemos ainda os genros de Jorge Moreira: Baltazar de Godoy e Francisco Saavedra.

De Baltazar de Godoy provêm, entre outros, o notável sertanista cujo papel nas descobertas do sul pôs Basílio de Magalhães em destaque notável: Gaspar de Godoy Collaço. Outro espanhol de larguíssima descendência nos nossos dias e a quem predem muitas das principais famílias das regiões povoadas por paulistas foi Jusepe de Camargo, sevilhano, concunhado de Amador Bueno da Ribeira como genro de Domingos Luiz, o Carvoeiro.

Emigrou em fins do século XVI e, em 1595, era juiz ordinário em São Paulo. Devia-lhe o filho, Fernão de Camargo, alcunhado o Tigre, com assassinato do segundo Pedro Taques, encetar o ciclo das tão conhecidas lutas civis dos Pires e Camargos, que ensanguentaram a vila paulistana, ad instar aquelas contendas em que os Capuletos e os Montequios veroneses se celebrizaram e tão comuns na Itália meridional.

Entre os descobridores a essa família pertencentes, citemos Fernando de Camargo Ortiz, devassador dos sertões da Bahia, Tomás Lopes de Camargo, minerador do ouro e um dos fundadores de Vila Rica, José Ortiz de Camargo, que explorou o sertão dos carijós. Ainda foram espanhóis outros patriarcas como Martim Fernandes Tenório de Aguilar, falecido em 1603 nos sertões do rio Paraná, “homem de nobre ascendência, povoador e célebre conquistador de sertões, no posto de capitão-mor da tropa”, diz Silva Leme, e Bartolomeu de Quadros, sevilhano, provedor e administrador das minas. A essa afusão abundante de sangue castelhano atribuem escritores a gravidade da reserva reinante entre os antigos paulistas que bastante os diferenciavam dos demais brasileiros, o sotaque especial característico do seu falar pausado e uma mentalidade e feição muito sua. Personagem de tanto prestígio quanto Jorge Moreira, talvez, foi Salvador Pires, portuense, filho de João Pires, o Gago, emigrado com Martim Afonso de Sousa. Antigo morador em Santo André e lavrador potentado, dava avultada soma de alqueires de trigo ao dízimo, além da colheita de outros frutos, todos os anos, diz Pedro Taques. Procurador da Câmara de São Paulo em 1563 e juiz pela primeira vez em 1573, exerceu grande influência pela situação social, sendo um dos maiores possuidores de índios da Vila, localizados na sua grande fazenda de Patuaí, à margem do Tietê. Faleceu em 1592, e desposara em segundas núpcias Mécia Fernandes ou Mécia Ussú, bisneta de Pequerobi. Sua descendência, alargando-se em número e riquza, e estreitamente aliada aos Taques, tornou-se rival da família dos Camargos, a quem, no século XVII, várias vezes e pelas armas, haveria de disputar o domínio da Vila. Cidadão de não menor influência, deve ter sido Domingos Luiz, alcunhado o Carvoeiro, português, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, fundador da capela da Luz e falecido em 1615. Reunira “grossos cabedais”, como no tempo se dizia. Uma escritura de junho de 1594 nos conta que possuía um renque de casas altas de sobrado, cobertas de telhas, em frente à Matriz; prédios que em São Paulo foram talvez os primeiros a ter mais de um piso, sem contar o Colégio. Já em 1563 o encontramos na vila Piratininga capitão dos índios e, em 1575, procurador da Câmara. Desposara uma bisneta de João Ramalho, e, em segundas núpcias, uma européia, Branca Cabral. Por seus filhos e, sobretudo, seus genros, Amador Bueno e Jusepe de Camargo, conta hoje inumerável descendência. Nesse particular, porém, e no sul do Brasil, ninguém poderá, talvez, levar a palma a outro cidadão paulistano: Estevão Ribeiro Bayão Parente, que na república piratiningana apenas vemos como almotacel de 1587 a 1591. Português, natural de Beja, casado com Madalena Fernandes Feijó de Madureira, portuense, passara a São Vicente e daí a São Paulo. Por seus filhos e filhas deixou o casal prole numerosa como as areias do mar da comparação bíblica. Nem há quem não prenda aos troncos vicentinos que dele não proceda, afirmava Augusto de Siqueira Cardoso, versado, como raros, em tais assuntos. Foi com efeito o seu genro Antônio Rodrigues de Alvarenga, vereador em São Paulo, no ano de 1596, um dos maiores patriarcas paulistas, assim como seu concunhado Bernardo de Quadros. De Estevão Ribeiro procedem dois dos maiores sertanistas do século XVII: Estevão Ribeiro Bayão Parente e João Amaro Maciel Parente, a quem, em 1669, cometeu o governador geral a direção das lutas contra os selvagens do interior da Bahia. Uma filha, de Alvarenga desposou Sebastião de Freitas, português que, em fins do século XVI, foi em São Paulo personagem de prol. Emigrando com D. Francisco de Sousa em 1591, três anos mais tarde o vemos a acompanhar Jorge Corrêa na expedição contra os índios do sertão de Jundiaí, distinguindo-se sempre em todas as operações de guerra. Em 1596, chamado à vereança, armava-o, em 1600, D. Francisco de Sousa cavaleiro, com faculdade régria, lembrando então a dedicação com que sempre acudira aos rebates bélicos, quer contra os silvícolas, quer contra os corsários da costa. Em 1606 obteve a patente de capitão da Vila de São Paulo. Em 1563 emigrara para São Vicente Antônio Preto, homem de grande influência também, relata Pedro Taques. Em 1575 vemo-lo juiz ordinário em São Paulo. Viera em companhia dos filhos, um dos quais, Manuel Preto, tornou-se um dos maiores caçadores de índios do seu tempo. Nas suas devassas do sertão explorou a região parananiana, chegando a atingir o Uruguai. É o fundador da Capela de Nossa Senhora do Ó, ereta em uma fazenda onde fazia trabalhar cerca de mil índios escravizados. Na lista de oficiais da Câmara de São Paulo, homens bons e da governança da terra, no século XVI, ainda se nos deparam os nomes de alguns patriarcas, autores de larga descendência posta em relevo pelos estudos de Pedro Tarques e Silva Leme, tais como os portugueses João Maciel, vianense passado ao Brasil com filhos e filhas, procurador da Câmara em 1580, juiz ordinário em 1593; Pedro Domingues, antigo povoador de São Vicente, alcaide de São Paulo em 1579; Manuel Fernandes Ramos, juiz em São Paulo em 1572, casado com Suzana Dias, neta de João Ramalho e pai de André Fernandes, fundador de Parnaíba, de Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba, e de Domingos Fernandes, fundador de Itú; Baltazar de Moraes Antas, juiz ordinário em 1579, que a São Paulo trouxe três filhas casadoiras e aí as fez desposas “pessoa de conhecida nobreza”. Ciosos de suas prerrogativas fidalgas, fizeram os seus descendentes a primeira das justificações de nobreza consignadas no Registro da Câmara paulistana. Realmente provou Pedro Tarques, seu quinto ou sexto neto, que Baltazar de Moraes Antas provinha de Afonso Henriques, por linhas travessas infelizmente, é bom que se o note. Entre os seus descendentes ilustres da era colonial, citam-se João Pedroso de Moraes, impávido sertanista, cognominado o “terror dos índios”. E, sobretudo, o famoso jesuíta apóstata Padre Manuel de Moraes, queimado em efígie pela Inquisição de Lisboa, pelo fato de haver sido pastor protestante por ocasião da invasão holandesa em Pernambuco e ter-se duas vezes casado em Holanda, além de outros erros graves. Citemos ainda entre os troncos de grandes famílias paulistas e cidadãos de Piratininga, no século XVI:

Antônio Bicudo Carneiro, juiz em 1577, 1579 e 1584, ouvidor da comarca em 1585, genro de Domingos Luiz Grou, este por sua vez genro do cacique de Carapicuíba. Asselvajara-se tanto esse homem que, narra uma testemunha do processo de Anchieta, certo Diogo Teixeira de Carvalho, vivia no meio dos índios como um índio. Foi canonizado quem o fez voltar ao convívio dos civilizados. Citemos ainda Antônio de Oliveira Gago, genro de Jorge Moreira; Simão Lopes, casado com Joana Fernandes, irmã de Meciussú e, portanto, concunhado de Salvador Pires; Simão Jorge, antigo juiz em Santo André e igualmente juiz em São Paulo no ano de 1563 e genro de Garcia Rodrigues Velho. Dele provem o afamado destruidor dos Palmares. Henrique da Cunha Gago, santista, genro de Salvador Pires, juiz em 1576, pertence também ao número dos povoadores de grande descendência hoje.

Cornélio de Azão, minerador flamengo, ao Brasil trazido por D. Francisco de Sousa, com quinhentos cruzados de salário anual – ordenado para a época enorme –, e estabelecido em São Paulo em fins do século XVI, e seu companheiro Geraldo Betimk ou Betting, alemão, igualmente minerador, vêm a ser dos raríssimos não iberos troncos quinhentistas de famílias paulistas. Do primeiro descende o ilustre sertanista que tanto se distinguiu no devassamento do território mineiro: Antônio Rodrigues de Arzão. Genro de Tenório de Aguilar, reuniu Cornélio de Arzão grandes cabedais, perdidos numa demanda com os jesuítas, pelos anos de 1620. Fundiu-se a descendência de Geraldo Betting com os Paes Leme, reaparecendo o nome, lusitanizado, no do filho ilustre do descobridor das Esmeraldas: Garcia Rodrigues Paes Bettim, primeiro guarda-mor geral das minas do Brasil.(Imagem: Aclamação de Amador Bueno - Oscar Pereira da Silva - 1931)



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EMERSON


11/08/2012
ANO:161
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]