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1876, há 150 anos...
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John Kokpe deixa a propriedade de Chico Taques
2 de janeiro de 1876, domingo ver ano
  
  
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CAMINHO: mp3/21676.mp3

O ajuste de um novo trolly e a moléstia de minha companheirinha de jornada detiveram-nos quatro dias. Ao cabo d´elles, mandei atralar os animaes e puzemo-nos em marcha para Itapetininga. Quando partimos, ainda o sol se não erguera acima do horizonte.

As gottas de orvalho nas folhas cubriram-se do matiz rubro das nuvens, que precendem a aurora; o dorso longínquo das serranias começava a desprender nos ares os anileos mantos de tenuíssima neblina; a espaços, se ouvia o pio monótono das perdizes na macega, e, de vez em quando o berrar prolongado dos terneiros nas mangueiras dos sítios que beiram as estrada.

O caminho, como o anterior, e na phrase experessiva dos caipiras é muito dobrado. A curtas distâncias retesávamos as parelhas, suarentas e picadas das terríveis butucas, que as perseguiam. Por volta de meio-dia, chegamos à fazenda do Capitão Manoel Theodoro de Camargo.Hospitaleiro e chão, o velho recebeu os desconhecidos com o riso nos lábios, e deleitou-os pela delicadesa do seu tratamento. Fartas tigelas de pingue leite mataram-nos o calor do sol ardente de janeiro, e confesso que me atirei a ellas com uma fúria verdadeiramente bárbara. Jantamos após, fizemos o chylo em molle embalo de frescas alvíssimas redes, e às três tão poucos momentos foram muitos para arraiguar-nos sympathias profundas no coração.Com o cahir das sombras, também nossas frontes se ensombraram. Lembranças dos que atraz ficavam!... Recordações vivas da Paulicéia querida, rolavam grossas lágrimas tumultuosas pelas faces de minha companheira, e, do desfilar das serras – do murmúrio das cascatas longínquas, do farfalhar da folhagem das mattas – e ouvia erguer-se lânguida, perfumada, explendidamente bella, a minha dilecta Petrópolis!Ao cabo de algum tempo, vasta planície. O azul dos céus carregára-se – o verde dos bosques se ennegrecera – as vozes dos pássaros se calaram – levantou-se o grito estridulo do grilo, e o eco repetiu o chio do carro a recolher-se ao descanso. A estrada descia mansamente – aqui uns ranchos, acolá outro; - bestas a espojarem-se – arreios empilhados, ao clarão avermelhado das fogueiras, um vulto de cocoras a mecher um caldeirão suspenso, e, sobre os ligaes, de barriga ao ar, tropeiros que repousavam enquanto um outro sentado sobre os calcanhares e com as costas à parede casava ao som da viola as notas rudes de uma trova sertaneja: Dizem que o cigarro tira As mágoas do coração; Pintado o cigarro acaba; As mágoas nunca se vão. A cidade approxima-se. É Itapetininga: já nos Pinheirinhos nos haviam dito: É ali, (e, de passagem, registre-se que o ali do interior nunca é para menos de légoa). Luzes disseminadas, como estrellas dispersas, indicaram-nos o termo da viagem do dia. Entramos no povoado. Ruas quase desertas – altas massas perfiladas; muros de taipa ou casas; à porta de uma botica, um grupo; rótulas, que o rolador do trolly despertara, o ruído surdo de um tambaque a festejar os Reis, eis as primeiras impressões.





ANO:64

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