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Francisco Adolfo de Varnhagen
1816-1878
*História geral do Brazil
1854, domingo ver ano



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70, 167, 172, 359, 360, 361, 362,, 364 e 372

Francisco Adolfo de Varnhagen, "natural de Sorocaba, nascido em Ypanema", é chamado por alguns de "pai da História". Dentre as 559 páginas de sua monumental obra "História Geral do Brasil" existem apenas 5 menções a Sorocaba e 0 a Balthazar Fernandes.

O Sr. Varnhagen, na sua História do Brasil, diz o seguinte: "D. Francisco de Souza indo em 1610 á Biraçoiava (Ypanema), e vedo que não prosperava ali a vila que dez anos antes criara, ao mesmo tempo que espontaneamente se iam agrupando muitos moradores três léguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Beneditinos levantavam já um hospício, transferiu para alí o pelourinho, com ideias, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de São Felipe por gratidão ao soberano, que pouco antes o agraciara. [Diário de S. Paulo (SP) - 1865 a 1878, 06.10.1865. Página 2]

Martim Afonso não quis porém, limitar-se a fundar uma só vila. Á vista das informações que lhe deu João Ramalho assentou de reforçar esta contra qualquer tentativa de inimigo marítimo com outra povoação sertaneja, que ao mesmo tempo servisse de guarda avançada para as futuras conquistas da civilização. As duas vilas irmãs ficariam assim no caso de prestarem-se apoio uma á outra, segundo lhes viesse do mar ou da terra o inimigo, ao passo que a marítima requeria, ao mesmo tempo, socorros das naus do reino, a quem a seu turno socorreria.

De São Vicente para o interior a umas três léguas se levanta o continente, apresentando para o mar um paredão, em forma de serra, ás vezes elevada demais de dois mil pés. Decima manam várias riachos, dos quais um se despenha com tal fúria de longe que se vê branquejar a espuma de seus ferventes cachões. Chamavam-lhe os nativos de Itú-tinga ou cachoeira branca. As águas desses riachos, promiscuando-se com as salgadas do mar, recortam por tal forma em estreitos meandros todas as planícies debaixo que, vistas estas do alto ao longe, mais parecem marinhas de sal, que braços de mar ou de rios. - Á serra chamavam os nativos, como nós hoje, Paraná-piacaba, isto é, avistadora do mar: porque só o viam, até morrer no horizonte, quando aos cimos dela chegavam, cada vez que, em correrias, vinham á costa do sertão, onde preferiam fazer residência mais aturada. [Páginas 54 e 55]

Como sertanejo não adiantou Fernão Dias muito além dos terrenos já devassados; pois desde o princípio do século XVII havia bandeiras que chegaram ao Sabará. Em uma de setenta ou oitenta homens, empreendida por ordem de D. Francisco de Souza, havia até ido um tal de W. Glimmer, que disso nos deixou memória.[p. 68 e 69]

MEN DE SÁ não teve por successor um governador geral:teve dois. Em 1575 resolveu a coroa dividir o Brazil emdois estados, criando um novo das capitanias do sul, coma sede na cidade de S. Sebastião (Rio de Janeiro), e continuando a cidade do Salvador (Bahia) como capital do estado do norte.Para o governo do ultimo foi escolhido o conselheiro Luizde Brito d´Almeida; e para o do sul o Dr. Antônio Salema,que como acabamos de referir estava de correição em Pernambuco, onde recebeu a noticia.Antes de passar adiante, cumpre dizer que em quanto oBrazil chorava a morte do seu terceiro governador, soffreua perda do segundo prelado da diocese, 1). Pedro Leilão.Ambos haviam favorecido o ascendente nos negócios públicos dos padres da Companhia de Jesus. O ultimo lheslegou a sua livraria. Convocou Leitão o primeiro synodobraziliense, ao qual só concorreram clérigos da Bahia—nenhum lettrado ou canonista. Entretanto neste synodo resolveram-se várias mudanças nas Constituições de Lisboa,até ali em vigor, e se ordenaram alguns dias santos, differenles dos adoptados no kalendario metropolitano.

Seguindo Salema para o seu destino, em fins do ditoanno de 1573, se juntou primeiro na cidade do Salvadorcom o seu par o governador Luiz de Brito, e ouvindo ambos o novo ouvidor geral Fernão da Silva e os padres daCompanhia, reconsideraram as disposições da lei ultima sobre a liberdade dos índios, em conformidade com as se- |EC.guintes determinações contidas n´uma carta regia a tal res -peito: "No que toca ao resgate dos escravos se deve ler tal moderação que não se impida de todo o dito resgate, pelanecessidade que as fazendas delles tem , nem se permitiamresgates manifestamente injustos, e a devassidão que atéagora nisso houve." [p. 272]

As conferências havidas sobre este assumpto produziramo accordo de 6 de Janeiro, com os dez artigos que passamos a resumir. O primeiro prohibia os resgates de géhteentre os índios mansos ou de pazes. Pelo segundo se excepluaram da prohibição os índios que depois de aldeadosse fossem para o mato, e andassem ausentes por mais deum anno. Limitava o terceiro a escravidão dos índios aosaprisionados em guerra manifestamente licita, e aos que,estando captivos de outro gentio, e com mais de vinte eum annos de idade, preferissem o captiveiro dos nossos.Pelo quarto se declararam defesos os resgates feitos semlicença dos governadores ou dos capitães; sendo incumbidos do exame delles os provedores, e mais dois indivíduos, eleitos em câmara no principio de cada anno.Dispoz-se pelo quinto que as pessoas vindas com os índiosde resgate, quer por mar, quer por terra, se apresentassemna respectiva alfândega , antes de haver feito escala oucommunicado com alguém. Recommendou-se pelo sextoque os índios do resgate, nesta conformidade registados,que fugissem, seriam a todo tempo entregues a seus primeiros senhores, mediante a propina de mil reis, e a indemnisação das despezas. Pelo sétimo os índios resgatadosde que não houvesse registos declaravam-se forros. Pelooilavo se fixou que fossem consideradas guerras justas asque os governadores fizessem conforme seus regimentos,ou as que occasionalraente se vissem obrigados a fazer oscapitães, com voto dos officiaes da Câmara e outras pessoas de experiência, dos padres da Companhia, do vigárioda terra, e do provedor da Fazenda, de cuja resolução sedevia lavrar auto. O nono declarou forros os índios que oscapitães tomassem sem esla ultima cláusula, e as penas quesoffreriam, tanto elles capitães, como outros quaesquer indivíduos que fossem contra o que ora se deliberava. Mandou finalmente o décimo que os delinqüentes, sendo piões, fossem açoutados em publico, com baraço e pregão, e pagassem quarenta cruzados de multa; e sendo de maior qualidade, além da dita pena em dinheiro, fossem condemnados a dois annos de degredo; isto afóra as outras penas em que pudessem incorrer, segundo as ordenações, leis e regimentos do Reino.

Approvadas por todos estas disposições, seguiu Antonio Salema a tomar conta do governo do sul, que exerceu, bem como Luiz de Brito o do norte, durante quatro annos. — Ambos os governadores se distinguiram pelo empenho com que procuraram promover a exploração do paiz e afastar para mais longe a extremadura que separava a civilisação da barbarie. — As disposições supramencionadas a respeito dos Indios vinham favorecer a realisação desse empenho; por quanto os colonos se prestavam agora mui voluntariamente para todas as conquistas, como o mais seguro meio de adquirir as melhores terras e os braços para as beneficiar.

De Luiz de Brito duas são as emprezas guerreiras que nos cumpre historiar. A mais importante, e tambem por ordem chronologica a primeira, foi a do ataque e reducção do gentio das terras do Rio Real, ao norte da Bahia; com o que deixou prevenida a formação da capitania, depois chamada de Sergipe, nome do rio em que foi assentada a povoação, e que o recebera em virtude de ahi residir o morubixaba Sirigy (Ferrão de Serî), o qual, com outro chefe por nome Apiripé, agora se rendia a Luiz de Brito; havendo Suruby, outro principal do mesmo districto, caido no campo morto de uma balla. — Esta conquista fôra primeiro intentada pelo poderoso proprietario Garcia d´Avila, cujos campos de criar se extendiam para essas bandas do norte. Luiz de Brito vendo por um lado a Garcia d´Avila sem forças sufficientes, e por outro muitas vantagens que o Estado poderia tirar da occupação desse territorio tão abundante de páo-brazil, o qual cortado em dominios da Coroa não ficaria sujeito como em Pernambuco ao tributo da redizima aos donatarios, decidiu-se á empreza e a levou ávante com muita felicidade. A segunda aventura guerreira do mesmo de Luiz de Brito foi a de uma nova tentativa, semelhante a esta do Rio Real, sobre o Continente e em terras por prescripção ja tambem da Coroa, para o norte da ilha de Itamaracá. [p. 274]

E´ de saber que o districto fronteiro a esta ilha, que atéentão, em virtude da própria fertilidade das bordas do seucanal e dos rios que a elle vem desaguar, atlrahia continuamente bandoriasde índios indomitos, começava a prosperar, havendo nas immediações vários engenhos de assucar, cujos senhores se arriscavam aos perigos inherentes ávisinhança dos Bárbaros, em troco das muitas outras vantagens que tiravam, estabelecendo-se em uma das paragensmais férteis e mais bellas do littoral brazileiro ; tanto maisquanto a ilha fronteira lhes servia sempre de valhaòbutoseguro em caso de invasão dos mesmos Bárbaros.—Assima ilha de Itamaracá podia então considerar-se a atalaia dacivilisação brazileira avançando para o norte, da mesmaforma que mais tarde (e ainda agora) pela bondade de seuporto, e a excellencia e abundância das suas águas e provisões, se considerou como posição de muila valia para adefensa conlra um inimigo superior no mar. A importânciaque terá em nossa Historia esta ilha , exige que desde jadediquemos á descripção delia algumas linhas.—Itamaracáé nome formado de duas palavras guaranis que \\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\resumos\significam\significam.txtmaracá de


1854, domingo (Há 172 anos)

; chamando os índios, por pobreza delingua, ita ou pedra a todos os raetaes; e designando eravirtude da mesma pobreza por maracá todos os instrumentos músicos, mais ou menos dissonantes, começando pelosino \ que provavelmente seria o primeiro que os mesmosíndios ahi conheceram aos Europeos em algum barco oucapellinha. A algumas léguas ao norte de Olinda, a costa serecolhe pouco a pouco, formando um seio em que vãoafogar-se uns cinco rios caudaes. Em toda essa distancia,desde a foz do primeiro da banda do sul até á do ultimoao norte, que é o Maçaranduba conhecido por seu ancoradouro, enche por assim dizer o mencionado seio a ilha deItamaracá, que um estreito, mas profundo canal em voltascolleadas aparta do continente, ahi regado pelos Ires outrosrios, Igaraçú, Araripe e Tapirema.—0 desenho em plantada ilha lembra o de uma peta, ou antes o de um caju. Cortado de meio a meio longitudinalmente, e deitado com asemente ou castanha para o lado do norte, vereis em pontopequeno a ilha em relevo. No pé da frucla, do lado do sul, [p. 275]

O Sr. Varnhagen, na sua História do Brasil, diz o seguinte: "D. Francisco de Souza indo em 1610 á Baraçoiava (Ypanema), e vendo que não prosperava ali a vila que dez anos antes criara, ao mesmo tempo que espontaneamente se ião agrupando muitos moradores três léguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Beneditinos levantavão já um hospício, transferiu para li o pelourinho, com idéas, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de São Felippe por gratidão ao soberano, que pouco antes o agraciára. (Diario de S. Paulo, 06.10.1865. Página 2)

*As divisas clássicas das capitanias hereditárias estavam equivocadas, desde a sua propositura por Varnhagen Em trabalho anterior, Cintra (2013), mostramos que as divisas clássicas dascapitanias hereditárias estavam equivocadas, desde a sua propositura porVarnhagen, em 1854. [1]Foram os italianos que descobriram o Brasil? De certa forma, sim. Não se trata de defender a tese de Francisco de Varnhagen. Em 1854, ele afirmou que o primeiro europeu a visitar o litoral brasileiro fora o florentino Américo Vespúcio, em viagem realizada em 1499. Embora pesquisadores respeitáveis, como o italiano Riccardo Fontana, continuem acreditando que a frota de Vespúcio aportou no Rio Grande do Norte, a maioria dos historiadores acha que ela esteve apenas nas Guianas e pouquíssimos são aqueles que concedem ao padrinho da América a ventura de ter sido o primeiro a colocar os pés na Terra Brasilis. [2]

Deixemos porém agora por um momento as capitanias do norte, e acompanhemos o governador D. Francisco de Souza em uma excursão que faz ás do sul ou debaixo, como então se dizia, depois de confiar a segurança da Bahia ao capitão-mór Álvaro de Carvalho. No Espírito Santo tudo seguida em paz desde, que poucos anos antes, o logartenente Miguel de Azevedo reduzira pelas as o gentio alcunhado Guaitacá, que até ali com suas frequentes correrias molestara os colonos imbeles.

Tão de pazes ficou alguns cristãos se entranhavam centos de léguas pelos sertões. No Rio de Janeiro sabemos que estava D. Francisco de Souza em outubro de 1598. O comércio tomara aqui um prodigioso incremento com a sujeição a Castella, que fraqueara tacitamente ao Brazil, por meio do Rio da Prata, o trato com o Perú, de cujas minas vinham negociantes por fazenda, que pagavam á vista por preços enormes; e só quando aqui as não encontravam ia busca-las a Bahia e a Pernambuco. Do Rio fez D. Francisco a proposta para ereção da nova freguesia da Candelária, que pouco depois se criou. Seguiu para as vilas de São Vicente, Santos e São Paulo; e desta ao morro do ferro, onde poucos anos antes no vale chamado das Furnas, começára Afonso Sardinha dois fornos catalães, um dos quais ofereceu de presente ao mesmo governador. Segundo memórias contemporâneas nesse local próximo do Ipanema, chamado hoje Fábrica-Velha, levantou d. Francisco de Souza o pelourinho para uma vila, que depois de transferiu para outra paragem mais aquém.

Os paulistas começavam com algum ardor a acossar os nativos, devassando terras dos sertões do sul, onde também já lhes opunham os jesuítas, que noporto da Laguna acabavam de construir uma capela provisória, tratando pazes com o principal do distrito, por nome o Tacaranha. Estava D. Francisco ainda no sul, quando aportou no Brazil, o seu sucessor Diogo Botelho. [Historia geral do Brazil, 1854. Visconde de Porto Seguro (1816-1878). Páginas 312 e 313]

Pelo que respeita a D. Francisco de Souza, seguiu elle de Pernambuco para o sul, sem tocar na Bahia, conforme lhe fora recommendado, acaso por avexar menos D. Diogo. Do pouco que nos consta de seu meridional governo, até que o segundo anno nelle o surprehendeu a morte, um facto consignaremos, talvez de nenhuma importancia para o leitor, mas casualmente de mais alta (e seja-lhe perdoada a manifestação) para quem escreve estas linhas; pois que esse facto se refere ao pedaço de humilde chão, que , mais de dois séculos depois, o viu nascer e começar a trabalhosa peregrinação deste mundo. D. Francisco indo em 1610 a Biraçoiava (Ipanema), e vendo que não prosperava ahi a villa que fez annos antes criára, ao mesmo tempo que expontaneamente se iam aggrupando muitos moradores tres leguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Benedictinos levantavam ja um hospicio, transferiu para ahi o pelourinho, com ideas, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de S. Filipe, por gratidão ao soberano que pouco antes o agraciára. Em todo caso em vez deste nome prevaleceu o de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, ou simplesmente o de Sorocaba; proveniente talvez de muitas vossorocas ou barrancos que ha nas immediações. Dahi a pouco D. Francisco passava, por sua morte, a gosar do mais triste dos privilegios que havia obtido, succedendo-lhe seu filho D. Luiz de Souza [p. 321, 322]

Não se ocultou ao governador, nem á Relação, nem ao povo do Brzil o poderoso influxo que movia na côrte todo o negócio, com tanto êxito; e talvez dahi proviesse a luta que logo se apresentou D. Diogo a sustentar contra os Padres da Companhia, acusando-os pela sua demasiada e perniciosa ingerencia no governo temporal do Estado. Ouçamos as suas queixas:

"E de os eclesiásticos se meterem em governo vem a estas desaventuras; porque a causa principal do alevantamento de de Angola foram os Padres da Companhia; e agora neste interdicto também... deram parecer ao bispo... contra a jurisdição de V. M. "

E mais adiante acrescenta:

"E para que os Padres da Companhia entendam quanto dependem de V. M. é necessário que se lhe dê uma repreensão; pois comem tanto da fazenda de V. M. que só neste Estado tem perto de três contos de renda em que V. M. perde nodo modo de pagamento mais da terça parte, e o que grangeam com os Índios vale mais que tudo... destas cousas e d´outras mande V.M. informar e remdêe isto com lhe tirar as aldeias... e os Padres se quiserem ensina-los a ser cristãos logar lhes ficar sempre de faze-lo".

Mais de um ano antes, em 20 de janeiro de 1610, havia o governador ponderado ácerca da "má natureza destes padres e pouca razão com que se queixavam dos governadores passados, e quão pouca verdade falavam em tudo, não tratando mais que de curar suas queixas, e ofuscar a verdade". [P. 324]

Por vezes temos nesta obra feito referência, com o nome de Biraçoiava, de um famoso morro de ferro próximo de Sorocaba, a que hoje chamam Araçoiaba. Não foi só predileção, aliás desculpavel, pelos sítios que primeiro feriram a nossa vida e fizeram palpitar o coração:

É que nas entranhas desse morro, que os antigos diziam conter tesouros encantados encantados, jaz ainda escondida, só em ferro, uma das maiores riquezas latentes do Brasil, e talvez do universo todo. (Página 359)

em companhia não só do dito Martim Francisco, como do capitão general Horta. Na mina demoraram três semanas. Ainda muitos anos depois não se lhe havia a Varnhagen apagado da ideia a impressão que lhe fez o morro d´Araçoiaba, que conceituava um dos mais ricos depósitos de ferro que existem no orbe. Nem mina se pode chamar a um tal montão de mineral, em que este se colhe á superfície da terra, e sem profundar em poços ou galerias subterrâneas.

Varnhagen propendendo desde logo a que a empresa se fizesse por ações, tomando nestas interesse o governo por metade, dirigiu ao conde de Linhares a carta que de que passamos a transcrever alguns períodos:

"Em meio (diz Varnhagen) de uma planície que se estende da serra de São Francisco (ramo da que pela costa do Brasil se prolonga em direção geralmente de norte a sul) até o Rio Tietê, se levanta uma enorme montanha de cerca de três léguas de extensão, tendo de largura metade desta distância. Fraldejam-a, pelo nascente e poente, os dois ribeiros de Ipanema e Sarapuy, cujas águas, provenientes da mencionada serra, buscando o norte, se vão despejar, pela margem esquerda, no rio Sorocaba, o qual, igualmente pela margem esquerda, vae entrar no Tietê, depois de haver contornado pelo norte a referida montanha, que, em virtude do mineral de que toda consta, chamam vulgarmente o Morro do Ferro.

Não direi quanto se eleva sobre o mar porque não tenho barômetro, e, pouco habituado a avaliar alturas a olho, receio enganar-me. Entretanto crê-se que io cimo dele não deve ficar muito menos de mil pés sobre a planície que rodeia este último. O núcleo do morro é de granito; e de norte a sul, isto é, no sentido longitudinal é cortado por três grossos (proximamente de três braças de pujança) veeiros de ferro, já magnético, já especular. Há porém, aos lados e pelo meio, bancos de xisto, de vários grés, de pedra calcária escura, de marnes de azul de Prussia, de pederneira, de grunstein, e até de formações auríferas.

O estudo geognóstico deste distrito é digno de ocupar por muitos meses a atenção dos mais sábios geólogos. Dos altos morros manam alguns ribeirões, porém o mais notável é o chamado da Fábrica Velha, ou do Valle das Furnas, por seguir por uma espécie de caldeira, ou algar que ás vezes, parece cratéra de um vulcão. Sobre a cima do principal cabeço ha uma lagoa que chamam aqui Dourada, na qual o povo diz aparecerem fantasmas, que, guardam os tesouros nela escondidos. O mineral solto á superfície do morro é tanto e tão rico que creio só dele se poderia, por mais de cem anos, alimentar a maior fábrica do mundo, sem recorrer a trabalho algum mineiro."[Página 362]

Pag. 321 - D. Francisco de Souza faleceu a 10 de junho de 1611. Em ausência do seu primeiro sucessor D. Antonio de Souza, tomou pose do governo do sul o imediato também seu filho D> Luiz de Souza. Nomeado Gaspar de Souza governador do Brasil por C. de 1 de março de 1612, se lhe deu o alvará de 9 de abril seguinte, revogando a provisão que eximira de sua obediência as capitanias do sul. Deste modo a anexação veio a efetuar-se de novo com a chegada de Gaspar de Souza ao Brasil, deixando D. Luiz o governo; e substituindo-o, na administração das minas, o velho governador do Rio, Salvador Correa de Sá, com o regimento de 4 de novembro de 1613. D. Luiz de Souza recolhendo á Corte, soube ai fazer valer os seus direitos e obteve o ser nomeado em 1616 para sucessor de Gaspar de Souza no governo do Brasil todo. No tempo de Gaspar de Souza deu elrei do alv. de 21 de dezembro de 1612, cedendo ao governador um quinto do valor das prezas que se fizessem. [p. 492, 493]




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