habitantes e tietê[pagina 14]Não descreverei as fábricas do Ipanema porque o fiz em uma memória que apresentei á junta do novo governo de São Paulo em 1821, e que as torna muito conhecidas. A 28 de abril partimos de São Paulo, por caminho diferente daquele porque, fomos. Mandámos adiantes os criados, pela banda da frequezia de São Roque, onde devíamos pernoitar, e tomámos para a capella de Nossa Senhora da Aparição, em cujas vizinhanças se nos disse que se achou um pedaço de pedra que, fundida por um ourives, deu seis onças de prata. Antes de chegarmos, e passado um riacho, na superfície que o segue, encontramos um pequeno veio superficial que com a batêa deu bastante esmeril, porém, nada de ouro.A vizinhança do riacho vimos frequentes veios de quartzo, alguns consideráveis. A capela da Aparecição é edificada sobre um dos veios que tem quase braça e meia de grossura e cujos fragmentos pisados e examinados não deram indício algum de metal, e ainda menos de pyrites de ferro, ou de mineral de prata.Desenganados dos nossos exames, descemos por uma estrada que tem pouco mais ou menos légua e meia e conduz perto do ribeiro de Nhanahiva, onde encontramos a boa estrada que conduz para São Roque e continúa através da frequezia de Cotia, até São Paulo. (Página 235)Nas planícies que cercão o ribeiro pesquizamos diversas vezes, e tivemos indicios do ouro: e ajustamos que se preparasse tudo, para novos ensaios, que projetavamos na volta de Monserrate, que é preciso não confundir com o monte Monserrate na Ilha de São Vicente. [1]Daquelle sitio nos dirigimos para a Villa de Parnahyba, e seguindo algumas veredas escarpadas, onde não descobrimos mostras d’ouro, que merecessem mais exame, chegamos a um outeiro, que se pega a outro chamado Vacanga, em que acha¬ mos mineraes de ferro vermelho (Werner), muito compactos e pesadosO outeiro que se segue é inteiramente composto de camadas, ou brancos de schisto argiloso primitivo, que passa ao schisto micaceo. Sobre o schisto argiloso se estende uma formação de grés. Depois de descer a encosta para a banda do rio Tietê, se começa a ver uma espeeie de pissarra vermelha, e nas quebradas visinhas, resto de antigas minas d r ouro.A constante 155 Vista geral da pedreira calcarea da Comp. Ind. e de E. de Ferro Perús-Pirapóra Gruta — na pedreira calcarea da Agua Fria (Propr. da Comp. Ind. e de E. de Ferro Perús-Pirapóra)tradição diz, que foram trabalhadas pelos habitantes de Par- nahyba. Passamos o rio por uma boa ponte de madeira, e fomos dormir á Viila. A 12 partimos na direcção do nordeste com a tenção de •examinar a famosa collina de Ventucararú e seus redores. Passamos a ponte do Tietê e subindo os primeiros outeiros achamos cascalho vermelho em um ribeirão, que desagua no Tietê. Não nos deu nenhum signal d’ouro. Continuando a subir e descer as collinas, chegamos a outro ribeiro, que também nos não deu ouro. Este ribeiro, o antecedente, e os outros, formavam a cor¬ rente do Jaguary, que desagua no Juquery perto da fazenda do Bispo de S. Paulo. O Jaguary, se nos referirmos ás noticias que se nos deram, e aos trabalhos feitos em vários pontos de seu curso, antes de sua juncção com o Juquiry, é todo aurifero. Do mesmo modo o é o Juquery, e ambos merecem ser melhor pesquisados. Alem de que o Juquery pode-se fazer navegavel em todo elle, tanto antes, como depois de sua juncção com o rio Mirim, que desemboca no Tietê. Proseguindo o nosso caminho, chegamos ao quarto barranco, ou ribeiro, cujo leito e duas margens já foram pesquizadas e deram muito bom ouro. A chuva embaraçou, que pesquizassemos outros ribeiros, que atravessamos e desembocam no Jaguary. O nosso conductor nos certificou, que havendo pesquizado seu irmão um delles, achara não só ouro, mas igualmente um metal branco em grãos como chumbo de munição, que suppoz ser prata, e que eu julgo ser algum desses novos metaes, que acompanham a platina; o que é tanto mais para suppor como creio, por que ha platina não só no districto de Minas Geraes, como também na Província de São Paulo, de que possuo muito boas amostras. Cumpre-me notar, que a maior parte do esmeril dos cascalhes e pissarras auríferas de todos os lugares, que desde São Paulo observamos, em vários veios quartzosos, principalmente nos de cor cinzenta, que cortam o grés e a pissarra superior, e íi- nalmente nos bancos de schisto argiloso e micaceo, que formam a ossada de differentes montanhas da Serra do Japy, sempre achamos um metal branco em diminutas partículas, mui dif- ficil de separar do esmeril aurifero pela batea, attenta a sua igual gravidade especifica. Ensaiando aquellas partículas com acido nitrico, não se dissolveram. Será o Jridimn puro, ou o osmiuro de iridium, que parece ordinariamente acompanhar o esmeril aurífero, e que observei também nas minas de ouro de lavagem da Adiça. Tinha notado aquelle metal no esmeril aurífero daquella mina, que descrevi, e fiz lavrar na costa opposta a Lisboa,, do outro lado do Tejo, como se pode ver nas Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Todos os terrenos á roda de Parnahyba formam uma con¬ tinuação de elevações e de collinas mais ou menos altas e cônicas, separadas por pequenas quebradas e valles. No meio daquelles valles e outeiros, ao longo dos ribeiros, e onde as mattas são mais bastas, está a Villa de Parnahyba^ situada sobre a margem esquerda do Tietê. É pequena, mas habitada por um povo «bom e
Sorocaba participou da história de vida de Dom Pedro I - jornalcruzeiro.com.brData: 2022
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