Não admira se muito das riquezas extraídas nesses lugares escapasse à vigilância dos delegados régios. Em 1657, na cidade de Assunção do Paraguai, o marinheiro português Domingos Farto, que dez anos antes estivera em São Paulo, dirá como viu tirar ouro em quantidade e como o tirara e lavrara, ele próprio, declarante, de um lugar chamado Ibituruna, a sete léguas de São Paulo, e também do porto de Paranaguá.São estas, acrescenta, as duas paragens onde se lavra e tira o ouro “por todos los que quieren ir a sacarlo porque son minas comunes para todos”. O depoimento de Farto, que pode ser lido entre os papéis do Archivo General de índias, de Sevilha, impressos nos Anais do Museu Paulista, é mais um indício, entre outros, de que, muito ouro foi retirado da região de Sorocaba.As reiteradas acusações aos paulistas de sonegarem os reais quintos tinham a vantagem de sustentar, contra todas as aparências, a ilusão das inexauríveis riquezas auríferas e até argentíferas, segundo opinião corren- te, que se ofereceriam a pouca distância da barra de Paranaguá. Expli- cava-se desse modo a exigüidade das rendas que auferia a Coroa com as lavras. No ano de 1657, quando fervia a novidade das opulentas desco- bertas, o tesoureiro das minas entregava à Câmara da vila apenas um arrátel menos uma oitava de ouro, quer dizer, ao todo, menos de 456 gra- mas.
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