47) Visitas francesas - Também os franceses visitavam o Brasil, trazendo práticos portugueses, e partindo principalmente de Dieppe e de Honfleur. De um desses navios, que se chamava Espoir de Honfleur, e era comandado por Binot Paulmier de Gonneville, temos notícias certas e circunstanciadas. Zarpando de Honfleur em junho de 1503 com destino á Índia Oriental, arribou ao Brasil; primeiro ao sul, em um lugar que se supõe ser o Rio São Francisco em Santa Catarina; em seguida mais ao norte, talvez em Cabo Frio, e afinal nas imediações de Porto Seguro. No primeiro lugar deteve-se três meses, reparando os navios; ergueu uma grande cruz, e recebeu dois nativos, prometendo voltar para os restituir dentro de vinte meses. Um deles, chamado Essomeric, contava com quinze anos de idade, e era o último dos seis filhos de Tuchnu, chefe de uma tribo de carijós. O nome do outro, que tinha 40 anos, e devia servir de companheiro ao jovem, era Namoa. [Compendio de Historia do Brasil, 1896. P. Rapahel M. Galantis S. J., professor no colégio São Luiz de Ytú. Páginas 54 e 55]
56) Caboto e Diogo Garcia, 1526 - Diogo Garcia, português, ao serviço da Espanha, comandou uma expedição, preparada a expensas do conde Fernando de Andrade, Christovam de Faro e outros, com o fim de reconhecer o Rio da Prata. Partiu do Cabo de Finisterra a quinze de janeiro de 1526; abordou as costas do Brasil na altura do Cabo de Santo Agostinho; achou no porto de São Vicente um bacharel que lhe vendeu muitos refrescos e mantimentos do país, e tudo o mais que tinham mister. Comprou um bergantim que lhe deu um dos genros do dito bacharel, o qual genro foi até o Rio da Prata servir-lhe de língua. Fretou este mesmo genro do bacharel a maior embarcação de Garcia para levar á Espanha oitocentos (talvez seja oitenta) escravizados, a qual embarcação de fato voltou do Rio da Prata a São Vicente.
Herrera diz que a expedição entrou em São Vicente no dia quinze de janeiro de 1527; mas o próprio Garcia afirma que nessa data saiu desse porto para o Rio da Prata. [Página 66]
67) O Bacharel - Quem seria este bacharel que em 1527 Diogo Garcia viu em São Vicente, e em 1531 Martim Afonso achou em Cananéa? Fique antes de tudo assentado, conforme concordam todos, que era um bacharel degradado, e que o deixou por essas praias a frota exploradora de 1501.
Em seguida á expedição de Martim Afonso, nunca mais aparece. Posto isto, vejamos. Varnhagen quer identificar esse bacharel com um Gonçalo da Costa; Cândido Mendes, com João Ramalho. Em nosso ver, nenhum dos dois acertou. Não pode ser Gonçalo da Costa, porque este, segundo Herrera, ao qual apela Varnhagen, não era bacharel, e em 1530 voltou a Espanha com Sebastião Caboto, indo estabelecer-se em Sevilha, onde D. João III o mandou chamar, oferecendo-lhe segurança e mercê para que fosse a Lisboa. [Página 85]
Nem de pode tão pouco identificar esse bacharel com João Ramalho, que era analfabeto, e por isto não era possível que fosse bacharel. Nem se diga que lhe davam título de bacharel como alcunha, porque neste caso lhe teriam conservado, e diriam: João Ramalho, o Bacharel. Afirmar com Cândido Mendes que esse bacharel, vivendo entre os selvagens, tinha esquecido tudo, e por isto parecia analfabeto, cremos que é demais. A não falamos no Frei Gaspar, cuja boa fé em nossos dias é reconhecida como assaz duvidosa, todos admitem que João Ramalho veio a estas terras pelos anos de 1515, ao passo que o bacharel morava cá desde 1502. O bacharel tinha numerosos genros, e por seguinte muitas filhas: as filhas de João Ramalho foram apenas duas, Beatriz e Joanna, as quais se casaram com Lopo Dias e Jorge Ferreira, portugueses vindos na frota de Martim Afonso.
O bacharel, sendo degredado, não podia preencher ofícios públicos, como os que ocupou Ramalho, o qual, embora de mau caráter, entregue a vícios baixos, etc., não era degredado. Se era infame, como dizem os cronistas, era-o no sentido comum da palavra; não no sentido legal. O fato de nunca mais se falar no bacharel, explica-se facilmente pelo desprezo público que o condenaram em virtude de seus merecimentos. [Página 86]
Fábrica do Ipanema em São Paulo - A uns treze quilômetros pelo oeste da cidade de Sorocaba levanta-se um grupo de montanhas de formação metálica, que tem uns dezesseis quilômetros de comprido e proporcionada largura. Consta a montanha de três cabelos; um dos quais se denomina propriamente Araçoiaba; outro, Morro do Ferro; o terceiro, Morro Vermelho. Em cima da cabeça principal existe uma lagoa que chama Dourada. Emanam dessa montanha diversas correntes de água, sendo as mais importantes o Ipanema que verte na face oriental, e o Sarapuy do lado oposto. Ambos são tributários do Sorocaba, que por sua vez o é o Tietê. [Página 105]
125) Decadência da vila de São Vicente - A vila de São Vicente, todavia, estava destinada a uma decadência prematura, produzida pelos desastres seguintes. Consistiu o primeiro numa invasão de castelhanos, que, vindo da banda do sul, e capitaneados por um tal Ruy Mosquera, se haviam estabelecidos em Iguape.
Reuniu-se-lhes um cavaleiro, chamado Duarte Peres, que fôra degradado naquela vizinhança. Intimou Gonçalo Monteiro, como logar-tenente do donatário, a este que se recolhesse para o lugar do seu degredo, e aos castelhanos que se retirassem daquela paragem pertencente a Portugal.
Obedeceu o degradado; resistiram Mosquera e os seus. Indo, portanto, os nossos a ataca-los, caíram em uma cilada em que perderam até os barcos e as canoas. Aproveitaram os espanhóis o ensejo para agredir de improviso a vila de São Vicente, saqueá-la, e retirarem-se.
Alguns vicentistas, ao mando de Pero de Góes e de Ruy Pinto, saíram então ao encalço dos fugitivos, mas sem resultado, porque os castelhanos haviam desaparecido. O Sr. Vasconcellos coloca este fato no meado de 1537.
O segundo revés ocorreu, no ver do Sr. Vasconcellos, em 1542. Houve na costa da capitania grandes temporais, e o mar se tornou tão furioso, que chegou a destruir muitas casas da vila de São Vicente, entre as quais a do concelho, a igreja matriz e o pelourinho. Mudaram, portanto, a vila para o lugar onde hoje se acha, sendo mar o sítio em qu estava antes.
(1) Varnhagen, na página 166, diz: "Se havemos de dar crédito a Pierre-François-Xavier de Charlevoix (1682-1761), escritor que em outros assuntos não nos merece muito, viera das bandas do sul, com vários castelhanos, até Iguape, um Ruy Mosquera, e ai se estabelecera com o degradado bacharel português, cujo nome nos diz que era Duarte Peres."
Charlevoix, porém, não diz que Mosquera se estabelecera em Iguape, nem que Duarte Peres fosse bacharel. Consta, é verdade, de outros documentos que o lugar era Iguape; mas dai não se segue que o tenha dito Charlevoix. Mais justo foi Fr. Gaspar que verteu fielmente Charlevoix. Honra seja feita á verdade. [Páginas 144 e 145]
Foram encarregados desta mudança Pedro Collaço, Jorge Mendes e Jeronymo Fernandes. No dia três de janeiro do ano seguinte, 1543, reunidos os camaristas em a nova casa do concelho, deliberaram levar em conta a Pedro Collaço, procurador da câmara no ano anterior (...)
Em julho do mesmo ano, 43, proibiu a câmara aos brancos a compra dos escravos nativos por maior preço do que o taxado que era de 4000 rs.
Diversos autores falam de um terceiro desastre consistente no entulhamento do porto e do rio, que se tornaram incapazes de sustentar navios de maior calado. Teria sido este sinistro causado pela terra que as enxurradas levaram das roças ao m ar. Fr. Gaspar, todavia, nega ex-trípode, como é seu costume. A realidade deste fato, asseverando que tanto o rio como o porto tiveram sempre o mesmo fundo, e que o ancoradouro para navios maiores foi sempre a praia de Imbaré, donde a carga se transferia por terra até São Vicente. O certo é que São Vicente decaiu, cedendo a sua primazia á vila de (...)
126) Santos - O primeiro a estabelecer-se no lugar em que se acha hoje a cidade de Santos, foi Braz Cubas, que veio a ser procurador do donatário, alcaide-mór, e provedor da Fazenda Real (1).
(1) Diz Varnhagen que Braz Cubas estivera na Ásia com Martim Afonso. Como naquele tempo se fazia uma só viagem casa ano, não se compreende em que tempo estaria Braz Cubas com Martim Afonso na Ásia; pois em 1536 achamos Braz Cubas em São Vicente, e Martim Afonso não podia ter ido á Índia antes de 1534, porque regressara a Portugal em 1533.
Cândido Mendes não sem boa razão contesta a história que Varnhagen faz do monjôlo ou Enguá-Guassú.
Tendo Bras Cubas adquirido as terras de Geribatuba, e desejoso de evitar o incomodo (...) [Página 146 e 147]
169) Cartas de Nóbrega - Desde o mês de agosto de 1549 dizia Nóbrega a seu superior de Portugal o seguinte: (...)
Entre outros saltos que nesta costa são feitos, um se fez a dois anos muito cruel, que foi ire uns navios a um gentio que chamam os carijós, que estão além de São Vicente, o qual todos dizem que é o melhor gentio desta costa, e mais aparelhado para se fazer fruto: ele somente tem duzentas léguas de terra: entre eles estavam convertidos e batizados muitos: morreu um destes clérigos.
(...)Os carijós dos portugueses, os carioes e carios dos espanhóis são os guaranis
Um outro trecho da carta do mesmo ano explica muito bem que acabamos de copiar. É o seguinte:
"Este (carijós) é um gentio melhor que nenhum desta costa. Os quais (talvez aos) foram, não há muitos anos, dois frades castelhanos ensinar, e tomaram tão bem sua doutrina que tem já casas de recolhimento para mulheres, como de freiras, e outras de homens como de frades. E isto durou muito tempo até que o diabo levou lá uma nau de salteadores e cativaram muitos deles. Trabalhamos por recolher os tomados e alguns temos já para os levar á sua terra com os quais irá um padre dos nossos". [Compendio de Historia do Brasil, 1896. P. Rapahel M. Galantis S. J., professor no colégio São Luiz de Ytú. Páginas 209 e 210]
204) Men de Sá em São Vicente - Estando o governador nesta capitania, ajudou os jesuítas a mudar o colégio de São Paulo para a vila de São Vicente, bem como abrir uma estrada, menos incomoda do que a precedente, através da serra de Paranapiacaba; enviou pelo Tieté uma expedição, e mandou em busca de ouro Bráz Cubas e Luiz Martins. De dermos crédito a Braz Cubas, andaram estes umas trezentas léguas sem fruto, encontrando na volta esse precioso metal em lugar mais perto de São Paulo. Supõe-se ter sido no morro Jaraguá. Remeteu Mem de Sá amostras deste ouro em 1562 para a metrópole juntamente com algumas pedras verdes que pareciam esmeraldas e talvez fossem turmalinas.
Afirma o Padre Simão de Vasconcellos e repetem geralmente todos que a mudança da vila de Santo André para São Paulo, realizada nesta ocasião pelo governador, se efetuou a pedido dos jesuítas com o fim de por os moradores em lugar menos exposto aos assaltos dos bárbaros da serra. Lemos, entretanto, no tomo quarenta, parte II, página 349 da Rev., que tudo se fez a pedido da Câmara de Santo André. Pois Jorge Moreira e Joannes Alves, oficiais da Câmara de São Paulo, e outrora habitantes da vila de Santo André, em uma carta á Rainha Regente, em data de 20 de maio de 1561, dizem o seguinte:
"E assim mandou (Mem de Sá)que a vila de Santo André, onde antes estávamos, se passasse para junto da casa de São Paulo que é dos padres de Jesus, porque nós todos lhes pedimos por uma petição, assim por ser lugar mais forte e mais defensável, e mais seguro assim dos contrários (tamoyos) como dos nossos nativos, como por outras muitas coisas que a ele e a nós moveram (...) [Compendio de Historia do Brasil, 1896. P. Rapahel M. Galantis S. J., professor no colégio São Luiz de Ytú. Páginas 266 e 267]
Estrada Real - Brasil - Facebook “Fábrica do Ipanema em São Paulo - A uns treze kilometros pelo oeste da cidade de Sorocaba levanta-se um grupo de montanhas de formação metálica, que tem uns dezesseis kilometros de comprido e propornada largura. Consta a montanha de três cabelos; um dos quais se denomina propriamente Araçoiaba; outro, Morro do Ferro; o terceiro, Morro Vermelho. Em cima da cabeça principal existe uma lagoa que chama Dourada. Emanam dessa montanha diversas correntes de água, sendo as mais importantes o Ipanema que verte na face oriental, e o Sarapuy do lado oposto. Ambos são tributários do Sorocaba, que por sua vez o é o Tietê”.
EMERSON
15/08/1896 ANO:47
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Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]