— 222 —Perdidas estavam as rotas das gigantescas frotas : os pri-meiros e mais ousados navegadores do oceano não haviamdeixado rumos. . .« No mar havia para Salomão uma frota de Tarschich,com a frota de Hiram uma vez em cada tres annos, vinhamos navios de Tarschich, trazendo ouro, prata, marfim, monose pavões. »Lêm-se estas palavras no verso 22 cap. 10 dos reis.Estas viagens triennaes, em que vamos neste momentode passageiros, são confirmadas nos Parallipomenos, Liv. 2.ºCap. 9.º ver, 22, que dizem :« Os navios iam a Tarschich para o rei, com os servosde Hiram : uma vez cada tres annos vinham os navios deTarschich. »Que rumo, pois, seguiam as frotas do constructor dogrande templo ?— Onffroy de Thoron, depois de largos e demoradosestudos, rasgou a nossas vistas o véo do grande mysterio :os navios de Salomão traziam rumo da America Meridio-nal ; vinham buscar as grandes riquezas que levavam aorei de Tyro, na terra do El-dorado, da legendaria Manôa,sonhada á margem occidental da lagoa Parima, á boca deum grande rio, que a ella levava suas aguas caudalosasroladas sobre leito esmeraldino, coberto de areias de ouro. . .— Tarschich, Ophir e Parvaim, levantaram-se ás bor-das do grande Amazonas e dos seus tributarios. . .— Senhores, ha perto de tres mil annos que o rio Ama-zonas é navegado e que de seus seios transborda o ouronos cofres dos reis da terra !Embora não nos cumpra neste momento alargarmos-nosnas demonstrações das verdades contidas nas conclusões deOnffroy, faremos, todavia, rapida resenha do que lemos, arespeito de nossa these, na obra de tão paciente e eruditoinvestigador.As citações de Onffroy provam que na antiguidade atéa queda de Carthago, 146 annos antes de J. C., o oceanotinha quasi sempre sido frequentado ; que a America era [p. 222]