— 241 —Domingos Garocho terras além da Bertioga, começando do morro chamado Buriquioca; na pag. 44 confirmou em 27 de Abril a data que Gonçalo Monteiro, como procurador de D. Isabel da Gamboa, viuva de Pedro Lopes de Souza, tinha concedido além da Bertioga, direito á serra de Itutinga, a Jorge Ferreira; na pag. 60 concedeu em 7 de Junho de 1567 terras a Manoel Fernandes além da ilha de S. Sebastião até o rio de Curupaçé; na pag. 69 concedeu a Paschoal Fernandes, condestavel da fortaleza da Bertioga, terras desde além da dita fortaleza pela praia adiante uma legua, a 18 de Novembro de 1566; na pag. 6 concedeu em 15 de Dezembro de 1568 a Manoel Fernandes terras além da ilha de S. Sebastião da banda da terra firme, antes de chegar á enseada defronte da ilha dos Porcos até chegar ao rio de Curupaçé; na pag. 146 v. concedeu terras Salvador Corrêa de Sá, como procurador do donatario da capitania de Santo Amaro, a Antonio Gonçalves Quintos, na ilha de S. Sebastião, no lugar chamado Pirayqueaçú, em 2 de Setembro de 1579; na pag. 175 v., o dito Sá concedeu terras a Simão Machado, além da Bertioga, partindo com Antão Nunes e Jacome Lopes, a 20 de Janeiro de 1579.E porque este Antonio Rodrigues de Almeida concedeu algumas terras de sesmaria fóra da capitania de Santo Amaro e dentro da ilha de Santo Amaro de Guaibe, que é da capitania de S. Vicente, tornárão os interessados a pedir as mesmas terras por nova sesmaria aos capitães-móres da capitania de S. Vicente, dizendo e expressando nos seus requerimentos que Antonio Rodrigues de Almeida, sendo capitão-mór ouvidor da capitania de Santo Amaro por D. Isabel da Gamboa, lhes havia concedido terras que erão da capitania de S. Vicente, como forão todas as datas que concedeu dentro da ilha de Santo Amaro de Guaibe; e por isso tornárão a pedir as mesmas datas aos capitães-móres lugar-tenentes de Martim Affonso de Souza, donatario e senhor da capitania de S. Vicente, como expressamente se vê no livro de registros das sesmarias, tit. 1,602 até 1,617, pag. 34.Fallecendo Martim Affonso de Souza, donatario da capitania de Santo Amaro, e filho de Pedro Lopes de Souza e D. Isabel da Gamboa, lhe succedeu na doação das oitenta leguas sua irmã D. Jeronyma de Albuquerque e Souza, estando já viuva de seu marido D. Antonio de Lima, e tendo deste matrimonio uma filha D. Isabel de Lima, mulher de André de Albuquerque, todos moradores na villa de Setubal, onde outorgárão procuração bastante do teor seguinte (1):(1) Cartor. da proved. da fazenda real de S. Paulo, liv. das sesmarias, tit. 1,562, pag. 134.[p. 241
A vila de Santa Anna da Parnahyba foi fundada pelo paulista André Fernandes, que por si e seus irmãos tinha estabelecido este sítio e povoação com capela da invocação da mesma gloriosa Santa da fundação de seus pais que depois veio a servir de matriz. Está povoação foi ereta em vila ano de 1625 por provisão do conde de Monsanto, que estava donatário da capitania de São Vicente.
Tem minas de ouro de lavagem chamadas de Vuturuna, em cuja terra as descobriu no ano de 1597 o paulista Afonso Sardinha, como fica referido; e o rio Tietê também tem ouro desde o lugar da vila baixo, até muito além do morro de Aputerebú (...) (Chorographia historica, chronographica, genealogica, nobiliaria e politica do imperio do Brasil, 1866. Alexandre José de Mello Moraes. Página 279)
Aqui está a transcrição fiel do texto da imagem:— 282 —19ª villa. Paraty, fundada por ordem de Sua Magestade em 1667 (1).20ª villa. Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, fundada pelo anno de 1670 e por provisão do capitão-mór lugar-tenente do conde da ilha (2).theus do Costa Amorim e do seu successor Antonio de Mariz Loureiro, que florescia pelo anno de 1653, provisão para erecção de capella curada, com o privilegio de padroeiros: com o tempo se acclamou em villa esta povoação. El-rei D. João V mandou crear nella o lugar de juiz de fóra, e foi o primeiro ministro o Dr. Vicente Leite Ripado, por carta de 23 de Março de 1727. Extinguiu-se este lugar no anno de 1750, em que o Dr. Theotonio da Silva Gusmão passou de juiz de fóra desta villa para ouvidor geral do Mato-Grosso. Tem um convento de religiosos capuchos de Santo Antonio, e outro de religiosos Carmelitas com lugar de presidente; tem muitos engenhos, que fabricão assucar com abundancia; tem um tabellião de judicial e notas, que tambem serve de escrivão da camara; e um escrivão de orphãos, que ambos servem por donativo que annualmente pagão. (Mem. do Inst. Hist.)(1) VILLA DE PARATYA villa de Paraty, que existe dentro das cincoenta e cinco leguas de costa da doação de Martim Affonso de Souza, foi fundada em 1667 por Martim Corrêa Vasques Annes, que teve faculdade regia para isso por provisão dada em 2 de Outubro do dito anno, que se acha registrada na secretaria do conselho ultramarino no livro das cartas geraes do Rio de Janeiro, tit. 1644, pag. 370. Tem um tabellião do judicial e notas, escrivão da camara e um de orphãos, e todos servem por donativo que pagão annualmente. (Mem. do Inst. Hist.)(2) VILLA DE SOROCABAA villa de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba foi povoação que fundou pelos annos de 1670 o Paulista Balthazar Fernandes, irmão dos povoadores das villas de Parahyba e Itu, com seus genros André de Zuniga e Bartholomeu de Zuniga, cavalleiros da provincia do Paraguay das Indias de Castella; e á custa da propria fazenda fizerão construir a igreja matriz, casa de conselho e cadeia, e se acclamou em villa por provisão do capitão-mór lugar-tenente do donatario Francisco Luiz Carneiro de Souza, conde da ilha do Principe. Porém adiante desta villa quatro leguas, no sitio chamado serra de Braçoyaba, levantou pelourinho D. Francisco de Souza, por conta das minas de ouro, de prata e de ferro, que na dita serra estavão descobertas pelo Paulista Affonso Sardinha; e o mesmo D. Francisco de Souza lhe poz o nome de minas de Nossa Senhora de Monserrate; porém com a sua ausencia para o reino, sahindo de S. Paulo em Junho de 1602, para embarcar no porto de Santos á direita (neste anno tinha chegado á Bahia o seu successor Diogo Botelho, oitavo governador geral do Estado), cessou o labor das minas de Braçoyaba, até que em melhor sitio se fundou a villa que actualmente existe. N’esta serra de Braçoyaba houve um grande engenho de fundir ferro, construído á custa do Paulista Affonso Sardinha, cuja manobra teve grande calor pelos annos de 1609, em que voltou a S. Paulo o mesmo D. Francisco de Souza, constituído governador e administrador geral das minas descobertas e por descobrir das tres capitanias, com mercê de marquez de minas com trinta mil cruzados de uro e herdade; fallecendoSe quiser, posso também modernizar a ortografia ou comentar historicamente o trecho (especialmente sobre Sorocaba e a serra de Araçoiaba).em São Paulo o mesmo D. Francisco de Souza, em junho de 1611 com o decurso dos anos se extinguiu o labor de extração do ouro e da fundição de ferro.
Nesta mesma serra de Biraçoyaba fundiu pedras, e delas extraiu boa prata, Fr. Pedro de Souza, religioso de Santíssima Trindade, quando para estes exames veio mandado pelo príncipe regente D. Pedro, em 1680, e trouxe cartas firmadas pelo real punho para o alcaide-mór e Paulista Jacinto Moreira Cabral, e para o seu irmão o coronel Paschoal Moreira Cabral, para acompanharmos o dito Fr. Pedro de Souza: [Páginas 282 e 283]