Alexandre José de Mello de Moraes (1816-1882)— 240 —como se vê da sua carta patente que já tambem copiamos: por isso quando fundou a villa de S. Vicente concedeu de sesmaria terras na ilha de Santo Amaro de Guiabe, porque então não estavam ainda confrontadas e demarcadas as duas capitanias de que tinham mercê de El-rei os dous irmãos ditos Martim Affonso de Souza e Pedro Lopes de Souza: e ainda quando se ausentou de S. Vicente em 1533 para 1534 o governador Martim Affonso de Souza, deixando os seus poderes ao vigario Gonçalo Monteiro, este concedeu terras de sesmaria na dita ilha de Santo Amaro de Guaibe, como capitão lugar-tenente do dito governador Martim Affonso de Souza, a Estevão da Costa no anno de 1536: nesta carta se vê as expressões ibi:“Gonçalo Monteiro, vigario e capitão lugar-tenente pelo mui Illm. Sr. Martim Affonso de Souza, governador desta comarca e capitania de S. Vicente, terras do Brasil, e seu procurador bastante de reger e governar a dita capitania. Faço saber aos que esta minha carta de datas de terras virem, que por Estevão da Costa (que ora à dita capitania veio em este anno passado) me dizer que vive e vem viver, e ser povoador em a dita capitania, pedindo-me que eu lhe faça proveito, e serviço ao dito Sr. governador, de lhe dar terras com que viver, e fazer roças de cannas e algodões, e o que a terra der; confiando no dito Estevão da Costa lhe dou e hei por dadas as terras seguintes da ilha de Guaibe defronte desta ilha de S. Vicente onde todos estamos, a qual terra está devoluta sem nenhum proveito, etc. (1).”Todo o referido se vê da mesma carta de sesmaria concedida pelo vigario Gonçalo Monteiro, registrada no livro das sesmarias, tit. 1,562, pag. 52, que existe no cartorio da provedoria da fazenda.Antonio Rodrigues de Almeida, que em 1557 teve procuração de D. Isabel da Gamboa, que já deixamos copiada, concedeu varias datas de terra na capitania de Santo Amaro dentro das dez leguas que ella tinha desde o rio de Curupaçê até o rio de S. Vicente, braço do Norte, que é a Bertioga, como já temos feito menção. Estas concessões se achão no livro de registro das sesmarias, tit. 1,562, que existe no cartorio da provedoria da fazenda, a saber: na pag. 11 v. concedeu no 1º de Junho de 1562 a Paschoal Fernandes, terras defronte da fortaleza da Bertioga; na pag. 12 v. concedeu em 6 de Junho de 1562 a Braz Cubas, terras passando a ilha de S. Sebastião, em uma ilha deserta chamada de Maherecanã; na pag. 42 concedeu em 6 de Maio de 1566 a(1) Devemos notar que ainda neste anno de 1536 não se chamava a ilha de Guaibe ilha de Santo Amaro de Guaibe, cujo nome lhe pôz muito depois D. Isabel da Gamboa, chamando-lhe capitania de Santo Amaro de Guaibe. [p. 240]Antonio Rodrigues de Almeida, que em 1557 teve procuração de D. Isabel de Gambôa, que já deixamos copiada, concedeu várias datas de terra na capitania de Santo Amaro dentro das dez léguas que ela tinha desde o rio de Curupacé até o rio de São Vicente, braço do Norte, que é Bertioga, como já temos feito menção.Estas concessões se acham no livro de registros das sesmarias, tit. 1.562, que existe no cartório da provedoria da fazenda, a saber: na página 11 v. concedeu no 1°. de junho de 1562 a Paschoal Fernandes, terras defronte da fortaleza da Bertioga; na página 12 v. concedeu em 6 de junho de 1562 a Braz Cubas, terras passando a ilha de São Sebastião, em uma ilha deserta chamada Maherecanã; na página 42 concedeu em 6 de maio de 1566 a Domingos Garocho terras além da Bertioga, começando do morro chamado Buriquioca; na página 44 confirmou em 27 de abril a data que Gonçalo Monteiro, como procurador de D. Isabel da Gambôa, viúva de Pedro Lopes de Souza, tinha concedido além da Bertioga, direito à serra de Itutinga, a Jorge Ferreira; na página 60 concedeu em 7 de junho de 1567 terras a Manoel Fernandes além da ilha de São Sebastião até o rio de Curupacé; na página 69 concedeu a Paschoal Fernandes, condestável da fortaleza da Bertioga, terras além da dita fortaleza pela praia adiante uma légua, a 18 de novembro de 1566; na página 6 concedeu em 15 de novembro de 1568 a Manoel Fernandes terras além da ilha de São Sebastião da banda da terra firme, antes de chegar à enseada da ilha dos Porcos até chegar ao rio de Curupacé; [Chorographia historica, chronographica, genealogica, nobiliaria e politica do imperio do Brasil. Tomo I, 1866. Alexandre José de Mello de Moraes (1816-1882). Páginas 240 e 241]A vila de Santa Anna da Parnahyba foi fundada pelo paulista André Fernandes, que por si e seus irmãos tinha estabelecido este sítio e povoação com capela da invocação da mesma gloriosa Santa da fundação de seus pais que depois veio a servir de matriz. Está povoação foi ereta em vila ano de 1625 por provisão do conde de Monsanto, que estava donatário da capitania de São Vicente.Tem minas de ouro de lavagem chamadas de Vuturuna, em cuja terra as descobriu no ano de 1597 o paulista Afonso Sardinha, como fica referido; e o rio Tietê também tem ouro desde o lugar da vila baixo, até muito além do morro de Aputerebú (...) 12ª villa. Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis da Ilha Grande, fundada em 1624 ou 1625 (1).13ª villa. Santa Anna da Parnahyba, fundada em 1625 em nome do conde de Monsanto, herdeiro de Martim Affonso (2).ditas sesmarias nos livros que existem no cartorio da provedoria da fazenda real de S. Paulo, a saber no livro tit. 1,602 até 1,617, pag. 63 e 87; e no livro n. 4, tit. 1,622 até 1,623, pag. 22, consta que os Jesuitas do collegio do Rio de Janeiro, pelo seu reitor João de Oliva, pedirão terras no Cabo Frio ao capitão-mór lugar-tenente da donataria condessa de Vimieiro, dizendo na supplica: que supposto as terras que pedião já as possuão por carta de sesmaria de Estevão Gomes, capitão-mór da cidade de Cabo-Frio, se havia reconhecido que o dito Estevão Gomes não tinha jurisdicção para conceder terras, cujo poder só residia nos capitães móres governadores da capitania de S. Vicente. Semelhante requerimento fizerão os monges Benedictinos pelo seu reverendo D. Abbade, pedindo as terras que possuíão no Cabo-Frio (Mem. do Inst. Hist.)(1) VILLA DA ILHA GRANDE, ANGRA DOS REISA villa de Angra dos Reis está em altura dos mesmos vinte e tres gráos com pouca differença, tinha sido dada pelo donatario Martim Affonso de Souza ao Dr. Vicente da Fonseca por carta de 24 de Janeiro de 1559, como fica referido; porém muitos annos depois se fundou e erigio em villa, a cujos moradores concederão terras de sesmaria os capitães móres governadores da capitania da villa de S. Vicente até o tempo da condessa de Vimieiro, e depois della os seus successores até o conde da ilha do Principe, Antonio Carneiro de Souza, em 1720, como tudo se vê no cartorio da provedoria da fazenda nos livros de registros das cartas de sesmaria. Os moradores porém tendo detrimento nas suas causas civis e crimes de responder perante os ouvidores da capitania de S. Vicente pela grande distancia e costa de mar, conseguirão ficar na jurisdicção do Rio de Janeiro; porém os dizimos desta villa e tambem os da villa de Paraty ficárão sempre sujeitos à capitania de S. Vicente, hoje S. Paulo, como até agora se está praticando. Tem esta villa igreja parochial e um convento de religiosos Carmelitas calçados, um tabellião do judicial e notas, escrivão da camara e um de orphãos, que servem por donativo que annualmente pagão. (Mem. do Inst. Hist.)(2) VILLA DA PARAHYBAA villa de Santa Anna da Parnahyba foi fundada pelo Paulista André Fernandes, que por si e seus irmãos tinha estabelecido este sitio em povoação com capella da invocação da mesma gloriosa Santa da fundação de seus pais, que depois veio a servir de matriz. Esta povoação foi erecta em villa no anno de 1625 por provisão do conde de Monsanto, que estava donatario da capitania de S. Vicente. Tem minas de ouro de lavagem chamadas de Vuturuna, em cuja terra as descobrio no anno de 1597 o Paulista Affonso Sardinha, como fica referido; e o rio Tieté tambem tem ouro desde o lugar da villa para baixo, até muito além do morro de Aputerebú, e como a sua extracção é pelo veio de agua, tem cessado o labor pelo detrimento e despeza da manobra, e se empregão os mineiros na extracção por terra do ouro que chamão guapeára. Tem um mosteiro de monges de S. Bento com lugar de presidente, um tabellião do judicial e notas, que tambem serve de escrivão da camara, e um de orphãos, e ambos servem por donativo que annualmente pagão. (Mem. do Inst. Hist.)[Chorographia historica, chronographica, genealogica, nobiliaria e politica do imperio do Brasil, 1866. Alexandre José de Mello Moraes. Página 279]
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