A Cidade Perdida da Bahia: mito e arqueologia no Brasil Império
NOV.
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HOJE NA;HISTóRIA
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novembro de 2000, quarta-feira Atualizado em 30/10/2025 22:18:16
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Johnni LangerDoutor História/UFPRPágina 4Joam ( 1 5 6 7 ) , durante o rei n ado de D. Ma nu el , n avegadores em incursão pel am en c i on ada ilha de s cobriram , no cume de uma serra , uma imensa estátua deum hom em ve s ti do de bedém (túnica mouri s c a ) , s em barrete , com o bra ç oe s ten d i do e a mão apon t a n do para o poen te . Ab a i xo da estátua foram aindaavi s t adas inscrições misteri o s a s , s em po s s i bi l i d ades de tradu ç ã o. Já o poem aC a ra mu ru, de José de Santa Rita Durão (1781), também men c i onou a céle-bre estátu a : “E na ilha do Corvo, de alto pico (...) Onde acena o país do meta lri co (...) Vo l t ado estava ás partes do occ i den te , d ’ on de o aureo Brazil mostra-va a dedo”3.
Na cidade perdida da Bahia também ex i s ti ria uma estátua central, cujo braço esten d i do apontava o dedo para o norte , com certas inscri-ções indecifráveis no mesmo loc a l . Percebemos com essas duas tradições que o autor do manu s c ri to estava perpetuando um folclore mais anti go, incorporado ao universo dos bandei ra n tes e exploradores.
Mas os elementos da arqueologia setecentista foram mu i to mais determinantes na estrutura do tex-to, como já mencionamos.
A descoberta e escavação de Herculanum iniciou-se em 1710, mas foi com a confirmação de seu nome e ori gem (1738) que estas ruínas romanas tornaram-se mu ito famosas. Pompéia foi escavad a , por sua ve z, a partir de 1748, e sua identificação ocorreu apenas em 1768. Podemos também estabelecer uma relação destas ruínas romanas, principalmente Hercu l a nu m , com acidade do manuscrito, ao perceber que o terrem o to citado pelo bandeirante é uma catástrofe natural semelhante ao vulcão (no caso, o Ve s ú vi o ). A natureza interferindo na obra humana. O utra questão é identificar como essas matrizes foram con h ecidas no Brasil.
A primeira publicação em larga escala dosvestígios romanos apareceu somente em 1756, com o livro L’ a n ti chità romana de Piranese, três anos após a de s coberta da cidade baiana.
É possível, deste modo, que o autor da imagin á ria cidade tenha estado anteriormente na pró-pria Europa em contato com esse panorama cultural.O pesquisador Hermann Kruse e o histori ador Ped ro Calmon estabeleceram como autor do manu s c ri to em questão, o bandei ra n te João da Si lvaGuimarães.
Percorrendo os desconhecidos sertões da Bahia entre 1752-53, eleteria noti c i ado a de s coberta das mu i to proc u radas minas de prata de Rob é ri oDi a s , ju s t a m en te na região dos rios Pa raguaçu e Un a4.
Uma similaridade de data e localização com a prescrita na Relação da cidade abandonada. Ex a m e sefetuados pela Casa da Moeda dois anos depoi s , porém, declararam que as minas não passavam de minérios sem nenhum valor.
Aturdido, Guimarães foi conviver com os índios, desaparecendo após 1764. A obra de Pedro Calmon nos forneceu outra pista valiosa para a elucidação da origem histórica deste mito.
Um dos auxiliadores das buscas de Guimarães foi o governador da província mineira, Martinho de Mendonça de Pena e de Proença.
Examinando sua biografia, descobrimos que ele tinha sido bibliotecário, poliglota e filólogo, membro da Real Academia de Lisboa. Além de ter proferido uma palestra sobre megalitismo português (Discurso sobre a significação dos altares rudes e antiquissimos, 1733), Proença também realizou, em 1730, uma investigação sobre as misteriosas inscrições de São Tomé das Letras, em Minas Gerais.
A partir de 1738, estes caracteres setornaram muito famosos, circulando cópias por toda a província.
Ao analisarmos uma dessas reprodu ç õ e s , percebemos grande semelhança de alguns gl i fos com os da cidade perdida, principalmente cruzes e letras lati nas. Além disso, foram interpretados por um dos autores da reprodução, Mateus Saraiva, como sendo caracteres ro m anos.
No período em que circulavam as cópias,o bandeirante João Guimarães abandonara Vila Rica e partira em missão exploratória para as regiões dos rios São Mateus, Doce e Pardo, todos na pro-víncia mineira.
Atacado por índios, foi então auxiliado pelo governador Martinho Proença. Talvez a origem do mito esteja nesse antigo contato, entre um bandeirante ávido por ouro e um acadêmico interessado em arqueologia.
Proença tinha todas as condições para criar a imagem de uma cidade em ruínas semelhante às rom a n as, repleta de inscrições, enquanto Guimarães desejava a todo custo encontrar riquezas sem fim. O acadêmico morreu em Lisboa (1743), e João Guimarães anunciou oficialmente, em 1752, a descoberta de minas de prata pelo interior baiano, escrevendo em seguida o manuscrito da cidade perdida.
O INÍCIO DAS BUSCAS
Os investigadores do Instituto Histórico não conheciam os autores do manuscrito, mas mesmo assim a narrativa foi enca rada como um fato totalmente verdadeiro.Ao contrário das tribos indígen a s, habitantes de rudimentares choupa nas, essas ruínas aven t avam a possibilidade de uma antiga civilização mu i toadiantada ter ocupado a jovem nação. Im ed i a t a mente, todos os esforços em en-contrar esses maravilhosos ve s t í gios foram efetuados.
Em uma reunião do IHGB, o autor da de s coberta do manuscrito, Manuel Lagos, oferecera-se para litogra-far e doar 500 exemplares das inscrições da cidade perdida.
Ao completar uma ano de fundação em 1839,o Instituto Histórico apresentava sob a forma do rel a t ó rio de seu secretário os resultados obti dos durante esse percurso. Se não eram com p l eto s , ao menos revelavam uma franca esperança no cumprimento das suas metas básicas de recuperar as origens da nação.
Ao citar estupendas de s cobertas arqu eo l ó gicas em países muito próximos do Brasil, como Pal en que no México e fortificações no Peru, Ja nu á ri oBa rboza deixou claro que tais ve s t í gios também podiam ser en con trados no i m p é rio.
A Europa recentemente maravi l h a ra-se com publicações sobre ruínas maias, como Vues des Co rd i ll è res et Mo nu ments deus Peu ples Indigènes del ’ Am é ri q u e ( 1 8 1 0 , de Hu m bo l d t ) , An ti q u i tes of M é xi co ( 1 8 3 1 , de Lord Ki n gs-boro u gh), e Voya ge pitto re sque et arch é ol o gique dans la provi n ce d’Yucatan etaux ruines d’It z a l a n e ( 1 8 3 8 , de Jean Wa l deck).
É claro que os intelectuais brasileiros também esperavam encontrar indícios tão promissores nas desconhecidas florestas do Brasil.
Advindo o novo ano de 1840, su r gi ram novas referências sobre o intrigante tem a . Dois eru d i tos, o cel. Ignacio Accioli Silva e A. Moncorvo, residentes na Bahia, enviaram dados baseados em descrições regionais:
(...) sobre a cidade abandonada nos sertões desta província (...) que não pareceser fabul o s o, pelas coinscidentes noticias de vários antigos moradore s, e exploradores dos sert õ es, pois por tradição se falla em uma gra n de Povoa ção, ou Cidade desprezada e que dizem a habitáram Indios e negros fugidos6.
Na tentativa de con s eguir informações sobre a anti ga cidade, os inve s ti-gadores ac a b a ram por contatar manifestações do fo lclore de mu i tos séculos.
Conhecidas pela den ominação de cidades encantadas por toda a Am é rica La-ti n a , foram met a m orfoses de anti gos mitos co l on i a i s , como o Eldorado e tra-dições bandeirantes,formando um rico e elaborado imaginário popular. Mui-tas destas tradições de cidades en c a n t adas sobrevivem até os dias de hoje porm eio da transmissão ora l , mas algumas também foram incorporadas à litera-tu ra e à poe s i a , como Ma iu n deua e Axuí (Pará e Ma ra n h ã o ) . Sen do um cam-po praticamente inexplorado pelos historiadores,é muito difícil elaborar aná-lises sem maiores conhecimentos de fontes.Resta apenas tentar criar hipótesesen tre essa aludida en trevista dos eru d i tos com os pop u l a re s , ou seja , como astradições co l oniais sobreviveram na forma fo l cl ó rica do século XIX. Essas ci-dades encantadas teriam sofrido influências do relato de Guimarães?
Voltamos nova m en te ao livro de Ped ro Ca l m on . Nel e , o historiador afir-mou que após a morte do bandei ra n te João Guimarães em 1766, rumores sobre ruínas já tinham sido cri ados por pop u l a re s. Q u a n do se iniciou a gra n deex tração de diamantes na Ba h i a , a partir de 1844 na região da Ch a p ada Di a-m a n ti n a, o fo l cl ore estava bem con s o l i d ado. Mas também não podemos de s-c a rtar a interferências de outras tradições anti ga s , como as de redutos indíge-nas e qu i l om bos pela prov í n c i a , como a pr ó pria en trevista dos mem bros doIHGB dei xou cl a ro. Na Bahia ocorrem diversos ve s t í gios de anti gos qu i l om-bo s , como nas regiões de Bom Je sus da Lapa e Rio das Rãs. Rel a tos imagi n á-rios também são mu i to freqü en tes por toda a regi ã o. Em Lagoa Santa (MG)
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]