'10 - -17/08/2011 Wildcard SSL Certificates
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Registros (156)Cidades (0)Pessoas (0)Temas (0)
OS LIMITES DA FREGUESIA DE COTIA

    17 de agosto de 2011, quarta-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
Fontes (0)


Os Limites Da Freguesia de Cotia fecha uma série de apresentações de textos escritos pelo Padre Daniel Balzan, que reconstrói a vida política, econômica e cultural de Cotia no século XVIII.Agora não podemos mais reclamar que não temos material para conhecer a História do nosso município, ela está à disposição no meu blog, esperando para ser lida, estudada e para contribuir com futuras pesquisas sobre a cidade. Os textos aqui publicados são de autoria do Padre Daniel, que hoje é pároco em São Roque. O meu trabalho foi apenas o de fazer uma breve introdução, criando assim a possibilidade de outras viagens pela História da Freguesia de Cotia.Era uma vez...Professor Marcos Roberto Bueno Martinez OS LIMITES DA FREGUESIA DE COTIAQual era a extensão da freguesia de Nossa Senhora de Monte Serrat de Cotia na época do Brasil colonial?

O documento mais antigo que fala dos limites desta freguesia data de 1748. Aos 12 de janeiro de 1748 foram feitas, pelo governo eclesiástico, as divisas de Cotia com Araçariguama pela forma seguinte:

“Araçariguama com Acutia: do lado do Coronel Domingos Rodrigues da Fonseca em S. Roque, vulgo Peratinga, irá em linha que correndo em figura reta irá terminar no sítio do Paiol; todo o território que ficou da parte daquém pertencerá à freguesia de Acutia exclusive o sítio do dito Domingos Rodrigues e o Paiol e da parte dalém pertencerá a Araçariguama, inclusive, a ela o sítio do sobredito Domingos Rodrigues exclusive o do Paiol que pertence a Parnahyba como acima ficou dito. E acontecendo ficar sem freguesia a capela de S. Roque que por ora está anexa a Araçariguama, terá a divisão entre Acutia e a futura freguesia de S. Roque uma linha que saindo do sítio de Jorge Garcia, exclusive, correndo pelo monte das Pitas venha acabar no sítio de Manoel Pereira e daí correndo a mesma linha irá a demandar a estrada de Apereatuba e terminará até o ribeirão Una que é o polo onde termina a freguesia de Sorocaba; todo o território da parte dalém desta linha será o território de S. Roque exclusive o sítio do dito Manoel Pereira e daquém pertencerá o terreno a Acutia inclusive a ela o sobredito sítio de Manoel Pereira” (Tombo de Araçariguama: 1747-1859, p.13 e “Auto de Delimitação da Paróquia de S. Roque: 1766-1768, p.3. Veja também: EUGÊNIO EGAR - Os Municípios Paulistas. 1º Vol. 1925, pp.597-598).

Ora, este documento apresenta apenas as divisas com Araçariguama e São Roque. Não nos foi possível localizar, porém, documentos e provisões da criação das divisas com as demais freguesias que existiam na época. Buscamos seguir, portanto, um caminho indireto, mais lento e difícil, porém, suficientemente seguro para chegarmos às dimensões exatas da freguesia de Cotia nos anos de 1713.O Livro de Ôbitos de Cotia (1750-1775) será a nossa primeira fonte de referência. Transcrevemos alguns assentamentos que mencionam as freguesias com as quais a Paróquia de Nossa Senhora de Cotia fazia limites:1. “Aos 3 de janeiro de 1753 anos faleceu da vida presente Elena Carijó casada com Inácio, com o sacramento da Penitência, e extrema unção, de idade de 25 anos mais ou menos, moradora e freguesa na Aldeia de Baruery: foi enterrada na Capela se Sorocamerim dos Carmelitanos de minha licença, termo desta freguesia e recomendada pelo superior dela, de que fiz este assento”- Pe. Antônio Toledo Lara (p.19v).2. “Aos 3 de julho de 1755 faleceu da vida presente neta freguesia de Cotia, Quitéria, menor, filha de Antônio, administrador, e Antonia sua mulher, escravos de Francisco Pereira, fregueses de Santo Amaro, com o sacramento da Penitência e Extrema Unção. Foi sepultada na aldeia de M’Boy termo desta freguesia. De que fiz este assento” (idem. P.33v),3. “Aos 12 de fevereiro de 1755, faleceu da vida presente Joana, solteira, filha de Josefa Barroso, oriunda de Cuiabá, da casa de José Munhoz, com todos os sacramentos. Foi enterrada no adro da Igreja de Carapicuíba dos Jesuítas, de minha licença, termo desta freguesia. De que fiz este assento” (idem. P.39v).Portanto, nos anos de 1753 a freguesia de Cotia fazia limites com Araçariguama, São Roque, a fazenda dos Padres de Nossa Senhora do Carmo em Sorocamerim e com as aldeias de M’Boy e Carapicuíba. Faltam os limites com a capital. Neste lado estavam localizadas as aldeias jesuíticas de Pinheiros, Santo Amaro e Sé.Outra fonte importante são os livros de batizados (1793-1807) e de ôbitos (1796-1816) de Cotia. Destes dois livros nos foi possível levantar mais de vinte bairros que, certamente, faziam parte da freguesia de Nossa Senhora de Monte Serrat, já que cada vigário só tinha jurisdição sobre a paróquia a ele confiada por lei eclesiástica. Nos anos 1794-95 os assentamentos de batizados e de ôbitos começam registrar o local de moradia tanto dos pais que pediam o batismo para seus filhos como da pessoa falecida. Os bairros que conseguimos anotar são as seguintes: Caucaia, Sorocamerim, Sorocabussú, Aguassaí, São João, Maracananduva, Das Lages, Moinho Velho, Caputera de M’Boy, Ressaca de M’Boy, Das Graças, Una, Sapiantan, Itaqui, Cupiachada, Taquaxiara, Carapicuíba e dos Corcumvizinhos (isto é dos bairros perto da Matriz).Existe um documento que descreve toda a extensão da freguesia de Cotia, escrito pelo Pe. Domingos Scacia, pároco da freguesia entre os anos 1902-1905. Trata-se de um relatório minucioso sobre a Paróquia exigido pelas autoridades eclesiásticas da época. Escreve o vigário:“A criação desta Paróquia, segundo os assentamentos, data do ano de 1713. Os seus limites de longa data, exceção feita, dos existentes com a Paróquia de Una, que a princípio eram pelo rio Sorocabussú e presentemente, o são pelo rio Sorocamerim são os seguintes: Começando na ponte de Jaguarahé, estrada da Capital, segue pela estrada velha de Itú até o Mato do Paiol, município de Araçariguama, e daí, por uma reta, até o ribeirão da Vargem Grande, por este a desembocar no rio Sorocamerim e por este, até a Ponte dos Mendonças; desta, pela estrada até o sítio de Adão Gonçalves e deste por uma reta, até a estrada da Ressaca e por esta até o ribeirão do mesmo nome; por este ribeirão abaixo até a estrada que, da Freguesia de M’Boy, vai à Capital e daí por uma reta, até as cabeceiras do rio Jaguarahé, e por este abaixo, até a ponte onde começou. Estas divisas dependem entretanto de retificação por faltar de melhores informações. Apesar de não constar ato algumDiocesano alterando as primitivas divisas eclesiásticas, sabe-se, entretanto, que as atuais respeitadas pelos paroquianos entre esta e a Paróquia de Una, não são as antigas" (Tombo de Cotia: 1878-1912, p.139-140 e 149). E ainda:“Esta Paróquia confina:Ao Sul e Sudoeste com as Paróquias de Itapecerica e Una,Ao Norte com a de Parnaíba e Araçariguama,A Este com as de Santa Efigênia e Consolação,A Oeste com a de São Roque eA Sudoeste com a de M’Boy.”“Os limites desta Paróquia com as vizinhas são:- com a de Parnaíba, aos limites 19 km, sede a sede 30;- com a de Araçariguama, aos limites 12 km, sede a sede 24;- com a de Itapecerica, aos limites 12 km, sede a sede 20;- com a de Una, aos limites 21 km, sede a sede 40;- com a da Capital, aos limites 19 km, sede a sede 38;- com a de São Roque, aos limites 13.50; sede a sede 29;- com a de M’Boy, aos limites 9,50 km, sede a sede 10” (idem. P.140)Quanto aos limites com a freguesia de Ibiúna, Pe. Manoel de Oliveira, pároco de Cotia entre 1817-1866, relata que “erigindo-se a freguesia de Una em 1812, fez-se a sua divisão pelo rio Sorocabussú” (Tombo de Cotia: 1728-1844, p.104). Mesmo escrito quase duzentos anos após a inauguração da Matriz, o relatório de Pe. Scacia mostra que os limites da freguesia de Cotia continuaram quase os mesmos, sofrendo alterações do lado da capital, com a criação de novas paróquias.Em relação aos limites com Ibiúna, ainda, os livros de Tombo das duas paróquias registram conflitos. O mais grave aconteceu antes de 1823 e só foi resolvido em 1859. A queixa dizia respeito à jurisdição sobre o povoado de Sorocabussú que, embora pertencendo à freguesia de Cotia, ficava mais perto da igreja de Ibiúna. Transcrevemos as reclamações do Pe. Manoel de Oliveira e os desdobramentos dos fatos!“Diz o vigário da Freguesia de Cotia, José Manoel de Oliveira, que se erigindo a Freguesia de Una em 1812, fez-se a sua divisão pelo rio Sorocabussú. Em maio do mesmo ano, ou que na verdade fosse o Rev. Vigário dela alcançou uma portaria de nova divisa sem o suplicante nem seus fregueses fossem ouvidos e, por isso, antes logo representaram o temor que tinham de ficarem compreendidos no Distrito de Una, e foi V.Excia. Revma. Servido mandar por seu despacho, que ficasse de nenhum efeito aquela portaria e conservados os povos na sua antiga posse. Não obstante, porém, foi saudável determinação de V. Excia. Revma. persiste O Rev. Pároco de Una, lendo a sobredita portaria à Estação da Missa Paroquial na sua freguesia, assim com outro papel ou requerimento que pretende fazer, convidando aos fregueses do suplicante para se revoltarem contra este, animando-os a que não temam porque ele assistirá com dinheiro aos pobres, ameaçado com a punição da justiça, aqueles que lhe não derem obediência, lembrando-lhes ao mesmo tempo, que se algum não estivesse ainda desobrigado, o fosse fazer na freguesia de Una, motivando, com isto, uma confusão. Além de tudo isso, Exmo. Revmo.Sr. promete o Rev. Suplicado, que no tempo de arrolar os fregueses, já de obrigar ao suplicante por uma demanda a cumprir-se aquela veneranda portaria, já cassada, e nesta tristíssima colisão, Exmo.Revmo. Sr. E querendo o suplicante obviar com tempo estes males e os pleitos em que sem dúvida irá gastar neles dinheiro dos seus pobres fregueses de quem V.Revma. é pai, recorre com toda a veneração” (Tombo de Cotia: 1728-1844, p.104).O mesmo vigário continua:“Foi V.Excia,Revma. Que, dignando-se de atender que a princípio, quando se levantou aquela Freguesia, em um caso semelhante, mandou V. Excia. Revma. que o Rev. suplicante não admitisse fregueses alguns do suplicado, pena de suspensão, e assim sossegaram os Rev. Seus antecessores, uns poucos de anos é que o suplicante entrasse. Há de parecer a V. Excia. Revma. que agora será muito conveniente outra igual determinação, e que dela se façam lançamentos necessários nos livros de Tombo de ambas as Igrejas”(idem, p.104v).O problema ficou resolvido pelo despacho de Dom Mateus de Abreu Pereira bispo de São Paulo e registrado no Livro de Tombo:“A divisão feita entre as freguesias de Cotia e Una foi feita e aprovada por Autoridade Real e por isso deve ser conservada; nem cada um dos Párocos delas devem empreender sobre os fregueses que não forem seus, conservando-se cada um com os que lhe pertencer de sua freguesia, sob pena de suspensão; e esta determinação se lance nos Tombos de ambas as Igrejas. São Paulo, 5 de Dezembro de 1823. – Mateus Bispo” (idem. p. 104v).As tensões, porém, voltaram à tona nos anos seguintes! Desta vez o povo tomou a iniciativa... Os moradores do bairro de Sorocabussú fizeram um abaixo assinado exigindo do Bispo Dom Antônio Joaquim de Melo, que em 1959 estava visitando a freguesia de Ibiúna, uma solução definitiva. Pediam licença para freqüentarem a Igreja de Ibiúna que ficava mais perto. O vigário de Cotia (ainda Pe. Manoel de Oliveira), foi chamado urgentemente para Ibiúna para um entendimento.Uma curiosidade, porém, chama a nossa atenção neste abaixo assinado. Das vinte e quatro pessoas mencionadas apenas seis assinam em nome próprio Estas seis assinam em nome dos demais. Entre eles se destacava o Sr. Venâncio Dias da Cruz. Vendo o abaixo assinado, o vigário de Cotia ficou indignado:“Ex. Revmo.. Senhor... talvez que esses assinados a rogo de nada saibam. Nota-se que algumas pessoas que merecem consideração não entraram nesse assinado, senão esses pobres ignorantes, talvez induzidos por um tal Venâncio, o primeiro assinado, que tem mostrado devoção a este respeito. Tenho outros fregueses mais distantes que estes. Apesar da distância que estes alegam, nunca lhes faltou o socorro espiritual e quando querem licença para desobriga, batizados e mesmo casamentos, nunca lhes neguei. Além de tudo seria uma confusão completa ficarem estes divididos, pertencendo à Igreja de Una e à justiça em Cotia, visto que quando esta foi elevada à categoria de Vila, foi com as suas divisas a tantos anos existentes. Portanto, visto que os suplicantes nada melhoram com que requerem, sou de opinião que se conservem como está agora. Não lhes faltam os socorros que até agora têm tido e assim evitam confusões... Cotia, 5 de fevereiro de 1859” (Tombo de Una: 1857-1878, p.16).Pedindo informações a respeito das distâncias entre o bairro de Sorocabussú e as duas igrejas, Dom Antônio Joaquim de Melo baixou o seguinte despacho:“Sem marcarmos divisas, declaramos sujeitos à estola de Una os abaixo assinados e de uma vez desligados da estola de Cotia. O Rev. Pároco desta, antes de considerar aos referidos seus fregueses, ouvirá dos que assinaram com letras de outrem, se convém, no pedido, para evitar... Passará todos os nomes dos assinantes no Livro de Registros para só destes administrar sacramentos sem licença do Rev. Pároco colado de Cotia. Será então este despacho apresentado ao dito Rev. Pároco para sua inteligência. Una, 6 de fevereiro de 1859. + Antônio, bispo em visita” (idem. P.16).Em 1920, surgiu outro desentendimento, entre as duas freguesias, desta vez em torno da capela Dos Grilos! Tanto o vigário de Cotia Pe. José Ferreira de Seixas, como o de Ibiúna Pe. Afonso Pozzi, alegava que aquela capela pertencia à sua paróquia, pois, ficava nos limites entre as duas freguesias:“A minha paróquia é pequena – o lugar mais longínquo tem 4 léguas e meia, e a de Una é grande, tem 8 e 9 léguas de longitude – porém, nós, os dois vigários, tanto o da grande como a da pequena, nos havemos de contentar apenas com 7 palmos de terra.” - 1920 (Tombo de Cotia: 1917-1933, p.61).



\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\24788icones.txt


EMERSON


17/08/2011
ANO:156
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]