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Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil. Alfredo Moreira Pinto

    1935
    Atualizado em 26/12/2025 00:27:39




Fontes (0)


Apereatuba - Corruptela de apereá-tyba, préas em abundância; São Paulo (Dr. T. Sampaio).

Apoteribú - Corrupção de apitera-ibú, fonte ou manancial do meio; pode ser ainda potyra-ibú,hoje se pronuncia Potribú, arroio ou fonte das flores; São Paulo (Dr. Theodoro Sampaio).[Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 23]

Itapucu - Barra de ferroCaucaia - Serra, entre os municípios de Cotia e de Una (Ibiúna); no estado de São Paulo, nas cabeceiras do Sorocá-Mirim, um dos afluentes do Rio Sorocaba.

Caucaia - Ribeirão do Estado de São Paulo, afluente do Rio Vargem Grande, tributário do Sorocá-mirim. (Página 96)[0]

Cachoeira Guaxingú no rio Sorocaba; no município de Tatuí. "Guaxingú", diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Gu-alí-ng-ii, atalho em resvaladouro. De "gu", recíproco, para exprimir de uma á outra margem; "alí", atalhar, rodear; "ng", intercalação nasal; "ii", resbalar. Alusivo a ser aí um dique com tão forte desnivelamento que, para muitos, é mais um salto do que uma cachoeira.

Lagoa Guaxingú em um campo, entre os municípios de Campo Largo e de Sorocaba. (página 149)

Hibapaára - Lugar á margem direita do rio Sarapuhy, no Estado de São Paulo, mencionado em um documento de 14 de julho de 1601 como tapera. "Hibapaára, diz o Dr. João Mendes de Almeida, corruptela de Ib-apá-á, ramo torcido e quebrado. De ib, árvore; apá, torcer, torcido; á, quebrar. Alusivo ao costume que os nativos tem de assinalar, por maio de ramos torcidos e quebrados, a rota que seguem nas matas, e mesmo nos campos, quando há árvores para isso; afim de que outros os possam seguir ou eles possam voltar ao mesmo lugar de onde saíram".

IBIRAPOERA. Aldeamento indígena no logar que é hoje villa de Santo Amaro; no Estado de S. Paulo. Foi fundado em 1560, pouco mais ou menos pelo padre José de Anchieta. "Ibirapoera, diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Ibirá-puêra, pau podre. De ibirá, arvore, pau. madeira; puêra, o mesmo que cucrá, partícula de pretérito. A traducção litteral é — o que foi arvore, o que foi pau, o que foi madeira. Allusivo a existir então nessa região muito pau podre, próprio para lenha". [Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 153]

(morro plano). Morro em ramificação da Serra da Mantiqueira, no município de São Bento do Sapucahy-mirim, estado de São Paulo. Da planura desse moro avista-se todo o curso do rio Parahyba, desde a cidade de Jacarehy até a cidade da Bocaína.Rio Itapeva é afluente da margem esquerda do Rio Sorocaba, noi município desde nome. Faz barra logo abaixo do salto de Votorantim. Segundo o Dr. J. M. de Almeida, esta palavra significa "lugar de muitas pedras". (Página 171)

Itapucú - Composto de itá-pucú, pedra comprida, rocha extensa, penha longa; barra de ferro (Dr. Theodoro Sampaio). O Dr. J. M. de Almeida, que escreve que também Itapucú, diz, em relação a cachoeira do rio Paranapanema: "Ytá-pucú, pedra larga. De ytá, pedra; pucú, larga".

Itapuvú. Lugar á margem direita do rio Sorocaba, ao Norte do município. É o mesmo Itapebussú. "Itapuví, diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Ytá-pé-ibiy, morro plano, baixo. De ytá, pedra, penha; "pé", plano, chato, "ibiy", baixo. Alusivo a ser esse lugar um planalto pouco elevado, vide "Itavuvú". [“Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil”, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 173]

PARANAPI ACABA. Composto de paraná-apiacaba, vista do mar, donde se vê o mar, miramar; S. Paulo (Dr. T. Sampaio). O Dr. João Mendes de Almeida diz: “Paranapiacaba. Nome atribuído á serra marítima, Cubatão. E alguns o limitam á parte mais alta dessa serra”.

Os dois documentos que podiam nomear esta serra, eram os títulos de sesmaria de Pedro de Góes e de Ruy Pinto; aquele, de 10 de outubro de 1532, este, de 10 de fevereiro de 1533.

Qualquer destes títulos não menciona o nome Paranapiacaba; e o primeiro limita-se a referir-se á “serra que está sobre o mar” — som nomeá-la.

Só em 1674 o padre Lourenço Craveiro, reitor do colégio dos Jesuítas em S. Paulo, anotando o primeiro daqueles títulos, escreveu que aquela “serra que está sobre o mar” é a Paranapiacaba.

Mas, em nota do padre Lourenço Craveiro, não prova senão que já naquelle tempo, em 1674, o nome Paranapiacaba era attribuido á serra Cubatão.

Li as duas Informações do padre José de Anchieta, 1584 e 1586, e nelas não vi o nome Paranapiacaba. Na primeira ele escreveu: “Para o sertão, caminho do Noroeste, além de umas altíssimas serras que estão sobre o mar, tem a vila de Piratininga ou de S. Paulo, 14 ou 15 léguas da vila de S. Vicente...”

Na segunda, foi escrito: “A quarta vila da capitania de S. Vicente é Piratininga, que está 10 ou 12 léguas pelo sertão e terra a dentro. Vão lá por umas serras tão altas, que dificultosamente podem subir nenhuns animais, e os homens sobem com trabalho e ás vezes de gatinhas por não despenharem-se . . . ” (Vide o nome Cubatão).

A verdade é outra. O nome Paranapiacaha era disignativo do caminho entre Piratinin e o porto próximo á foz do rio Mogy. (Vide o nome Mogy e Piaçagoera). Paranapiacaha, corruptela de Pê-rá-nai-piá-quah-a, passagem do caminho do porto de mar. De pê, superfície; rá, encrespada, formando a palavra pê-rá, mar; nai, porto; piá, caminho; guab, passar, que com o accrescimo de a (breve), forma o infinitivo, o qual, não tendo caso, significa a acção do verbo em geral, passagem, segundo a licção do padre Luiz Figueira, em sua Arte de grammatica da lingua brasílica.

No titulo de sesmaria de Ruy Pinto, ha referencia ao porto próximo á fóz do rio Mogy, que foi denominado pelos portuguezes Porto das almadías e também Porto de Santa Cruz; e o nome tupi do porto era y-pia- çába, corrompido em Apiaçaba, logar do apartamento do caminho. De ?/, relativo; pia, apartar caminho; caba, verbal de participio, o mesmo que áha, para exprimir logar, modo, instrumento, causa, fira, intuito, fazendo çaha, segundo a regra ensinada pelo já citado padre Luiz Figueira. O porto permaneceu — porto das almadias — , conforme a denomi- nação dada no titulo de sesmaria de Ruy Pinto, ou — porto das canoas — conforme a denominação geral, até que, já neste século, foi feito o aterrado com as pontes necessárias. Também, nesse titulo de sesmaria, a serra de que se trata não teve menção por seu nome. Eis o que está escripto:

“E dahi (o porto referido) subirá direito para a serra por um lombo que faz, por uma agua branca, que cahe do alto, que chamam Ytutínga, e, para melhor se saber este lombo, entre a dita água branca por as ditas terras não se mette mais de um só valle, e assim irá pelo dito lombo acima, como dito é, até o cume do serro alto, que vae sobre o mar, e pelo dito cume irá pelos outeiros escalvados, que estão no caminho que vem de Piratinim”.

Portanto, o nome Paranapiacaba ficou com a serra, por ter sido abandonado o caminho. Este caminho foi exactamente o escolhido para o traçado da estrada de ferro de Cubatão á cidade de S. Paulo >. Frei Gaspar da Madre de Deus diz que este nome significa — sitio donde se vê o mar. (Página 233)

PARNAHYBA. Não se trata de Paranahyba; nem com este nome ha affluente algum do rio Tietê no mun. do Parnahyba, como o pretendeu Azevedo Marques, em seus Apontamentos Históricos, Geographicos, Biographicos, Estatísticos e Noticiosos da Promncia de S. Paulo, á força de querer explicar o nome Parnahyba.

Ao principio suppuz que fosse corruptela de Piâ-nát-bo, logar do porto do caminho: de piâ, caminho; fiái, porto; bo (breve), para exprimir logar.

Com effeito, defronte da banda do rio Juquery, como reza um documento antigo, em que Melchior da Costa pediu uma sesmaria de terras para suas duas filhas, quando já casado com Suzana Dias, devia existir um porto: e alli era estabele- cida com fazenda a dita Suzana Dias, ao passo que o pedido de Melchior da Costa, em 1610, foi para o logar da actual villa.

Sem duvida era ahi o logar da passagem do rio Tietê, de uma para outra margem. Mas, o nome Parnahyba tem outra verdadeira explicação.

É corruptela de Páu-n-eii-bo, logar de muitas ilhas. De "páu", ilha; “n”, por ser nasal a palavra anterior; "eii", muitos; "bo" (breve), para exprimir logar. Alusivo a uma cachoeira, extensa e estrondosa, acima da vila, no rio Tietê, semeada de ilhotas cobertas de matas. É mesmo vizinha da vila essa cachoeira. Entre as ilhotas ha vários canais, e alguns de difícil pratica.

Como que para moderar a impetuosidade das águas, a natureza colocou, mais abaixo da cachoeira, uma pedra chata, ou ilha granítica, de certa extensão e largura, conhecida por “Itapeya” ou “Ytá-pé-bae”.

De encontro a essa pedra ou ilha granítica, as águas, que descem em catadupas, quebram-se espumantes. Tal ê a origem do nome corrupto Parnahyba. A cachoeira é a hoje conhecida por “Cachoeira do Inferno”. (Dr. João Mendes de Almeida). Vide Paranahyba. (Página 235)



Sorocaba/SP
Votorantim/SP
Araçoiaba da Serra/SP
Araçoiaba da Serra/SP
Rio Anhemby / Tietê
Santana de Parnaíba/SP
Léguas
Rio Sarapuy
Rio Sorocaba
Represa de Itupararanga
Metalurgia e siderurgia
Cotia/Vargem Grande/SP
Ibiúna/SP
Tatuí/SP
Balthazar Fernandes
1577-1670
Serra de Paranapiacaba
Rio Juquiri
José de Anchieta
1534-1597
Cachoeiras
Manuel Eufrásio de Azevedo Marques
1825-1878
Cachoeira do Inferno
Boigy
Belchior da Costa
1567-1625
Rio Itapocú
Caminho do Mar
Rio Mogy
Bairro Itavuvu
São Filipe
Teodoro Fernandes Sampaio
80 anos
Ybyrpuêra
Ytá-pé-bae
Ytutinga
Cubatão/SP
Iperó/SP
Itapeva/SP
Mogi das Cruzes/SP
Santo Amaro/SP
Nheengatu
Ruy Pinto
f.1549
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EMERSON


01/01/1935
ANO:57
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]