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autor:05/03/2024 22:28:47
“Carvalhinho, o primeiro brasileiro”

    19 de junho de 2019, quarta-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
  
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0:00"E o Carvalinho, hein" "Que Carvalinho?"0:02"O Carvalinho, cara, vai me dizer que tu não sabe quem é o Carvalinho!?"0:06"Não sei quem é Carvalinho nenhum".0:09Eu tô há dois anos fazendo esse programa e tu ainda não sabe quem é o Carvalinho?0:14"Não, não sei quem é o Carvalinho!".0:16Pelo amor de Deus, é a última vez que eu te explico quem é o Carvalinho.0:21Cara, é porque tu ainda não leu o livro "Náufragos, Traficantes e Degredados"...0:25porra, desmarquei.0:26Ehehe desmarquei mesmo.0:28Cara, o Carvalinho é um personagem fundamental desse livro, se tu não leu o problema é0:33teu.0:34Tá, tá bom, mas qual é a do Carvalinho?0:36Carvalinho é o primeiro brasileiro, o primeiro brasileiro!0:40Vem aqui conhecer a história dele tu vai gostar demais, é inacreditável!0:45Puta, esqueci de pensar a rima.0:48Essa parte pode entrar junto.0:50Mmmm.0:51"Machadinho, machadinho, por favor não corte o carvalinho" "Machadinho, machadinho, por0:58favor não cortem o carvalinho" sabem que um cara um dia desses teve o desplante, o1:11desplante de dizer que as rimas estão cada vez piores nessa abertura.1:14São rimas geniais, cara, são rimas fantásticas, e mesmo tendo sido a minha filha quem deu1:20essa, ela é perfeita, isso que ela nem sabe também a história do Carvalinho, que nem1:24tu não sabe, e tem tudo a ver com machadinho, cara, machadinho.1:28Bom, essa história começa cara, ã em fevereiro de 1511 quando uma nau chamada Bretoa...1:36Por que chamava Bretoa?1:38Porque tinha sido feita na Bretanha, na Bretanha, que é ali lá em cima na França, junto com1:43a Normandia e tal, um lugar onde faziam muitas naus e barcos e caravelas, embora as fizessem1:49também em Portugal.1:50A questão é que a nau Bretoa pertencia a um consórcio, um consórcio que havia arrendado1:57a terra do Brasil.1:59E por que que chamava terra do Brasil?

Porque tinha pau brasil, embora a palavra Brasil não seja só diretamente ligada aBrasil, tal, blablá, isso é outro assunto.2:08O fato é que essa nau chamada Bretoa veio para o Brasil para recolher pau brasil de2:16acordo com o trato, de acordo com o tratado, de acordo com ã, conforme o acordo que havia2:22sido assinado entre o Fernando, o Fernão de Noronha, o primeiro donatário do Brasil2:29que a gente chama de Fernando de Noronha, mas o nome original era Fernão de Loronha,2:34era o nome autêntico, verdadeiro dele, que era um judeu converso, que era representante2:40em Portugal dos interesses da família Figa, que era uma das famílias mais ricas da Europa,2:45os monopolistas da prata do Tirol, na Alemanha, riquíssimos, que tinham uma rede de casas2:51bancárias cuja sede, embora eles fossem alemães, ficava em Londres e esse Fernão de Loronha2:56era o representante deles em Lisboa, conhecia o rei Dom Manoel, papapá, e arrendou o Brasil3:04em 1502 até... era um contrato de três anos que ia sendo renovado, né, e ele, só ele,3:11poderia explorar o pau brasil.

3:12O contrato dele foi renovado três vezes, acabou mais ou menos em 1511 e ele se associou...3:17tá, não interessa!3:18Já tá ficando longa demais essa história!3:20Vai ler, vai ler, essa história tá toda aqui.3:22

O fato é que a nau Bretoa, que pertencia a uma série de armadores, né, que investiam3:28no trato e no tráfico de pau brasil partiu em fevereiro, dia 6 de fevereiro de 1511 de3:37Lisboa para o Brasil.

3:38Quando eles partiram, só o capitão sabia pra onde eles tavam indo.3:42

Ele, já em alto mar no dia 12 de março de 1511 foi que ele leu o "regulamento da nau Bretoa"... o regimento, perdão, o regimento da nau Bretoa. E esse regimento da nau Bretoa cara, é um documento precioso, um documento incrível que sobreviveu ao tempo e são seis páginas dizendo o que a nau Bretoa vinha fazer no Brasil e de que forma as pessoas que estavam dentro daquele navio deveriam se comportar.

4:12Cara, é um documento árido, é um documento chato de ler, por isso que você precisa depessoas que nem eu, porque eu li e interpretei pra você o regimento da nau Bretoa, que tu não ia ter o menor saco de ler... e em troca disso eu espero que pelo menos tu compre esse livro ou dê dinheiro pro meu canal porque eu tô aqui fazendo essas porra de graçapra ti e tô começando a encher meu saco e é verdade, depois a gente vai tratar sobre esse assunto, do meu desconforto de tu não dar dinheiro.

4:41O fato é que eles partem pro Brasil, né, com esse regimento, e é o seguinte: ali no4:46regimento dizia "estamos indo para o Brasil", só nesse momento que a tripulação ficou4:51sabendo que tava vindo pro Brasil, eles não sabiam pronde eles tavam indo...4:54Podia ser pra África, podia ser pra Índia, podia ser...4:58Não Japão eles não chegaram.4:59Podia ser pra África ou pra Índia, ou podia ser pro Brasil.5:01Era pro Brasil.5:02Estamos indo para o Brasil para recolher toras de pau brasil, essas toras tem que ser recolhidas5:07no tempo mais rápido possível, elas devem ser acumuladas dentro do navio de forma mais...5:14que caiba mais toras possível, nenhum espaço deverá ficar vazio e os marujos e demais5:20integrantes da expedição não podem ããã, como é, aquela palavra, é, dizer palavrão,5:28tem um nome pra isso... não podem praguejar!5:31Não podem praguejar, não podem falar mal do nosso senhor Jesus Cristo, não pode cuspir5:36no chão... porra, não pode cuspir no chão!?5:39Quando chegar no Brasil só pode ir do barco até a feitoria e da feitoria até o barco...5:44a feitoria era o estabelecimento, o entreposto comercial onde as toras de pau brasil já5:48estavam armazenadas pelos indígenas que eles levavam prali...5:52Não pode falar com os indígenas, não pode comer nenhuma mulher indígena, não pode5:56isso, não pode aquilo, não pode aquele outro e não pode fugir pra terra, tem que dormir5:59dentro do navio, blablabláblablá, eram quarteis flutuantes, quarteis flutuantes cara, onde6:07os caras eram submetidos a uma rígida disciplina, rígida disciplina, e não podiam nada nada6:15nada, sendo primeiro punidos com penas pecuniárias, eram descontados do seu salário, depois com6:21chibatadas e depois com desterro, né, com degredo no próprio Brasil.6:27Bom, o regulamento quando você lê já fica na cara o que os caras, tudo que eles faziam...6:32eles praguejavam, eles cuspiam, eles transavam com as nativas, eles fugiam do barco... porque6:37né, se tá escrito "não pode" é justamente aquilo que as pessoas faziam ou tentavam fazer.6:41Tá, o que interessa é que em abril eles chegam na primeira feitoria que tinha sido6:49criada, não a primeira, mas...

Existiam só quatro feitorias no Brasil em 1511: uma em Pernambuco, onde ficava o melhor6:57pau brasil, com mais alta qualidade, né, o corante do pau brasil vindo de Pernambuco7:03era o melhor de todos, tanto é que chamava "bois de Pernambuque", em francês, "madeira7:08de Pernambuco", era assim que o pau brasil chamava, era chamado pelos franceses, que7:13aliás foi quem realmente lucraram com o pau brasil... depois tinha uma na Bahia de Todos7:17os Santos e aí tinha uma provavelmente em Cabo Frio, que algum dia falarei, uma história7:22muito incrível, fundada pelo Américo Vespúcio, em 1502, e outra, possivelmente, não se sabe,essa é misteriosa... essa história que chegaremos... no Rio de Janeiro, na baia de Guanabara, que talvez fosse a tal "Carioca", que deu origem ao nome, ao topônimo "carioca".

Bom, eles chegam em abril na feitoria de, da Bahia de Todos os Santos, muito próximo de onde hoje é Salvador. E iniciam os tratos com os indígenas, as relações com os indígenas...

porque cê sabe, eles davam basicamente machados, facas, miçangas e espelhos pros indígenas.

8:03Passou pra história como "índio quer apito, índio quer miçanga, índio quer guloseima"...

Não cara, é o seguinte: vou ter que abrir mais um parêntesis aqui, vou demorar uma8:13hora falando nesse episódio, não interessa, se tu quiser tu fica aí, se não quiser vai8:16pra outro canal, tu não vai encontrar nada nem próximo disso em nenhum outro canal.8:20Quando os portugueses chegaram no Brasil em 1500 ou talvez provavelmente antes disso...8:26quando os europeus chegam no Novo Mundo, eles encontram com povos indígenas que viviam8:29na Idade da Pedra.8:31Ou seja, eles só tinham pedra, eles não tinham metal...8:34E os portugueses e europeus em geral já chegam depois de terem passado da idade do bronze8:41pra idade do ferro, eles tinham objetos de ferro, e quando os índios veem aqueles objetos8:47de ferro os índios piram, porque isso significa um avanço na humanidade de 300 mil anos,8:53400 mil anos, sai da idade da pedra pra idade do ferro instantaneamente, então os índios9:07não eram burros... e quando eles viram faca, faca era bom de matar, matar ah ah ah, e além9:35de ser bom de ah ah ah matar, ainda servia pra cortar o peixe, cortar fruta, pra cortar9:40isso, cortar aquilo...9:41Outra coisa que eles piraram, isso é um parêntesis, já falei num episódio lá sobre o cabelo,9:45é pente!9:47As mulheres especialmente, mas os homens também piraram se penteando, se penteando, se penteando9:52e olhando no espelho também... e aí olhavam ali o espelho e tal... mas acima de tudo os9:58machados, cara... as facas, os machados e os anzóis.10:02Os anzóis também piraram eles.

Eles tinham anzóis mas não eram tão bons quanto os anzóis de metal.

E então, por exemplo, pra derrubar uma árvore de pau brasil com um machado de pedra, se levava de três a quatro horas, e pra derrubar com um machado de metal levava vinte minutos.

10:48

Então, pô, os índios pois é. Então os índios queriam, queriam, queriam coisas de ferro e tal e trocavam por pau brasil. Eles derrubavam o pau brasil, era em toras que tinham mais ou menos um metro e cinquenta, pra serem transportadas, e um peso médio de 35, 40 quilos cada uma delas, e elas ficavam armazenadas dentro dessas feitorias, onde morava apenas um único feitor que ficava sozinho quase toda a maior parte do ano... os índios abatiam as árvores de pau brasil, derrubavam o pau brasil por volta de dezembro, janeiro e fevereiro e os navios que saíam11:36sempre de Lisboa em março, como é o caso desse, como é o caso do Cabral, que saiu11:39no dia 9 de março de 1500, esse aí saiu no dia seis de março de 1511... chegavam11:49mais ou menos em abril, que nem o Cabral chegou em abril!11:52Ehhhh, que lógica, né.

11:53E aí recolhiam o pau brasil, demoravam um tempo porque tinham que carregar, bababá,11:58enchiam o navio até os gargumilho, e voltavam pra Portugal com a carga, preciosa carga de12:07pau brasil.12:08Só que junto eles também levavam papagaios, onças, jaguatiricas, e macacos, saguis, que12:15valiam um dinheirão lá...12:17Depois eu chego nessa parte, tá, não interessa, não enche meu saco, eu vou voltar pros animais.

12:20E aí eles então estão ancorados em...12:24Na baia de Salvador...12:26Cara, não tô nem na metade do episódio, vai demorar mais de uma hora esse, não enche12:29meu saco, eu falo o quanto eu quiser, se quiser desliga, vai pra outro canal, tu não vai12:31encontrar isso em nenhum outro canal.

12:34Aí ele, eles tão lá na Bahia de Todos os Santos quando o feitor do navio percebe que12:42desapareceram seis machados.

12:44Seis mach... não sei se é bem seis, não interessa.12:49Desapareceram acho que seis mesmo machados, e algumas facas.12:52Ou seja, alguém roubou pra comercializá-las diretamente com os indígenas.12:57Cara, era assim, era um quartel como eu falei, não podia desaparecer uma agulha, inclusive13:02tinha, sério, o número de AGULHAS que vinha dentro do navio estava no regimento, era um13:08negócio assim capitalista selvagem, era cara, tudo anotado, não tem essa de roubar uma13:13agulha que eu sou teu patrão, seu animal!

13:16Tu imagina um machado, né!13:18Aí criou aquele climão, papapá, quem é que roubou o machado, quem é que roubou o13:21machado, blábláblábláblá, né, e aí tiveram que ir pra feitoria de Cabo Frio.13:28Foram pra feitoria de Cabo Frio, né, porque eles tinham posto só metade da carga ali13:32porque tinha uma carga maior em Cabo Frio.13:34Eles chegam em Cabo Frio por volta de junho de 1500 e... ou julho de 1511, não é, e13:40aí ali, no Cabo Frio, é feito um julgamento, o feitor e o capitão do navio, se sabe o13:47nome, eu esqueci, não interessa não enche meu saco, vai pesquisar, lê o livro "Náufragos,13:50Traficantes e Degredados", essa história está toda ali, e aí fazem ali um tribunal,13:54um julgamento e se descobre que quem teria roubado os machados foi o... foi o...14:05Carvalinho, cara!14:06O Carvalinho!14:08O Carvalinho!14:09O João Lopes de Carvalho, Carvalinho, teria surrupiado, junto com um outro cara chamado14:17Pero Anes, os porras dos machados.14:21Então eles são condenados a ficarem no exílio em Cabo Frio.14:26Ahaha ruim né cara, ou tu volta pra Lisboa no inverno ou tu fica no Cabo Frio...14:33Não, mas os cara não queriam né, até porque eles ficaram jurando inocência.14:40"Não fui eu, não fui eu, não fui eu" e até hoje não se sabe se foi, se foram eles14:45ou se não foram eles, pelos desdobramentos da história, porque agora nós estamos chegando14:48talvez no início do começo da metade desse episódio...14:52E aí eles juram inocência.14:55Eles ficam um tempo em Cabo Frio e teriam se mudado pro Rio de Janeiro, tá.15:00Aí tem uma história tão grande que eu não vou te contar porque ninguém na real sabe15:04qual é a origem real do nome "Rio de Janeiro", eu até sigo a teoria do Francisco de Adolfo15:09Varnhagen que é o patrono da história brasileira, o cara que escreveu em 1854 e diz que foi15:15a expedição do Américo Vespúcio, de 1502, que deu o nome "Rio de Janeiro", mas é uma15:19história meio controversa, tem outro cara que eu admiro muito chamado Joaquim Veríssimo15:23Serrão que diz que o nome Rio de Janeiro começa a nascer com o Carvalinho, com o Carvalinho,15:30sim, porque eles... e também tem uma controvérsia enorme que eu vou falar num outro episódio15:34se a feitoria essa que chamava feitoria do Cabo Frio não seria a tal feitoria da Carioca,15:40que era localizada na baía, no Flamengo, na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, que15:44deu origem ao termo "carioca", blábláblábláblá, que é uma história enorme e que se tu continuar15:50depositando dinheiro...15:51TU NÃO TEM DEPOSITADO no canal Buenas Ideias eu talvez faça.15:55Se bem que tive uma ideia melhor... eu vou fazer essa história da carioca só pros membros16:00do canal, só praqueles que pagam aliás uma micharia, quanto que é, cinco reais, sete16:05reais, SETE REAIS, por mês, pra ser membro desse canal!16:10Então só as pessoas, né, Letícia, não é uma boa ideia, tu tá prestando atenção?16:13As pessoas aqui nem prestam atenção, elas tem o dom, a chance de me ver falando tudo16:17ao vivo, de improviso, sem nenhum corte e assim nãaa, ficam desatentos...16:22Presta atenção.16:23Sete míseros reais.16:24Então só vou contar essa história da carioca, que é uma história incrível, da origem16:29da feitoria que deu bababá, pros membros do canal, porque sim, eu sou um elitista.16:33Sete reais, não enche meu saco.16:35Então agora que eu fechei esse parêntesis, eu não vou continuar, eu não vou abrir,16:39eu concluí o seguinte: eu vou contar a história do Carvalinho... vou contar pra você, vou16:43contar aqui na parte aberta, não vou contar só pros membros, mas eu só vou contar na16:47segunda parte do episódio, cara, porque tu não acredita tudo que vai acontecer com o16:53Carvalinho no Rio de Janeiro e partir daí.16:55Então fique ligado que, em seguida, já emendado nesse, na próxima semana, você vai conhecer17:04e vai acompanhar a inacreditável saga do primeiro brasileiro, o piloto João Lopes17:10de Carvalho,17:23o nosso carvalinho!



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EMERSON


19/06/2019
ANO:259
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]