'10 - -01/01/2001 Wildcard SSL Certificates
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Registros (77)Cidades (0)Pessoas (0)Temas (0)

autor:13525
Autor/fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX, 2001. Carlos de Almeida Prado Bacellar

    2001
    Atualizado em 16/01/2026 00:29:53




Fontes (0)


O pequeno povoado de Sorocaba surgiu, ainda no século XVII, como ponto de aglutinação rarefeita de anônimos povoadores, embrenhados no sertão da capitania vicentina. Sabe-se que a área era conhecida desde os primórdios da presença lusa no planalto de Piratininga, pois ali passa o então famoso caminho nativo do Peabiru ou Piabiju, que rumava do litoral para o Paraguai e o Guairá. Com certeza, aproveitado desde o século XVI por indivíduos anônimos cujos traços o tempo apagou, esse caminho facilitou as primeiras explorações dos vastos espaços interiores do Sudeste brasileiro.

Esse acesso facilitado permitiu que se identificassem, já na década de 1590, as jazidas de ferro no morro do Araçoiaba. Sua descoberta, atribuída a Afonso Sardinha, o moço, atraiu a entusiasmada presença do governador geral do Brasil, dom Francisco de Sousa, que, vindo de Salvador, levantou, em 1599, o pelourinho da vila de Nossa Senhora de Monte Serrate, em Ipanema. Embora a exploração mineral e o projeto de vila não tenham vingado, há razoáveis pistas de que a presença dos povoadores, efetivos ou temporários, tornou-se constante desde então.

Outra vez dom Francisco de Sousa encarregou-se de erigir nova vila, em 1609, no lugar denominado Itavovu, trazendo consigo povoadores e praticamente promovendo a extinção do primeiro núcleo, de Ipanema. Embora não se saiba maiores detalhes sobre essas duas povoações, há indícios de que esta segunda tentativa chegou a ser efetivada sob a denominação de São Filipe, em homenagem ao monarca da União Ibérica. De qualquer maneira, tais vilas não progrediram. Instaladas em meio ao vasto sertão, por demais afastadas das zonas de efetivo povoamento, permaneceram, sem contar, ao menos, com a instalação de uma câmara ou de uma paróquia.

O fracasso da consolidação desses primeiros núcleos urbanos não significou, contudo, que a região tenha deixado de receber novos contingentes populacionais. O progressivo incremento da exploração do sertão promoveu, embora em ritmo evidentemente lento, a expansão da frente de colonização informal e anônima durante toda a primeira metade do século XVII.

A terceira e efetiva criação da vila de Sorocaba, em 3 de março de 1661, vinha ao encontro dos grande projetos da Coroa Portuguesa para a bacia do Prata. Tomava-se cada vez mais premente a necessidade de acessar, por via terrestre, os imensos territórios existentes entre São Paulo e as terras de Castela, ao sul. Num primeiro momento, buscou-se incorporar aos domínios lusos os chamados Campos Gerais, no atual estado do Paraná, que, desde princípios do século XVII, vinham se estruturando como fornecedores de gado.

Coincidentemente, o início do povoamento da região de Curitiba, nas décadas de 1650 e 1660, foi praticamente simultâneo à ereção de Sorocaba. Sesmarias foram concedidas nas duas áreas, buscando consolidar o povoamento e garantir que o gado fosse convenientemente explorado. O sul paulista principiava a tornar-se atrativo, e Sorocaba a ser alvo de migrantes em busca de novas oportunidades. [Páginas 21 e 22]

O PROCESSO DE POVOAMENTO25Também os registros de batismo, em especial os referentes aos anos cujos livros estão melhor conservados, comprovam o peso desse segmento da população sorocabana. Em 1684, por exemplo, dos 59 batizados, apenas 18 não foram designados como sendo escravos categoria que, no período, designava, fundamentalmente, índios.Assim, durante todo o século XVII, o apresamento do índio, a penetração territorial e, mais em suas últimas décadas, a comerciali- zação incipiente do gado curitibano permitiram a Sorocaba não o cres- cimento, mas a manutenção de sua existência. Movimentada, aquela pequena comunidade sobreviveu dentro das parcas possibilidades da própria capitania, de economia relativamente insignificante, de popu- lação em grande parte quase miserável, de onde os homens saíam em busca do ganha-pão representado pelo índio e, mais tarde, pelo gado.Inventários do século XVII, como tão bem demonstrou Aluísio de Almeida, são pródigos em descrever os pertences daqueles que denominaríamos a elite dentro da pobreza: grandes bandeirantes, desbravadores dos sertões, possuidores de incontáveis homens em arcos e, ao mesmo tempo, donos de bens ditos valiosos, tais como colchões e roupas velhas, uma ou outra colher, terras com lavouras ínfimas e outros objetos, a denotar a extrema rusticidade até mesmo dos poderosos da terra. Sorocaba inseria-se nesse contexto, sobrevivendo, antes e depois da ereção formal da vila, à medida das possibilidades.

A entrada do século XVIII fez a vila sentir os reflexos quase que imediatos da explosão do ouro nas Gerais. É certo que a deman- da por animais de transporte, assim como por gado vacum para consumo, cresceu vertiginosamente, à proporção que a leva de mineradores se avolumava. Embora a historiografia tenha defendido que a primeira tropa vinda de Curitiba surgiu em Sorocaba somente em 1732, sob o comando de Cristovão Pereira de Abreu, sabe-se que havia, desde há algumas décadas, um afluxo irregular de gado curitibano para Sorocaba.

Em 1723, segundo Aluísio de Almeida, "uma ata da Câmara sorocabana se refere aos gados e cavalgaduras de Curitiba que estragavam caminhos e ruas de Sorocaba” (A. DE ALMEIDA, 1945: 118). Esses animais eram levados até os centros consumidores pelos próprios fazendeiros dos campos de Curitiba, visto que ainda não havia a intermediação das feiras sorocabanas.1818. Vide Trindade, 1992: 25 e seguintes, e A. de Almeida, 1945: 168. [p. 25]

No mais, a falta de maiores notícias é total. As fontes laicas e religiosas renascentes se calam a respeito, desinteressadas em contabilizar as almas naquele vasto sertão. Mas, de fato, houve a consolidação da vila, que se expandiu e, cerca de um século mais tarde, em 1767, contava com 1.066 fogos, distribuídos pelos seguintes bairros, confirma lista nominativa desse ano:

Vila
Rio Asima thé Itapeba
Morros
Campo Verde
Ahú ahiba
Rio abaicho da ponte
Ipanema
Itangoa
Birasoyaba
Iperó
Pirapora
Boa Vista thé Pirajubi
Alambary thé Sarapuhy
Itapetininga
Freguezia das Minas de Paranapanema. (Página 29)

As viúvas tocavam sua vida, portanto, à medida do possível. Nem sempre tinham sorte, e podiam passar sérias dificuldades. Benta Barbosa, viúva, 75 anos, apesar de ter filhos e agregados a sua volta, declarava, em 1772, que “Nada pode colher por não ter quem planete, vivem de fiar algodão e fazer louças”.

Já Quitéria de Quevedo, viúva de apenas 42 anos, apesar dos cinco filhos adolescentes, declarou que “não possue morada de casas e vive de esmolas”, enquanto Rita da Silva, 30 anos, embora figurasse como mãe viúva de dois rapazes (16 e 15 anos) e uma menina (4 anos), também declarou que “vive de esmolas, e de fiar fio de algodão”. [p. 59]

Em 1810, a participação de mulheres na chefia crescera substancialmente no meio urbano; no 1a. Companhia, agora discriminada em seus diversos bairros, tem-se uma visão bem mais detalhada da distribuição espacial do fenômeno:

Vila - 49,7%
Pirapora - 13,5%
Mato Dentro - 10,8%
Preatuva - 16,9%
Itapeva - 25%
Indaiatuba - 19,4%
Itavovú - 20%
Vossoroca - 22% (Página 166)



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Escravizados
Araçoiaba da Serra/SP
Pela primeira vez
Rio de Janeiro/RJ
Itu/SP
Francisco de Sousa
1540-1611
Habitantes
Curitiba/PR
Apoteroby (Pirajibú)
Bairro Itavuvu
Cavalos
São Filipe
Santana de Parnaíba/SP
Indaiatuba em Sorocaba
Sarapuí/SP
Auguste de Saint-Hilaire
1779-1853
Salto de Pirapora/SP
Diogo Domingues de Faria
1618-1690
Paranapanema/SP
Vossoroca
Iperó/SP
Alambari/SP
Inhayba
João VI, O Clemente
1767-1826
Luís Castanho de Almeida
1904-1981
Mato Dentro
Apereatuba
Cotia/Vargem Grande/SP
Carlos de Almeida Prado Bacellar
Itapetininga/SP



Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Introdução


ID: 11801


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 22


ID: 11802


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 23


ID: 11803


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 24


ID: 11804


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Págia 25


ID: 11805


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 26


ID: 11806


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 27


ID: 11807


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 28


ID: 11808


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 29


ID: 11809


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 30


ID: 11810


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 31


ID: 11811


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 32


ID: 11812


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 33


ID: 11813


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 35


ID: 11815


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 36


ID: 11814


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 59


ID: 11816


Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX
Data: 01/01/2001
Créditos/Fonte: Carlos de Almeida Prado Bacellar
Página 166


ID: 11800



EMERSON


01/01/2001
ANO:77
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]