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autor:24/10/2023 21:40:54
Bandeirantes, 14.06.2017. Eduardo Bueno

    14 de junho de 2017, quarta-feira
    Atualizado em 26/10/2025 00:02:02
  
  
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00Verdadeira história de São Paulo foi escrita a fogo e a sangue pelos bandeirantes.0:05E é isso que você vai ficar sabendo aqui, no "Não Vai Cair no ENEM".0:11Sou caboclo regionário. Um bandeirante paulista. Combatente voluntário. Os bandeirantes, embora tenham tido um papel fundamental na história do Brasil, não faziam parte dela, enquanto essa história estava sendo escrita aqui, no Rio de Janeiro.

0:27Sim, estamos no Rio de Janeiro.0:29Porque, quando o Brasil se torna independente de Portugal,0:34os "neo-brasileiros", embora fossem portugueses,0:37concluem que o Brasil não tinha história.0:41Sua história era apenas aquela que Portugal contava.0:45Então, em 1838, 16 anos depois da Independência,0:49se cria o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.0:53

Em 1845, é lançado um concurso pelo D. Pedro II com o título "Como se Deve Escrever a História do Brasil", concurso esse vencido por um alemão, Von Martius, que escreveu um livro que durante anos foi o guia-mestre, o guia-base para se contar a história do Brasil. Nele, não tinha nenhum bandeirante.

1:14Até porque este nome nem existia.1:15Porém, quando São Paulo começa a enricar graças à lavoura do café,1:22os paulistas olham e dizem assim: "Pô, mas a história é contada só por carioca, lá na Corte, no Rio de Janeiro.1:29E não é a história verdadeira!1:30A história verdadeira vamos contá-la nós!"1:33E é muito incrível, porque isso ainda por cima começa a acontecer no Museu do Ipiranga.1:38E ali, nos anos 20, do século XX, surgiram estudiosos que disseram:1:44"Está na hora de contarmos a verdadeira história do Brasil."1:47E inventaram os bandeirantes.1:50Claro que os bandeirantes existiram.1:52Claro que os bandeirantes tiveram uma ação efetiva e intensa na história do Brasil.1:57Só que essa história não era contada, porque os bandeirantes agiram fora da lei.2:01Porque os bandeirantes não eram os três mosqueteiros, eles não se vestiam com aquelas roupas2:05que eles aparecem nesses quadros do Museu do Ipiranga.2:08Domingos Jorge Velho. Raposo Tavares. Anhanguera. Amador Bueno. Não. Na vida real2:13eles andavam de pés descalços, com roupas quase esfarrapadas, falavam praticamente só tupi e2:19eram quase que exclusivamente caçadores de índios. Piratas do sertão.2:24Gente que vivia do que roubava.2:26E a frase "Gente que vivia do que roubava" não é minha, é do Conselho Ultramarino português,2:30que quando viu as ações do Domingos Jorge Velho, que foi contratado para atacar o Quilombo dos Palmares,2:37em Alagoas, para atacar o Zumbi, foi contratado pelo Conselho Ultramarino, que disse:2:42"É gente bárbara que vive do que rouba."2:44Inclusive, quando o bispo de Pernambuco conheceu esse mesmo Domingos Jorge Velho, disse:2:50"É um dos maiores selvagens com os quais tenho topado. "2:54E a conversa entre Domingos Jorge Velho e o bispo de Pernambuco, teve que ter um intérprete,2:59porque o Domingos Jorge Velho praticamente só falava a língua geral. Que é o tupi.3:03Cara, isso explica facilmente porque que esses bandeirantes surgiram em São Paulo,3:08inclusive eles eram chamados de paulistas e de sertanistas.3:11O nome bandeirantes surgiu muito tempo depois. Surgiu no final do século 19.3:16Eles eram sertanistas, porque viviam no sertão, e sertão você sabe o que quer dizer sertão, claro, né.3:22Sertão quer dizer "desertão". É. Eram vastas extensões de terras3:27selvagens, selváticas, pelo interior do Brasil, só que elas não estavam desertas, né.3:32Elas estavam ocupadas por milhares de indígenas, se calcula que, inclusive que os3:36bandeirantes ao atacar-lhes as missões jesuíticas: as missões no Guairá, do Paraná;3:41do Itatim, no Mato Grosso; do Tape, no Rio Grande do Sul.3:45Atacarem esses lugares que os jesuítas tinham criado, as reduções, teriam escravizado3:50356.720 indígenas.3:55Segundo os cálculos de um historiador, chamado Alfredo Ellis Jr., mas parece que foi3:59356.720,5. Porque tinha um anão, que ele esqueceu de contar, não sei se é o anão do Game of Thrones.4:05Mas o fato, é que ao atacarem essas missões, os bandeirantes paulistas teriam4:11escravizado em torno de 400 mil índios,4:15destruíram essas missões e trouxeram esses índios para serem vendidos como escravos em São Paulo,4:20para trabalhar na Baixada Santista e na lavoura canavieira do Nordeste do Brasil,4:24esses bandeirantes muito apropriadamente não viraram nome de rua, né.4:28Eles são nome de estrada, tamanha a locomo-, o jeito que eles se locomoviam inacreditavelmente,4:33mesmo pelo Brasil, alguns deles caminharam 3 mil, 4 mil quilômetros, a pé.4:37O que mais se notabilizou deles é o Raposo Tavares.4:40Raposo Tavares tem uma história bem interessante, né, o pai dele chegou no Brasil fugido por4:44ter roubado dinheiro da coroa, mesmo assim virou um dos capitães-mores de São Vicente, na Baixada Santista,4:50do lado de Santos, em São Paulo, depois o próprio Raposo Tavares morou e viveu em São Paulo,4:54a vida inteira e atacou as missões no Rio Grande do Sul, em 1627, né.4:59Depois, por volta de 1640, ele fez uma jornada que se iniciou em São Paulo e o levou até a Bolívia5:05quase até os Contrafortes dos Andes e ele desceu pelos rios formadores do5:10Amazonas até Belém do Pará, em Belém do Pará voltou para São Paulo, tudo a pé ou em canoas indígenas.5:15Quando chegou em São Paulo, não foi reconhecido nem pela pró-, nem pelo próprio cão.5:21Verdade, o cachorro dele, que nem o cachorro do Ulisses, na Odisseia, latiu para ele,5:25quando ele voltou, e o cão latiu e depois desfaleceu.5:29Como se constituíam essas bandeiras. Elas eram basicamente feitas por:5:33um capitão-mor, com poder de vida ou morte sobre as pessoas que o acompanhavam;5:39uma dúzia de homens brancos, absoluta maioria deles paulistas, nascidos em São Paulo;5:43300 ou 400 mamelucos, ou seja filhos de mãe indígena com o pai português;5:49e às vezes até 2 mil índios, ou escravos, ou domesticados. Essas bandeiras se punham em marcha5:56partindo, a partir, de São Paulo, porque São Paulo ficava no centro de uma rede de trilhas indígenas6:01é incrível. É incrível. Todas as grandes estradas brasileiras6:04eram trilhas pré-históricas percorridas pelos índios.6:07A Régis Bittencourt, que vai de São Paulo a Curitiba e ao sul do Brasil,6:11a Via Anchieta, a Imigrantes, Via Dutra, a Castelo Branco, a Fernão Dias,6:16todas essas estradas que unem, que tornam São Paulo a capitão-, capital geográfica6:22do Brasil, e que unem São Paulo a todo o resto do Brasil eram, originalmente, percorridas pelos índios,6:28os bandeirantes que aprendem a viver que nem os índios, a caminhar em fila indiana, que nem os índios,6:33a sobreviver na mata comendo mel silvestre, comendo palmito,6:38vivendo de caça e de pesca, criando abrigos de folhas, tudo.6:42Uma técnica de sobrevivência tupi, todas elas aprendidas pelos paulistas.6:47E aí quais são os principais bandeirantes, a gente ia acabar sabendo os nomes de cabeça:6:51Fernão Dias, que é um cara que ficou sete anos no sertão procurando esmeraldas, encontrou turmalinas,6:57achavam que eram esmeraldas e morreu feliz da vida, sem saber que não tinha encontrado nada de real valor;7:03Raposo Tavares, né, do qual eu já falei, que é o bandeirante por excelência;7:06O Anhanguera ia ser uma maravilha, né, que é o cara que pôs fogo na cachaça dizendo7:11"É água", mostrou para os índios, "Água" botou fogo, Anhanguera, o Diabo Velho,7:15Bartolomeu Bueno da Silva, um homem de uma crueldade impressionante;7:18Domingos Jorge Velho, que é o cara que combateu o Quilombo dos Palmares;7:23então, e outro bandeirante que se notabilizou, é o Borba Gato, se notabilizou tanto que virou um "monstromento",7:30é, como é chamada uma estátua de ladrilhos que tem em São Paulo, que é a coisa mais quite,7:35daquela cidade já quite por si, porque os bandeirantes foram chamados de raça de gigantes7:41por esses historiadores do Museu do Ipiranga, né, e viraram gigantes mesmo,7:45principalmente gigante de ladrilho.7:47Outro momento engraçado dessa história dos bandeirantes, que vale a pena ressaltar,7:50é que em 1954, São Paulo completou 400 anos, então esses 400 anos fizeram com que houvesse7:58uma grande celebração da história de São Paulo, a inauguração do Parque do Ibirapuera,8:04grandes exposições e "paralá", e daí surgiram os paulistas "quatrocentões", todos muito ricos,8:09muitos deles cafeicultores, e aí se orgulhando das suas origens, só que as origens deles8:14eram justamente esses caçadores de índios, esses piratas do sertão.8:18Né, mas é. Aí.8:20Só que eles já tinham virado, quase, uma nobiliarquia, né, e esses caras viraram heróis,8:24é impressionante, eles não tiveram nada de herói, e é assim que encerro esta história.8:29A história é fabricada,8:31a história é inventada e teve um lado muito legal de São Paulo8:36inventar esses seus heróis, que aliás são a cara de São Paulo, para contrapor a essa história8:41contada no Rio de Janeiro pelo Instituto Histórico Geográfico,8:44entendeu. E pelo menos eles criaram genuínos heróis brasileiros.8:49Genocidas, assassinos e heroicos.8:52É isso, você só vai ouvir essa história aqui, no "Não vai cair no ENEM", comigo Eduardo Bueno.8:58O que você acaba de ver está repleto de generalizações e simplificações,9:02mas o quadro geral era esse aí mesmo.9:04Agora, se você quiser saber como as coisas de fato foram, então você vai ter que ler.



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EMERSON


14/06/2017
ANO:185
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]