Frazio degli Uberti, o dos irmãos Pizzigani e aquele do convento camaldolense de Murano. E, paro terminar, tratando-se dos mapas do secuio XIV, tem´os o celebre Catalão de 1375 feito em Maiorca para o rei Carlos V de França, que não só menciona as ilhas atlanticas da Madeira, C::marias e Açores, como tambem a costa d´ Africa além do Cabo Bojador, fazendo menção da viagem de Jaime Ferrer ao Rio do Ouro em 1346.
No seculo XV, é ainda a cartografia italiana aque domina. Considerado como o mais antigomapa desse seculo, é citado aquele existente noMuseu do Card~al Stefano Borgia, em Velletri,cuja data é fixada entre 1401 a 1410. Vem a seguiro Atlas de Nicolau Pasqualini, de 1408.
No palacioPitti, em Florença, existe a carta desenhada em1417, e na Biblioteca de Reims, a que foi doadanesse mesmo ano pelo Cardeal Guilherme Fillastre. O autor deste mapa adotou em parte o sistema de Ptolomeu, e como este geografo, cometeuvarias erros, inclusive aquel~ de que a terra é circundada pelo oceano. Em seguida vêm os de Leonardo Dati (1423-1424), existente em Florença; ode Giacomo Girbldi de 1426; o de Battista Beccariode 1435; o de André Bianca de 1436 que está emVeneza; o de Giorgi Calapoda de 1437; o de André Bianca de 1448, arquivado na Biblioteca Ambrosiana de Milão; o de Pareto de 1455. O mapade Fra Mauro, de 1459 da Biblioteca Marciana deYeneza, procura conciliar o·s dados sobre descobertas niaritimas dos portugueses ao longo do conti·nente negro, com a tradição classica e com asideias mais aceitaveis de Ptolomeu. Depois dacarta de Fra Mauro, são conhecidos cinco mapasdo cartografo natural de Ancona de nome Gracioso Benincasa e que se encontram: o de 1468 noMuseu Britanico; o de 1469 na Biblioteca de Ancona; o de 1471 na Biblioteca do Vaticano; o de1473 na Biblioteca Universitaria de Roma; e o det.180 na Biblioteca Nacional de Viena. Com a datamais ou menos de 1471, existe na Biblioteca Estense de Modena, um portulano português representando a costa atlantica da Europa e Africa qcidental, desde a Normandia ao rio do Lago, no go]foda Guiné. Esta carta assinala tambem as ilhas dosarquipelagos da Madeira, Canarias e Cabo Verde.Na direção oeste e mais ou menos na latitude certa, estão as ilhas dos Açores e nada mais. Em 1486o veneziano Cristoforo Soligo desenhou um mapaque está no Museu Britanico. O mais moderno documento cartografico do seculo XV, é o famosoglobo de Martim Behaim, conservado na Biblioteca de Nuremberg e que foi feito em 1492.Pois bem. Quase todos esses mapas e portulanos dos seculos XIV e XV, assin.alam no então Mar Oceano dos portugueses e espanhois, umaserie de ilhas imaginarias rodeadas de lendas asmais extravagantes, tais como Antilha ou Sete Cidades, S. Brandão, Man Satanazio, Brasil, etc. alémdas autenticas pertencentes aos arquipelagos daMadeira, Canaria e Açores.Homem empreendedor, como era o Infante D.Henrique, ao mesmo tempo que se dedicava à empresa lucrativa da Africa, era natural que lambemcuidasse de mandar alguem sondar o Atlantico nadireção d´Oeste com o fito de verificar o que deverdade havia com ´relação às ilhas figuradas nesseoceano pelos cartografos a que nos referimos. Desse modo, em 1431 D. Henrique mandou GonçaloVelhio Cabral à procura dessas ilhas, resultando [p. 8, 9]
CAPITULO IIIO lendario João RamalhoQuerendo dar aos portugueses a prioridade doconhecirnenfo da .Arnerica, frei Gaspar da Madrede Deus, em um documento datado de 3 de julhode 1784 e existente no arquivo do Mosteiro de S.Bento, em São Paulo <90>, depois de narrar o descobrimento do Novo Mundo por Colombo, devido àsinstruções que lhe dera a viuva de Alonso Sanches(não o proprio Sanches, corno referiu Oviedo, Gornara, Garcilasso e outros), procurou reivindicaressa gloria a João Ramalho, porque, disse´ FreiGaspar, no ato de fazer o seu testamento em SãoPaulo, no dia 3 de maio de 1580, declarou, sem queninguern perguntasse, que havia uns noventa anosque estava no Brasil, do que concluiu Frei Gaspar que esse português já residia em terras americanas, oito anos antes que Colombo as tivesse pelaprimeira vez descoberto. São estas as expressõesde Frei Gaspar:
"Eu tenho urna copia do testamento original de João Ramalho escripto nas notas da Villa de S. Paulo pelo tabellião Lourenço Vaz, aos 3 de Maio de 1580. A factura do dito testamento, além do referido tabellião assistiram o Juiz OrdinarioPedro Dias e quatro testemunhas, as quaes todos ouvirao as disposições do testador. Elle duas vezes repetiu que tinha alguns noventa annos de existencia nesta terra, sem que ninguem lhe advertisse que se enganava. . . Se pois na éra de 1580contava João Ramalho alguns 90 annos de residencia no Brasil, segue-se que aqui entrou em 1490, pouco-mais ou menos; e como a America pela parte do Norte foi descoberta em 1492, resulta que no Brazil assistirão Portuguezes 8 annos pouco maisou menos, antes de se saber na Europa que existia o mundo novo: digo Portuguezes no plural, porque das Memorias do Padre Jorge Moreira, escriptas no meio do seculo passado, consta que com João Ramalho veio Antonio Rodrigues, o qual, diz o author, casara com uma filha de Piquirobi, Cacique da aldêa de Hururay."
Todos os historiadores nacionais de mérito que de João Ramalho têm tratado, entre os quais agora lembramos os nomes de João Mendes Junior, Azevedo Marques, Machado de Oliveira, João Mendes de Almeida, Barão do Rio Branco, Capistrano de Abreu, Moreira Pinto e Teodoro Sampaio, são unanimes em declarar que absolutamente ele não antecedeu a Colombo no conhecimento da America e quase todos concordam em afirmar queFrei Gaspar foi vitima de um engano por parte de, copista que lhe tirou a copia do testamento do Alcaide-Mor de Santo André, o qual, por estar o referido documento original com as letras semiapagadas devido a ação do tempo, tomou um 7 dooriginal por um 9 e em vez de 70 anos como estava no original, escreveu 90.
Parecerá, à primeira vista, que essa referenciados eruditos historiadores nacionais não é digna de todo o conceito, com o que de fato concordaria.mos, se ela .não fosse fortemente documentada.João Mendes Junior <91), baseado no livro devereanças da Camara de S. Paulo, sessão de 15 defevereiro de 1564, diz: "João Fernandes, escrivã(\da Camara, e Balthazar Rodriguez, procurador docon~elho, vão á casa de Lourenço Martins, onde estava de pousada João Ramalho, e ahi lhe requerem que aceitasse o cargo de vereador de S. Paulo,porque saira na eleição em pauta; João Ramalhorecusou-se, allegando ser homem velho, maior dei:8 annos."Se, como vemos, baseadb em um documentepublico, o dr. Mendes Junior declara que em 1564João Ramalho era màior de 78 annos de idade, emJ580, ao fazer o seu testamento, teria de fato pert´lde 94 anos, isto é, mais ou menos uns noventa,porém não de Brasil, como declarou Frei Gaspar,mas sim de idade.Um outro documento de valor para a presentediscussão, é sem duvida, a carta de sesmaria a favor de Pedro Góes, das terras de Tecoapara, vertentes do Geribatiba, ao oriente de Santos, e passada por Martim Afonso de Sousa, em 15 de outubro de 1532. Um dos topicos dessa carfa de sesmaria escrita pelo escrivão Pedro Capico, diz:" ... e levei comigo João Ramalho e A,ntonio Rodrigues, linguas desta terra, já de quinze e vinteannos estantes nesta terra, etc." <92>Se nessa data (1532) já os dois referidos linguas contavam, um quinze anos e outro vinte de [p. 88, 89, 90]