*Viagem ao redor do Brasil, 1875-1878 - João Severiano da Fonseca 1836-1897 1880, quinta-feira ver ano
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Segue o texto sem formatação especial:Redação30 — VILLA BELLAouvidor de Cuyabá o Dr. Antonio Alvares Lanhas Peixoto, que buscava promover os augmentos daquelle sertão como uma guarida e providencia para os viajores. A frota, que partiu em duas divisões, teve, a da vanguarda aniquilada logo na foz do Cuyabá(a), onde se detivera á espera da outra(b). No anno seguinte (1730) foi victima o proprio Dr. Lanhas Peixoto (c), que, partido á 7 de junho, com quatrocentas pessoas, conduzindo sessenta arrobas de ouro, foi acommettido por aquelles indios perto de Ariacuné, ou Rio-Negrinho, uns 16 kil. acima da foz do Cuyabá(d); escapando apenas duas pessoas que esconderam-se no matto, onde foram dias depois encontrados por duas pequenas frotas capitaneadas por Felippe de Campos Bicudo e João de Araujo Cabral, que iam tambem de conductores do ouro dos quintos: e nessa conjunctura mandaram um proprio á villa pedindo reforço; mandando-lhes a camara que voltassem, o que cumpriu Bicudo; mas não Araujo, que preferiu tomar rumos, sertão á dentro, levando á hombros o ouro de El-rei (e).Em 1731 outra frota de pescadores foi até a barra do S. Lourenço, onde os payaguás os capturaram: entre elles João Martins Claro, de Sorocaba; Manoel Furtado, fluminense, e os portuguezes Manoel Francisco e Domingos Martins. Após oito mezes de miserias e tormentos lograram os dous primeiros escapar-se, contando extraordinarias aventuras e miracu-Notas de rodapé:(a) A foz do Cuyabá está aos 17º 19´ 43´´ lat. e 321º 50´ O. da ilha de Ferro (Lacerda, commissão de 1782).(b) Os conductores desta foram presos por ordem do juiz ordinario Thomé de Gouveia Sá de Queiroga,—"um celebre moço fidalgo da casa de S. M., diz Sá, mais abundante de presumpção que de boas insinuações,—" por pretender que iam fugidos para os castelhanos. Sá, obra citada.(c) Tinha por piloto Ignacio Pinto Monteiro, que, com um outro moço de nome Miguel Pedroso da Silva, deixou heroica fama da sua defesa e morte, do mesmo modo que o ouvidor.(d) Em 83 canoas, diz Sá, e mais de trezentos bugres.(e) Disso o ouvidor José de Burgos Villa Lobos tirou devassas para dar sciencia ao governo. Reg. do senado da camara do Cuyabá, livro 2º — onde tambem é citado n´uma carta de Cabral. [p. 30]
Segue o texto sem formatação especial:RedaçãoCIDADE DE MATTO-GROSSO 31losos episodios, quaes o de onças que lhes mostravam o caminho, e abandonando suas prêas lhes deixavam caça recem-morta que lhes matou a fome; ora tatús, que, perseguidos, buscavam os buracos, onde encontravam agua para os saciar.Ainda nesse anno, outra expedição de Cuyabá, partida em busca de escravos fugidos, foi egualmente destruida.Em 1733, José Cardoso Pimentel, com cincoenta canoas, e muita gente e fazenda, perdeu tudo, escapando apenas quatro homens, junto á barranca do Carandá, nos pantanaes do Cuyabá e S. Lourenço, onde o vigario Justo celebrára a sua primeira missa parochial. Ainda ahi, tres annos mais tarde foi destroçada a monção de S. Paulo, conduzida por Pedro de Moraes Siqueira, onde vinha um franciscano de nome Fr. Antonio Nascentes, alcunhado desde então o Tigre, por sua valentia na defesa, e de quem diz Southey, não sei com que fundamento, que si suas vida e virtudes tivessem sido fielmente escriptas dariam um dos mais apreciaveis escriptos da historia seraphica. Tão valente como o frade, vinha tambem um mulato de Pindamonhangaba, Manoel Rodrigues do Prado, ou Manduassú, nome que lhe davam pela sua extrema corpulencia; aquelle morreu, mas Manduassú chegou á Cuyabá, onde a fama de sua bisarria lhe fez concederem a nomeação de capitão do matto.Fôra extenso e fastidioso relatar todas as aggressões e tropelias commettidas pelos selvagens; citarei apenas as datas das principaes: em 1740; 1743; duas em 1744, uma n'um arraial florescente no Alto Paraguay, em caminho para os sertões do Matto-Grosso, e outra no S. Lourenço; em 1762 e 1771 pelos cayapós, nas lavras dos Remedios e Cocaes, e pelos payaguás já no rio Cuyabá; no anno seguinte pelos cayapós e bororós na aldêa de Sant'Anna da Chapada, onde levaram sua ousadia ao ponto de assolarem os suburbios da propria villa; em 1773; em 1775 pelos payaguás, de novo, no Alto Paraguay, e pelos bororós no [p. 31]