Após vencer a “Batalha de Venda Grande” em Campinas, dia 7 de junho de 1842, Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880), então Marquês de Caxias, entrou em Sorocaba no dia 21 de junho. Teria mandado enterrar os canhões junto à ponte do rio Sorocaba. [24903]O líder da Revolução Liberal, Rafael Tobias de Aguiar (1794-1857), foi preso em 8 de novembro, em Palmeira das Missões/RS, 839 km de Sorocaba, com o enteado, Felício Pinto de Castro. Em 3 de janeiro de 1843 Tobias é encerrado na Fortaleza Laje, na cidade do Rio de Janeiro, e em 14 de fevereiro transferido para o forte de Villegaignon, na mesma cidade, em companhia da Marquesa de Santos e um filho, o enteado Felício, um sobrinho, um amigo e quatro escravos. Lá permanece até a anistia, em 14 de março de 1844. [20533]Em 1844, segundo os documentos da Câmara Municipal de Sorocaba, foi mandado construir, por uma sociedade em que o maior acionista era o Raphael Tobias de Aguiar, o teatro São Raphael. Para esse fim, sua mãe, Gertrudes Eufrosina Aires, fez a doação de uma área de terreno no fundo do quintal de sua residência, situada no Largo das Tropas, Largo da Artilharia, depois Largo de Santa Gertrudes, atualmente praça Dr. Fajardo [29686]. Tobias nasceu alí, esquina da rua XV de Novembro com a atual Gonçalves Ledo, em 4 outubro de 1794 [2506] [3722].Gertrudes Eufrosina Aires nasceu em 1777, filha de Paulino Aires de Aguirre (1735-1798) e Anna Maria de Oliveira Leme (1746-1784). Faleceu dia 17 de novembro de 1846, aos 69 de idade. Pelo lado paterno era neta de Gabriel Ayres de Aguirre (1710-1769), Anna Pires da Motta. Pelo materno, de Salvador de Oliveira Leme (1721-1802) e Maria do Rosário Leme (1728-1784). Seus bizavós, portant tataravós de Rafael Tobias de Aguiar são: Gaspar Gonçalves da Fonseca e Catharina Quaresma Ayres de Aguirre; Miguel Gonçalves Martins e Josefa Nunes de Freitas; João Lourenço Corim (1687-1739) e Maria de Jesus Barboza (n.1689); Thimóteo Leme do Prado (n.1695) e Inês Dias de Alvarenga (n.1700) [33060]Em 1913, os canhões foram levados e novamente enterrados, com as bocas para baixo, numa das esquinas da atual Praça Frei Baraúna. [24903] Em 9 de março desse ano o Jornal Correio Paulistano; — Existem nesta cidade, enterrados em esquinas do Jardim Publico, dois colossaes canhões, fundidos na fabrica de ferro do Ipanema, neste municipio, e que serviram na celebre revolta de 1842, chefiada pelo brigadeiro Raphael Tobias.Ha pouco tempo o governo do Estado solicitou da Camara Municipal autorização para transportar os referidos canhões para o Museu do Ypiranga, sendo desattendida a sua pretenção, por motivos incomprehensiveis.Tal attitude da municipalidade causou certa extranheza, pois aquelles instrumentos de guerra, na situação em que estão, nada representam e, portanto, nada significam.Sabemos, entretanto, que um dos vereadores, ha dias empossados, vae apresentar uma indicação autorizando a Camara Municipal a offerecer aquelles canhões ao governo do Estado. É uma lembrança digna de consideração. [28917]Tal situação motivou, em 1917, o jornal A Cidade de Sorocaba a publicar um artigo protestando contra o abandono de tão valiosas peças históricas. O texto sugeria que as relíquias deviam ser recuperadas e expostas em algum museu ou mesmo distribuídas pelos dois Grupos Escolares da cidade, ajudando os professores a ensinar para seus alunos sobre um dos factos mais notáveis de Sorocaba. E reitera: "Os canhões historicos enterrados de bocca para baixo na praça Frei Barúna são um symbolo altiloquente do espirito nacional: amordaçado pela ignorancia e pelo despreso das tradições patrias."Em 23 de setembro de 1930, o jornal Cruzeiro do Sul noticia que os famosos canhões seriam colocados na praça Dr. Fajardo, não sem antes mencionar uma série de boatos a respeito do destino das peças, até de que seriam vendidos como ferro velho, a 500 réis o quilo.Inaugurado a estátua de Rafael Tobias de Aguiar na Praça Artur Fajardo10 de out. de 1971, domingo ver ano
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