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Oré yvy noi porai: multiterritorialidade entre Unidades de Conservação e territórios indígenas no estado de São Paulo

    2019
    Atualizado em 29/12/2025 11:32:53



pela Natureza, o dificílimo passo conduzido ao país encantado dosdourados […]. (PRADO, 1972).Este empreendimento de acesso às terras altas obteve possibilidades dedesenvolvimento, mais uma vez, devido ao conhecimento e práticas dos indígenasda região e exploração da sua força de trabalho. O chamado “porto indígena prélusitano”, às margens do rio Perequê (atual município de Cubatão), foihistoricamente utilizado como ponto de ligação entre costa e planalto pelos gruposque desciam à serra para atividades de pesca sazonal e contato com outrosindígenas, servindo-se também da foz dos rios para uso de embarcações. Ocaminho era considerado o mais trilhado e também o mais adequado para atravessia – em comparação aos demais – pelo relevo que atenuava-se entre cumesdevido à deposição de material rochoso e que formava terreno plano após apassagem do primeiro escarpado (PERALTA, 1973).Sabe-se que muitas vias de acesso atuais originaram-se da complexa rede detrilhas utilizadas pelos povos originários em tempos pré-coloniais, como o chamadocaminho de Peabiru que interligava a costa vicentina cruzando o continente e acordilheira andina até a costa pacífica do Peru. A partir do seu tronco principal,algumas conexões se ramificavam em outros traçados, registrados nos relatos decolonizadores desde o século XVI, a exemplo do explorador Ulrich Schimidel e omissionário Padre Montoya (CORREA, 2010).O caminho conhecido como a trilha dos goianases, ou caminho de Perequê,foi utilizado por Martim Afonso e João Ramalho em 1532 para seu primeiro acessoao planalto. Este caminho, desativado por ordem do Governador Geral em 1560, foiconhecido posteriormente como o “caminho velho” e deixou de ser utilizado por estar“muito infestado do gentio contrário”, grupos tamoios do Litoral Norte queincursionavam pelos igaraçus para guerrear e assaltar os portugueses. Lichti (1986)aponta que este trajeto atravessava a chamada serra de Ururaí, domínio proibidoaos “homens da nova ordem” pela oposição do grupo do líder indígena Piquerobi,enquanto que as zonas de influência de Tibiriça mostravam-se favoráveis aosportugueses.O mesmo autor relata que a preferência de acesso ao planalto passou entãoao novo caminho do mar, localizado há alguns quilômetros ao sul do anterior e [Página 79]

Apesar das questões relacionadas à disponibilidade de força de trabalho, otrajeto de terra atingiu à vila de Santos dois anos após o início das obras, resultadoprincipalmente do emprego de trabalhadores africanos escravizados, seus serviçosde “roçada, derrubada da mata, transporte de terra e corte de madeira para aspinguelas” (PERALTA, 1973), possibilitando o trânsito de mercadorias na estrada detreze quilômetros de extensão e quatro pontes, que ligou Cubatão ao porto deSantos por sobre o manguezal. Sua manutenção, entretanto, enfrentou as mesmasdificuldades relatadas em sua execução.Neste período, a partir do desenvolvimento da lavoura canavieira no planaltopaulista e do início do ciclo do café, as condições de tráfego no calçamento da serrae o transporte tropeiro de mercadorias apresentavam-se insuficientes edispendiosos, tornando-se frequentes as solicitações dos comerciantes para aconstrução de uma via “carroçável” para a interligação ao litoral. Em 1841, Tobias deAguiar, presidente da Província, determinou o início dos estudos de campo paraavaliação topográfica e localização de um trajeto que comportasse uma estrada paracarros, conhecida como a “Estrada da Maioridade”, nominação devida à recentedeclaração de maioridade de D. Pedro II para sua ascensão ao poder (fatoconhecido também como Golpe da Maioridade).A ascensão cafeeira, imigração europeia, implantação de ferrovias, dentreoutros fatores, determinaram um novo período de transformações na paisagem daBaixada Santista. Wendell (1966), engenheiro da Comissão Geográfica, se dedicoua explorar os vestígios dos antigos caminhos da Serra em 1921 e aponta acronologia descrita neste tópico. Tais caminhos foram a base para o posteriorestabelecimento do tráfego ferroviário, desenvolvimento portuário e do atualcomplexo de rodovias:Chego agora ao verdadeiro assunto desta palestra: caminhos antigos daSerra de Santos. Em ordem cronológica são os seguintes:1) O caminho de Piaçaguera de cima, que dêsse lugar subia a Serra pelosecular trilho dos Goianases, no vale do Ururaí, onde hoje correm os trilhosda inglêsa.2) O caminho do Padre José, pelo vale do Perequê.3) A estrada da Calçada do Lorena, que, partindo de Cubatão, subia por emcontraforte da Serra de Paranapiacaba, em zigue-zague e calçado de lajes.4) A Estrada da Maioridade, que, partindo do alto da Serra, desce,contornando pontas de espigões e grotas. Essa estrada foi melhoradavárias vezes e, em nossos tempos, adaptada para o trânsito de automóveis,com pavimentação de concreto e com outros melhoramentos. (WENDELL,1966). [Página 85]



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
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Ururay


EMERSON


01/01/2019
ANO:259
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Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]