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autor:23/10/2023 19:07:55
Um mapa da América portuguesa e outros para a Capitania de Minas Geraes produzidos na Vila Rica dos anos 1760, Antônio Gilberto Costa. VIII Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica Porto, Baião, Chaves - 28 a 31 de Outubro de 2019

    outubro de 2019, terça-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  


Resumo:Na busca por entendimentos sobre as fronteiras entre as capitanias de Minas Gerais e São Paulo e informações acerca de políticas oficiais visando as suas delimitações, foi possível constatar uma ativa produção de mapas na Vila Rica dos anos 1760. Desseconjunto pesquisado destaca-se um cujo território representado em muito extrapola as divisas e os interesses de Minas. De modogeral, essa produção deu-se em função da determinação de Luís Diogo Lobo da Silva, 4º Governador e Capitão-General da Capitania de Minas Gerais, que tinha essas delimitações com um dos principais objetivos do seu governo, mas não só. A partir de1763, e até o final da sua administração, em 1768, Luís Diogo defendeu as divisas de Minas, determinando que as demarcações eoutras informações disponíveis sobre a capitania fossem lançadas em documentos cartográficos como a CARTA GEOGRAPHICAque compreheende toda a Comarca do Rio das Mortes, Villa Rica, e parte da cidade de Mariana do Governo de Minas Geraes e aCarta Geographica da Capitania de Minas Geraes e Partes Confinantes, Anno de 1767. Certamente visando outros interesses,que não só os da capitania sob a sua responsabilidade determinou a produção de um documento representando praticamentetodo o território português na América e intitulado:CARTA GEOGRAPHICA da AMERICA MERIDIONAL Dividida em sete principaes partes (...), apresentada em 1768. Outro documento, como a CARTA GEOGRAFICA do Termo de Villa Rica, em q’ se mostraque os Arrayaes das Catas Altas da Noroega, Itaberava, e Carijós lhe ficão mais perto, q ao da Villa de S. José a q pertencem, eigualmente o de S. Antonio do Rio das Pedras, q toca ao do Sabará, (...), produzido em período imediatamente anterior ao inícioda administração de Luís Diogo, integra esse conjunto de documentos. [Página 1 do pdf]

Com certeza o pedido do Conde da Cunha foi atendido, pois sabe-se que sob as suas ordens foi produzido um mapapara a Capitania do Rio de Janeiro por volta de 1767. O mapa foi feito pelo Sargento-Mor Manoel Vieira Leão em formato de folhas, que em 1797 constituíram a base para a produção da Carta Geographica da Capitania do Rio de Janeiro.Por conta do conteúdo dessas correspondências e em especial daquela de outubro de 1765 fica-se com a informação sobre a existência de duas cartas envolvendo território mineiro e certamente a região da Comarca do Rio das Mortes, massobretudo com a certeza de que uma delas foi produzida em Vila Rica e outra no Rio de Janeiro. Assim como já sugerido,pode-se supor que um destes dois mapas, semelhantes entre si, foi preparatório para a produção de um outro, abrangendotoda a capitania de Minas e datado de 1767, e que, há esse tempo, já estaria em fase de produção na capital das Minas.Sobre a existência dessas duas cartas, em princípio entendidas como sendo para a Comarca do Rio das Mortes, aindaque não se tenham informações sobre os originais, mas apenas sobre suas cópias, sabe-se que elas se encontravam soba guarda do antigo Arquivo Militar. Comparando a cópia fotográfica apresentada na publicação oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de S. Paulo, vol. XI, com a cópia de 1827, da Mapoteca do Itamaraty, constata-se que as duas apresentam diferenças com relação a disposição de inúmeros topônimos, o que poderia indicar serem estas as cópias das duas originais mencionadas pelo Conde da Cunha e com as suas respectivas diferenças de origem.

A CARTA GEOGRAFICA do Termo de Villa Rica

O documento em questão traz a representação apenas da parte central do território mineiro e certamente foi produzido em data anterior a 1767. Fazendo parte dos acervos do Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, a CARTA GEOGRAFICA do Termo de Villa Rica, em q’ se mostra que os Arrayaes das Catas Altas da Noroega, Itaberava, e Carijós lhe ficão mais perto, q ao da Villa de S. José a q pertencem, e igualmente o de S. Antonio do Rio das Pedras, q toca ao do Sabará, o q se mostra, pela Escala, ou Petipe de léguas (Fig. 02), pode ser considerada como um outro documento que reforça a produção de mapas em Vila Rica e que foi importante para a produção de outros documentos nos anos de 1760. O pedido para sua produção teria acontecido por volta de 1758.

Sobre essa carta Lima Júnior (1969, p. 29) menciona a existência de um ofício do Governador de Minas Luiz DiogoLobo da Silva, datado de 25 de agosto de 1766, que declara “juntar uma planta mandada levantar há tempos, pelaCâmara de Vila Rica”, tratando de transferências de jurisdições de diversas localidades. Sobre a autoria desse documento cartográfico o mesmo Lima Júnior (1969, p. 29) também menciona informação repassada por Xavier da Veiga e registrada por este nas Efemérides Mineiras, relacionando Cláudio Manoel da Costa com a produção da carta. No caso, Xavier da Veiga informa sobre um testemunho de Cláudio Manoel da Costa confirmando ter recebido a quantia de meia libra em ouro por sua produção. Nomeado secretário do Governador Luis Diogo Lôbo da Silva, Cláudio Manoel, competente reorganizador da administração da Capitania de Minas, permaneceu até o governo de Dom Rodrigo de Menezes.

Ainda que certamente produzida em data anterior ao governo de Luiz Diogo Lobo da Silva e que existam questionamen- [Um mapa da América portuguesa e outros para a Capitania de Minas Geraes produzidos na Vila Rica dos anos 1760, Antônio Gilberto Costa. VIII Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica Porto, Baião, Chaves - 28 a 31 de Outubro de 2019. Página 5 do pdf]

da a Minas e gostaria de encontrar alguém que o pudesse produzir, ou “por em limpo” um documento cartográfico, apartir de rascunhos ou de estudos preliminares feitos pelo mesmo.Ainda sobre esse“mappageográfico” de Luiz Diogo,Orvilly Derby (1897, p. 83, 223 e 288) comenta ser este um mapapara a capitania de Minas organizado em 1767 e cujo original estaria guardado no extinto Archivo Militardo Rio deJaneiro.Importante destacar que a produção dessa carta ou mapa geográfico, em período anterior a 1767, foi garantida pelapublicação de um Aviso Régio de 25/03/1765, que confirmava os “(...) actos de jurisdição no território de que tomouposse [o governador Luiz Diogo Lobo da Silva] no seu celebre “giro” [viagem do citado governador, que em 1764 iniciou visita às áreas de fronteira com São Paulo, a partir de São João Del Rey]”. Assim sendo, se entende que a cartaque registrou o giro do governador de Minas e não outra foi utilizada como base para essa carta de 1767 e representando aproximadamente a quarta parte desta.Não questionando os limites propostos ou estabelecidos pelo governador mineiro e não questionando bandos publicados a mando de Luiz Diogo Lobo da Silva, que ameaçavam com penas severas as violações das fronteiras, o governoem Lisboa não só aprovou todos os atos e providências do governador (VASCONCELLOS, 1911, p. 113 e 114) comodeu o seu reconhecimento para a validade de limites antigos e daqueles representados em documentos cartográficosem produção em Minas Gerais, em especial na Carta de 1767.A última correspondência entre Luiz Diogo e Luiz António tratando de limites entre Minas e São Paulo data de 31 dejulho de 1767. Houve uma correspondência em 25 de fevereiro de 1768, mas não foram tratadas questões relacionadas com limites e assim como na anterior nenhuma menção foi feita a qualquer mapa ou carta. O governador de Minas deixou o cargo em 16 de julho de 1768, substituído pelo Conde de Valadares, mas, há essa época, a sua CartaGeographica certamente já estava pronta.

A CARTA GEOGRAPHICA da AMERICA MERIDIONAL, em 1768

Durante a pesquisa sobre documentos cartográficos produzidos em Vila Rica nos anos 1760, tomou-se contato com um documento até então praticamente desconhecido e sem nenhuma referência ou publicação nos últimos cem anos. Fazendo parte do acervo da Mapoteca do Itamaraty, o documento em questão tem a seguinte identificação:

CARTAGEOGRAPHICA da AMERICA MERIDIONAL Dividida em sete principaes partes, subdividas em outras, que no Brazil se denominaõ Capitanias e estas repartidas em outras muitas com o título de Comarcas ou Ouvedorias E Huã pequena parte da America Septentrional (...)mandou delinear e colorir Luiz Diogo Lobo da Sylva, Govor e Capam Gnal da Capnia de Minas Geraes (...).

Como parte das informações que constam do mapa, sabe-se que este foi produzido a partir de muitos outros documentos cartográficos e de várias partes, que foi produzido em Vila Rica, que o seu autor foi António Martins da Silveira Peixoto e o ano era o de 1768.

O documento em questão (Fig. 04)revestiu-se de especial importância no âmbito da pesquisa, pois entende-se que a sua existência confirma não só a já mencionada produção cartográfica em Minas de meados do século XVIII, mas sobretudo lança luz sobre evidentes interesses do então governador Luís Diogo Lobo da Silva, que certamente extrapolavam os limites da capitania sob a sua responsabilidade. A partir da análise de sua legenda tem-se uma descrição da América Meridional contendo as seguintes informações:

“divide-se em sete partes principais, o Brasil, Paraguai, Terra de Magalhães, Chile, Reino do Peru, o País das Amazonas e Terra Firme. O Brasil pertencente a S. M F. compreende dezessete capitanias, a saber, oito com governo superior, que são Minas Gerais, Rio de Janeiro, S. Paulo, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Pará.

Com nove subordinadas a aquelas que pertencem conforme as suas divisões, e são S. Vicente, Espírito Santo, Porto Seguro, (...) Ilhéus, Paraíba, Rio Grande, Ceará, Maranhão e a Alagoas. Capital de todas é o Rio de Janeiro onde reside o Vice-Rei.

Todas estas capitanias são férteis, e abundantes de diversos gêneros que produzem cultivando-se, e com que enriquecem seus moradores, além de muitas pedras preciosas, e especialmente diamantes de que abunda a Comarca do Serro do Frio na Capitania de Minas Gerais, com o que se faz mais (...) e rica esta Capitania entre as (...), sendo tambémas suas lavras , e minas de ouro as que com mais grandeza tem dado a S M F riquíssimos tesouros no seu 5º; - Paraguai, cujo país fortifica o Rio da Prata se acha hoje quase todo nos domínios do Rei de Castela estendendo-se as suaspovoações por todo o terreno de ambas as partes do mesmo Rio, onde (...) muitas Missões e Aldeias de Gentios Agregados. Por este rio parece natural fazer-se a divisão do s domínios de Portugal e Castela por ser a sua direção pelomeio da América, e de Norte a Sul, porem como os castelhanos se introduzirão com Missões, agregando o Gentio, epovoando grande parte do terreno do Nascente, que lhes não pertencia pela primeira divisão da linha imaginaria determinada também de Norte a Sul no tempo de seu descobrimento, ficarão quase de (...), e foi feita a divisão no presenteséculo por onde se representa nesta Carta. Todo este continente é fertilíssimo de mantimentos, que a terra cultivadaproduz (...)mente. A sua maior riqueza consiste nas muitas minas de prata, q com abundancia se extrai das suas montanhas, e de que se alimenta a foria do comércio, pela boca do rio da prata, donde lhe vem o nome; - A terra de Magalhães, que de todas é a mais Meridional também pertence ao Rei de Castela, é pouco cultivada em razão da sua esterilidade, e muito frio, principalmente na parte mais vizinha ao Polo; - Chile, o Reino do Peru, uma grande parte do País das Amazonas e a Terra Firme, pertencem aos domínios de Castela são terras abundantes e férteis de frutos; - E como se não adquiriu mais exatas notícias destes países se não apresão aqui suas qualidades”.

A partir da pesquisa envolvendo esta carta e a extensão do território representado, passou-se a trabalhar com a hipótese de que esta não só reforçava as pretensões do então governador mineiro, mas poderia representar o auge para a produção de documentos cartográficos a partir da Capitania de Minas e envolvendo todo o território da América portuguesa.

Considerando o período em que o mesmo foi produzido, ou seja logo em seguida à anulação do Tratado de Madrid, ocorrida em 12 de fevereiro de 1761, confirmada pela assinatura do Tratado de El Pardo, e anterior à assinatura do Tratado Preliminar de Limites de Santo Ildefonso de 1777 e com termos definitivos assinados em 1778, em El Pardo, fica reforçada essa hipótese sobre eventuais pretensões de Luís Diogo Lobo da Silva em alcançar posições mais proeminentes junto à administração colonial portuguesa [Um mapa da América portuguesa e outros para a Capitania de Minas Geraes produzidos na Vila Rica dos anos 1760, Antônio Gilberto Costa. VIII Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica Porto, Baião, Chaves - 28 a 31 de Outubro de 2019. Páginas 10 e 11]Antônio Gilberto CostaCentro de Referência em Cartografia Histórica UFMGag.costa@uol.com.br



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EMERSON


01/10/2019
ANO:259
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]