1536, como se conclue do foral de sua capitania datado de 26de Fevereiro.Desde Bertioga até o Cabo-Frio continuavam implacáveis os Tupinambás, combatendo e atacando por terra e por mar contra os Peró, e a favor dos Máir. N´um dos combates succumbiu Ruy Pinto. Cunhambebe, truculento maioral tamoyo, guardava entre os outros tropheus o habito e a cruz de Christo d´este cavalleiro.Apparece-nos entre os primeiros povoadores Braz Cubas,joven criado de Martim Affonso que aportou aS. Vicente em 1540governou mais de uma vez a terra, guerreou contra ©s Tamoyos,fortificou Bertioga, entrada preferida por estes inimigos, e fundoua villa de Santos, que possuia melhor porto e facilmente superoua primogênita de Martim Affonso. Mais tarde empenhou-se nacata de minas, e consta haver achado algum ouro.Á roda d´estas villas fundaram engenhos, além dos portuguezes, os flamengos Schetz ou Esquertes, como o pronunciavao povo, e os Dorias, genovezes. Diz-se até, porém não deveser exacto, que d´esta procedem as cannas plantadas em outrascapitanias. Taes engenhos, com as distancias e a raridade decommunicações, deviam ter desenvolvimento mediocreDa villa fundada em Piratininga conhecemos a mera existência ou pouco mais. A situação no descampado difficultavasurpresas inimigas. O transito do Paraguay dava-lhe algummovimento. As cabanas de João Ramalho e dos mamalucos seusfilhos e parentes, no outro lado da serra donde as águas já corriam para o Prata, apregoavam a victoria alcançada sobrea matta virgem do littoral, victoria obtida aqui mais cedoque em qualquer outra parte do Brasil, porque os colonos apenascontinuaram a obra dos indígenas, já achando aberto por cimade Paranapiacaba e aproveitando a trilha dos Tupiniquins.Na capitania de Pernambuco, depois de estabelecidoIgaraçu, Duarte Coelho passou algumas léguas mais ao Sul, eassentou a capital de seus domínios em Olinda. O porto de somenos capacidade bastava ás pequenas embarcações. A visinhançados Tabajaras (Tupiniquins) compensava as investidas constantesdos Potiguares (Tupinambás). A energia do donatário continha aturbulência dos colonos. Nas várzeas surgiam cannaviaes e [Página 41]índios forneciam-lhes os suplementos necessários, e destruí-las era um dos meios mais próprios parasujeitar os donos.Se encontravam algum rio e prestava para a navegação, improvisavam canoas ligeiras, fáceis devarar nos saltos, aliviar nos baixios ou conduzir à sirga. Por terra aproveitavam as trilhas dos índios; emfalta delas seguiam córregos e riachos, passando de uma para outra banda conforme lhes convinha, eainda hoje lembram as denominações de Passa-Dois, Passa-Dez, Passa-Vinte, Passa-Trinta; balizavamse pelas alturas, em busca de gargantas, evitavam naturalmente as matas, e de preferência caminhavampelos espigões. Alguns ficaram tanto tempo no sertão que “volviendo a sus casas hallaron hijos nuevos,de los que teniendolos ya a ellos por muertos, se habian casado com sus mujeres, llevando tambienellos los hijos que habian engedrado en los montes”, informa-nos Montoya. Os jesuítas chamam àgente de S. Paulo mamalucos, isto é, filhos de cunhãs índias, denominação evidentemente exata, poismulheres brancas não chegavam para aquelas brenhas.Faltaram documentos para escrever a história das bandeiras, aliás sempre a mesma: homensmunidos de armas de fogo atacam selvagens que se defendem com arco e frecha; à primeira investidamorrem muitos dos assaltados e logo desmaia-lhes a coragem; os restantes, amarrados, são conduzidosao povoado e distribuídos segundo as condições em que se organizou a bandeira. Nesta monotoniatrágica os Caiapós introduziram mais tarde uma novidade: “a de nos cercar de fogo quando nos achamnos campos, a fim de que impedida a fuga nos abrasemos: este risco evitam já alguns lançando-lhecontrafogo, ou arrancando o capim para que não se lhe comuniquem as suas chamas; outros se untamcom mel de pau, embrulhados em folhas ou cobertos de carvão, por troncos verdes ou paus queimados”.À parte geográfica das expedições corresponde mais ou menos o seguinte esquema: Osbandeirantes deixando o Tietê alcançaram o Paraíba do Sul pela garganta de São Miguel, desceram-noaté Guapacaré, atual Lorena, e dali passaram a Mantiqueira, aproximadamente por onde hoje transpõea E. F. Rio e Minas. Viajando em rumo de Jundiaí e Mogi, deixaram à esquerda o salto do Urupungá,chegaram pelo Paranaíba a Goiás. De Sorocaba partia a linha de penetração que levava ao trecho superior dos afluentes orientais do Paraná e do Uruguai. Pelos rios que desembocam entre os saltos doUrubupungá e Guaiará, transferiram-se da bacia do Paraná para a do Paraguai, chegaram a Cuiabá e aMato-Grosso. Com o tempo a linha do Paraíba ligou o planalto do Paraná ao do S. Francisco e doParnaíba, as de Goiás e Mato-Grosso ligaram o planalto amazônico ao rio-mar pelo Madeira, peloTapajós e pelo Tocantins.As bandeiras no século XVI devastaram sobretudo o Tietê, cujos numerosos Tupiniquins depressadesapareceram, e o alto Paraíba, chamado rio dos Surubis em Piratininga, segundo informa Glimmer;com o tempo foram-se alongando os raios do despovoamento e depredação, característico essencial einseparável das bandeiras.O movimento paulista para o sertão ocidental chocou-se com o movimento paraguaio à procurado mar: Ciudad Real, no Piqueri, próximo do salto das Sete Quedas, Vila Rica, no Ivaí, datam dasegunda metade do século XVI, antes do Brasil cair sob o domínio da Espanha. Com estes colonos agente de São Paulo cultivou a princípio boas relações; nas caçadas humanas foram às vezes sóciosaliados. Além disso a viagem por terra do Paraguai para a costa fazia-se mais facilmente procurandoPiratininga, do que repetindo a incômoda travessia de Cabeza de Vaca. A harmonia entrava assim nointeresse de ambas as partes. Só mais tarde houve conflitos e as duas povoações desapareceram.Por 1610, jesuítas castelhanos partidos de Asunción começaram a missionar na margem oriental do Paraná. Fundaram Loreto e San Ignacio, no Paranapanema, e em compasso acelerado mais onze reduções no Tibagi, no Ivaí, no Corumbataí, no Iguaçu. Transposto o Uruguai, assentaram outras dez entre o Ijuí e o Ibicuí, outras seis nas terras dos Tape, em diversos tributários da lagoa dos Patos. De San Cristóbal e Jesús María, no rio Pardo, poucas léguas os separavam agora do mar.Esta catequese grandiosa não consistia simplesmente em verter as orações da cartilha para alíngua geral, fazê-las repetir pela multidão ignara, submetendo-a à observância maquinal do culto externo.“Reduções, escreve um dos jesuítas contemporâneos que mais concorreram para avultarem, chamamosaos povoados dos índios, que vivendo à sua antiga usança, em matos, serras e vales, em escondidosarroios, em três, quatro ou seis casas apenas, separados, uma, duas, três e mais léguas uns de outros, osreduziu a diligência dos padres a povoações grandes e a vida política e humana, a beneficiar algodãocom que se vistam, porque comumente viviam em nudez, ainda sem cobrir o que a natureza ocultava”.Não se imagina presa mais tentadora para caçadores de escravos. Por que aventurar-se a terras desvairadas, entre gente boçal e rara, falando línguas travadas e incompreensíveis, se perto demoravam aldeamentos numerosos, iniciados na arte da paz, afeitos ao jugo da autoridade, doutrinadas no aba-nheen?Houve alguns salteios contra as reducções desde o seu começo, mas a energia e o sangue frio dos jesuitas contiveram os arreganhos dos mamalucos, que se retiraram proferindo ameaças. Para pol-as em pratica precisavam, porém, da connivencia da gente de Asuncion. Isto conseguiram em fins de 628, e muito concorreu para assegural-a Luis Cespedes Xeria, governador do Paraguay, casado em familia fluminense, senhor de engenho no Rio. Fez por terra a viagem para seu governo; esteve em Loreto do Pirapó, e Santo Ignacio de Ipãumbuçu, admirou as igrejas, «hermosísimas iglesias, que no Ias he visto mejores en Ias índias que he corrido dei Peru y
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