Caminhos Antigos e paisagens imaginadas no termo de Ouro Preto em 1835, 2019. Herbert Pardini. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania, para obtenção do título de Magister Scientiae. Orientadora: Patrícia Vargas Lopes de Araujo
2019 Atualizado em 23/10/2025 17:19:57
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destacou ainda que o sertão do rio São Francisco também continuou a ser explorado porpaulistas no século XVII em busca de índios367.
Com o retorno ao Brasil de Dom Francisco de Sousa, em 1609, e o início de sua segundaadministração, o desejo de encontrar metais nobres na Sabarábossú e no morro do Araçoyabafoi novamente aflorado. A expedição de Simão Álvares, o velho, determinada por DomFrancisco de Sousa, partiu de São Paulo em 1610 e teria alcançado o sertão denominado“Cahaetee”368.
Carvalho Franco afirmou que o sertão de Cahaetee era o sertão da Casca, emMinas Gerais. Por se tratar de uma referência controversa, receberá mais atenção adiante no texto. O sertanista pode ter alcançado o terço superior do rio Doce a partir de São Paulo, ou seja, provavelmente chegou até onde expedições anteriores estiveram e seguiu pelas nascentes do rio Doce, muito provavelmente o rio Piranga, próximo à região de Itaverava.
Outra expedição, mencionada por Diogo de Vasconcelos e Carvalho Franco gerariainterpretações literalmente opostas. Fazem menção a uma expedição em que participou Antônio Pedroso de Alvarenga que, partindo de São Paulo em 1615, penetrou 300 léguas e teria alcançado “o sertão do grande rio Paraupava”, ao norte, onde hoje está localizado o estado de Goiás.
Franco citou como fonte a narrativa de Pedro Taques de Almeida Paes Leme, mas aocontrário do historiador, interpretou como se a expedição tivesse rumado para o sulcix,invertendo o sentido das referências dadas por Taques. Franco ao defender sua hipótese alertou para o fato da toponímia bandeirante Paraupava estar vinculada a diferentes lugares.
O mesmo poderia ser aplicado às referências Carijós eGualaxo. Desse modo, contrariando sua versão, Diogo de Vasconcelos faria interpretaçãodiferente. Para o historiador mineiro a expedição ao invés de ter chegado quase à divisa do Maranhãocx e Pará, teria permanecido em Minas Gerais, uma vez que Paraupabacxi, seriaParaopeba. A hipótese de Vasconcelos é coerente, principalmente pelas coincidências entre Carijós(poderia ser o mesmo sítio de Queluz e atualmente Conselheiro Lafaiete) e Gualaxo, quepoderia ser o rio de mesmo nome situado próximo ao Paraopeba e próximo à região que asexpedições posteriores se direcionaram. Entretanto, a interpretação apenas do que foi narrado, assim como foi realizado em toda a pesquisa, exige crer que Pedro Taques estava certo em sua versão. [Caminhos Antigos e paisagens imaginadas no termo de Ouro Preto em 1835, 2019. Herbert Pardini. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania, para obtenção do título de Magister Scientiae. Orientadora: Patrícia Vargas Lopes de Araujo. Página 126]
cxlvii Calógeras tentou explicar a ligação de Manoel Garcia com o Tripuí. Segundo ele a bandeira de Manoel Garcia,entre meados e fins de 1696, se separou da leva de Miguel Garcia, estabelecida desde o ano anterior no Itatiaia àmargem do ribeirão Gualaxo do Sul. Cf. CALÓGERAS, João Pandiá. As Minas do Brasil e sua Legislação.Tomo I. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. 1904, p. 65.cxlviii Em 2 de abril de 1697, Arthur de Sá e Menezes tomou posse, no Rio de Janeiro, do cargo de Governador dasCapitanias reunidas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Cf. DOCUMENTOS do Arquivo da Casa dos Contos(Minas Gerais). Relatório da Diretoria. Copiados e Anotados por José Afonso Mendonça de Azevedo. Anais daBiblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume LXV ca. 1943. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945, p. 17.cxlix Diogo de Vasconcelos usou a expressão “animar os descobrimentos”, mas pelo que pode ser observado emseu texto as notícias sobre os descobrimentos já animavam a população que em um “turbilhão migratório embocavanas veréias do Embaú”. Cf. VASCONCELOS, Diogo de. História Antiga das Minas Gerais. Belo Horizonte:Itatiaia. 1999, p. 133. José Joaquim da Rocha também escreveu sobre esse movimento migratório que se iniciava.Segundo ele “animaram os paulistas a armarem tropas e a prevenirem-se de alguma fábrica mais proporcionadaao uso de minerar e a desampararem a pátria, rompendo os matos gerais, desde a grande serra da Mantiqueira, atépenetrarem o mais recôndito das Minas, menos já na conquista do gentio que na diligência do ouro. O grandenúmero de concorrentes que buscavam as Minas, e a emulação que logo se acendeu entre os da Vila de São Pauloe os naturais de Taubaté, fez que, estendidos por várias partes, buscasse cada um novo descobrimento em que seestabelecesse, não se contentando os paulistas de entrarem em parte das repartições das faisqueiras quedenunciavam os de Taubaté, nem estes nas que denunciavam os paulistas. Esta opinião veio finalmente a produzira grande utilidade de se desentranharem em toda a sua extensão, as minas de ouro do nosso Portugal, de serempenetradas de uns e de outros, não se perdoando ao rio mais remoto e caudaloso, nem a serra mais intratável eáspera, se bem que o conhecimento de ouro nas montanhas e serras veio a conseguir-se mais tarde que os dos rios,seus tabuleiros, que são as margens planas que os cercam dos lados. Espalhados, pois, os concorrentes pelosdilatados sertões, foram descobrindo e dando ao manifesto as faisqueiras que encontravam”. Cf. ROCHA, JoséJoaquim da. Introdução. In: Geografia histórica da Capitania de Minas Gerais. Descrição geográfica,topográfica, histórica e política da Capitania de Minas Gerais. Memória histórica da Capitania de Minas Gerais /José Joaquim da Rocha; estudo crítico: Maria Efigênia Lage de Resende; transcrição e colação de textos: MariaEfigênia Lage de Resende e Rita de Cássia Marques. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro. Centro de EstudosHistóricos e Culturais, 1995, p. 77.cl José Joaquim da Rocha escreveu sobre o rio das Velhas: “[...] sendo o das Velhas o primeiro na fertilidade deouro, e ainda hoje são excelentes as suas faisqueiras, suposto que de demasiado custo e trabalhosas para os mineirosque cultivam o tal rio, onde se não pode fazer serviço em tempo de inverno, pelo impedimento de suas inundações,que levam os mineiros às fábricas. O Rio das Velhas tem seu nascimento nas abas setentrionais da Serra de VilaRica e vai desaguar no Rio São Francisco, dividindo a Comarca do Sabará da Comarca do Serro Frio, desde olugar em que nele se mete o Rio Cipó até o Arraial da Barra do Rio das Velhas.” Cf. ROCHA, José Joaquim da.Descrição dos Rios da Capitania de Minas Gerais. In: Geografia histórica da Capitania de Minas Gerais.Descrição geográfica, topográfica, histórica e política da Capitania de Minas Gerais. Memória histórica daCapitania de Minas Gerais / José Joaquim da Rocha; estudo crítico: Maria Efigênia Lage de Resende; transcriçãoe colação de textos: Maria Efigênia Lage de Resende e Rita de Cássia Marques. Belo Horizonte: Fundação JoãoPinheiro. Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1995, p. 161.cli Calógeras citou como sua fonte o artigo, Um município de ouro, publicado na Revista do Arquivo PúblicoMineiro, vol. VI, p. 322, por Augusto de Lima.clii Borda Gato [também escrito Gatto] é inocentado e recebe a posição de tenente general na busca pelas minas deprata de Sabarabuçu, onde deveria trabalhar em parceria “ajudando um ao outro” com o cunhado Garcia RodriguesPaes na abertura do caminho mais curto para as minas. Cf. DOCUMENTOS do Arquivo da Casa dos Contos(Minas Gerais). Relatório da Diretoria. Copiados e Anotados por José Afonso Mendonça de Azevedo. Anais daBiblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume LXV ca. 1943. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945, p. 18.cliii Vasconcelos afirmou ainda que nos anos 1701 e 1702, Garcia Rodrigues Pais chegou ao ribeiro do Campo,onde foi estabelecido o arraial de Congonhas do Sabará (atual Nova Lima) e o Coronel Leonardo Nardes Sisão deSousa chegou às minas de Caeté, onde “os irmãos Guerra (Antônio Leme e João leme), sobrinhos da CondessaMariana de Sousa Guerra, donatária de Itanhaén, fundaram o arraial de que depois se fez a Vila Nova da Rainha”.Cf. VASCONCELOS, Diogo de. História Antiga das Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia. 1999, p. 136 e 153.cliv Calógeras transcreveu a resposta dada por D. Pedro em 22 de outubro de 1698: “Arthur de Sá Menezes viu-sea vossa carta de 24 de Maio deste ano, em que dá conta do intento, com que ficara de abrir novo caminho para asMinas de Cataguazes, assim pelas riquezas delas, como pela conveniência, que se poderá conseguir a meusvassalos, com a fertilidades dos campos para os gados e brevidade do caminho para o ouro, em que a minhaFazenda vai tão interessada, oferecendo-se para este negócio Garcia Rodrigues Pais pelas notícias que teve destevosso intento, e por ser pessoa prática nesses sertões quando foi a descobrir as chamadas esmeraldas; e queconseguido este novo caminho ficará remediada a esterilidade que ameaça a essa terra, a perda dos campos dosCataguazes, em tanto facilitado o descobrimento do Sabarabuçu pela vizinhança que fica dessa Praça”. Cf. [Página 260]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]