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Revista da ASBRAP nº 13 190 Povoadores de S. Paulo Bartolomeu Camacho

    13 de novembro de 2022, domingo
    Atualizado em 24/10/2025 02:19:01
  
  
  
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Revista da ASBRAP nº 13 185POVOADORES DE S. PAULO – BARTOLOMEU CAMACHO(ADENDAS ÀS PRIMEIRAS GERAÇÕES)H.V. Castro CoelhoResumo: Antepassado de numerosas famílias tratadas por Pedro Taques e SilvaLeme. O nome exato ou completo desse povoador ainda objeto de esclarecimentopelas escrituras.Abstract: Ancestor of numerous families described by Pedro Taques and Silva Leme.The exact our complete name of this settler still requires confirmation in the draw-ups.§ 1ºI- BARTOLOMEU CAMACHO, n. em Portugal ou nas Ilhas cerca de 1500, foimencionado pelos autores como um dos povoadores da Capitania de S. Vicente, onde teria se estabelecido depois do ano de 1540, com a família.Deixou geração de dois casamentos realizados em torno dos anos de 1526e 1533. Ignoram-se informações a seu respeito por motivo da perda denumerosos registros cartorários, documentos das Câmaras e de outras instituições, relativos ao primeiro século das vilas de S. Vicente e Santos. Nosarquivos das Ordens de Nossa Senhora do Carmo e de São Bento encontram-se salvos em traslados numerosos documentos desse século. Somenteos descendentes figuram na documentação conhecida; talvez o progenitortivesse o nome com variantes ou o “Camacho” fosse a revivescência de umapelido avoengo entre os herdeiros. Da primeira mulher, n. por 1510, teveao menos:1 (II)- BARTOLOMEU CAMACHO (filho ou neto) que passou a residir navila de S. Paulo. Em maio de 1580, foi uma das vinte e três pessoas que subscreveram, com os camaristas, um requerimento aoouvidor, Domingos Gonçalves da Costa, tratando da questão docomparecimento dos moradores de serra acima às citações no juízo de Santos. Lavrada a respectiva ata, assinou o nome, semabreviaturas, Bartolomeu Camacho (Livro 3º, AHMSP) nomeimpresso na edição das atas, por erro paleográfico, BartolomeuRamalho (ACCSP, I, 164). A 7 de abril de 1601, na Câmara, figurou o nome de Bartolomeu Camacho (talvez o mesmo) numarelação de setenta e nove moradores que opinaram sobre os preços da carne (ACCSP, II, 91). Pela falhas nas atas da Câmara, entre os anos de 1554 e 1600, ignoram-se outras referências queexistiriam a seu respeito.2 (II)- .................. CAMACHO, n. por 1532, ou antes, C. por 1549 c. (?)JERÔNIMO DIAS CORTÊS, mencionado pelos autores. Segundouma informação prestada à Câmara de S. Paulo em 1623, erameia-irmã da mãe de Paula Camacho (um filho desta, Cap. JoãoMaciel Valente, foi juiz ordinário em 1630) - segue.Da segunda mulher, ao menos:

3 (II)- GONÇALO CAMACHO, n. por 1534, natural de Viana, conforme escreveu Pedro Taques. Casou em Santos por 1559 e foi morador na vila de S. Paulo. Em 1589, seguiu na expedição contra o gentio guarulho

- § 5º.4 (II)- (?) MARIA CAMACHO, n. por (?)1535, C.c. FRANCISCO DOMINGUES, n. em 1530 em Arcozelo de Maio, bispado de Lamego, depoente no processo de beatificação do Padre José de Anchieta - §6º.5 (II)- .................... CAMACHO, n. por 1536, C. por 1550 c. um povoador dacapitania. Entre seus filhos, ANTÔNIO CAMACHO, da governançaeleita de S. Paulo, que também teve provisão de procurador de causas para atuar nos auditórios dos órfãos, cíveis e criminais, conformedespacho do Governador Geral D. Francisco de Sousa - § 7º.6 (II)- ................... CAMACHO, n. por 1540, C.c. (?) ÁLVARO EANES - §12º.7 (II)- MARIA CAMACHO, n. por 1544, C.c. CRISTÓVÃO DINIS, povoadorda capitania de S. Vicente. Um sobrenome a distinguiria da mulher de Francisco Domingues - § 13º.8 (II)- .................. CAMACHO, n. por 1538, C.c. BALTAZAR NUNES, n.por 1525, alcaide em Santo André. - § 15º.II- ................... CAMACHO, n. por 1532, ou antes, C. por 1549 c. (?) JERÔNIMODIAS CORTÊS, povoador da Capitania. Em 1580, segundo os autores, foium dos signatários da escritura de doação da casa do concelho aos jesuítas,para o estabelecimento do Colégio. Teria exercido cargos nas Câmaras deS. Vicente e S. Paulo. Faleceram Jerônimo Dias e sua mulher em datas ignoradas. [Páginas 1 e 2 do pdf]

Pais de, ao menos:1 (III)- ANA CAMACHO, n. por 1550, C.c. DOMINGOS LUÍS CARVOEIRO1–segue.2 (III)- ..................CAMACHO, n. por 1552, C.c. (?) SEBASTIÃO FERNANDES, povoador da Capitania. São os pais do Cap. Sebastião Fernandes Camacho, da governança de S. Paulo, juiz ordinário e deórfãos e provedor da Misericórdia – § 2º.3 (III)- ..................CAMACHO, n. por 1554, que devia ser a casada, por1569, com o Cap. JAQUES FÉLIX FLAMENGO, n. por 1540 e já falecido em 1605, vindo da Europa ou dos Açores (?) e parente deDomingos Luís Carvoeiro (Revista da ASBRAP, nº 12).4 (III)- BEATRIZ CAMACHO, n. por 1556, C.c. FRANCISCO FAREL. Sua filhaAna Farel casou-se com Pedro Álvares (Martins) cunhado de Domingos Dias (casado com uma prima de Beatriz Camacho) - § 3º.III- ANA CAMACHO, n. por 1550, C. por 1566 c. Domingos Luís Carvoeiro.Tiveram sete filhos, entre os quais:1 (IV)- LEONOR DOMINGUES, n. por 1569, C. por 1585 c. JOSÉ DE CAMARGO, n. por 1560, fº, segundo os autores, de Francisco de Camargo e de s/m. Beatriz de la Peña. Na Câmara de S. Paulo exerceu José de Camargo os cargos de almotacel em 1592, juiz ordinário em 1595 e 1612, vereador em 1602 e interino em 1603(ACCSP, I, 450 e 499; II, 104, 128 e 305). Em 1602, elegeu-sejuiz ordinário Ascenso Ribeiro, seu concunhado, que era cunhadode Pedro de Morais (Dantas) este excluído do cargo de procurador do concelho, pelo parentesco (II, 104). [Página 3 do pdf]

A 17 de março de 1607, serviam como membros daCâmara Domingos Dias (o moço) juiz ordinário, Fernão Dias(Leme) procurador do concelho, e João Vieira Sarmento, escrivão, tendo recebido José de Camargo, nessa data, provisão de juiz de órfãos, despachada pelo Governador Geral do Brasil DiogoBotelho (II, 191). Declarou o juiz Domingos Dias ser casado comuma tia da mulher do procurador do concelho (Catarina Camacho, fª de João Maciel e de s/m. Paula Camacho) tia da mulher doescrivão (.... Martins, filha de Pedro Martins e de s/m. Isabel Nunes) e também tia da mulher de José de Camargo (Leonor Domingues, fª de Domingos Luís e de s/m. Ana Camacho).Segundo Pedro Taques e Silva Leme, casou DomingosDias o moço, com Clara Dinis, fª de Cristóvão Dinis e de s/m. Maria Camacho (v. § 13º). Clara Dinis se identificaria como primairmã da sogra do procurador do concelho, da mãe da sogra do escrivão da Câmara, e da sogra do juiz de órfãos José de Camargo(por esses anos, eram considerados tios os primos dos pais).2 (IV)- BERNARDA LUÍS, n. por 1592, C. por 1608 c. o Cap. Mor AMADOR BUENO, n. por 1590, fº de Bartolomeu Bueno e de s/m. Maria Pires, esta irmã do Sargento Mor Salvador Pires de Medeiros(juiz ordinário em 1611 e 1620) de João Pires (cognominado “oprotetor dos jesuítas”) casado com Mécia Rodrigues, de Catarinade Medeiros e outros, todos filhos de Salvador Pires (juiz ordinário em 1573) e de s/m. Mécia Fernandes, que ainda vivia em S.Paulo em 1615 (INV. E TEST., V, 69). Em 1668, no inventáriode Mécia Rodrigues, viúva de João Pires, foram seus filhos declarados, numa questão de herança, “muito nobres pelos seus paise avós” (INV. E TEST., XVII, 137 e 138).Exerceu Amador Bueno na câmara de S. Paulo os cargos de juiz ordinário em 1615 e 1639, vereador em 1626 e, segundo os autores, nomeado capitão mor nessa vila em 1627(ACCSP, II, 137; III, 213 e 257; IV, 417).Em 1623, eleito vereador do pelouro com André Lopes,não pôde exercer o cargo em razão do parentesco entre suas mulheres: conforme se informou na Câmara, a mãe da sogra deAmador Bueno (a mãe de Ana Camacho) e a mãe da sogra deAndré Lopes (a mãe da referida Paula Camacho) eram irmãs porparte paterna (ACCSP, III, 17 a 19). [Página 4 do pdf]

Revista da ASBRAP nº 13 189
3 (IV)- INÊS CAMACHO, n.por 1667, C.c. FRANCISCO TEIXEIRA CID e 2ª vez cerca de 1595 c. JOÃO DA COSTA LIMA, juiz ordinário em 1603.Teve do 2º casamento onze filhos, entre os quais: V- SIMÃO DA COSTA, n. em 1602, C. por 1623 c. MARIA DE FREITAS, n. por 1606, fª de Jorge de Edra e de s/m. Paula Fernandes, moradores em S. Paulo. Maria de Freitas era irmã da mãe do Cap. Miguel Fernandes Edra, juiz ordinário e de órfãos em Taubaté, em 1655, e do Cap. Manuel Fernandes Edra, juiz ordinário e de órfãos na mesma vila, em 1656 (AHMFG).

Faleceu Simão da Costa em data não conhecida. Sua mulher foi inventariada em 1657. Tiveram seis filhos, mencionados por Silva Leme, entre os quais: VI- SEBASTIÃO FERNANDES CAMACHO, n. por 1630, C. cerca de 1657 c. MA- RIA DA ESCADA, bat. em S. Paulo a 10 de novembro de 1642, fª de André Mendes Ribeiro (juiz ordinário em 1648) e de s/m. Isabel de Saavedra (casados em S. Paulo a 2 de julho de 1640); n.p. de Brás Mendes e de Catarina Ribeiro e n.m. do Cap. João Fernandes Saavedra, de nação castelhana (juiz ordinário em 1627) e de s/m. Maria de Godói (S.L., título Godóis). Faleceu em Parnaíba e foi inventariado em 1672 (com retificação onde consta 1662).

Tiveram quatro filhos, tutelados de sua mãe (que apresentou como fiador seu cunhado Jerônimo Bicudo Cortês) todos mencionados por Silva Leme (Revista da ASBRAP, nº 9, p. 164). III- 2º... CAMACHO, n. por 1552 (fª de Jerônimo Dias Cortês e de... Camacho) C. por 1568 c. (?) SEBASTIÃO FERNANDES, povoador da Capitania de S. Vicente. Pais de, ao menos: 1 (IV)- CAP. SEBASTIÃO FERNANDES CAMACHO, n. por 1573, C.c. MA- RIA AFONSO segue. 2 (IV)- (?) PAULA FERNANDES, n. por 1569 (v. V, retro) C. por 1585 c. JORGE DE EDRA, n. por 1560, antigo morador de S. Paulo, inventariado em 1621 (inventário danificado). Faleceu Paula Fernandes com testamento em 1648. Determinou ser enterrada na igreja matriz na cova de seu marido, com a tumba e bandeira da Misericórdia, tendo o acompanhamento dos clérigos e das confrarias de Nossa Senhora do Rosário e das Almas; em vida, mandou celebrar cinqüenta missas por sua alma e dispôs outras (INV. E TEST., XXXV, 143). Tiveram doze filhos (já falecidos nove) e cinco filhas (dotadas de alguns bens e casadas) entre os quais:

1 (V)- MARIA DE FREITAS, n. por 1606, C.c. SIMÃO DA COSTA, testamenteiro de sua sogra (V - retro).

2 (V)- JOÃO LOBO, já falecido.

3 (V)- MARIA LOBO C.c. PAULO PEDROSO, n. em 1604. Os apelidos Lobo e Freitas seriam de ascendentes próximos.

IV- CAP. SEBASTIÃO FERNANDES CAMACHO, n. por 1573, C. antes de 1600 c. MARIA AFONSO, n. por 1580, irmã do Cap. Simão Álvares Martins, juiz ordinário em S. Paulo em 1627, de Pedro Álvares Martins, almotacel em 1598, e outros, todos filhos de Marcos Fernandes, o velho, e de s/m. Maria Afonso, esta parenta dentro do terceiro grau da mulher do Cap. Mor Calisto da Mota, governador da Capitania de Itanhaém em 1639 (Revista da ASBRAP, nº 8, p. 171 e 177).

Exerceu em S. Paulo os cargos de juiz ordinário em 1628 e 1643 (ACCSP, III, 293 e V, 143 e 167) juiz de órfãos em 1628 e 1643 (INV. E TEST., VII, 361 e XIII, 281); na Misericórdia foi escrivão em 1621 e provedor em 1627/1628 (INV. E TEST., V, 465; VII, 176 e 235). Em 1615, registrou na Câmara cinco administrados do gentio carijó (RGCSP, VII, 126) e seguiu em 1628 na bandeira ao Guairá sob o comando do Cap. Mor Antônio Raposo Tavares (DIC. BAN.).

A 10 de dezembro de 1641, em requerimento ao Cap. Mor João Luís Mafra, obteve carta de sesmaria de umas terras situadas às margens do rio Apoterebu, partindo com a data do Cap. João Missel Gigante (seu parente). Justificou ser filho e neto de povoadores e conquistador da Capitania, os quais e ele suplicante, nas guerras, sempre acudiram com muita pontualidade, com suas pessoas, gente de seu serviço e armas (Sesm., I, 471).

Ignora-se a data de seu falecimento. Sua mulher foi inventariada em 1634, segundo Silva Leme. Pais de, ao menos (mencionados por Silva Leme): 1 (V)- ISABEL FERNANDES CAMACHO, n. por 1600, C.c. GASPAR CAS- SÃO DE BRITO, membro da Câmara de S. Paulo, nomeado almotacel em 1624, para servir em setembro e outubro com Álvaro Neto (o moço). Foi este último dispensado do cargo, pelo paren-



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EMERSON


13/11/2022
ANO:334
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]