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autor:19/11/2023 23:04:25
Modernização Urbana em Sorocaba (1914-1921). Thiago Pedrosa Mattos, Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo

    2017
    Atualizado em 27/10/2025 03:27:03
  
  
  
Fontes (0)


resultantes de um processo, estanque; e, sim, no dinamismo complexo existente na perspectivasociocultural a longo prazo.2.1 Sorocaba: fundação e colonizaçãoSorocaba, palavra de origem indígena, “[…] seria um substantivo formado peloverbo SOROC, rasgar, e o sufixo ou particípio aba, designando lugar, em suma, LugarRASGADO ou Rasgão na serra, isto é, entre as pedras, ou na terra, isto é, vossoroca”(ALMEIDA, 2012, p. 12).Sorocaba também é rio, e essa curiosidade permitiu a Almeida (2002) a seguintequestão: “Foi o rio que deu nome à cidade e região, ou a região e local que denominou o rio?”(ALMEIDA, op. cit., p. 11). Pergunta de difícil resposta, embora caiba informar ao leitor que noMuseu do rio Tietê, em Salto-SP, há uma cópia de um mapa espanhol que possa dar pistas emfavor ao rio Sorocaba; assunto que merece uma pesquisa melhor detalhada. Porém, o que épossível dizer é que a bacia do rio Sorocaba, formada pelos rios Sorocabuçu, Sorocamirim e Unaintegram uma região que foi utilizada de forma estratégica nos períodos das monções e bandeiras(séculos XVII e XVIII). O rio Sorocaba deságua no Tietê, na região da atual cidade de LaranjalPaulista. Smith (2003), em obra dedicada ao estudo dos peixes e da história da bacia hidrográficado Sorocaba, mencionou que “Muitas expedições chamadas de monções, "comitivas de canoas" que seguiam para o noroeste do Mato Grosso, saíram da região de Sorocaba” (SMITH, 2003, p.46). Monteiro (1994), ao analisar batismos de índios do final do século XVII, em registrosparoquiais da Capitania de São Vicente, descreveu que: “As evidências mais ricas vêm da freguesiade Sorocaba, onde ocorreram diversos batismos coletivos de índios recém-trazidos do sertão nadécada de 1660” (MONTEIRO, 1994, p. 160). De certo, todos esses relatos, memórias, vestígiose estudos acadêmico-científicos reforçaram uma forte presença de nativos e bandeirantes emSorocaba. Outrossim, as memórias resgatadas por Almeida (2002, p. 20-1), informaram prováveisindícios acerca do desenvolvimento de vilas nas regiões próximas, entretanto, estimuladas pelapecuária de extensão:Praticamente todo o território de Sorocaba, sem justiças e igrejas, obedecia à vila deParnaíba, fundada por Dona Suzana Dias e seu filho mais velho André Fernandes,desmembrada da vila paulistana em 1625. Frei João Damasceno, O. F. M., viu o texto dasesmaria do Pirajibu (Arquivo Público) revivendo no século 18 concessão que data de1611. O cronista Azevedo Marques afirma, infelizmente, sem pormenores edocumentos, que André Fernandes, tendo solicitado terras nos depois municípios deParnaíba, Sorocaba e São Roque, as doava de amor em graça, com o intuito depovoamento. O irmão de André, Domingos Fernandes, fundou Itu em 1617. Numlivro de atas de Parnaíba, descobrimos que André Fernandes dotou sua sobrinhaSuzana, filha de Baltazar Fernandes, com terras em Taquarivaí. Como se vê da doação de Baltazar em 1660 e do inventário do padre Pompeu bem mais tarde, o povoamentodos campos de Sorocaba teve raiz depois da fase mineradora, na pecuária de extensão[…].A fundação da Vila também foi tema de análises para Almeida (2012, p. 23):Todos os cronistas dão o ano de 1654 para a chegada do fundador com a sua grandefamília. Mas em 1960 foi descoberto, no Arquivo Público de São Paulo, o testamento deIsabel de Proença, a segunda esposa, feito em novembro de 1654, o qual se refere àcasa grande e à igreja (sic) da fazenda. A igreja de taipa, mesmo que estivesse apenascoberta, deve ter demorado a ser levantada. A casa primitiva era de pau-a-pique, masgrande.O artista plástico suíço Ettore Marangoni dedicou inúmeros trabalhos à temáticahistórica, com diversas telas representando Sorocaba e Votorantim. A obra Fundação de Sorocaba(1950) ilustrou a interpretação do artista acerca do assentamento do pelourinho na Vila de NossaSenhora da Ponte de Sorocaba. É possível ver a referida pintura no Museu Histórico Sorocabano.A composição traz, em primeiro plano, o trabalho indígena agrícola, a fixação do pelourinho e,em pequeno recuo, o fundador Baltazar Fernandes, em posição de ordenação dos trabalhos. Aofundo da tela, há uma paisagem pitoresca com vegetação densa; a centralidade é mercada pelacapela de Sant´Anna (atual Mosteiro de São Bento), representando-se, assim, a fundação da Vila.É possível identificar na obra os três elementos iniciais da colonização: o nativo, o desbravador ea Igreja.A edificação que servia como residência do fundador não pode mais ser visualizadano conjunto urbano da cidade atual, pois deixou de existir na década de 1960, conforme afirmouPrestes (1999, p. 104). Interessante é notar a descrição da autora, acerca das características daCasa-grande de Baltazar, permitindo-se, com isso, um resgate importante à história da arquiteturapaulista, com a utilização de fontes iconográficas do IPHAN, registradas nos anos 1940 (Figura1).É importante relacionar que é possível ser esta a edificação referida por Almeida (op.cit., ibidem), acerca da “casa primitiva” do fundador Baltazar Fernandes:Através da iconografia existente, é possível constatar grossas paredes de taipa de pilão;o madeiramento do telhado possuía uma armadura com tesouras, atípicas para a época,descarregando os esforços nos frechais dos blocos monolíticos de sólida taipa. Aconstrução apresentava elementos arquitetônicos não habituais às casas bandeiristastradicionais. Assim, a planta era em forma de “L”, enquanto todas as outras casas eramretangulares ou quadrangulares. Provável acréscimo posterior. O outro fato queprovoca estranhamento é a existência de porões. Tinham aberturas em arcos de tijolos(PRESTES, op. cit., ibidem).A igreja de taipa referida no testamento de Isabel de Proença, resgatado por Almeida(2012), é a capela de Sant´Anna, conhecido atualmente por Mosteiro de São Bento3 (Figura 2), [p. 35 e 36]

Se, em outras cidades, as principais ruas eram as que estavam próximas da Igreja Matriz,da Câmara e dos serviços, em Sorocaba elas eram comandadas pela ação dos tropeiros.Ter o estabelecimento localizado numa das ruas por onde passavam as tropas podiasignificar bons lucros no período da feira. Em suma, temos um espaço produzido peloe para o tropeirismo; um espaço singular, onde o trotar dos burros e mulas significavamuito mais que os interesses encontrados no padrão colonial de urbanização.Essa consideração indicou que o tropeirismo provocou uma forma dedesenvolvimento em Sorocaba diferenciada do padrão colonial, atribuindo-se uma influênciamenor da Igreja na articulação de crescimento da Vila, quanto às respectivas localizações (Mapa1).Sabe-se que havia envolvimento da Câmara, assim como de pessoas ricas e influentesna Vila, quanto ao aproveitamento dos espaços locais; uma lógica à influência da atividadeeconômica com a política e crescimento da Vila. Baddini (2002, p. 127) afirmou que “[…] muitosterrenos do ‘rossio’ já haviam sido dados e postos à especulação imobiliária […]”; neste período,os terrenos eram doados pela Câmara, seguindo-se a lógica dos pares6, não a do bem público eutilização comum; conforme a finalidade de destino das terras, em especial as próximas do rioSorocaba. Nessa região, as doações que deveriam ser para construção e moradia, serviam para ouso de pastos (BADDINI, op. cit., p. 116), por estarem próximas ao Registro de Animais, localutilizado para a cobrança de impostos da passagem das tropas. Além das margens e da áreacincunscrita ao Registro (ao lado da ponte), as áreas situadas nas entradas da Vila tambémserviam para a utilização de campos para os animais, o que rendia bons aluguéis nos momentosde movimento da Feira de Muares, em especial nos meses de Março e Abril (Baddini, op. cit., p.133).O desenvolvimento da atividade muarística promoveu crescimento urbano,arrumento. A abertura de ruas era para facilitar o tráfego, o que estimulava, ao mesmo tempo,atividades comerciais diversificadas, especialmente nas localizações inseridas no percurso dastropas. Frioli (1999, p. 67), acerca da expansão da malha urbana, assim como da utilização damesma pelos tropeiros, escreveu que, a partir do século XVIII:Sorocaba cresceu e expandiu-se para os bairros, com a abertura de novas ruas para otráfego das tropas de muares, que inicialmente passavam pelas únicas ruas existentes,todas aqui relacionadas com os atuais nomes: General Carneiro, Penha, 13 de Maio, SãoBento e XV de Novembro. A seguir, Penha, Benedito Pires, Álvaro Soares, Mons. JoãoSoares e XV de Novembro. As atuais praças Ferreira Braga e Artur Fajardo eram oslargos das Tropas.Depois da Independência as patas dos muares transitaram diretamente pela rua Sete deSetembro, atingindo a Álvaro Soares que sucessivamente foi se alongando até a SouzaPereira e finalmente na Paula Souza beirando o rio até a ponte.Para o bairro do “além da ponte”, Sorocaba tinha como opção a Avenida São Paulo atéa Padre Madureira chegando na Major Barros França, então início da estrada para SãoPaulo, que se bifurcava para Itu nos campos de Pirapitingüi, quase que acompanhandoo atual traçado da Castelo Branco. Com a abertura de outra estrada, via São Roque,ainda o acesso era feito pela Major Barros França apesar da enorme volta, até que secompletou a ligação pela Árvore Grande.Esse crescimento da mancha urbana foi percebido, até o início do século XIX, namargem ocidental do rio, expandindo-se as extremidades leste-oeste, circundando-se a áreaocupada no século XVII, consolidando-a como o centro da Vila. Nesse sentido, o cicloeconômico do tropeirismo influenciou o crescimento urbano, entretanto a nucleação da Vila foisedimentada na circunscrição de dois largos com templos religiosos: o largo de São Bento (Figura2) e da Matriz7 (Figura 4), demonstrando-se resquícios do padrão colonial de urbanização, no qualos respectivos largos são testemunhas.No século XVIII, a Rua da Penha surgiu como uma opção paralela à Rua São Bento.O mesmo pode ser observado no Mapa 1, em relação à Rua 7 de Setembro e a ligação com a Dr.Álvaro Soares, para o século XIX. Ambas paralelas encontram a transversal – Rua do Rosário,aberta no século XVIII – permitindo-se acesso à ponte do rio Sorocaba, interligando-se à estradarumo à São Paulo. Cabe destacar, que após as modificações nos trajetos das tropas, a região do Rosário,assim como a rua das Flores, foi favorecida, o que pode ser percebido ao analisar o padrão deedificações e a condição social das pessoas que ali residiram nas primeiras décadas do séculoXIX. A residência mais luxuosa8 de Sorocaba durante todo o Império foi construída em 1839na rua das Flores e pertencia a Manoel Claudiano de Oliveira9, negociante de fazendassecas e de tropas, uma das maiores fortunas locais (BADDINI, 2002, p. 120).Na mesma rua também se situava o casarão assobradado do sargento-mor AméricoAntonio Aires (BADDINI, op. cit., p. 121); a família Aires era muito rica e vinculada ao comérciode tropas.As principais ruas da Vila – que conectavam as estradas que chegavam de Araçoiabae Iperó, partindo em direção a São Paulo – tinham “Largos sagrados” espalhados pelo caminho.[p. 40]

O desenvolvimento urbano de Sorocaba, entre meados do século XVII e XIX,possuiu um ritmo mais lento do que foi percebido a partir dos anos 1840. A Vila foi elevada àcategoria de Cidade e, sob a dinâmica do capital tropeiro – incentivada pela produçãomanufatureira – o espaço urbano local cresceu. Com o adventício ferroviário, houvefavorecimento ao setor produtivo, ao qual iniciou um processo de industrialização têxtil a partirdos anos 1880, acompanhado de desenvolvimento urbano correspondente, especialmente com asvilas operárias; características que promoveram mais crescimento à cidade. A economia deSorocaba foi alterada, mediante o declínio da atividade tropeira e ascensão da cotonicultura,acompanhada de manufaturas e da industrialização, cuja primeira fase esteve vinculada àprodução de tecidos, sendo a última grande fábrica – a Santo Antônio – construída em 1913.3.1 Crescimento urbano e atividades manufatureiras

Em 1842, a Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba foi elevada à categoria deCidade, em conformidade com a “[…] Lei Provincial de 5 de Fevereiro de 1842 […]” (Baddini,2002, p. 144). Acerca da infraestrutura urbana, entre os anos 1840 e 1850, Almeida (2012, p. 166-8) indicou diversos melhoramentos. Em 1845, a cidade comprou os primeiros lampiões carburados com azeite de peixe, os quais chegaram do Rio de Janeiro no ano seguinte. Eram 14 lampiões, passando-se para o número de 50 em 1850.

Em 1841, foi iniciada a construção da ponte sobre o rio Sorocaba (Figura 9), local de destaque na paisagem e economia local, sendo o projeto realizado por João Bloem, e terminado em 1855. Outra obra pública de magnitude na época foi a construção da nova casa de Câmara e Cadeia; o projeto, outrossim, foi atribuído a João Bloem (1841), cujos trabalhos se deram pelas orientações do Cel. João Batista Correia, sendo o mestre de obras o alemão João Dorn (ALMEIDA, op. cit., p. 164).

A ponte representava a prosperidade econômica e a importância política da cidade como centro de arrecadação de impostos sobre animais e de comércio de tropas da província. Estas eram as principais funções do centro urbano em meados do século, tanto na perspectiva do governo provincial, quanto na dos viajantes estrangeiros e dos próprios moradores” (BADDINI, 2002, p. 152).

Para os anos circunscritos entre as décadas de 1840 e 1850, alguns arruamentos erespectivo crescimento urbano foram percebidos pelas investigações de Baddini (2002, p. 144-7).A autora identificou a abertura de vias no sentido das entradas de tropas pelo Supiriri, assimcomo a formação de quarteirões. Nesse sentido, um exemplo significativo foi devido aoarruamento da Rua da Bica (1840-1), cuja localização se dava atrás do Mosteiro de São Bento,permitindo-se o acesso à água potável. O largo do Pelourinho, na rua Boa Vista, também foiarruado.A região do Cerrado sofreu ampliações nos anos 1840 e 1850, provocadas pelasconcessões de datas realizadas pela Câmara. O acesso a essa região era realizado pelo final da Ruada Penha, na respectiva extensão final. Cabe destacar, conforme registrado por Baddini (op. cit.,ibidem), que o centro comercial sorocabano, para os anos 1840, localizava-se em três ruas:Comércio, Direita e das Flores.No ano de 1850, estendeu-se a rua do Hospital2 até o rio Sorocaba, o que promoveua inserção do matadouro municipal no espaço urbano, cuja instalação no local se deu na mesmaépoca. Essa característica não foi bem recebida pela população, principalmente por considerar aexistência de odores e resíduos indesejáveis. Cabe informar que essa conjuntura do matadouronão foi alterada, durante o período delimitado para esta pesquisa; assunto que será abordado naUnidade IV.Sob o aspecto da relação entre ocupação e crescimento urbano, com a valorização delocalizações, Baddini (op. cit., p. 148) afirmou que:O caráter da ocupação urbana – influenciado não só pelo uso das terras para passagemdo gado mas também pela valorização imobiliária daquelas mais próximas do Registro eque serviam para pastos – afetou a organização e o aparelhamento urbano, de modo aprivilegiar as áreas dominadas pelas principais fortunas locais: do centro até a várzea doSorocaba e, posteriormente, do Supiriri. [Páginas 51 e 52]

Em síntese, acerca das localizações e dimensões do desenvolvimento econômico ecrescimento urbano abordado, por hora, neste trabalho, foi possível perceber que no século XVIIa centralidade era articulada à Rua São Bento. O século XVIII presenciou a expansão doarruamento da Vila; a Rua da Penha e acessos à Rua da Ponte em direção a São Paulo sãotestemunhas desse vetor de crescimento. No início do século XIX, há abertura de um ramalparalelo à São Bento e Penha, em conexão com a Souza Pereira, em direção à ponte: a Rua 7 deSetembro. No mesmo período, além de expansão urbana na área da várzea do Córrego Itararé,região próxima à Fábrica Santa Maria, houve desenvolvimento na várzea do Supiriri com a fábricaNossa Senhora da Ponte. A contribuição do Mapa 2 possibilitou ler um desenvolvimento, navirada do século XX, posterior a linha férrea (sentido norte), assim como no sentido leste dacidade, na porção oriental do Rio Sorocaba.A efetivação têxtil sorocabana começou a demonstrar força a partir de 1881,consolidando-se em 1913 – conforme elucidou a pesquisa realizada por Massari (2011, p. 65) -proporcionando um cenário diferente na paisagem do município, que encarava as chaminésfumegantes das fábricas como um símbolo imponente de um sistema econômico bem distinto docostumeiro regional (BONADIO, 2004).A industrialização foi importante para alguns setores sociais e políticos da cidade.Interessante é resgatar a vida da classe operária, sob a perspectiva do acesso à infraestruturaurbana adquirida no processo de modernização da cidade: os melhoramentos urbanos. [Página 62]



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EMERSON


01/01/2017
ANO:185
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]