'10 - -28/04/2024 Wildcard SSL Certificates
2020
2021
2022
2023
2024
2025
100
150
200
Registros (859)Cidades (2)Pessoas (0)Temas (0)

autor:22/10/2023 13:48:19
Yakuza: qual a origem da temida máfia japonesa e como ela se transformou. Por Atahualpa Amerise, em BBC News Mundo

ABR.
28
HOJE NA;HISTóRIA
49

    28 de abril de 2024, domingo
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  


A agitação incessante entre luzes de néon, arranha-céus e templos das cidades japonesas esconde um mundo clandestino que durante séculos fascinou e aterrorizou a sociedade local.

A Yakuza, a instituição criminosa mais antiga do mundo, possui códigos de honra, tradições, rituais e símbolos que a tornam única em comparação com outras redes criminosas, como os cartéis latino-americanos ou as máfias italiana e russa.

É composta por 25 sindicatos ou “famílias”, incluindo três principais, dos quais dependem centenas de subgrupos sob uma hierarquia estrita.

Nascida há mais de quatro séculos no Japão de senhores feudais e samurais, a Yakuza viveu a sua idade de ouro entre as décadas de 1960 e 1980, quando contava com mais de 180 mil membros.

A estagnação das tradições face ao avanço dos tempos e, sobretudo, às perseguições legais e policiais, reduziram o seu número de membros para cerca de 10.000, sem contar os não funcionários e associados.

1. Nome e origem

A palavra yakuza vem dos números 8, 9, 3 (pronunciado em japonês ya, ku, sa), que constituem o pior jogo de cartas possível no tradicional jogo japonês Oicho-kabu, que evoca a percepção de azar ou infortúnio.

É por isso que muitos de seus membros preferem os nomes gokudo ("o caminho extremo") ou ninkyo dantai ("organização honrada ou cavalheiresca").

A Yakuza surgiu no século XVII entre grupos marginais da sociedade feudal japonesa, como os bakuto (jogadores itinerantes), os tekiya (vendedores ambulantes) e os samurais ou ronin desempregados.

Muitos desses samurais sem senhor para servir formaram gangues que evoluíram para formar os sindicatos da instituição criminosa.

Os tekiya e bakuto adotaram várias tradições dos samurais, incluindo um rígido código de honra e rituais de lealdade, que marcaram a cultura organizacional da Yakuza.

O legado do samurai também proporcionou uma estrutura hierárquica rigorosa com regras baseadas no respeito mútuo, na obediência e, acima de tudo, na lealdade absoluta ao chefe ou oyabun.

2. Valores e rituais

A Yakuza se distingue por um complexo sistema de valores e ideologia cujas raízes históricas remontam ao Japão feudal.

Esses valores foram estabelecidos ao longo dos séculos na sociedade japonesa, permeando todas as suas camadas, dos bairros mais seletos de Tóquio ao submundo da capital japonesa, e dos negócios legítimos aos mais obscuros.

“A Yakuza mantém um código de honra que exalta a masculinidade tradicional. Seu espírito gira em torno da ideia de ‘viver e morrer como homens’”, explica à BBC Mundo o sociólogo Noboru Hirosue, autor de vários livros sobre a máfia japonesa e considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto.

Os membros da instituição “acreditam que devem se dedicar, tanto física como mentalmente, à sua organização, e consideram honroso demonstrar lealdade inabalável ao seu oyabun, até ao ponto de sacrificar as suas vidas se necessário”, diz Hirosue.

No cerne da ideologia yakuza está o código de honra baseado nos conceitos de giri (obrigação) e ninjo (humanidade).

Giri define a dívida de honra que um membro tem com seu superior, peça-chave para fortalecer a lealdade dentro da organização, enquanto ninjo é a empatia para com os outros que serve de contrapeso ao rigor do giri na rígida estrutura da máfia.

Ambos se baseiam num profundo espírito de autossacrifício, que leva os membros a colocar os interesses do grupo acima dos interesses pessoais.

Um exemplo disso é o ritual yubitsume, em que um membro corta um fragmento de seu dedo (geralmente o dedo mínimo) como ato de penitência ou pedido de desculpas ao seu oyabun por seu próprio erro ou de alguém sob sua responsabilidade.

“Embora perder um dedo devido a um erro possa ser uma fonte de vergonha, sacrificar o dedo mínimo como pagamento pelo erro de um subordinado é considerado honroso”, explica Hirosue.

Essa tradição, porém, está se tornando menos frequente e atualmente os membros da máfia japonesa costumam pagar multas financeiras para redimir seus erros.

Embora o yubitsume seja chamativo, o ritual mais importante da Yakuza é o sakazuki, a cerimônia de iniciação em que o novo membro compartilha saquê com o chefe.

Este ato simboliza a adoção do kobun, o novo membro da “família” que passa a ser considerado o “filho” do oyabun e lhe jura lealdade absoluta.

“Os grupos Yakuza são estruturados em uma relação pseudofamiliar em que os superiores são chamados de aniki ou irmão mais velho, os irmãos do chefe são chamados de oniisan ou tios e a esposa do chefe é chamada de anesan ou irmã mais velha”, detalha Hirosue.

Estas organizações não têm oficialmente uma ideologia política, mas tendem a identificar-se com a direita e a extrema-direita japonesas.

“A ideologia de que o Japão vem em primeiro lugar, a tradição samurai, a honra e o passado imperial ‘glorioso’ do Japão ressoam na política de extrema-direita, por isso há conexões ideológicas”, explica Martina Baradel, pesquisadora da Universidade de Oxford e especialista em criminalidade japonesa.

Assim, acrescenta Baradel, a Yakuza ocasionalmente coopera com partidos políticos conservadores, embora eles geralmente neguem qualquer ligação com a máfia para manter a sua imagem limpa.

3.Status legal e atividades

Ao contrário das organizações criminosas de outras partes do mundo, a Yakuza nunca foi ilegal, embora enfrente leis cada vez mais restritivas que complicam as suas atividades.

“A máfia italiana é completamente clandestina, enquanto a Yakuza existe abertamente”, explica Hirosue.Os sindicatos desta instituição criminosa se beneficiam do direito à livre associação incluído na Constituição do Japão, no seu artigo 21.

“Desde que não ameacem a segurança nacional, a moralidade ou a ordem pública não estão sujeitas ao controlo governamental”, salienta o acadêmico.

Na verdade, até ao final do século 20, muitas sedes da Yakuza exibiam placas nas portas, eram registadas em listas telefônicas e os seus membros distribuíam cartões de visita em reuniões como se fossem funcionários de uma empresa.

Mas este já não é o caso: nas últimas três décadas, o governo japonês reforçou as leis para enfraquecer o financiamento de grupos criminosos, isolá-los, impedir as suas atividades e reduzir a sua influência na sociedade.

Embora ainda seja legal pertencer à Yakuza, hoje os seus membros estão sempre sob o escrutínio das autoridades num estado semi-clandestino.

“Quando alguém comete um crime e é processado, se for membro da Yakuza, sua ação é considerada padronizada e então recebe penas mais longas do que outra pessoa pelo mesmo crime”, explica Martina Baradel.

Mas o que a Yakuza faz?

Tradicionalmente, os seus sindicatos operam negócios de jogos de azar, extorsão como mikajime-ryo ou “pagamento de proteção”, cobrança de dívidas, empréstimos ilegais, redes de prostituição e tráfico de drogas, entre outros.

Hirosue explica que também agem por meio de empresas de fachada em negócios legítimos, como imobiliário, construção e demolição, expedição de mão de obra ou negociação de ações.

No entanto, o endurecimento das leis contra o crime organizado, especialmente dois decretos de 1992 e 2010 que processam as suas atividades e impõem penas elevadas, alteraram o modus operandi da máfia japonesa.

“Eles tornaram-se gradualmente mais invisíveis e anônimos, envolvendo-se em crimes como fraude, roubo e furto. Em outras palavras, pode-se dizer que os métodos pelos quais a Yakuza obtém seus rendimentos passaram da intimidação ao engano”, afirma o especialista.

E acrescenta que “nos últimos tempos têm colaborado com grupos semi-organizados conhecidos como hangure para realizar atividades como fraude, roubo, furto, tráfico de drogas e tráfico de pessoas”.

As leis anti-Yakuza conseguiram dizimar a instituição, mas ao mesmo tempo dificultam a integração dos membros que decidem deixar o submundo na sociedade.

A chamada “cláusula de 5 anos”, que proíbe empresas e particulares de efetuarem pagamentos a membros da Yakuza, dificulta a quem saiu recentemente da instituição a abertura de contas bancárias, o aluguel de casas ou mesmo a contratação de uma linha telefônica.

“Como resultado, tornam-se pessoas marginais e ressentidas em relação à sociedade”, diz Hirosue.

4. Suas tatuagens, símbolos e armas

A arte da tatuagem, conhecida como irezumi, é um dos símbolos mais reconhecidos da Yakuza.

“Na cultura japonesa, as tatuagens eram tradicionalmente associadas a ocupações de risco, como mineiros de carvão e pescadores. O motivo foi que, em caso de acidentes em que o rosto ficasse irreconhecível, eles poderiam ajudar a identificar a vítima”, afirma Hirosue.

Mas, com o passar dos séculos, tornaram-se símbolos quase exclusivos do crime organizado.

Imagens de carpas koi, dragões, flores de cerejeira, guerreiros samurais e outros elementos tradicionais japoneses projetam aspectos da personalidade, conquistas ou história de vida do usuário, bem como seu compromisso com o grupo criminoso.

“Originalmente, eles tinham o significado de fazer um juramento de nunca mais retornar à sociedade em geral e de viver como um yakuza pelo resto da vida após ingressar na organização”, diz o especialista.

Embora cada vez menos, as tatuagens ainda são desaprovadas no Japão, onde estão ligadas ao crime, e as pessoas tatuadas são proibidas de frequentar muitos espaços públicos, desde saunas e piscinas até praias.

Além das tatuagens, a Yakuza utiliza insígnias, bandeiras e outros elementos visuais para identificar seus membros e mostrar sua afiliação.

Esses símbolos incluem referências à natureza e à mitologia japonesa com significados específicos dentro da cultura yakuza, como lealdade, força ou capacidade de superar adversidades.

Outro elemento que distingue a máfia japonesa das de outros países é que quase não utilizam armas de fogo e recorrem pouco à violência em comparação, por exemplo, com os cartéis latino-americanos.

“Eles raramente usam armas de fogo devido às duras penas que as acompanham e, quando usam armas, geralmente são armas brancas”, diz Hirosue.

Geralmente são canivetes ou facas, herdeiros do tantan que os samurais usavam, e menos frequentemente katanas, embora geralmente não necessitem desses recursos para fazer cumprir sua lei.

“Quando quiserem recorrer à força física, como violência e intimidação, podem simplesmente citar o nome do seu grupo para exercer o poder”, afirma o especialista.

No entanto, observa ele, quando a Yakuza recorre à violência, o resultado pode ser fatal.

“O que torna a Yakuza temível é a sua disposição de recorrer ao assassinato se confrontados com conflitos de interesse, o que acaba por resultar na morte dos seus oponentes.”



\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\28105icones.txt


EMERSON


28/04/2024
ANO:859
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]