o nome) e o extinto Centro Nacional de Engenharia Agrícola do Ministério daAgricultura. Tudo que se encontrava nessa área, desde os monumentosarquitetônicos até os recursos naturais, passou para a responsabilidade do InstitutoBrasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).HistóricoA Fazenda Ipanema abrigava os resquícios arqueológicos do que representou aprimeira tentativa de fabricação de ferro em solo americano, segundo Bertoncini(s/d), e cuja datação realizada em pesquisa recente de Zequini (2006) aponta para asegunda metade do século XVI. A fundição de ferro fora iniciada por AfonsoSardinha no século XVI e mais tarde continuada pela Real Fábrica de Ferro deIpanema, utilizando as reservas minerais da Serra ou Morro de Araçoiaba. A Fábricade Ferro funcionou entre 1811 e 1895 e representa a primeira indústria organizadado país e para a qual foi lavrado o primeiro contrato de trabalho livre do Brasil. Nelaforam produzidas as armas que guarneciam os batalhões durante a Guerra doParaguai.Porém, mesmo antes do bandeirante Sardinha, no entorno do morro de Araçoiaba(dentro da FLONA-Ipanema), e onde se ergueu a cidade de Sorocaba, era ummarco na ocupação do espaço da América. Existem relatos compilados por Zequini(2006) que mostram que Araçoiaba era um ponto de parada de um dos caminhosindígenas, conhecidos como Peabirus, em especial o que ligava a região de SãoVicente, no litoral paulista, com os Andes (Peru). Notadamente percebe-se estarelação estreita entre os povos indígenas da América do Sul através das toponímias(o nome dado aos lugares).O morro da região de Sorocaba (Figura 2) foi chamado de Araçoiaba, nome queacabou sendo diversas vezes distorcido. Em função da origem do estrangeirocolonizador, ele já foi chamado de Byraçoyaba, Guaraçoyaba, Ybyraçoyaba,Araraçoyaba e outros (SALAZAR, 1982, p.25). De acordo com Salazar (1982, p.25),o significado de Araçoiaba é “o lugar onde o tempo acaba” – ARA é o tempo ou dia,assim temos, também segundo Varela (2005, p. 153), o lugar onde o dia acaba,lugar que esconde o sol ou simplesmente “esconderijo do sol”. Esta denominaçãotem o mesmo significado do famoso monte peruano chamado de Macchu Picchu(SALAZAR, 1982, p.124). Neste sentido permite-se imaginar a interligação entrediferentes povos indígenas.Sobre o desmatamento da vegetação, viajantes naturalistas que percorreram aregião de Sorocaba no século XIX apontam para a existência de grande quantidadede perobas, jequitibás, cedros e outras árvores. De acordo com Girardi (2006) issopode ser constatado nos relatos de Saint-Hilaire (1972) e Spix e Martius (1981).Entretanto hoje a paisagem é outra. Na escala regional temos o desmatamento daMata Atlântica ocasionado pelo modo de colonização e ocupação do territóriopraticado no Estado de São Paulo. Na escala local, a paisagem reflete a devastaçãoocasionada pelo corte das árvores mais lenhosas na tentativa de fazer funcionaradequadamente os fornos da Real Fábrica de Ferro. [Página 4 do pdf]
A represa de Hedberg, formada pelo represamento do Rio Ipanema, afluente do RioSorocaba, era tradicionalmente utilizada como local de pescaria, mas os moradoresda região citam a queda da qualidade de suas águas nos últimos anos, bem comoreclamam que atualmente tem que pagar uma taxa de utilização do local (sistemapesque-pague). O ponto culminante do Morro do Araçoiaba, 970 m de altitude, correspondesimultaneamente a um local de atrativo, com sua visada estratégica de observaçãodos arredores, e um local de intervenção ambiental com a concentração das torres eantenas de retransmissão eletromagnética.Para exemplificar como essas torres pode comprometer a atratividade para aFLONA-Ipanema, tem-se as entrevistas mencionadas por Peixoto e Willmersdorf(2002, p.32-33). Em agosto de 2002 foram realizadas entrevistas com 133 visitantesda FLONA-Ipanema visando coletar dados socioeconômicos (renda familiar,escolaridade, idade, sexo, ocupação) e obter dados sobre a percepção deles comrelação às torres de telecomunicações instaladas no Morro Araçoiaba. Dos 133visitantes pesquisados, 56% visitariam mais a Unidade de Conservação casofossem retiradas as torres de transmissão.Nos limites da FLONA localizam-se o gasoduto Brasil – Bolívia, que corresponde àuma situação de risco também às pessoas que ocuparam irregularmente áreasmuito próximas do duto; e a ferrovia, com seus riscos de acidentes e seus vagõesabandonados, que estão apodrecendo e contaminando o solo.Podem ser notados os assentamentos do INCRA, formados por agricultores ruraisoriundos do Movimento dos Sem Terra, um deles no interior da FLONA e outropróximo a seus limites. A relação do MST com a FLONA mudou com a troca dedireção do IBAMA local, pois antes eram vistos como invasores, e agora tentamencaixar as formas de plantio e a recuperação da vegetação silvestre dentro doplano de manejo da UC. A administração local da FLONA Ipanema informou que osassentamentos podem ser considerados atualmente como aliados, pois as novaspráticas agrícolas podem se configurar como uma espécie de “zona tampão”,protegendo a área florestada do contato direto com a agricultura tradicional, queutiliza grande quantidade de agroquímicos e pratica as queimadas na limpeza dosterrenos. [Página 11 do pdf]
"Planisfério de Cantino" Data: 01/01/1502 Créditos/Fonte: Biblioteca Estense, Modena, Itália Um dos primeiros mapas ainda existentes mostrando o território do Brasil. A linha do Tratado de Tordesilhas também está representada
ID: 2949
EMERSON
01/01/2007 ANO:86
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]