'10 - -21/02/2023 Wildcard SSL Certificates
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
100
150
Registros (542)Cidades (4)Pessoas (0)Temas (0)

autor:13020
Autor/fonte: Wikipédia
Biografia de Francisco Adolfo de Varnhagen, consultado em pt.wikipedia.org

    21 de fevereiro de 2023, terça-feira
    Atualizado em 02/12/2025 04:29:18



Fontes (0)


Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto Seguro (Vila de Sorocaba, 17 de fevereiro de 1816 — Viena, 26 de junho de 1878) foi um militar, diplomata e historiador brasileiro, um renovador da metodologia de pesquisa histórica e autor de vários estudos, onde se destaca a primeira grande obra de síntese sobre a história do Brasil: História Geral do Brasil, publicada em dois volumes entre 1854 e 1857, que apesar de ultrapassada em muitos aspectos permanece até hoje como um marco referencial incontornável. Sua contribuição seminal e monumental lhe valeu o apelido de "Heródoto brasileiro". Também deixou relevante trabalho na historiografia e crítica da literatura.

BiografiaFoi o sétimo filho da portuguesa Maria Flávia de Sá Magalhães e de Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen, um engenheiro militar alemão contratado pela Coroa para construir os altos fornos da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, na região de Sorocaba, na então Capitania de São Paulo. Fez seus primeiros estudos de Letras no Rio de Janeiro, e em 1823 seu pai, já em Portugal, o chamou para juntar-se à família.[1]Em Lisboa, a partir de 1825 estudou Matemáticas no Real Colégio Militar da Luz,[2] Diplomática na Torre do Tombo,[3] na Academia de Marinha, e terminou seu preparo como engenheiro militar em 1839, na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho. Iniciou a carreira militar à época das Guerras Liberais, como voluntário nas tropas de D. Pedro IV de Portugal que lutavam contra D. Miguel I de Portugal, obtendo a patente de 2º tenente de artilharia.[2] Seu engajamento na política portuguesa dificultaria seu reconhecimento oficial como brasileiro nato.[1]Escreveu Notícia do Brasil, seu primeiro trabalho de história, entre 1835 e 1838. Suas pesquisas na matéria levam-no a localizar o túmulo de Pedro Álvares Cabral na Igreja da Graça, em Santarém. Foi admitido como sócio-correspondente na Academia de Ciências de Lisboa em 1838, mediante a submissão das Reflexões críticas sobre o escripto do seculo XVI impresso com o titulo de Noticias do Brazil,[2] cujo manuscrito ele descobriu e cuja autoria ele identificou como sendo de Gabriel Soares de Sousa.[3] O mesmo estudo lhe franqueou a entrada, em 1840, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).[1]Retornou ao Brasil ao saber do projeto legislativo que possibilitava a repatriação de brasileiros que viviam no exterior. Enquanto esperava a aprovação da lei, iniciou uma viagem pelos sertões do Brasil, quando sua simpatia inicial pelos índios se dissolveu, segundo declarou, diante de seus hábitos bárbaros, passando a ser um crítico veemente do movimento indianista. Voltou a Portugal em junho de 1841, solicitando uma promoção no exército, que lhe foi negada, o que provocou sua demissão. Em 24 de setembro de 1841 obteve a nacionalidade brasileira através de decreto imperial, podendo ser admitido na carreira diplomática. Foi indicado adido de 1ª classe na legação brasileira de Lisboa em 19 de maio de 1842, recebendo a missão de realizar pesquisas sobre a geografia, legislação e história do Brasil nos fundos documentais portugueses e espanhóis. Ao mesmo tempo, foi nomeado segundo-tenente do Imperial Corpo de Engenheiros do Exército brasileiro.[1]Em 1847 recebeu uma medalha de ouro do IHGB pelo seu trabalho sobre o Caramuru e foi promovido a primeiro-secretário da Legação brasileira, sendo transferido para Madri e continuando seu trabalho de pesquisador nos arquivos locais. Aproveitou seus contatos para coletar documentos sobre o Brasil em numerosos arquivos e bibliotecas da França, Inglaterra, Bélgica e Alemanha.[1] Em 1850 publicou o primeiro dos três volumes do Florilegio da poesia brazileira, um dos textos fundadores da historiografia da literatura nacional.[1][4]

No ano seguinte estava de volta ao Brasil, convocado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulino José Soares de Sousa para servir de consultor nas negociações sobre os limites das repúblicas hispano-americanas com as Guianas, e ainda em 1851 foi eleito primeiro-secretário do IHGB, sendo responsável por uma reorganização da biblioteca, do arquivo e do museu do instituto e pela criação do primeiro catálogo alfabético da Revista do IHGB. No mesmo ano retornou a Madri, sendo promovido a encarregado de negócios da Legação brasileira. Entre 1854 e 1857 publicou os dois volumes de sua obra-prima, História Geral do Brasil. Seu amor pela terra natal levou-o a registrar, embaixo do nome da obra, a expressão "natural de Sorocaba". Em 1858 foi promovido a ministro e destacado para o Paraguai, e em 1859 o IHGB o tornou sócio honorário, "em reconhecimento de sua ilustração e dos valiosos serviços prestados ao instituto". Serviu como diplomata também na Venezuela (1861, ministro residente), incumbindo de resolver um conflito de fronteira, no qual não teve sucesso; no Peru (1863), acreditado também junto ao Equador e Chile (onde conheceu sua futura esposa, Carmen Ovalle y Vicuña), e na Áustria (ministro residente em 1868, ministro plenipotenciário em 1871), sempre dividindo seu tempo entre a diplomacia e a pesquisa, viajando incansavelmente.[1]Neste período participou do Congresso de Estatística de São Petersburgo de 1872 como um dos vice-presidentes da Comissão Permanente, e no mesmo ano recebeu o título de barão de Porto Seguro, sendo elevado a visconde dois anos mais tarde. Foi um dos vice-presidentes do júri da Exposição Universal de Viena de 1873. Em 1877 publicou a segunda edição da História Geral,[1] e empreendeu viagem ao interior de Goiás com objetivo de explorar a região entre as lagoas Formosa, Feia e Mestre d´Armas próximas da atual cidade de Formosa. Varnhagen defendia a interiorização da capital do Brasil e havia realizado estudos cartográficos acerca do Planalto Central.[5] Faleceu em 29 de junho de 1878 em Viena, aos 62 anos, sendo sepultado em Santiago do Chile.[1] Parte de sua biblioteca foi adquirida pelo bibliófilo José Mindlin, que era membro da Academia Brasileira de Letras.ObraVer artigos principais: Historiografia brasileira e História do BrasilComo historiador foi um dos protagonistas da renovação do método de pesquisa histórica na cultura lusófona,[2] preocupando-se com a utilização de fontes originais a fim de obter um maior rigor científico,[3][4] mas também valorizava o aspecto literário da escrita histórica, que se bem desenvolvido poderia atrair potenciais leitores e formar um público mais amplo.[2][6] Neste sentido, foi colaborador e membro do Conselho Editorial do jornal O Panorama, publicado pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, que tinha como objetivos promover a educação do povo, melhorar os costumes e fortalecer a civilização, ajudando Portugal a se modernizar.[3] Ali publicou, em forma de folhetim, a Chronica do descubrimento do Brazil, onde os típicos vazios da narrativa histórica puramente baseada em documentos são preenchidos e romanceados com elementos ficcionais como recurso persuasivo para aumentar a verossimilhança, esperando "contribuir para facilitar a elaboração de futuras epopeias que tivessem como tema o descobrimento do Brasil e Pedro Álvares Cabral como herói". Esse expediente de constantemente apelar para a imaginação onde os documentos falhavam em prover informação era uma estratégia de convencimento comum entre os historiadores de sua geração.[4][6] Segundo Pedro Telles da Silveira, "a literatura convivia entre uma concepção retórica e uma nascente concepção romântica. Essa dubiedade ajudava-a especialmente a conviver com a história em termos pacíficos, fazendo com que uma e outra se tornassem, em alguns momentos, complementares. A literatura, em certos momentos, precisava do apoio da história ou da ciência para se validar – algo que acontecia tanto no ambiente do IHGB como no de O Panorama."[6]

Em sua obra maior, História Geral do Brasil, procurou dar mais valor ao estudo do processo global de desenvolvimento da civilização brasileira, em detrimento da antiga concepção da história como uma coleção de feitos notáveis de figuras isoladas.[3] Segundo Evandro Santos, "marco determinante da identidade nacional, então fruto de esforço historiográfico, ao lado da produção ligada ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Historia Geral reuniu e organizou quase duas décadas de pesquisas e tornou-se, à revelia de sua fria recepção, título imprescindível à história da historiografia no país".[4]Em sua teoria da historiografia enfatizava a necessidade do pesquisador se manter imparcial, mas em sua prática afastou-se consideravelmente dessa meta, e neste aspecto sua produção em parte foi um fruto do pensamento do seu tempo e dos círculos eruditos e cortesãos que frequentava. Seus trabalhos relevam suas inclinações pessoais em favor da monarquia, do catolicismo e do nacionalismo, seu romantismo idealista, seu anti-indianismo, sua defesa da herança portuguesa, a contaminação das suas narrativas com a moral e a política, os limites imprecisos entre a reconstituição da história e sua reinvenção programática, e seu enaltecimento da cultura dominante de matriz europeia, que julgava a única capaz de promover a civilização. Por isso suas contribuições em parte estão ultrapassadas, mas mesmo assim são notáveis pelo seu vulto, abrangência e importância em seu momento histórico.[1][4] O obituário publicado por Capistrano de Abreu no Jornal do Commercio já antecipava alguns dos principais pontos criticados modernamente em sua personalidade e obra científica:"Também ele tinha muitos pontos vulneráveis. Era dos homens inteiriços, que não apoiam sem quebrar, não tocam sem ferir, e matam moscas a pedradas, como o urso do fabulista. Em muitos pontos em que a sua opinião não era necessária, ele a expunha complacentemente, com tanto maior complacência quanto mais se afastava da opinião comum. Suas reflexões às vezes provocam um movimento de impaciência que obriga a voltar a página ou a fechar o volume. Muitos assuntos sem importância, ou de importância secundária, só o ocupam por serem descobertas suas. A polêmica com João Lisboa, em que tinha talvez razão, porém em que teve a habilidade de por todo o odioso de seu lado. Homem de estudo e de meditação, desconhecia ou desdenhava muitas das tiranias que se impõem com o nome de conveniências; sensível ao vitupério como ao louvor".[1]Na opinião de Temístocles Cezar, apesar das suas fraquezas e inconsistências,"Ele consegue impor-se, tornar-se imprescindível, irrecusável. Mesmo para aqueles que não o apreciam (e não parece, nem ontem nem hoje, que sejam poucos) ele se converteu em uma figura incontornável para o entendimento da história da história no e do Brasil. [...] Ele é datado, localizado, visível, preso ao tempo dos homens e da ciência. E como todo discurso científico tem necessidade de um marco fundador, de um início, Varnhagen é adaptado a essa condição primordial. O que houve antes dele, dispersa-se diante do gigantismo de sua obra. No melhor dos casos tornam-se fontes históricas, no limite crônicas, no pior, esquecimento. Varnhagen passa a desempenhar para a história do Brasil o mesmo papel que Cícero atribuiu a Heródoto em relação à história: pai. A historiografia do fim do século XX, quer dizer, a historiografia acadêmica, não se preocupou muito em desmentir ou desqualificar essa analogia".[1]HomenagensNos altos do Morro de Ipanema há um monumento a Varnhagen, construído por disposição testamentária,[1] que foi visitado pela Família Imperial em 11 de novembro de 1884. Nesse monumento há a inscrição: A memoria de Varnhagen Visconde de Porto Seguro nascido na terra fecunda descoberta por Colombo. Iniciado por seu pai nas couzas grandes e uteis, estremeceo sua patria escreveo-lhe a historia. Sua alma immortal reune aqui todas as suas recordações.

Em 1903 Oliveira Lima o escolheu como patrono de sua cadeira na Academia Brasileira de Letras. Em 1916 o IHGB publicou o trabalho inédito sobre a História da independência do Brasil. Nesse mesmo ano, quando se comemorava o centenário do seu nascimento, Pedro Lessa proferiu um discurso no IHGB enfatizando a relevância da sua obra, e Remigio de Bellido publicou uma detalhada biografia. Um retrato foi instalado em 1919 na biblioteca do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e em 1944 outro foi instalado na galeria dos historiadores no Arquivo Nacional. Um outro monumento com uma herma foi construído pelo IHGB no Rio, comemorando o centenário da fundação do instituto em 24 de outubro de 1931.[1]Seus restos mortais deveriam ter sido depositados no monumento no morro Araçoiaba da Serra, local onde ele nasceu na Real Fábrica de Ferro - Vila São João de Ipanema, porém o monumento ainda recebeu seus restos mortais. Permaneceram até 19 de janeiro de 2016 no terceiro monumento a Varnhagen, situado na Avenida General Osório, em Sorocaba, em cuja placa constavam os dizeres: Estão aqui depositados os restos mortais de Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro. Paulista de Sorocaba, o Pai da História do Brasil *17-2-1816 † 29-6-1878. Transladados de Santiago, Chile, no centenário do falecimento. Prefeito Municipal Theodoro Mendes. Sorocaba, 29-6-1978.[1]Atendendo antiga reivindicação da população, que demandava que seus restos fossem colocados mais ao centro da cidade, próximo à estátua de Baltasar Fernandes, fundador de Sorocaba, e como parte das comemorações do bicentenário do nascimento do Visconde, deu-se novo traslado em 19 de janeiro de 2016. O processo de exumação obedeceu procedimento científico conduzido pelos especialistas em arqueologia e medicina legal, professora Valdirene do Carmo Ambiel, médico legista Luiz Roberto Fontes e perito criminal odontológico Flávio Veras Nunes de Oliveira, acompanhados pelos dirigentes das principais instituições de história e de ensino de Sorocaba e do estado.[7] Na cerimônia cívico-fúnebre, com honras militares, foi cantada missa de réquiem na Capela do Mosteiro, seguida de discurso do porta-voz da família imperial brasileira, Bertrand Maria José de Orléans e Bragança. Sob o toque de silêncio, flores foram depostas, e finalmente os restos mortais do "Pai da História do Brasil" foram inumados em monumento tumular agora situado no Jardim do Largo do Mosteiro de São Bento.[8]Ainda em 2016 a Academia Paulista de História, a Fundação Visconde de Porto Seguro, a Fundação Ubaldino do Amaral, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e o Instituto Martius-Staden promoveram o colóquio Bicentenário de Nascimento do Visconde de Porto Seguro, que incluiu palestras, uma exposição, a inauguração de um busto do historiador em Ipanema e o lançamento do livro infantil Um visconde no tempo das magnólias.[9] No mesmo ano o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba criou a comenda Colar de Visconde de Porto Seguro, como forma de destacar personalidades dedicadas à pesquisa da história de Sorocaba e do Brasil.[10]



Sorocaba/SP
Araçoiaba da Serra/SP
Francisco Adolfo de Varnhagen
1816-1878
Wikipédia


EMERSON


21/02/2023
ANO:542
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]