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autor:31/12/2023 01:30:23
O Casarão “Quinzinho de Barros” e o espaço museológico como principal artefato de seu acervo. Tami Coelho Ocar

    2020
    Atualizado em 23/10/2025 17:29:26
  
  
  
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História de Sorocaba. Afinal, a construção em questão é um dos principais remanescentes históricos materiais da cidade – e do estado de São Paulo. E a História da formação urbana de Sorocaba começa com a chegada dos bandeirantes, um fundador, uma capela curada, e muita gente de fora com diferentes histórias para agregar. No entanto, há uma diferença crucial que fez com que Sorocaba influenciasse regionalmente e nacionalmente. A cidade mantém o seu sucesso em sua localização, e isso, retratam os estudiosos, desde o período pré-colonial. Diz-se que havia caminhos que os índios utilizavam como rotas de comércio, e a estes caminhos dava-se o nome de “Peabiru” (“Pe” – “caminho”; “abiru” – “gramadoamassado”). A principal rota desses Peabirus ligaria São Vicente ao Peru, unindo osoceanos Atlântico e Pacífico (CELLI, 2006, p. 85). A despeito das lendas que corremsobre esse caminho, não se pode ignorar a importância do mesmo para a evolução nacional, e Sorocaba estaria exatamente no centro desta rota. Tanto as características de seu meio físico, quanto o fato de ser o principal entroncamento do Peabiru, teria influenciado o surgimento de assentamentos - de indígenas e bandeirantes, à posteriori - nessa localização estratégica (CELLI, 2012, p. 42).

A descoberta da existência da Prata em Potosí impulsionou a Coroa Portuguesa e os colonos pela busca de metais preciosos no território brasileiro. Neste sentido, o Peabiru serviu como rota para os bandeirantes, que além de visarem o apresamento de indígenas e a busca por metais preciosos, passaram a receber lotes de terra da Coroa. As chamadas “sesmarias” tinham como função o povoamento do interior brasileiro, além do interesse financeiro que existia por detrás das bandeiras (ZEQUINI, 2006, p. 83, 85, 87, 89). No final do século XVI, Afonso Sardinha, “O Velho”, recebeu uma sesmaria próxima ao Morro Araçoiaba, e lá, juntamente com seu filho homônimo (conhecido como “O Moço”) e Clemente Álvares, encontraram minério de ferro. Em 1599 foi então plantado o pelourinho no local, garantindo a fundação do povoado de Nossa Senhora de Monte Serrat.

Possivelmente o fato da magnetita que lá foi encontrada conter traços de prata fez com que o governador autorizasse a instalação do pelourinho (ZEQUINI, 2006, p. 123). A nova povoação, no entanto, mal durou uma década, e em 1611 foi transferida para a beira do atual Rio Sorocaba, com o nome de Itavuvu, a qual também não prosperou.

Autores do final do século XX alegam que as expansões para o oeste nãoocorreram apenas por conta de um alargamento agrícola comercial. Para além dossesmeiros, o povoamento da região também se deu graças às famílias de locais [Página 4 do pdf]

primeiro documento oficial que consta o nome “Sorocaba” trata-se de um inventário de 1654, pertencente à Isabel de Proença, segunda esposa de Balthazar Fernandes, onde está registrada a “Fazenda Sorocaba” (MANFREDINI; GUANDIQUE; ROSA, 2015, p. 41). Na ocasião, o Capitão teria ganho as terras em forma de sesmarias.

Devido ao fato do local ser passagem sobretudo de bandeirantes, no entorno logo se formou o povoado de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Em 1660 Balthazar Fernandes garantiu a fundação do mesmo com a construção de uma capela, a qual doou aos monges beneditinos no ano seguinte, sob promessa de que os mesmos garantiriam a educação local. O povoado de Nossa Senhora da Ponte logo se tornou ponto de paradas e comércio de bandeirantes, adquirindo uma estrutura urbana, administrativa, ideológica e política que garantiu a formação da atual cidade de Sorocaba (CELLI, 2012, p. 49-53). Nesse contexto, a casa da família de Quinzinho de Barros foi construída na década de 1780, pelos escravos de João de Almeida Pedroso, “o ruivo”. Natural de São Paulo, casou-se em Araçariguama – atual cidade pertencente à Região Metropolitana de Sorocaba, que à época era termo de Parnahyba – com D. Gertrudes Ribeiro, cujo pai era natural justamente de Parnahyba (LEME, 1870, p. 34; CAMPOS JR, 1938, p. 143). João de Almeida Pedroso recebeu as terras em forma de sesmaria em 1771, o que corrobora com a questão supracitada acerca da exploração do oeste paulista. O casarão está localizado atualmente em zona central da cidade, há aproximadamente 1,81 km em linha reta da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Ponte e 1,53 km em linha reta da ponte da rua XV de Novembro. Feito de taipa, é um dos poucos remanescentes construtivos da arquitetura considerada tipicamente paulista. Por lá passaram diversos nomes famosos, mas sua História e concepção como Museuserão mais bem explorados nos itens subsequentes.

O fato de Sorocaba estar localizada exatamente no eixo das principais rotasque ligavam o norte ao sul garantiu a prosperidade local. Já no início do séculoXVIII, com a queda da escravidão indígena, o povoado passou pela sua segundafase econômica: o tropeirismo. Com a alta da busca por metais preciosos, oscolonos precisavam de meios de transporte que fossem mais ágeis. Por estarinserida em uma localização central, Sorocaba passou então a sediar a Feira deMuares a partir da década de 1730, que promovera uma evolução tanto daeconomia quanto da sociedade paulista (HOLANDA, 1994, p. 133). O ciclo muar,portanto, levou ao contato entre as mais diversas regiões do país. Para Caio PradoJunior, se não fosse por esse ciclo talvez o Brasil não tivesse se desenvolvido como unidade nacional, no sentido de que possivelmente os núcleos de povoamentoteriam se mantido isolados, e não haveria outro tipo de evento que promovesse aligação do que hoje conhecemos como norte e sul do país (PRADO JR, 2012, p. 30).A presença das tropas também promoveu uma mudança na malha urbana deSorocaba. Em época de feiras, a população flutuante local aumentava, promovendoos mais diversos comércios e atraindo novos moradores (CELLI, 2012, p. 54-55).Outra alteração no que diz respeito ao desenho geográfico da região é que o Registrode Muares – espécie de pedágio – foi colocado do centro urbano da cidade, sefixando próximo à ponte da atua rua XV de Novembro (que fora construída entre1841 e 1855). As tropas passaram a desviar das proximidades da matriz, o que fezcom que o município se desenvolvesse para outros lados, diferentemente de outrascidades. (CELLI, 2012, p. 59-66; MATTOS, 2017, p. 40).

Com a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, diversas modernizações foram promovidas no país, dentre elas o desenvolvimento da siderurgia. Temos então o retorno ao Morro Araçoiaba, com a vinda do alemão Friederich Ludwig Wilhelm Varnhagen (1782-1842), que em 1810 constituiu o Estabelecimento Montanístico de Extração de Ferro das Minas de Sorocaba – posteriormente, Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema. Varnhagen inaugurou sua indústria fundindo nos altos fornos três cruzes de ferro – sendo que uma delas encontra-se hoje nos jardins do Museu Histórico Sorocabano. A fábrica ficava às margens do Rio Ipanema, e, apesar de ter encerrado suas atividades já em 1895, foi o pontapé inicial para a terceira fase econômica de Sorocaba: a industrialização (ZEQUINI, 2006, p. 22). Atualmente as ruínas da fábrica fazem parte da Floresta Nacional Ipanema – FLONA.

Em 1842, com a Revolução Liberal, Sorocaba foi finalmente elevada àcategoria de cidade. Dez anos depois houve as primeiras tentativas fabris dealgodão. A cultura algodoeira se desenvolveu bem na região, inclusive cominvestimentos de interesses privados. Não demorou muito até que a malhaferroviária se estendesse à região, dando origem à Estrada de Ferro Sorocabana, em1875. A utilização de trens, por sua vez, gerou o declínio no ciclo de tropas muares,que passaram a ter serventia apenas como meio de transporte regional. O algodãoteve sua produção aumentada cada vez mais, sobretudo por conta da Guerra deSecessão (1861-1865), pois o Estados Unidos deixou de enviar a matéria primatêxtil para a Inglaterra, beneficiando a produção sorocabana. A industrializaçãolocal foi tão grande que Sorocaba recebeu a alcunha de “Manchester Paulista”, em [Páginas 6 e 7 do pdf]

que os habitantes paulistas foram responsáveis por criarem um estilo construtivo muito próprio, cuja cultura material remanescente denuncia as técnicas utilizadas, a mistura cultural e a condição social de seu dono. Seus muros de taipa representariam a paulistanidade, tão em voga na década de 1950, que era construída materialmente em conjunto com os hábitos e costumes dos mamelucos. E é nesse sentido identitário que surgiram os Museus Históricos Pedagógicos - como o Museu “Quinzinho de Barros” - tema a ser melhor explorado na sessãosubsequente.

O Casarão do Quinzinho de Barros e a sua importância arquitetônica e histórica como espaço de memória Nesta seção serão descritos os resultados do trabalho. Como foi dito, a sede do atual Museu Histórico Sorocabano, foi construída em 1780. Sua construção, portanto, é considerada tardia, mas ela manteve os principais traços de uma casa bandeirista, listados por Saia: planta assentada à meia altura da paisagem e dividida em três faixas, construção de taipa (paredes externas: taipa de pilão; internas: taipa de mão), alpendre ladeado por dois cômodos e telhado de quatro águas. [Página 10 do pdf]



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EMERSON


01/01/2020
ANO:285
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]