'Informativo - Arquivo Histórico Municipal, No. 20* 0 01/10/2022 Wildcard SSL Certificates
font-size:75;' color=#ffffff
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
100


   1 de outubro de 2022, sábado
Informativo - Arquivo Histórico Municipal, No. 20*
      Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

  
  
  


PLANTA DA CIDADE DE SÃO PAULOPOR C. A. BRESSER1841Ao pé da planta, à direita: Copied from Original 1861Nota na parte inferior da planta:Esta planta foi copiada de uma copia do original do Archivo do Escriptorio da Engenharia da São Paulo Railway em 29 - 5 - 1918W. J. SheldonEngenheiro ChefePetipé do original de 2000 palmosPetipé da cópia de 1861 de 3000 pés inglesesDimensões da cópia do Museu Paulista: 870 x 754 mm (sem moldura)Documento íntegro, embora muito escurecido pela acidificação do suporte.Técnica da cópia: mista, com acréscimos manuscritos à tinta.Original de paradeiro desconhecidoReprodução a partir da versão publicada pela Comissão do IV Centenário, em 1954ANÁLISEAutor da planta original, datada de 1841, Karl Abraham Bresser (c.1804-1856), considerado engenheiro civil no Brasil, de fato, formara-se agrimensor na Alemanha (Geometer [Felt- und Landmesser]), conforme especificado em carta de recomendação que o burgomestre de Krefeld endereçou ao major João Bloem. Natural dessa cidade alemã, situada na Renânia do Norte-Vestfália, região pertencente naquele tempo ao reino da Prússia, Bresser era muito estimado por seus concidadãos. Possuía profundos conhecimentos e habilidades e, de acordo com o prefeito de Krefeld, tinha conduta exemplar e irrepreensível.

Assinou contrato por cinco anos com o governo da província de São Paulo, representado pelo major Bloem, em Bremen no dia 1° de agosto de 1838, e por esse documento percebe-se que, ainda que nele fosse qualificado como agrimensor, com diploma, sua responsabilidade no Brasil seria a de um verdadeiro engenheiro, pois deveria elaborar planos, fazer orçamentos e dirigir as obras da abertura de uma estrada de rodagem entre São Paulo e Santos.

Embora bem recomendado, sua atuação na difícil construção da Estrada da Maioridade foi simplesmente desastrosa. O brigadeiro Tobias de Aguiar, presidente da Província da época, examinou pessoalmente a estrada em companhia do major Bloem e constatou que as obras, de tão mal conduzidas, tinham de ser imediatamente paralisadas. Responsabilizado pelos erros de execução, Bresser acabou afastado em 1841. Mantido, contudo, sob contrato durante muitos anos pelo governo da Província, a ele foram destinadas outras tarefas, que soube desempenhar a contento, entre elas a planta que deu origem à cópia aqui analisada.

Como se trata de uma cópia, não há nela informações, infelizmente, que nos dêem pistas acerca das circunstâncias sob as quais foi produzido o documento gráfico original, cujo paradeiro nos é desconhecido. Sabemos, porém, que na sessão camarária do dia 5 de novembro de 1840, foi lida uma portaria do governo provincial ordenando que por um edital a Câmara Municipal convidasse os paulistanos a franquear os pátios e jardins de suas casas, cujos exames fossem necessários ao engenheiro Bresser, encarregado pelo governo de levantar uma planta da Capital e seus subúrbios, planta essa, já se vê, de natureza cadastral.

O que, logo de início, se nota nesta planta é que praticamente nada havia mudado em relação às anteriores, de ns.1 e 2. Os limites abrangidos por ela, no entanto, foram um pouco alargados: ao norte, foram estendidos para além do Convento da Luz; ao sul, até o Córrego Lavapés, que interceptava o caminho de Santos; a leste, levados adiante da igreja do Brás, elevada à matriz em 1818, e, a oeste, avançaram até o começo da íngreme subida da estrada de Sorocaba, pouco antes do sítio onde mais tarde seria construído o Cemitério Municipal (atual Cemitério da Consolação).Embora mais precisa que a carta executada pelo capitão Rufino em 1810, a planta de Bresser, de modo geral, pouco acrescenta em relação ao que aparece na de n.2, atualizada no mesmo ano de 1841. Na verdade, na planta que estamos examinando não foi completado o cadastramento dos imóveis. Ao que tudo indica, a planta foi deixada inacabada, sendo refeita mais tarde, entre 1844 e 1847, como veremos ao analisarmos a Planta n.5. (A esse respeito, o Prof. Nestor Goulart Reis Filho levanta outras hipóteses em São Paulo Vila Cidade Metrópole, 2004, mas nossa tendência é concordar com o Prof. Irineu Idoeta, em São Paulo vista do alto, 2004). Nela o que mais chama a atenção são os erros existentes no letreiro, pelos quais, na maioria dos casos, devem ser responsabilizados os sucessivos copistas. (No livro O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, editado pelo Banco Safra em 1984, afirma-se que o copista de 1918 tinha por iniciais as letras H. J., mas não pode ser confirmada essa informação.)Assim, temos alguns itens que não foram localizados em planta, como, por exemplo: a Rua do Rego (depois Rua de Santa Cruz e hoje absorvida pela Praça Carlos Gomes), n.14, o Hospital dos Lázaros, n.16, e o Rancho Nacional, n.87. Ou itens que o foram erradamente, como os Becos Comprido e do Mata Fome, n.97 e n.98. Essas vias, situadas nas proximidades do Piques e da Igreja da Consolação, foram inexplicavelmente transferidas para as baixadas do Convento de São Bento, na Várzea do Tamanduateí. Há também nomes errados: Beco dos Fornos, n.15, por Beco dos Cornos (igualmente não localizado); Ponte do Irmão, n.19, por Ponte do Ferrão; Ponte do Cano, n.21, por Ponte do Carmo e Rua das Freiras, n.31, por Rua da Freira. Ademais, detectamos uma inversão nas correspondências dos ns. 84 e 85, cuja ordem correta é Chácara do Arouche e Tanque do Arouche, respectivamente. Aliás, o nome Arouche também aparece grafado erradamente, Arrouche. Grafia essa que, tal como Tabatinguerra, nos ns.7 e 9, talvez possa constituir um lapso a ser creditado à nacionalidade do autor (alemã) ou de um dos copistas (inglesa?).Quanto ao n.92, chácara de Jerônimo Andrade, é a chamada do Bom Retiro, antes pertencente ao governador Franca e Horta, que a vendeu ao brigadeiro João Jacques de Baumann. Morto este último, a propriedade passou para seu genro, o tenente-coronel Jerônimo de Andrade.Do mesmo modo, a chácara de Silva Machado, n.77, desmembrada em 1784 de uma outra chamada das Palmeiras, pertencera primitivamente a Miguel Carlos Aires de Carvalho, procurador da Coroa entre 1786 e 1788. João da Silva Machado (1782-1875), proveniente do Rio Grande do Sul, iniciara sua vida como modesto tocador de gado, mas transformara-se, já no tempo de Saint-Hilaire, no maior proprietário da região dos Campos Gerais, na futura província do Paraná, tendo recebido mais tarde o título de Barão de Antonina.A chácara de Luís Machado, n.10, havia sido antes do seu cunhado Francisco de Assis Márcio Lorena e Silveira (1789-1835), filho do capitão-general Bernardo José Maria da Silveira e Lorena (1756-1818). Assis Lorena havia herdado a propriedade de sua mãe, Mariana Angélica de Bustamante Sá Leme, morta em 1811. Falecido Francisco de Assis Lorena, a propriedade passou para as mãos de Luís Pereira Machado, um dos dois genros de D. Bernardo José. Depois, a chácara foi herdada pela filha de Luís, D. Ana de Lorena Machado e, a seguir, pela a filha desta, D. Ana Maria de Almeida Lorena Machado, que mandou loteá-la em fins do século XIX. Nos terrenos mais desfavoráveis da encosta do morro da Tabatinguera foram então erguidos vários conjuntos residenciais para operários. Até hoje sobrevivem centenárias vilas desse tipo, em processo de tombamento municipal, mas hoje muito descaracterizadas e em péssimas condições de habitabilidade, naquela região profundamente deteriorada, hoje parcialmente marginada pela avenida Radial Leste (Travessa Ruggero, Vila Suíça, Vila Carolina Augusta, etc.). No alto da encosta, contudo, na Rua Conde de Sarzedas, foi erguido em fins do oitocentismo o pretensioso “castelinho” de Luís de Lorena Rodrigues Ferreira, também descendente do 5º conde desse título. Hoje a edificação se acha tombada no nível municipal e devidamente restaurada (atual Centro Cultural do Museu do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).Vemos também na planta a chácara de Bernardo Gavião, n.101. Pertencente ao brigadeiro Bernardo José Pinto Gavião Peixoto (1791-1859), essa propriedade nada tinha a ver com a chácara do coronel [José Joaquim da Costa] Gavião, depois marechal, correspondente à letra a, vista na carta do capitão Rufino, de 1810. Na planta de n.1 o que vemos é a chácara conhecida mais tarde como do Campo Redondo, de que foi dono o pai do brigadeiro Gavião. Na planta que analisamos agora, vemos a propriedade que o brigadeiro Gavião Peixoto herdou de sua mãe, Maria da Anunciação Pinto de Morais Lara, filha única do rico brigadeiro Joaquim José Pinto de Morais Leme. A esse último haviam pertencido originalmente as terras que se estendiam para o norte a partir do sopé do morro de São Bento, e onde se situava a chácara herdada pelo brigadeiro Gavião, limitada pelas atuais Ruas Mauá, Brigadeiro Tobias, Washington Luís e Avenida Prestes Maia. A chácara de Bernardo Gavião seria depois repartida entre três de seus filhos, que aí manteriam suas residências: Bernardo Avelino, José Maria e Camilo.A planta de Bresser traz ainda uma informação que não se acha presente em outras cartas: a localização do antigo açougue, n.34, localizado à esquerda da subida da Rua de Santo Amaro. Em 1852, esse matadouro municipal seria substituído por outro, desta vez erguido nas proximidades da atual Rua Humaitá, à beira do Ribeirão Anhangabaú.Há mais um curioso detalhe nessa planta: ela mostra a Rua Formosa a atravessar a chácara do futuro Barão de Itapetininga. Embora só tenha sido aberta em 1855, a Câmara, de fato, já cogitava abrir essa via mais de dez anos antes (ela é mencionada, por exemplo, na sessão de 11 de julho de 1844). Mesmo assim, em nossa opinião, não foi Bresser que a incluiu na presente carta, pois na Planta de n.5, feita entre 1844 e 1847, também de sua autoria, ela não vem representada. É mais provável que se trate de uma atualização introduzida por algum copista.


Registros mencionados

1 de agosto de 1838, quarta-feira
Após os problemas com os prussianos, o governo ainda investiu na mão-de-obra estrangeira para aumentar a produtividade da fábrica de ferro em Ipanema. O então diretor Major João Bloem viajou a Alemanha
Atualizado em 13/02/2025 06:42:31

• Fontes (2)

• Pessoas (2): João Bloem (39 anos); José Pinto Gavião Peixoto (47 anos)

• Temas (5): Alemães; Caminho do Mar; Caminho São Paulo-Santos; Estradas antigas; Fazenda Ipanema

• Cidades (3): Araçoiaba da Serra/SP; Santos/SP; São Paulo/SP

O que é História?
Abraham Lincoln (1809-1865) dizia que "se não for verdade, não é História. Porém, é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.

Existiu um homem que pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar, aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiperinflação, a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava a seguir a carreira artística. [28174] Você votaria neste homem Adolf Hitler (1889-1945)?



Quantos ou quais eventos são necessários para uma História?
Segundo Aluf Alba, arquivista do Arquivo Naciona: o documento, ele começa a ser memória já no seu nascimento, e os documentos que chegam no Arquivo Nacional fazem parte de um processo, político e técnico de escolhas. O que vai virar arquivo histórico, na verdade é um processo político de escolhas, daquilo que vai constituir um acervo que vai ser perene e que vai representar, de alguma forma a História daquela empresa, daquele grupo social e também do Brasil, como é o caso do Arquivo Nacional.

É sempre um processo político de escolha, por isso que é tão importante termos servidores públicos posicionados, de pessoas preparadas para estarem atuando nesse aspecto.


Mary Del Priori, historiadora:

Nós temos leis aqui no Brasil, que são inclusive eu diria bastante rigorosas. Elas não são cumpridas, mas nós temos leis para arquivos municipais, estaduais e arquivos federais, que deveriam ser cobradas pela própria população, para manutenção desses acervos, acervos que estão desaparecendo, como vimos recentemente com o Museu Nacional e agora com a Cinemateca de São Paulo. E no caso dos arquivos municipais, esses são os mais fragilizados, porque eles tem a memória das pequenas cidades e dos seus prefeitos, que muitas vezes fazem queimar ou fazem simplesmente desaparecer a documentação que não os interessa para a sua posteridade. Então esse, eu diria que essa vigilância sobre o nosso passado, sobre o valor dos nossos arquivos, ainda está faltando na nossa população.

Lia Calabre, historiadora:

A memória de Josef Stálin inclusive, ela serve para que não se repitam os mesmos erros, ela serve para que se aprenda e se caminhe. Os processos constantes de apagamento. Existe um depósito obrigatório de documentação que não é feita, na verdade se a gente pensar, desde que a capital foi para Brasília, os documentos não vieram mais para o Arquivo Nacional. [4080]

Quantos registros? Fernando Henrique Cardoso recupera a memória das mais influentes personalidades da história do país.

Uma das principais obras do barão chama-se "Efemérides Brasileiras". Foi publicada parcialmente em 1891 e mostra o serviço de um artesão. Ele colecionou os acontecimentos de cada dia da nossa história e enquanto viveu atualizou o manuscrito. Vejamos o que aconteceu no dia 8 de julho. Diz ele:

- Em 1691 o padre Samuel Fritz, missionário da província castelhana dos Omáguas, regressa a sua missão, depois de uma detenção de 22 meses na cidade de Belém do Pará (ver 11 de setembro de 1689).

- Em 1706 o rei de Portugal mandou fechar uma tipografia que funcionava no Recife.

- Em 1785 nasceu o pai do Duque de Caxias.

- Em 1827 um tenente repeliu um ataque argentino na Ilha de São Sebastião.

- Em 1869 o general Portinho obriga os paraguaios a abandonar o Piraporaru e atravessa esse rio.

- Em 1875 falece no Rio Grande do Sul o doutor Manuel Pereira da Silva Ubatuba, a quem se deve a preparação do extractum carnis, que se tornou um dos primeiros artigos de exportação daquela parte do Brasil.

Ainda bem que o barão estava morto em 2014 julho que a Alemanha fez seus 7 a 1 contra o Brasil.

(...) Quem já foi ministro das relações exteriores como eu trabalha numa mesa sobre a qual a um pequeno busto do barão. É como se ele continuasse lá vigiando seus sucessores.

Ele enfrentou as questões de fronteiras com habilidade de um advogado e a erudição de um historiador. Ele ganhava nas arbitragens porque de longe o Brasil levava a melhor documentação. Durante o litígio com a Argentina fez com que se localiza-se o mapa de 1749, que mostrava que a documentação adversária estava simplesmente errada.

Esse caso foi arbitrado pelo presidente Cleveland dos Estados Unidos e Rio Branco preparou a defesa do Brasil morando em uma pensão em Nova York. Conforme registrou passou quatro anos sem qualquer ida ao teatro ou a divertimento.

Vitorioso nas questões de fronteiras tornou-se um herói nacional. Poderia desembarcar entre um Rio, coisa que Nabuco provavelmente faria. O barão ouviu a sentença da arbitragem em Washington e quieto tomou o navio de volta para Liverpool. Preferia viver com seus livros e achava-se um desajeitado para a função de ministro.


Brasilbook.com.br
Desde 27/08/2017
29111 registros, 15,220% de 191.260 (meta mínima)
664 cidades
3689 pessoas
temas

Agradecemos as duvidas, criticas e sugestoes
Contato: (15) 99706.2000 Sorocaba/SP