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autor:22/10/2023 20:16:32
Uma explosão em Ubatuba. THIAGO LUIZ TICCHETTI, ufo.com.br

    1 de abril de 2017, sábado
    Atualizado em 07/05/2025 02:30:13
  
  


Um dos primeiros casos de explosão de UFOs de que se tem notícia aconteceu numa tarde ensolarada no litoral de São Paulo, na década de 50

Em quase todos os casos envolvendo quedas de UFOs existe a falta de uma sólida evidência física. Há pistas de que ela esteja em algum lugar, que existam testemunhas que afirmem conhecer alguém que tem um pedacinho escondido ou guardado num cofre, mas de alguma forma estas evidências nunca chegam às mãos daqueles que realmente precisam vê-las: os ufólogos. Com o relato sobre a explosão de um objeto voador não identificado sobre a cidade de Ubatuba, em São Paulo, isso mudou. O caso começou no dia 14 de setembro de 1957, quando Ibrahim Sued, colunista do jornal O Globo, recebeu uma carta de uma pessoa afirmando que possuía fragmentos de um disco voador. Para provar as suas palavras, enviou alguns pedaços desses fragmentos juntamente com a correspondência, que dizia:

“Caro senhor Ibrahim Sued: Como leitor assíduo de sua coluna e um admirador, gostaria de lhe dar algo de grande interesse para o jornal sobre discos voadores, isto é, se você crê que eles sejam reais, é claro. Não acreditava no que falavam e escreviam sobre eles. Mas alguns dias atrás fui forçado a mudar minha opinião. Estava pescando com alguns amigos, num lugar próximo à cidade de Ubatuba, no litoral de São Paulo, quando vi um disco voador. Aquilo se aproximou tão rápido da praia que um acidente era iminente. No último instante, quando o objeto estava quase tocando a água, fez uma curva para cima e subiu com um impulso fantástico.

“Nós acompanhamos espantados quando o disco explodiu, desintegrando-se em milhares de pedaços, que caíam no mar com um brilho magnífico. Pareciam fogos de artifício, mesmo que tudo tenha acontecido ao meio-dia. A maioria dos fragmentos caiu no mar, mas alguns pequenos pedaços tombaram perto da praia e nós os pegamos. São muito leves, como papel. Estou enviando junto com a carta uma amostra desse material, pois não conheço mais ninguém em quem possa confiá-lo, para que seja analisado. Nunca li nada sobre resgate de discos voadores ou sobre partes ou fragmentos deles. A menos que o meu achado tenha sido criado pelos militares e seja tratado como assunto ultra-secreto, tenho certeza de que o assunto será de grande interesse desse brilhante colunista. Estou mandando duas cartas iguais: uma para a redação e outra para sua casa”
.A assinatura na carta era ilegível e por isso não se pôde identificar a pessoa que a enviou. Este seria o maior problema do caso. Desde o início, a corrente de evidências foi quebrada. Sem este depoimento, não havia como se provar que o material enviado foi encontrado na praia. Olavo Fontes, médico e ex-membro da Aerial Phenomena Research Organization [Organização de Pesquisa de Fenômenos Aéreos, APRO], leu na coluna de Sued o conteúdo da dita correspondência e acreditou que se tratava de uma farsa. A APRO surgiu em janeiro de 1952, na cidade de Sturgeon Bay, Wisconsin, nos Estados Unidos, mas terminou seus trabalhos na década de 80. Se o conteúdo do material fosse realmente verdadeiro, Fontes pensou que algo teria que ser feito. Resolveu então convidar Sued para um encontro particular. O colunista aceitou.Quatro horas depois estava conversando com Sued em seu apartamento. Havia um pedaço do metal numa mesa entre os dois. Fontes escreveria mais tarde: “Três pedaços de uma substância cinza escuro, sólida, de aparência metálica. Sua superfície não era lisa e polida, mas irregular e muito oxigenada… A superfície de uma das peças tinha rachaduras bem finas, sempre na longitudinal… A outra não mostrava sinais de arranhões ou fissuras, mas todas eram cobertas em algumas áreas por um material esbranquiçado… O fino talco branco era aderente, mas podia ser facilmente removido com a unha”. Fontes, em sua investigação inicial, disse que a carta estava certa. Embora as amostras se parecessem com chumbo, elas eram mais leves que alumínio, quase tanto quanto papel. Sued não mostrou interesse pelo material e, conforme Fontes, não acreditava em discos voadores. No final do encontro, Sued entregou-lhe os pedaços para que fossem analisados por cientistas.Riqueza de detalhes — O veterano Fontes tirou algumas conclusões depois de saber mais sobre o caso. Ele ficou impressionado com as observações feitas pela testemunha, pois dificilmente uma pessoa que estivesse mentindo conseguiria relatar um avistamento com tamanha riqueza de detalhes. Acreditava que o homem desconhecido não sabia coisa alguma sobre Ufologia e se quisesse publicidade ou dinheiro não teria enviado uma carta para Sued com amostras do material e, sim, teria organizado uma coletiva para a imprensa e contaria ele mesmo a sua história. É claro que todas essas conclusões foram preliminares. O mais importante é que os fragmentos estavam em poder de Fontes, e ele poderia mandá-los para estudo. O Laboratório de Produção Mineral, uma divisão do Ministério da Agricultura, concordou em analisar as amostras. A número 1, assim chamado por Fontes o maior dos fragmentos, foi submetida aos testes. Ele ficou decepcionado porque não foi o próprio chefe do laboratório quem fez os exames. No lugar dele, foi designada a doutora Luísa Maria Barbosa. A amostra foi pesquisada por vários químicos. Eles determinaram que o fragmento, por causa de sua baixa densidade, não era um meteoro.crédito: Enio GodoyUbatuba, no litoral de São Paulo, foi palco de um caso clássico da Ufologia quando ainda era apenas pouco mais do que uma vila de pescadoresUbatuba, no litoral de São Paulo, foi palco de um caso clássico da Ufologia quando ainda era apenas pouco mais do que uma vila de pescadoresO doutor David Goldscheim tinha sugerido que aquilo era um metal muito leve, mas os outros se recusaram a aceitar essa possibilidade, sem antes analisá-lo melhor. Um pequeno pedaço da amostra foi colocado dentro de um tubo de ensaio junto com algumas gotas de ácido fosfomolibdênico. Na presença do metal, o ácido tornou-se azul, mas nenhuma mudança foi detectada até que eles fossem aquecidos. Aquilo confirmava que o material era algum tipo de metal. A doutora Luísa submeteu então a amostra a análises de espectroscópio, determinando assim que o metal era magnésio. Segundo o relatório que escreveu, “é magnésio com um alto grau de pureza, sem a contaminação de qualquer outro elemento metálico”. Isso não significa que não existam outros metais na amostra, eles somente não foram acusados neste teste. “Isso poderia ocorrer se as linhas características de contaminação de outros metais fossem escondidas pelas linhas do espectro”, afirmou.O segundo teste foi feito por Elson Teixeira, que verificou a pureza do material. Segundo relatou, até mesmo aqueles elementos que normalmente existem no eletrodo de carbono, usado para criar o espectro, não foram detectados. Essa amostra também foi submetida a análises de raios X no Laboratório de Cristalografia. O doutor Elysário Távora Filho fez repetidos testes espectrométricos, confirmando a pureza do magnésio. Também o doutor Augusto Batista fez um estudo microscópico superficial e concluiu que o material tinha se fundido. Os resultados dos testes não foram divulgados e as amostras consumidas durante os estudos. A amostra número 1 tinha sido destruída. Fontes enviou as outras duas amostras para a sede da APRO. Coral Lorenzen, uma das diretoras da organização, remeteu alguns pedaços para a USAF, para análises, mas o operador do espectrograma conseguiu destruir o fragmento sem antes obter uma resposta. A USAF pediu então mais um pedaço do fragmento, já que destroços de UFOs eram difíceis de ser encontrados. A APRO negou. Dessa vez, a entidade enviou fragmentos para a Comissão Norte-Americana de Energia Atômica.Oxigênio na amostra de metal — Um teste de densidade foi feito e descobriu-se que a amostra tinha uma densidade específica de 1,7513, um pouco maior do que o magnésio normal. Esse é um resultado interessante que pode ser explicado pela presença de oxigênio no metal. Em seguida, outra análise de espectrográfica foi realizada. A presença de vários elementos foi encontrada, mas os técnicos disseram que era devido à contaminação pelos eletrodos. As análises de laboratório também mostraram que o metal veio de um objeto que se quebrou rapidamente. Não existia evidência de derretimento, então acredita-se que uma explosão tenha estilhaçado o objeto. De qualquer forma, isso não provava nada. Com tais resultados, a APRO decidiu tentar organizar um grupo com a Força Aérea Norte-Americana (USAF) para analisar os fragmentos. Tanto os seus consultores quanto cientistas da USAF trabalhariam juntos. Uma carta foi então enviada para o Centro de Inteligência Técnica Aérea, na Divisão de Tecnologia Estrangeira da Base Aérea de Wright-Patterson. A USAF respondeu através de uma correspondência padrão, pedindo os fragmentos para estudos.Enquanto tudo isso acontecia nos Estados Unidos, Fontes procurava o homem que enviou o material para Sued. Havia perguntas que não foram respondidas na carta. Infelizmente, não conseguiu encontrá-lo. A APRO também mandou pequenos pedaços para o doutor R. S. Busk, diretor do Laboratório de Metalurgia da Companhia Dow Metal Products, em Midland, Michigan. Foram encontradas algumas significantes diferenças entre os resultados obtidos pela Comissão de Energia Atômica e pela Dow, embora tenham usado fragmentos da mesma amostra. Durante o projeto do Comitê Condon para o Estudo Ufológico, da Universidade do Colorado, e patrocinado pela USAF no final dos anos 60, as amostras do Caso Ubatuba foram novamente examinadas.Este caso apresenta evidências físicas da explosão de um UFO no litoral de São Paulo. As análises dos destroços recolhidos e posteriormente analisados provam que o material é de origem extraterrestre— Walter Karl Bühler,médico e pioneiro da Ufologia Brasileira

O relatório final, divulgado pelo Comitê no dia 8 de janeiro de 1969, dizia:

Embora o fragmento brasileiro tenha sido provado não ser puro, como afirmado, o material é considerado único. A grande concentração de estrôncio é particularmente interessante, já que o elemento não é uma impureza esperada no magnésio, e o doutor Busk sabe como ninguém adicionar estrôncio artificialmente ao magnésio”.

O Comitê Condon descobriu que a Dow Metal já fazia esse tipo de experimento com o magnésio. Ela tinha criado amostras de extrema pureza, conforme seus arquivos, já havia misturado estrôncio a outros elementos. No início dos anos 40, a Dow já tinha desenvolvido magnésio com aproximadamente a mesma concentração de estrôncio encontrada no Caso Ubatuba.crédito: Arquivo UFOO médico Olavo Fontes, um dos primeiros estudiosos do Fenômeno UFO no Brasil, foi quem mais investigou o Caso Ubatuba, enviando amostras para análise nos Estados UnidosO médico Olavo Fontes, um dos primeiros estudiosos do Fenômeno UFO no Brasil, foi quem mais investigou o Caso Ubatuba, enviando amostras para análise nos Estados UnidosPorém, não explicaram como o material, manufaturado em pequenas quantidades experimentais, foi parar no Brasil. Parte da conclusão dada pelo Comitê Condon é inválida. Ademais, se afirmou que a composição da amostra analisada batia exatamente com a das avaliadas no Brasil, e escreveram que “…a afirmação da pureza incomum do material foi desaprovada”. Não existe evidência de que este seja o caso, e a diferença das declarações sobre a pureza e a densidade da primeira amostra sugerem que não foram analisados os mesmos tipos de amostras. O Comitê Condon também afirmou que seus testes mostraram que os fragmentos não eram originários de um grande objeto: “Exames de metalografia mostram grandes e longos grãos de magnésio, indicando que o metal não teve transformação depois da solidificação do estado líquido para o vapor. Conseqüentemente, é muito duvidoso que este material seja parte de um objeto metálico artificial”.Graças aos resultados negativos do comitê, a APRO decidiu submeter as amostras a análises não destrutivas. Os resultados foram apresentados resumidamente na publicação da organização, APRO Bulletin. As análises feitas no Brasil foram publicadas no livro de Coral Lorenzen Flying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion From Other Space [Discos Voadores: A Assustadora Evidência da Invasão Vinda do Espaço], em 1966. O Journal for UFO Studies, publicado pelo Center for UFO Studies [Centro de Estudos Ufológicos, CUFOS] finalmente levou a público os resultados das análises das duas amostras no seu volume 4, de 1992. Nos comentários do texto, Walker e Johnson escreveram: “O magnésio de Ubatuba tem sido freqüentemente aclamado como uma evidência física e direta da natureza dos UFOs. Porém, após décadas de estudos, a natureza do material ainda é uma incógnita. O problema básico existe com a utilização de evidências físicas para concluir a origem extraterrestre”.“Muito além da nossa tecnologia” — O relatório é incisivo e detalhado. Continua o texto: “Mesmo que possuíssemos um verdadeiro material feito com tecnologia alienígena, teríamos possivelmente os seguintes problemas na sua investigação: (a) Os métodos extraterrestres usados, sua tecnologia e a que temos disponível na Terra podem ser idênticos? (b) Se utilizam materiais não encontrados aqui, seus métodos estão muito além de nossa tecnologia. (c) A falta de tecnologia terrestre para detectar tais evidências. (d) O material não é encontrado na Terra e os métodos para sua fabricação estão além do nosso conhecimento. (e) A evidência da origem extraterrestre existe nas amostras e pode ser detectada por nós”. Segundo Walker e Johnson, a puríssima amostra número 1 de Ubatuba se encaixa na quarta categoria. O problema é que tal amostra foi destruída e testes de contraprova não puderam ser realizados.Se a composição da primeira amostra foi diferente da das outras duas, então nenhuma conclusão pode ser dada. E ambos concluíram “a amostra número 1 deve ter sido muito mais pura que a segunda e terceira. Em segundo lugar, sua densidade fora do comum da amostra 1 pode ter sido gerada pela contaminação do magnésio. Terceiro, a estrutura das amostras 2 e 3 são tipicamente metal fundido, de forma colunar. Sabendo-se que o material de Ubatuba é muito leve, deve-se levar em consideração que o efeito em temperaturas elevadas é muito menor neste material do que no material terrestre de equivalente pureza, qual seja, o policristalino. Por fim, o material de Ubatuba deve ter tido uma densidade de deslocamento menor do que o magnésio terrestre”.O que restou depois que todos os testes foram feitos, todas as análises conduzidas e todas as conclusões tiradas é que o primeiro e maior pedaço do fragmento de Ubatuba era o único que podia comprovar as pistas para uma conclusão positiva. Outros testes realizados posteriormente, como os não destrutivos das amostras 2 e 3, indicam que alguns resultados anteriores podem estar errados. Em outras palavras, a amostra número 1, dada à sua estrutura e pureza, poderia ter respondido às perguntas sobre alguns aspectos do Fenômeno UFO. Walker, levando a discussão adiante, escreveu que existem três possíveis explicações para o metal: pode ter sido de um meteoro, de um avião, de um míssil, uma fraude ou originário de uma nave extraterrestre. Ele eliminou a primeira opção por causa da pureza do magnésio, já que este não ocorre naturalmente, pois é muito reativo. Necessita ser fabricado.crédito: Arquivo APROAs pequenas amostras metálicas do objeto que explodiu em Ubatuba mostraram a presença de elementos químicos específicos em elevado estado de pureza, num tipo de liga desconhecido na TerraAs pequenas amostras metálicas do objeto que explodiu em Ubatuba mostraram a presença de elementos químicos específicos em elevado estado de pureza, num tipo de liga desconhecido na TerraIncógnita e mistérios — O astrônomo Donald Menzel, da Universidade de Harvard, sugeriu que os pedaços encontrados em Ubatuba eram de um meteoro de magnésio metálico. Menzel escreveu vários livros explicando avistamentos de UFOs e é considerado forte cético quanto à questão ufológica. Walker argumentou mais uma vez que se o magnésio não ocorre naturalmente na natureza não existe razões para pensar que possa existir dessa forma no Sistema Solar. Para ele, meteoros de magnésio metálicos são geoquimicamente impossíveis. E, devido à sua natureza reativa, não são utilizados em aviões, mísseis ou satélites. Isso significa que o que quer que tenha explodido não era um fenômeno natural e muito menos uma aeronave construída na Terra. Portanto, ficamos com duas possíveis explicações: aquilo era uma farsa ou uma espaçonave alienígena. O simples fato de não ter conseguido encontrar a pessoa que mandou a carta e os fragmentos torna a opção de farsa uma hipótese possível. E, finalmente, existe a possibilidade de que esta seja a prova que todos sempre quiseram. Walker escreveu que, “…se um disco voador tem uma fuselagem de magnésio puro e fundido, leve e tecnicamente puro, a evidência da metalografia é consistente”.Porém, se aceitarmos o conceito de que a aeronave tenha sido construída com diferentes tipos de materiais, como visto em algumas análises, não existe razão para crer que todo o objeto fosse feito de magnésio puro. O metal pode ser originário de alguma parte interna. Por fim, não podemos tirar uma conclusão positiva sobre o caso. Existem partes cujas evidências são derrubadas. Se a amostra número 1 não tivesse sido destruída pelos testes, as respostas talvez pudessem ter sido encontradas. Isso poderia provar que os UFOs não são perfeitos tecnologicamente, mas que também sofrem acidentes. E o mais interessante é que tal amostra, a que daria todas as respostas ao caso, foi completamente destruída pela Marinha e pelo Exército de nosso país.



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EMERSON


01/04/2017
ANO:185
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]