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autor:26/10/2023 18:04:15
Claudia Panizzolo

    2006
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  
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Em 1875, J. Köpke foi nomeado promotor público em Itapeva da Faxina (SP), onde também trabalhou como advogado. Em seguida, foi removido para as comarcas de Jundiaí, Campinas e, por fim, para a Capital. “Em São Paulo acumulou às atividades na promotoria, o trabalho como advogado (...). Contudo sua carreira foi curta e a magistratura preterida pela opção que o acompanharia por toda a vida: a Educação” (PANIZZOLO, 2006, p. 101). _____________________

Carta de João Kopke dirigida a José Maria Lisboa quando da sua vinda como promotor de justiça para Faxina. "De São Paulo à Faxina Meu caro Lisboa, Há de você ter ainda em lembrança o dia 31 de outubro de 1875. Importou-lhe elle a quebra de alguns belos pratos, e a mim a perda dos deliciosos doces, que enviava a festejar o meu gráo - louvores à tibiesa de pernas d´aquelle celebre Geraldo, hoje tão vantajosamente substituído pelo seu impagável Chico. N’esse, de que guardo como preciosissima lembrança duas fitas, uma verde e outra escarlate, esta com nome de Leonor, aquela com o de Marianna, fui eliminado da esperançosa mocidade acadêmica, e, na bolsa das cotações estudantescas, deixei de ter a mínima parcela de valor. Nasceu-me então um desejo. Distanciado da pasta do ministro que a minha fatuidade de calouro avisinhava à obtenção do pergaminho, lembrei-me de ser promotor. Fiz subir o meu pedido às escalas do palácio, e no dia 7 de novembro os jornaes da capital unisonamente annunciaram aos povos que eu fora nomeado promotor público da comarca de Itapeva da Faxina. Lendo a notícia, confesso-lhe que me pareceu ter um rei na barriga; e, com a maior alegria, comecei de aviar-me para a viajem não sem munir-me no Garraux de um revolver, tal era a descripção, que me faziam dos sertões em que ia viver.

Aos 27 de dezembro, depois de haver dito os últimos adeuses aos amigos, soltei o away, ou antes, soltou o silvo da locomotiva e, dentro de algumas horas achei-me em Sorocaba. Ahi, depois de uma demora de dous dias, tomei um trolly (sem calembourg). Íamos a mulher, uma filha e eu. Deixando a calma feliz da risonha cidade, que se recosta à gentil collina com uma volúpia verdadeiramente poética, seguimos a larga e sinuosa estrada que, qual túrgida serpente rubra, galgando a offegar os moros sem número e arrastando-se indolente ao longo dos campos macegosos, se estende até Tatuhy – pequena agglomeração de casas, cortada de diversas ruas, algumas providas de lampeões, dos quaes um apenas vi espalhar amorável claridade, devida ao cuidado patrótipo do alli popularíssimo Chico Taques, em cuja casa fomos obsequiosamente recebidos. O ajuste de um novo trolly e a moléstia de minha companheirinha de jornada detiveram-nos quatro dias. Ao cabo d´elles, mandei atralar os animaes e puzemo-nos em marcha para Itapetininga. Quando partimos, ainda o sol se não erguera acima do horizonte. As gottas de orvalho nas folhas cubriram-se do matiz rubro das nuvens, que precendem a aurora; o dorso longínquo das serranias começava a desprender nos ares os anileos mantos de tenuíssima neblina; a espaços, se ouvia o pio monótono das perdizes na macega, e, de vez em quando o berrar prolongado dos terneiros nas mangueiras dos sítios que beiram as estrada. O caminho, como o anterior, e na phrase experessiva dos caipiras é muito dobrado. A curtas distâncias retesávamos as parelhas, suarentas e picadas das terríveis butucas, que as perseguiam. Por volta de meio-dia, chegamos à fazenda do Capitão Manoel Theodoro de Camargo. Hospitaleiro e chão, o velho recebeu os desconhecidos com o riso nos lábios, e deleitou-os pela delicadesa do seu tratamento. Fartas tigelas de pingue leite mataram-nos o calor do sol ardente de janeiro, e confesso que me atirei a ellas com uma fúria verdadeiramente bárbara. Jantamos após, fizemos o chylo em molle embalo de frescas alvíssimas redes, e às três tão poucos momentos foram muitos para arraiguar-nos sympathias profundas no coração. Com o cahir das sombras, também nossas frontes se ensombraram. Lembranças dos que atraz ficavam!... Recordações vivas da Paulicéia querida, rolavam grossas lágrimas tumultuosas pelas faces de minha companheira, e, do desfilar das serras – do murmúrio das cascatas longínquas, do farfalhar da folhagem das mattas – e ouvia erguer-se lânguida, perfumada, explendidamente bella, a minha dilecta Petrópolis! Ao cabo de algum tempo, vasta planície. O azul dos céus carregára-se – o verde dos bosques se ennegrecera – as vozes dos pássaros se calaram – levantou-se o grito estridulo do grilo, e o eco repetiu o chio do carro a recolher-se ao descanso. A estrada descia mansamente – aqui uns ranchos, acolá outro; - bestas a espojarem-se – arreios empilhados, ao clarão avermelhado das fogueiras, um vulto de cocoras a mecher um caldeirão suspenso, e, sobre os ligaes, de barriga ao ar, tropeiros que repousavam enquanto um outro sentado sobre os calcanhares e com as costas à parede casava ao som da viola as notas rudes de uma trova sertaneja: Dizem que o cigarro tira As mágoas do coração; Pintado o cigarro acaba; As mágoas nunca se vão. A cidade approxima-se. E’ Itapetininga: já nos Pinheirinhos nos haviam dito: E’ ali, (e, de passagem, registre-se que o ali do interior nunca é para menos de légoa). Luzes disseminadas, como estrellas dispersas, indicaram-nos o termo da viagem do dia. Entramos no povoado. Ruas quase desertas – altas massas perfiladas; muros de taipa ou casas; à porta de uma botica, um grupo; rótulas, que o rolador do trolly despertara, o ruído surdo de um tambaque a festejar os Reis, eis as primeiras impressões. Pela manhã abrimos ansiosos a janella. Uma cidade pequenos se desenrolou a nosso olhos; construção sofrível, ruas descuidadas; matriz vasta, mas não concluída; theatro disforme no exterior, cadeia vergonhosa, alguma animação, devida, talvez, às solenidades da Epiphania, foi o que verificamos ao sahir mais tarde. Três dias depois, prosseguimos. Da cidade fomos ao Constantino, no Porto a pouco mais de légoa de distância. Comemos, refrescamos os animaes e ganhamos caminho. O trolleyro, marujo de primeira viagem, calculou mal a jornada, e só às oito horas e meia chegamos ao Capivaryzinho, depois muitos solvancos e sustos, encontrando de jantar – nada, e por pouco um miserável quarto com um velho catre tecido de Couro – cru – duro e insuportável. Valha, porém a verdade, nesse leito de Procusto dormimos como pedras. Ahi, pela primeira vez entrei no conhecimento do que é uma candeia: -torcida de cera à parece e vae se levantando à proporção que se consome. Do Capivaryzinho fomos ao alto da Pescaria, subida íngreme, escalvada, e aberta por milhares de regos cavados pela chuva, por ande ascende estrada, penosamente, entre despenhadeiros de um lado e fundas bussurocas do outro. Estávamos no ponto culminande dáquellas paragens, onde medra o café ao abrigo das geadas. Os raios perpendiculares do sol esmagavam-nos. Fizemos abrir, à esquerda, uma porteira que rangeu ruídos e descemos por uma picada emmaranhada, que em alguns logares, foi preciso desbastar a golpes de facão. D’ahi a momentos, transpondo milhares immóveis pelo excesso de calma e ausência de brisa, beirando algodoaes extensos, que penduravam suas estrelladas, vimos erguer-se ao longe, n’um baixo, um têlue fio de fumo a desenrolar-se mollemente, e, depois, a palissada de um terreiro, a que se acostavam, aqui e acolá, enormes capados e magras porcas cercadas de uma turba multa de leitões, que, grunhiam ávidos cabeceando as tetas verrugosas. Era a vivenda do Tenente Coronel José Carneiro da Silva Lobo. Alto, moreno, olhos vivos, querendo esconder-se sob um óculos, que os trahem o distincto paranaense, liberal quand même, e partidista extremado acolheu-nos de braços abertos, e, no seu lar passamos dous dias que nos arrastaram a procura-lo sempre que, em viagem houvemos de passar na direcção do seu sítio. O leite sem rival, o pingue queijo, o saboroso carneiro e as gabirobas apanhadas no campo, nada faltou a entremeia a prosa renhida, que se travou entre nosso amphytrião, sua extremosa senhora, seu sobrinho Major Licinio, e nós. Quando nos pozemos outras vez em marcha, íamos pesarosos de deixar a Pescaria. Acompanhados até ao Porto de Paranapanema, transpozemos na balsa a tristonho e negro rio, e, sentado sobre as raízes das árvores da outra margem, depois de breve palestra, dissemo-nos compridos adeuses. Uma hora depois, avistamos, ao longe, as paredes brancas e o telhado pardo-escuro do Paranapitanga. A apparição da casa enorme, que, pelo seu vulto e posição faz-se crer próximas quando remota está, despertou-nos no espírito recordações históricas, e, figurou-se nos ver, com a avizinhação, recostada ao parapeito de uma das janellas, a effigie veneranda do velho Raphael Tobias. Apeamos para sestear, o Major Licínio, actual proprietário, sua senhora e nós: engulimos um virado sumptuoso com um appetite invariável dos caminheiros, dormimos uma boa hora, e estrada novamente. Começou, então, a madonha chapada do Paranapitanga – o horror dos viajantes, a perder de vista – nem numa árvore – nem uma sombra. Das barbas de bode, desprende-se um som metállico, produzido por uma espécie de gafanhotos verdes, semelhantes ao que vulgarmente se chama esperanças. Da terra abrasada levanta-se trêmula uma ondulação enfebrecida. A espaços uma aldeia de cupis, e, ou a rire sobre elles os irrequietos bicos-chanchas, ou a cynicarem silenciosas corujinhas do campo. A monotonia do solo é apenas cortada pela recta imensa de algum vallo, continuado por cerca vedatória, que se atira pela superfície verdeclara do lagoão adentro. Disseminadas, algumas rezes; e, a desfilarem n’um passo desanimado as tropas cansadas, de cabeça pendurada e flancos arquejantes, que os conductores em bica instigam com sua voz stentórica. Não há nem pássaros a trinar, nem arroio a correr melodiosamente, nem folhas a estrugir. Mudez e calor. Duas leguas e meia! Parecia que aquella vastidão não mais se findava; porém, alfim, o Major tomou à direita, em busca de S. Raphel, sua fazenda, e, d’ahi a uma légua, chegamos ao Porto do Apiahy. Desde o Paranapanema que nos achávamos em terras da Faxina. Um esquecimento levou-nos longe. Haviam nos fallado em Theodorinho, como pouso que devíamos tomar; mas olvidando este nome, fomos pelas informações colhidas na estrada, levados à Escaramuça, légua e meia d’elle, e a cinco da Faxina. Plana até logar desde o Rio Apiahy, profundo e cheio d’água, que, o atravessava a ponte, tem de 20 a 25 metros, ahi começa a estrada a subir e a descer por fortes declives, sendo mais notável um de cujo cimo avistamos a vivenda do estimável fazendeiro Capitão José Aleixo Ferreira de Barros com sua capellinha guapa e branca a uma lado. Novos campos a perder de vista; d’ahi a pouco um pequeno bosque que atravessamos de permeio – o Capão do Inferno após o Tocunduva; ao longe, em um alto, a habitação do fallecido Tenente Coronel Honorato Carneiro da Silva Lobo e do actual Tenente Coronel Honorato Carneiro de Camargo; além o Passo da Faxina – feudo de um senhorio nervoso, franzino, feio, mas bom rapaz às deveras, - o senhor Martinho Carneiro de Camargo. Com soffrega por alcançar a cidade, a estrada corre por um chão parado e fácil, até que, chegando-lhe às proximidades, rola por alguns declives, salta por sobre morros suaves, transpõe o Ribeirão Fundo, saúde o Capitão Fructuoso, e, de repente, esbarra, cara a cara, com a Faxina. Doida por abraça-la, atira-se cegamente por uma ladeiras pedregosas abaixo, corre com tanta dificuldade quanto afan, torna a subir, e perder-se no meio das ruas do povoado.

A Faxina está situado do meio para o sopé meridional de um outeiro de mansa inclinação. Cercam–n’a elevações achatadas de uma pedra molle, aqui vulgarmente chamam piçarra, formando como que as ameias de denegridos baluartes. D’ellas procede talvez, o nome de Itapeva, que significa – Pedra Chata. De quatrocentos a quinhentos fogos, mais ou menos, encerra o recinto abrigo de uma população de 2,500 almas. Pequenas casas na maior parte. Notam-se, toda via, entre ellas algumas edificações regulares, prevalecendo a construção de madeira. As ruas, quatorze mais ou menos em número, cortadas quase de N. a S. e de L. a O., são, no geral, estreitas e mal cuidadas. A matriz, vasta, mas excessivamente descurada no exterior, tem uma fachada sem torre e sem a mínima sombra de architectura. A cadeia é um sobrado regular, mas que carece de urgente reparos. Além da matriz existem a egreja de Santo Antonio e as capellas de N. S. das Dores e da Guia. Dois pequenos jazidos são sustentados pelas irmandades do Santíssimo Sacramento e N. S. do Carmo, erradamente collocados justamente na direcção para onde a cidade tem espaço para estender-se. O cemitério municipal é uma lástima; o mercado é rachitico, e de monstruoso tem o portão, maior do que o mais junto. Notam-se ainda o theatro de Sant’Anna, construído por accionistas, o Gabinete de Leitura, numerosas casa de fazendas e ponto pequeno, de secos e molhados, a que os caipiras chamam ladroeirinhas, duas pharmacias, um bilhar, quase sempre applicado ao infame jogo de estrada de ferro, ferrarias, barbeiros e cabellereiros (um de cada um), marceneiros, fogueteiros, ourives, dentistas, sapateiros, alfaiate francez, ferradores e até um productor de medicamentos homeopathicos – o senhor Irineo de Faria Mello. Padarias não há o pão que se consome é feito por famílias que o fabricam conforme podem. A água, excellente, é provida por bons mananciaes: o do Callixto, e o vulgarmente denominado Olho do Padre Miguel. Illuminação não se vê: dizem que outr’ora os particulares a faziam à sua custa e algumas ruas, mas pouco a pouco deixaram esse louvável empenho até morrer de todo. A cidade assim descripta, produz, força é confessa-lo, no viajante, que a avista do Alto do Vieira (ponto de entrada), uma impresão nada agradável. Mal collocada, silenciosa e tristonha, não tem nem a graça selvagem das bellezas do sertão, nem os affectados encantos das formosuras cortesãs.E’m uma burguesa chata, insipda e macambusia, sem passado e sem futura, com quem, entretanto, passei bons annos dos quaes consevo muitas e muitas saudades."



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História Geral Da Civilização Brasileira
Data: 01/01/1997
V. 11 Economia E Cultura: 1930-1964. Página 316


ID: 6221


Mapa que abrange as regiões entre os rios Paraguai, Paraná e a costa brasileira desde Santos até o Rio Grande*
Data: 01/01/1700
Créditos/Fonte: bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/15587
01/01/1700


ID: 12053


Mapa geográfico de la mayor parte de la América Meridional
Data: 11/10/1777
(.298.(.299.


ID: 12971



EMERSON


01/01/2006
ANO:97
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]