26 de junho de 2023, segunda-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
•
Fontes (0)
Ieyasu Tokugawa (Castelo de Okazaki, 31 de janeiro de 1543 – 1 de junho de 1616) foi o fundador e primeiro xogum do Xogunato Tokugawa do Japão, que perdurou desde a Batalha de Sekigahara em 1600 até a Restauração Meiji em 1868. Ieyasu tomou o poder em 1600, foi indicado xogum em 1603, abdicou do cargo em 1605, mas continuou no poder até a sua morte em Osaka, em 1615.[2][3]BiografiaComeço da vida (1543-1556)Tokugawa Ieyasu nasceu em 31 de Janeiro de 1543, na Província de Mikawa. Originalmente chamado Matsudaira Takechiyo, ele era filho de Matsudaira Hirotada (1526-1549), o senhor de Mikawa, e Dai-no-kata,a filha de um lorde samurai chamado Mizuno Tadamasa. Seu pai e sua mãe eram irmãos postiços (ou seja, filhos apenas dos cônjuges dos pais, sem relação de parentesco). Eles só tinham 17 e 15 anos quando Ieyasu nasceu. Dois anos mais tarde, Dai-no-kata foi mandada de volta para a sua família, e o casal nunca mais voltou a viver junto. Ambos casaram-se novamente, e ambos tiveram mais filhos, fazendo com que Ieyasu acabasse com 11 meio-irmãos e irmãs.O Clã Matsudaira ficou dividido: um lado queria servir ao Clã Imagawa, e o outro, ao Clã Oda. Como resultado, muitos dos anos da juventude de Ieyasu foram desperdiçados por causa das guerras entre o clã Oda e o clã Imagawa. O feudo da família foi o motivo do assassinato do pai de Hirotada, e avô de Ieyasu, Matsudaira Kiyoyasu (1511-1536). Diferente de seu pai, e da maioria da família Matsudaira, o pai de Ieyasu, Hirotada, preferia o clã Imagawa.Em 1548, quando o clã Oda invadiu Mikawa, Hirotada foi à Imagawa Yoshimoto, o chefe do clã Imagawa, para que ajudasse a repelir os invasores. Yoshimoto concordou em ajudar com a condição de que Hirotada mandasse seu filho Ieyasu para Sunpu (atual Shizuoka) como refém. Hirotada concorda. Oda Nobuhide, líder do clã Oda, soube desse acordo e capturou Ieyasu no caminho para Sunpu. Ieyasu estava só com seis anos na época.Nobuhide ameaça executar Ieyasu, a não ser que Hirotada acabasse com os laços com o clã Imagawa. Ignorando a recusa, Nobuhide decide não matar Ieyasu, e ao invés disso fica com Ieyasu como refém no Templo Manshoji, em Nagoya.Em 1549, com 24 anos de idade, o pai de Ieyasu, Hirotada, morre de causas naturais. Na mesma época, Oda Nobuhide morre durante uma epidemia. As mortes foram um grande golpe ao clã Oda. Um exército, sob o comando de Imagawa Sessai, abriu cerco contra o castelo onde Oda Nobuhiro, o filho mais velho de Nobuhide e novo líder dos Oda, estava vivendo. Com o castelo prestes a cair, Imagawa Sessai oferece um acordo a Oda Nobunaga (segundo filho de Oda Nobuhide). Sessai ofereceu desistir do cerco se Ieyasu fosse devolvido ao clã Imagawa. Nobunaga concordou, e assim Ieyasu, agora com nove anos, foi levado como refém para Sunpu. Lá ele viveu uma boa vida como refém e potencial futuro aliado do clã Imagawa até os quinze anos.Subida ao Poder (1556-1584)Em 1556, Ieyasu ficou maior de idade,e , seguindo a tradição, mudou seu nome para Matsudaira Jirosaburo Motonobu. Um ano depois, quando tinha 16 anos, casou com sua primeira esposa, e mudou novamente de nome para Matsudaira Kurando Motoyasu. Com a permissão de retornar à sua terra natal, Mikawa, os Imagawa ordenaram que lutasse contra o clã Oda por várias vezes. Ieyasu ganhou a sua primeira batalha no Cerco de Terabe, e mais tarde teve sucesso ao entregar suprimentos para um forte de fronteira durante um ataque noturno.Em 1560, a liderança do clã Oda passou para o brilhante líder Oda Nobunaga. Yoshimoto, liderando um enorme exército de Imagawa (talvez vinte mil homens) atacou o território do clã Oda. Ieyasu, com suas tropas de Mikawa, capturou um forte na fronteira e ali ficou para defendê-lo. Como resultado,Ieyasu e seus homens não estavam presentes na Batalha de Okehazama, onde Yoshimoto foi morto por um ataque surpresa de Oda Nobunaga.Com a morte de Yoshimoto, Ieyasu decidiu se aliar com o clã Oda. Um acordo secreto foi necessário, porque a esposa de Ieyasu e seu filho, Hideyasu, eram reféns em Sunpu, presos pelo clã Imagawa. Em 1561, Ieyasu rompeu publicamente com o clã Imagawa e capturou a fortaleza de Kaminojo. Ieyasu podia então trocar sua esposa e filho pela esposa e pelo filho do governante do castelo de Kaminojo.Nos próximos anos, Ieyasu se preocupou em reformar o clã Matsudaira e em pacificar Mikawa. Ele também fortificou os laços com seus principais vassalos, premiando-os com terras e castelos em Mikawa. Eles eram: Honda Tadakatsu, Ishikawa Kazumasa, Koriki Kiyonaga, Sakai Tadatsugu e Sakakibara Yasumasa.Em 1564, Ieyasu derrotou as forças militares de Mikawa Monto dentro da Província de Mikawa. Os Monto era um grupo de monges que governavam a Província de Kaga, e tinham muitos templos em todo o Japão. Eles se recusaram a obedecer os comandos de Ieyasu, e então ele foi à guerra contra eles, derrotando suas tropas e colocando seus templos abaixo. Em uma batalha, Ieyasu foi quase morto quando ele foi acertado por uma bala, que não penetrou sua armadura. Tanto as tropas de Mikawa, sob o comando de Ieyasu, quanto os Monto usavam armas de fogo (mosquetes), que os portugueses tinham introduzido no Japão apenas vinte anos antes.Em 1567, Ieyasu mudou seu nome de novo, e seu novo sobrenome agora era Tokugawa, e seu nome pessoal era Ieyasu. Ao fazer isso, ele se declamou herdeiro do Clã Minamoto. Não existe nenhum documento que provasse essa sua descendência.Ieyasu continuou aliado de Oda Nobunaga e seus soldados de Mikawa foram parte do exército de Nobunaga que capturou Kyoto em 1568. Ao mesmo tempo, Ieyasu estava expandindo seu próprio território. Ele e Takeda Shingen, o líder do clã Takeda da Província de Kai forjaram uma aliança com o propósito de conquistar todo o território do clã Imagawa. Em 1570, as tropas de Ieyasu capturaram a Província de Totomi, enquanto as tropas de Shingen capturavam a Província de Suruga (incluindo a capital dos Imagawa, Sunpu).Ieyasu rompeu sua aliança com Takeda e abrigou seu ex-inimigo, Imagawa Ujizane; ele também se aliou com Uesugi Kenshin do clã Uesugi - inimigos do clã Takeda. Depois, no mesmo ano, Ieyasu liderou cinco mil de seus próprios homens ajudando Nobunaga na Batalha de Anegawa contra os clãs Asai e Asakura.Em Outubro de 1571, Takeda Shingen, agora aliado ao Clã Go-Hojo, atacou as terras de Totomi, sob posse dos Tokugawa. Ieyasu pediu ajuda a Nobunaga, que mandou-lhe algo como três mil homens. Em 1572, os dois exércitos se encontraram na Batalha de Mikatagahara. As tropas de Nobunaga fugiram cedo, e o exército Takeda, sob o comando de Shingen, golpeou as tropas remanescentes de Ieyasu até que as formações romperam-se. Ieyasu fugiu com apenas cinco homens para um castelo próximo. Essa foi uma grande derrota para Ieyasu, mas Shingen não foi capaz de explorar a sua vitória, pois Ieyasu rapidamente juntou um novo exército e se recusou a enfrentar Shingen novamente no campo de batalha.A sorte sorriu para Ieyasu um ano depois, quando Takeda Shingen morreu num cerco, em 1573. Shingen foi sucedido por seu incapaz filho Takeda Katsuyori. Em 1575, o exército Takeda atacou o castelo de Nagashino, na província de Mikawa. Ieyasu pediu ajuda a Oda Nobunaga, e o resultado foi que Nobunaga foi pessoalmente à frente de seu enorme exército (algo como trinta mil homens). A força Oda-Tokugawa de 38 mil homens teve uma gloriosa vitória em 28 de Junho de 1575, na Batalha de Nagashino, mas Takeda Katsuyori sobreviveu à batalha e recuou até a Província de Kai.Nos próximos sete anos, Ieyasu e Katsuyori travaram várias pequenas batalhas. As tropas de Ieyasu tomaram o controle da Província de Suruga do clã Takeda.Em 1579, a esposa de Ieyasu, e seu filho mais velho, Tokugawa Nobuyasu, foram acusados de conspirar com Takeda Katsuyori para assassinar Nobunaga. A esposa de Ieyasu foi executada e Hideyasu foi forçado a cometer seppuku. Ieyasu então nomeou seu terceiro, e favorito filho, Tokugawa Hidetada, como herdeiro, já que seu segundo filho tinha sido adotado por outra figura emergente: Toyotomi Hideyoshi, o futuro governante de todo o Japão.O fim da guerra com o clã Takeda veio em 1582, quando uma força combinada de exércitos de Oda e Tokugawa atacou e conquistou a província de Kai. Takeda Katsuyori, assim como seu filho mais velho, Takeda Nobukatsu, foram derrotados na Batalha de Tenmokuzan e então cometeram seppuku.No final de 1582, Ieyasu estava perto de Osaka e longe de seu próprio território quando descobriu que Oda Nobunaga havia sido assassinado por Akechi Mitsuhide. Ieyasu fez uma perigosa jornada de volta à Mikawa, evitando as tropas de Mitsuhide no caminho, enquanto elas estavam procurando-o, para matá-lo. Uma semana depois que ele chegou à Mikawa, o exército de Ieyasu marchou para se vingar de Mitsuhide. Mas eles se atrasaram, Hideyoshi - ele mesmo - derrotou e matou Akechi Mitsuhide na Batalha de Yamazaki.A morte de Oda Nobunaga significava que algumas províncias, sob o controle de vassalos de Nobunaga, estavam prontas para ser conquistadas. O líder da província de Kai cometeu o erro de matar um dos ajudantes de Ieyasu. Ele prontamente invadiu Kai e tomou controle da província. Hojo Ujimasa, líder do clã Clã Go-Hojo respondeu enviando um exército muito maior para Shinano, e então para Kai. Nenhuma batalha foi travada entre as forças de Ieyasu e o grande exército Go-Hojo e, depois de algum tempo de negociações, Ieyasu e os Go-Hojo entraram em um acordo, que deixou Ieyasu com o controle das províncias de Kai e Shinano, enquanto os Go-Hojo passaram a controlar da província de Kazusa (assim como partes das províncias de Kai e Shinano).Ao mesmo tempo (1583), uma guerra pelo comando de todo o Japão estava sendo travada entre Toyotomi Hideyoshi e Shibata Katsuie. Ieyasu não tomou partido neste conflito, construindo assim sua reputação de precaução e sabedoria. Hideyoshi derrotou Katsuie na Batalha de Shizugatake - com essa vitória, Hideyoshi se tornou o mais poderoso Daimyo do Japão.Ieyasu e Hideyoshi (1584-1598)Em 1584, Ieyasu decidiu ajudar Oda Nobuo, o filho mais velho de Oda Nobunaga, contra Hideyoshi. Esse foi um ato perigoso e poderia ter resultado na aniquilação dos Tokugawa.As tropas de Tokugawa ocuparam o tradicional forte Oda de Owari, e Hideyoshi respondeu mandando um exército para Owari. A Campanha Komaki foi a única vez em que dois dos grandes unificadores do Japão se enfrentaram. Hideyoshi versus Ieyasu. No evento, Ieyasu venceu a única batalha notável da campanha, a Batalha de Nagakute. Depois de meses de marchas e tentativas sem resultado, Hideyoshi acabou com a guerra por meio de negociação. Primeiro ele fez paz com Oda Nobuo, e então ofereceu-a à Ieyasu. O acordo foi feito no final do ano, sendo que um dos termos de paz era que o segundo filho de Ieyasu, O Gi Maru, fosse adotado por Hideyoshi.Em 1585, o grande aliado de Ieyasu, Ishikawa Kazumasa, escolheu se juntar ao eminente Daimyo do Japão, e mudou-se para Osaka, para estar com Hideyoshi. Porém, poucos dos outros aliados dos Tokugawa seguiram este exemplo.A pouca confiança de Hideyoshi em Ieyasu era compreensível, e cinco anos se passaram antes que eles lutassem como aliados. Ieyasu e suas tropas participaram nas bem-sucedidas invasões de Hideyoshi à Shikoku e Kyushu.Em 1590, Hideyoshi atacou o último Daimyo independente do Japão, Hojo Ujimasa. O Clã Go-Hojo governava oito províncias da Região de Kanto, no nordeste do Japão. Hideyoshi ordenou que eles se submetessem à sua autoridade, e eles se recusaram. Ieyasu, mesmo sendo amigo e ocasionalmente aliado de Ujimasa, juntou seu grande exército de 30 mil samurais com o enorme exército de Hideyoshi, que contava com algo em torno de 160 mil. Hideyoshi atacou vários castelos nas fronteiras das terras do Clã Go-Hojo, com grande parte de seu exército abrindo cerco contra o castelo em Odawara. O exército de Hideyoshi capturou Odawara depois de seis meses (mesmo com todo esse tempo de cerco, as mortes em ambos os lados foram poucas). Durante o cerco, Hideyoshi ofereceu à Ieyasu um acordo radical. Ele ofereceu à Ieyasu as oito províncias de Kanto, que ele estava prestes a tomar do Clã Go-Hojo, em troca das cinco províncias que Ieyasu controlava (incluindo a Mikawa). Ieyasu aceitou a proposta. Não conseguindo derrotar a enorme força de Hideyoshi, o Clã Go-Hojo aceitou a derrota, os líderes do clã se suicidaram, e Ieyasu marchou e tomou controle de suas províncias, acabando com o governo de 450 anos do clã.Ieyasu tinha aberto mão do controle de cinco províncias (Mikawa, Totomi, Suruga, Shinano e Kai), e moveu todos os seus soldados e vassalos para Kanto. Ele mesmo ocupou o castelo na cidade fortificada de Edo, em Kanto. Esse foi provavelmente a mais arriscada ação que Ieyasu tomou - deixar as suas terras e confiar nos não muito confiáveis samurais dos Go-Hojo em Kanto. Na época, isso funcionou perfeitamente para Ieyasu. Ele reformou as províncias de Kanto, controlou e pacificou os samurais dos Go-Hojo e melhorou a infraestrutura econômica das províncias. Também, porque Kanto era de certa maneira isolada do resto do Japão, Ieyasu foi capaz de manter um nível de autonomia do governo de Hideyoshi. Em poucos anos, Ieyasu tinha se tornado o segundo mais poderoso daimiô do Japão. Há um provérbio japonês que se refere provavelmente ao evento: "Ieyasu ganhou o Império recuando".Em 1592, Hideyoshi invadiu a Coreia, como um prelúdio do seu ataque à China (veja Guerra Imjin para mais informações sobre a campanha de Hideyoshi à Coreia). Os samurais Tokugawa nunca tomaram partido nessa campanha. No começo de 1593, Ieyasu foi chamado à Corte de Hideyoshi em Nagoya, como conselheiro militar. Lá ficou, entrando e saindo da Corte pelos próximos cinco anos. Mesmo com a sua frequente ausência, os filhos de Ieyasu, e seus vassalos leais, foram capazes de controlar e melhorar Edo e as outras novas terras Tokugawa.Em 1593, Hideyoshi foi pai de um menino, um herdeiro, Toyotomi Hideyori. Em 1598, com a sua saúde claramente debilitada, Hideyoshi fez uma reunião que iria constituir o Conselho dos Cinco Regentes, que seria responsável por governar até a maioridade de seu filho após a sua morte. Os cinco que foram escolhidos como regentes para Hideyoshi foram Maeda Toshiie, Mori Terumoto, Ukita Hideie, Uesugi Kagekatsu, e Tokugawa Ieyasu, sendo este o mais poderoso dos cinco.A Batalha de Sekigahara (1598 - 1603)Hideyoshi, depois de três meses de doenças cada vez maiores, morreu em 18 de agosto de 1598. Ele foi sucedido nominalmente pelo seu filho Hideyori, mas este só tinha cinco anos na época, então o verdadeiro poder ficou nas mãos dos regentes. Nos próximos dois anos, Ieyasu fez alianças com vários Daimyo, especialmente com aqueles que não tinham amor nenhum por Hideyoshi. Felizmente para Ieyasu, o mais velho e mais respeitado dos regentes morreu após apenas um ano. Com a morte do regente Toshiie em 1599, Ieyasu liderou um exército até Fushimi e tomou controle do Castelo de Osaka, a residência de Hideyori. Isso irritou os três regentes restantes, e planos foram feitos dos dois lados da guerra.A oposição à Ieyasu se centrava em Ishida Mitsunari, um poderoso Daimyo, mas não um dos regentes. Ishida planejou a morte de Ieyasu, e notícias de sua trama chegara aos ouvidos de alguns dos generais de Ieyasu. Eles tentaram matar Ishida, mas ele fugiu e ganhou proteção de ninguém além de o próprio Ieyasu. Não é claro o porque Ieyasu protegeu um poderoso inimigo de seus próprios homens, mas Ieyasu era um mestre estrategista, e ele deve ter concluído que seria melhor ter o exército sob o comando de Ishida do que de um dos regentes, que teria mais legitimidade.Quase todos os Daimyo e Samurai do Japão agora estavam divididos em duas facções - o "campo oriental" apoiava Ieyasu, enquanto o "campo ocidental" apoiava Ishida Matsunari. Os aliados de Ieyasu eram os clãs Date, Mogami, Satake e Maeda. Mitsunari se aliou com os outros três regentes: Ukita Hideie, Mori Terumoto, e Uesugi Kagekatsu, assim como vários outros Daimyo do final de Honshu.Em Junho de 1600, os aliados de Ieyasu derrotaram o clã Uesugi. Ieyasu então liderou a maioria de seu exército para o oeste, em direção à Kyoto. No final do verão, as forças de Ishida capturaram Fushimi.Na Província de Shinano, Ieyasu estacionou 36 mil homens comandados por Tokugawa Hidetada. Ieyasu sabia que o Clã Kobayakawa, liderado por Kobayakawa Hideaki, estava planejando deixar o lado de Ishida, e que o Clã Mori também queria juntar-se às suas forças. O exército de Hidetada foi preparado para ter certeza de que esses clãs fossem para o lado dos Tokugawa.Esta batalha foi a maior e mais provavelmente a mais importante batalha da história Japonesa. Ela começou em 21 de Outubro de 1600, com um total de 160 mil homens se enfrentando. A Batalha de Sekigahara acabou com uma completa vitória de Tokugawa. O bloco ocidental foi esmagado e nos dias posteriores Ishida Mitsunari e muitos outros nobres foram mortos. Tokugawa Ieyasu era agora o verdadeiro governante do Japão.Imediatamente após a vitória em Sekigahara, Ieyasu redistribuiu as terras para os vassalos que serviram a ele. Ieyasu deixou alguns Daimyo não afetados, como o Clã Shimazu, mas muitos outros foram completamente destruídos. Toyotomi Hideyori ( o filho de Hideyoshi ) teve permissão de se tornar um cidadão comum concedida, e nos próximos 10 anos ele viveu uma vida calma no castelo de Osaka, enquanto Ieyasu governava o Japão. Nos anos posteriores os vassalos que haviam feito aliança com Ieyasu antes da Batalha de Sekigahara ficaram conhecidos como Fudai Daimyo, enquanto os que haviam se aliado a ele após a batalha, ou seja, quando seu poder era inquestionável, ficaram conhecidos como Tozama Daimyo. Os Tozama Daimyo eram considerados inferiores aos Fudai Daimyo.Tokugawa Ieyasu como Xogum (1603-1605)Ver artigo principal: Xogunato TokugawaEm 1603, Ieyasu recebeu o título de Xogum do imperador Go-Yozei. Ieyasu tinha 60 anos na época. Ele tinha ultrapassado todos os grandes homens de sua época: Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi, Shingen Takeda. Ele era o Xogum, e usou os seus anos restantes para solidificar o Xogunato Tokugawa, o terceiro governo xogunal do Japão (depois do Kamakura e do Ashikaga). O Xogunato Tokugawa governaria o Japão pelos próximos 250 anos.Seguindo um bem estabelecido padrão Japonês, Ieyasu abdicou da sua posição oficial como xogum em 1605. O seu sucessor era o seu filho e herdeiro, Tokugawa Hidetada. Isso foi feito, em parte, para evitar estar "amarrado" em deveres cerimoniais, e em parte para fazer com que fosse mais difícil os inimigos atacarem o verdadeiro centro de poder. A abdicação de Ieyasu não teve efeito no seu governo; ele controlou o Japão pelo resto de sua vida.Aposentadoria de Ieyasu (1605-1616)Ieyasu, agindo como xogum aposentado (Ogosho), era o governante efetivo do Japão, sendo assim até a sua morte. Ieyasu se mudou para Sumpu, mas também supervisionou a construção do Castelo de Edo, uma construção massiva que perdurou pelo resto da vida de Ieyasu. O resultado final foi o maior castelo do Japão, com o custo da construção pago por todos os outros Daimyo, enquanto Ieyasu pegava todos os lucros. O castelo ainda está de pé hoje em dia, no centro de Tokyo, e é agora conhecido como o Palácio Imperial.Ieyasu também supervisionou assuntos diplomáticos com a Holanda e Espanha, e decidiu distanciar o Japão deles começando em 1609, mesmo dando aos holandeses o direito exclusivo a um posto de comércio.Em 1611, Ieyasu, liderando 50 mil homens, visitou Kyoto para testemunhar a coroação do imperador Go-Mizunoo. Em Kyoto, Ieyasu ordenou a remodelação da côrte e dos edifícios imperiais, e forçou os daimyo restantes do oeste assinarem um tratado de fidelidade a ele. Em 1603, ele compôs o Kuge Shohatto, um documento que colocava os daimyo da côrte sob estrita supervisão, deixando-os como meras figuras cerimoniais. Em 1614, ele assinou o Edito de Expulsão Cristã, que baniu a cristandade, todos os cristãos e estrangeiros, e proibiu os cristãos de praticarem a sua religião. Como resultado, muitos cristãos japoneses fugiram para as Filipinas Espanholas.Em 1615, ele preparou o Buke Shohatto, um documento que ajustava o futuro do regime Tokugawa.Cerco de OsakaO clímax da vida de Ieyasu foi o cerco ao Castelo de Osaka (1614-1615). A última ameaça ao governo Ieyasu era Hideyori, filho e herdeiro por direito de Hideyoshi. Ele era agora um jovem homem, vivendo no Castelo de Osaka. Muitos samurai que se opuseram a Ieyasu se reuniram em volta de Hideyori, clamando o fato de ele ser o verdadeiro governante do Japão, por direito. Ieyasu usou uma luta menor contra os aliados de Hideyori e seus samurai como pretexto para matar o último da família de HIdeyoshi. Inicialmente, as forças de Tokugawa foram vencidas pelos aliados de Hideyori, mas Ieyasu tinha recursos massivos para revidar. Os Tokugawa, com um exército gigantesco liderado por Ieyasu, abriram cerco ao Castelo de Osaka. O cerco durou mais de dois anos, Ieyasu liderou 50 mil homens, contra um grande exército liderado por Toyotomi Hideyori, Ieyasu venceu a batalha, mas logo no fim, foi golpeado por Sanada Yukimura, o qual estava a beira da morte, e o golpe de Yukimura foi não muito grave, deixando poucas feridas em Ieyasu, um mês após o Cerco de Osaka, Ieyasu morreu por uma doença e foi enterrado em Nikko Toshogu.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]