O rio Tietê, o velho Anhembi dos Tupis, nascia e nasce ainda próximo ao litoral, mas era empurrado pelas alturas da Serra do Mar para o interior. Sua importância histórica e geográfica para a vida dos primeiros anos de São Paulo foi enorme, embora contestada pelo historiador Mário Neme. Seu volume de águas era grande e recebia de seus afluentes maior volume ainda, engrossando à medida que penetrava para o interior. Seus afluentes mais importantes, ao início de sua penetração, à esquerda encontramos os rios Pinheiros e Sorocaba. À direita, o Piracicaba e outros menores rios.Acompanhando o Tietê, até certo ponto, estava o Peabiru. Paralelamente desenvolviam-se duas vias de penetração, uma fluvial e natural e outra feita pelo índio em suas andanças.A caça ao índio e aos metais trouxeram os brancos para esta região. Ao final do século XVI, estavam no morro de Araçoiaba, atraídos pelos sinais de presença de ouro. Afonso Sardinha, pai ou filho, ou ainda os dois juntos, estabeleceram-se ali, atraindo a atenção de D. Francisco de Souza, governador geral, que veio pessoalmente conhecer o trabalho desenvolvido nas Furnas, no veio do morro, estabelecendo em 1599 uma vila que recebeu o nome de Nossa Senhora do Monte Serrat, cuja existência também é colocada em dúvida.Em 1610, por questão de estratégia, a vila que estava no veio do morro de Araçoiaba é transferida para as margens do rio Sorocaba com a denominação de São Felipe, em homenagem ao rei da Espanha e de Portugal, atualmente ainda existente com o nome de Itavuvu, com as casas formando duas ruas em ângulo reto em direção ao rio. Essa transferência foi o primeiro reconhecimento estratégico do rio Sorocaba.Os índios deixaram como legado ao branco, apenas seus cemitérios, restos de seus aldeamentos, geralmente à beira dos rios ou ribeirões, lentamente descobertos de maneira acidental pelos lavradores, ou ainda alguns nomes originários na língua Tupi, permaneceram denominando certos bairros, como Araçoiaba (esconderijo do dia), Ipanema (água ruim), Itavuvu (de Itapeboçu, pedra chata grande), Caguaçu (mato grande), Bacaetava (rio que corre entre pedras), Sarapuí (rio dos sarapús), Cajuru (boca de mato), Votorantim (morro de águabranca) ou Sorocaba (terra das vassorocas). Sorocaba também pode significar "terra rasgada ou fendida", como nos ensina Aluísio de Almeida.Assim, a nossa região, pelas constantes erosões do solo, recebeu a denominação de Sorocaba, passando também para o rio, e confirmado no início do século XVII, pelos bandeirantes que por aqui passaram na caça do índio nas reduções guaranis, de campos do Sorocaba.Em 1625 Johannes de Laet escreveu um roteiro de viagem baseado em informações do mineiro prático Wilhelm Joosten Glimmer, que em 1601 partiu para o sertão na expedição organizada por D. Francisco de Souza.Nesse roteiro aparecem as denominações de Nossa Senhora do Monte Serrat, Berasucaba ou Ibiraçoiaba (outros nomes dados ao Araçoiaba) abundantes em veios de ferro e de que nessas montanhas, os portugueses tinham uma vila chamada S. Philippe, confirmada, posteriormente em 1640 pelo mapa elaborado por Guilherme Jeansenius Elaeu, onde aparece entre dois rios um sinal de povoação e a expressão Philippa villa.Outro sinal evidente de povoação da região é o inventário de Henrique da Costa datado de 1610, que teria recebido meia légua de terra para a banda de Birassoiaba rio abaixo do Anhembi. Ainda não aparecia o nome de Sorocaba nos documentos oficiais.AS TROPASExatamente em 1750, metade do século XVIII, o rio Sorocaba voltou a ocupar um lugar de destaque na história nacional, ao servir de barreira natural ao registro de impostos de animais, e também por causa da ponte, passagem obrigatória para as tropas de muares, chucras ou arreadas, que transitavam pelos caminhos do sul. Os tropeiros passaram a apresentar suas guias para a fiscalização em dia 3 de setembro de 1750; Luiz Teixeira da Silva, português riquíssimo, foi o provedor designado ao postoA importância dos muares, principalmente nas regiões montanhosas como as Minas Gerais e a sua existência em grande número nas capitanias do sul, propiciaram um enorme ciclo econômico, do qual a então vila de Sorocaba tornou-se o centro geográfico, após a passagem da primeira tropa de animais dirigida por