2 de junho de 2025, segunda-feira Atualizado em 02/06/2025 21:33:14
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Geddel Quadros Vieira Lima ComMM (Salvador, 18 de março de 1959) é um administrador de empresas, pecuarista, cacauicultor e político brasileiro, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).Geddel Quadros Vieira LimaMinistro-chefe da Secretaria de Governo do BrasilPeríodo12 de maio de 2016 até 25 de novembro de 2016PresidenteMichel TemerAntecessor(a)Ricardo BerzoiniSucessor(a)Antônio Imbassahy8.° Ministro da Integração Nacional do BrasilPeríodo16 de março de 2007 até 31 de março de 2010PresidenteLuiz Inácio Lula da SilvaAntecessor(a)Pedro BritoSucessor(a)João SantanaDeputado Federal pela BahiaPeríodo1° de fevereiro de 1991 até 1° de fevereiro de 2011 (5 mandatos consecutivos)
Vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica FederalPeríodo25 de março de 2011 até 27 de dezembro de 2013Nomeado porDilma Rousseff
Sucessor(a)Roberto DerziêDados pessoaisNome completoGeddel Quadros Vieira LimaNascimento18 de março de 1959 (66 anos)Salvador, BA, BrasilNacionalidadebrasileiroAlma materUniversidade de Brasília (UnB)Prêmio(s)Ordem do Mérito Militar[1]PartidoMDB (1990-atualidade)Profissãoadministrador, políticoFoi deputado federal eleito cinco vezes consecutivas pelo MDB da Bahia, além de ministro da Integração Nacional do governo Lula,[2] vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, no governo Dilma[3] e ministro de Governo no Palácio do Planalto sob a gestão Michel Temer, tendo sido demitido aos seis meses no governo, após virem a público denúncias de corrupção feitas por outro ministro de Temer, Marcelo Calero.[4][5]Foi preso preventivamente no dia 3 de julho de 2017, na Operação Greenfield,[6] solto no mesmo mês para cumprimento em prisão domiciliar,[7] e preso novamente em setembro de 2017, após a apreensão de mais de 51 milhões de reais em espécie em um apartamento ligado a Geddel.[8] É irmão do deputado federal Lúcio Vieira Lima.Em 22 de outubro de 2019, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-ministro a 14 anos e dez meses de prisão em regime fechado; seu irmão Lúcio foi igualmente condenado.[9]Em fevereiro de 2022, o ministro Edson Fachin deferiu seu pedido de liberdade condicional.BiografiaGeddel é filho de Afrísio de Sousa Vieira Lima (m. 10 de outubro de 2016[10]) e de Marluce Quadros Vieira Lima, da família Quadros.[11] Seu pai foi vereador de Itaquara entre 1963 e 1967, deputado estadual entre 1971 e 1975, deputado federal pela Bahia entre 1975 e 1987 e secretário de Segurança Pública do governo da Bahia na gestão de Nilo Coelho (1987-1991).[12]Na adolescência, na década de 1970, estudou com o cantor e compositor Renato Russo[13] no Colégio Marista de Brasília.[14]Em 1978, iniciou o curso de Administração de empresas na Universidade de Brasília (UnB), concluindo três anos depois.[12][15]Em 1979, tornou-se assistente parlamentar da Câmara dos Deputados até 1981. Dois anos depois foi nomeado diretor do Banco do Estado da Bahia S.A. (Baneb), exercendo o cargo até 1984. Entre 1988 e 1989, foi assessor da Casa Civil da Prefeitura Municipal de Salvador. Em seguida foi nomeado presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Bahia (EMATER-BA), função que desempenhou até 1990.[12]Como administrador, exerceu a função de diretor da corretora do Banco do Estado da Bahia (BANEB), entre 1983 a 1984. Neste cargo, Geddel foi acusado de ter se favorecido com rendimentos acima da média em aplicações bancárias. Mas, em 1987, um relatório do Banco Central definiu pelo arquivamento do processo por não haver indícios de irregularidade na atuação do ex-diretor. O caso não foi à Justiça por falta de provas.[16]Geddel Vieira Lima também foi assessor da Casa Civil da Prefeitura de Salvador, entre 1988 e 1989; diretor da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (EMBASA), em 1989; e presidente EMATER-BA em 1990, ano em que se filiou ao PMDB e deu início à sua carreira na disputa por cargos eletivos.[15][17]Atuação parlamentareditarFoi eleito deputado federal pela Bahia para a legislatura 1991 a 1995, tendo sido reeleito por mais quatro vezes.[15] No Congresso, foi líder da bancada do seu partido, reconduzido ao cargo por três vezes. Foi também presidente da Comissão de Finanças e Tributação, além de primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.[15] Nesta função, fez da Câmara a primeira casa legislativa do Brasil a publicar suas contas na Internet, num sistema de transparência que permite o acesso irrestrito a todas as despesas dos deputados, gastos com viagens e processos de licitação.[18]Em 2000, durante seu terceiro mandato, Geddel foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial.[1]Anões do OrçamentoeditarGeddel é citado no escândalo envolvendo os chamados "Anões do Orçamento", descoberto em 1993, em que parlamentares manipulavam emendas orçamentárias com a criação de entidades sociais fantasmas ou participação de empreiteiras no desvio de verbas.[15] O esquema era comandado pelo deputado baiano João Alves, que ficou conhecido por referir ter ganhado 56 vezes na loteria apenas em 1993. Geddel era apoiado político de João Alves e cuidou da liberação de várias emendas para ele. Foi acusado também de ter recebido verba de empreiteiras.[15][19]Na época foi também citada a suposta participação de seu pai, Afrísio Vieira Lima, através de uma gravação em que há indícios de seu envolvimento, o que não ficou comprovado. Geddel foi à defesa de seu pai e acusou João Alves, líder do esquema, de tramar contra ele.[15]Em 2002, foi chamado pelo ex-presidente Itamar Franco, então governador de Minas que disputaria as prévias do partido à Presidência, de "percevejo de gabinete".[20]Em 2001, o então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães divulgou um vídeo intitulado “Geddel vai às compras”, sobre o suposto enriquecimento ilícito de Geddel e sua família e compra de votos.[15]Grampos de Otto AlencareditarEm 2002 foi vítima, junto com outros parlamentares, do Escândalo dos Grampos, no qual várias personalidades tiveram seus celulares grampeados ilegalmente em uma operação comandada pelo governador interino à época, Otto Alencar. Em 2011, Geddel denunciou à Polícia Federal que novamente seria vítima de grampo comandando pelo então Vice-governador Otto Alencar.[21]Ministro da Integração NacionaleditarApesar de ter sido crítico ferrenho do primeiro governo Lula, em 2007 Geddel foi convidado para comandar o Ministério da Integração Nacional durante o 2º mandato. Geddel tomou posse no dia 16 de março[22] e ocupou a função durante três anos, até 30 de março de 2010, quando se desincompatibilizou para disputar eleições a governador da Bahia.[23]Como ministro, Geddel viabilizou obras de infraestrutura paradas há anos, como os projetos de irrigação Baixio de Irecê e Salitre, em Juazeiro, ambas na Bahia.Geddel esteve à frente do ministério também em questões relativas ao Programa Produzir,[24] iniciativa de desenvolvimento sustentável que organiza comunidades interioranas para estimular sua capacidade empreendedora e contribuir com o aumento de renda através da produção e venda de produtos artesanais. No mesmo período, foram construídas 4 mil cisternas para armazenamento de água no interior do Nordeste, além de várias barragens, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Sul do país. Na Bahia, houve também a concessão de incentivos fiscais a 304 empresas que se instalaram no interior do estado.Foi o principal responsável pela reeleição de João Henrique Carneiro à prefeitura de Salvador, em 2008.[25][26]Denúncia de favorecimentoeditarDe acordo com uma reportagem do jornal O Globo, uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que durante a gestão de Geddel Vieira Lima a frente do Ministro da Integração Social, o Estado da Bahia foi favorecido em relação à liberação de verbas destinadas a ações de prevenção a catástrofes. Entre 2004 e 2009, a Bahia recebeu R$133,2 milhões, equivalente a 37,25 por cento do total de recursos liberados no período para ações de prevenção a desastres.[27][28] Neste período, conseguiu liberar quase R$ 255 milhões para obras em 137 cidades da Bahia, principalmente na área de saneamento e abastecimento de água.Eleições 2010editar Ver artigo principal: Eleições estaduais na Bahia em 2010Após se desincompatibilizar do cargo de ministro em 30 de março de 2010, Geddel se lançou como candidato ao Governo da Bahia nas eleições de 2010 pelo PMDB com a coligação "A Bahia Tem Pressa". Neste pleito, Geddel interagiu bastante com os internautas por meio de seu site campanha e do seu Twitter.[29] Apesar do despejo de dinheiro público do Ministério em obras eleitoreiras na Bahia,[15] Geddel terminou a eleição em 3º lugar, com um milhão e trinta e oito de votos (15,5 por cento dos votos válidos).[30]Geddel não conseguiu a neutralidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições para governador da Bahia em 2010, tendo sua candidatura derrotada por Jaques Wagner (PT-BA).[31] Com o fracasso nas eleições foi nomeado vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013.[15][32]Em 2011, fez uma aliança com ACM Neto, neto de seu histórico rival político, contra Jaques Wagner nas eleições municipais do ano seguinte.[15] ACM Neto venceu com 53,51% dos votos válidos, derrotando o candidato de Wagner, o petista Nelson Pelegrino.[15]Pediu exoneração à presidente Dilma Rousseff via Twitter, para concorrer na eleição de 2014.[15]Eleições 2014editar Ver artigo principal: Eleições estaduais na Bahia em 2014Pré-candidato a governo do estado, pontuando de forma consistente nas pesquisas, Geddel decide apoiar a candidatura de Paulo Souto a governador, ocupando a vaga de candidato ao senado na chapa pela coligação "Unidos pela Bahia". Perdeu as eleições para Otto Alencar.[15]Presidente do PMDB na Bahia, foi um dos que se manifestaram pelo rompimento do partido com o governo Dilma.[15]Ministro-chefe da Secretaria de GovernoeditarEm maio de 2016, o então presidente interino Michel Temer convidou Geddel para o posto de Ministro-chefe da Secretaria de Governo, a fim de coordenar o relacionamento do presidente com o Congresso, movimentos e partidos, assim como o gerenciamento de crises institucionais.[33]Durante manobras no congresso para anistiar os políticos envolvidos com caixa dois, em setembro de 2016, afirmou em uma entrevista para a TV Globo, que caixa dois não é crime e que quem fez isso no passado não deveria ser punido.[34] O presidente Temer que estava em viagem em Nova Iorque, prontamente respondeu que era uma opinião personalíssima de Geddel, não do governo.[34]Em novembro de 2016, envolveu-se em uma polêmica com o então Ministro da Cultura, Marcelo Calero. Calero afirmou à Polícia Federal que teria sido pressionado por Geddel, Temer e outros membros do governo para rever decisão do Iphan negando licença para um empreendimento imobiliário na Bahia, o Le Vue, no qual Geddel adquirira um apartamento.[35][36][37] Ele negou a acusação.[38]O edifício seria erguido na Ladeira da Barra, ao lado de sítios históricos como o Cemitério dos Ingleses, o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra.[39] Segundo o último parecer do Iphan, o Le Vue deveria ter no máximo 13 andares, em vez dos 30 planejados.[39] Em 2014 o prédio recebeu parecer contrário do Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização, composto por técnicos do Iphan, do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia e da Secretaria Municipal de Urbanismo.[39] Meses depois, este órgão colegiado foi extinto pelo então presidente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim.[39] A obra recebeu então o aval da prefeitura, comandada por um aliado de Geddel, o prefeito ACM Neto, com base em um parecer individual do coordenador-técnico do Iphan, Bruno Tavares.[39] Em 2015, Geddel acusara os vereadores de Salvador de estarem cedendo ao assédio do banqueiro Marcos Mariani para serem contra um empreendimento imobiliário em área tombada.[39] No início de 2016 a então presidente nacional do Iphan, Jurema Machado, emitiu parecer no qual conclui que o empreendimento não atendia às regras para a região e, na mesma época, o Instituto dos Arquitetos do Brasil entrou com uma ação civil pública pedindo a revisão do parecer que autorizara a obra.[39]Geddel foi acusado de ter usado o cargo para pressionar em diversas ocasiões o Ministério da Cultura, então responsável pelo Iphan, a revogar o parecer que impedia a construção.[40] Um sobrinho e um primo do Geddel representariam os interesses do projeto imobiliário em processo que tramita no Iphan.[40]Pedido de demissãoeditarAinda em 2016, no dia 25 de novembro, Geddel se demitiu do governo alegando desgaste familiar devido à crise com o caso Iphan, inserida no contexto mais amplo da crise político-econômica no país.[41] A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União.[42]Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair— trecho da nota de demissão de GeddelGeddel foi o sexto ministro a deixar o governo Temer, sendo precedido por Marcelo Calero, Henrique Alves, Fábio Osório, Romero Jucá e Fabiano Silveira.[41]Operações policiaiseditarLava JatoeditarEm 2016, mensagens apreendidas pela Operação Lava Jato revelaram que Geddel pode ter usado sua influência política para atuar em favor de interesses da construtora OAS dentro da Caixa, na Secretaria de Aviação Civil e junto à Prefeitura de Salvador.[15] Geddel afirmou que não foram cometidas "irregularidades".[15]Cui BonoeditarEm janeiro de 2017, foi alvo de operação da Polícia Federal batizada de "Cui Bono?".[43] Segundo a PF, o nome da operação é uma referência a uma expressão em latim que significa "a quem beneficia?”. A operação é um desdobramento da Operação Catilinárias.[44]Em 5 de setembro de 2017, a PF por determinação judicial prendeu em um apartamento em Salvador, oito malas e quatro caixas de dinheiro, durante a Operação Tesouro Perdido.[45][46][47][48] Segundo as investigações o dinheiro fora desviado do fundo FI-FGTS.[49][50] Durante as investigações, surgiu a suspeita de que Geddel estaria escondendo provas de atos ilícitos no apartamento no bairro da Graça, área nobre de Salvador.[48][50][51] Em razão da grande quantidade de dinheiro, mesmo sendo contabilizado em máquinas, a PF levou 14 horas para conta-lo.[52] Ao fim da contagem totalizou mais de 51 milhões de reais.[53][54][55][56] Foi a maior apreensão de dinheiro vivo da história do país.[54][57][58]Em janeiro de 2019, a procuradora-geral da república Raquel Dodge pediu 80 anos de prisão para Geddel por este caso, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, afirmando que o acusado possui "personalidade voltada para o crime".[59]Operação Greenfield e prisãoeditarNo dia 3 de julho de 2017, Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal na Bahia. A prisão ocorreu em caráter preventivo a partir das delações do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, por supostamente agir para atrapalhar as investigações.[60]De acordo com nota do Ministério Público Federal, o objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o MPF. Para isso, o ex-ministro teria atuado para assegurar que ambos recebessem vantagens indevidas, além de "monitorar" o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.[60]Em 12 julho de 2017, foi solto pela segunda instância da Justiça Federal em Brasília para cumprir pena em prisão domiciliar. A decisão foi proferida pelo desembargador Ney Bello, motivada por um pedido de liberdade feito pela defesa de Geddel.[7][61][62]Em 8 de setembro de 2017, voltou a ser preso preventivamente pela PF. O pedido foi feito pela instituição após o cumprimento de mandado de busca e apreensão no "bunker" onde foram encontrados mais de 51 milhões de reais em espécie. O pedido de prisão preventiva foi endossado pelo Ministério Público Federal, e acatado pelo juiz federal juiz Vallisney de Souza Oliveira.[8][63][64]As investigações da Polícia Federal mostraram que ele e sua família têm 12 fazendas no interior da Bahia que valeriam 67 milhões de reais.[65] Segundo a PF, as fazendas seriam usadas para lavagem de dinheiro através de aluguel falso de máquinas agrícolas e operações com "gado de papel".[65]CondenaçãoeditarEm 22 de outubro de 2019, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-ministro Geddel Vieira Lima a 14 anos e dez meses de prisão em regime fechado e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, a dez anos e seis meses também em regime fechado.[9]Após a soltura, em entrevista a um podcast baiano, Geddel afinal confessou, depos de muitar negar, que o dinheiro apreendido no apartamento era para uma campanha eleitoral sua para governador da Bahia. Na entrevista disse que: "Eu reconheço que meu grave equívoco foi ter colocado o desejo de chegar a governador da Bahia acima dessa visão. Estou pagando o preço".[66] A reportagem da revista Veja apontou também que o ex-deputado tinha pretensão de novamente se candidatar, comparando-se ao presidente Lula que igualmente passou um tempo preso.[67]Condecoraçõeseditar23.09.1997 - Ordem do Mérito Aeronáutico – Grau de Grande Oficial Brasília – DF[68]28.05.1998 - Ordem de Rio Branco – Grau de Grande Oficial[69]11.08.1999 - Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho – Grau de Grande Oficial – Brasília – DF[70]2000 - Ordem do Mérito Militar – Grau Comendador [1]2007 - Ordem do Mérito Naval – Grau de Grande Oficial – Brasília – DF[70]2007 - Medalha do Mérito Bombeiro Militar de Pernambuco[70]2008 - Medalha da Defesa Civil do Distrito Federal[70]2008 - Medalha do Mérito Bombeiro Militar do estado da Bahia[70]2009 - Medalha do Pacificador do Comando do Exército[70]2009 - Medalha do Mérito Alvorada do Governo do Distrito Federal[70]2010 - Medalha: Tomé de Souza, da Câmara Municipal de Salvador[70]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]