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Revista da ASBRAP n.º 25

    6 de maio de 2018, domingo
    Atualizado em 02/12/2025 04:06:38


Fontes (1)


organizações do povo; tinham atividade autônoma em relação às do governador da Capitania do Rio de Janeiro, sendo esse um representante do rei. Os governadores eram, de regra, trocados logo pelo monarca; não lançavam raízes na terra (BOXER, 2002, p. 286). A repetição dos Correias, no Rio de Janeiro, é uma exceção. Em suma, a identidade institucional da cidade do Rio de Janeiro, como a das demais inúmeras vilas e cidades da metrópole e de império português, cabia à Câmara. Inclusive, ela podia comunicar-se diretamente com o rei; não estava sujeita, no exercício de suas competências regimentais, ao governador, mas diretamente ao rei (FRAGOSO e MONTEIRO, 2017).Os cargos camaristas, inclusive de juiz, eram funções eletivas não remuneradas. As Câmaras também tinham poder tributário, cabendo-lhes o recolhimento de rendas, tributos e donativos; bem como a função militar de sediar um corpo da tropa de ordenanças, organização militar auxiliar. A primeira vila a existir no Brasil, a de São Vicente, foi fundada em 1532, ou seja, antes do estabelecimento do regime de capitanias hereditárias. Martim Afonso de Souza, seu fundador em nome do rei, obedecendo à legislação, providenciou o estabelecimento da Câmara e a ereção do pelourinho, dando ainda curso ao primeiro processo eletivo dos cargos municipais. Com a criação do sistema de capitanias, esta vila tornou-se a cabeça da capitania de São Vicente, em 1534.Como ensina BRANDÃO (2015), com a instituição do modelo de governos gerais na América portuguesa, o governador régio deveria estar estabelecido em uma cidade. Como o Brasil foi todo dividido em capitanias hereditárias, seria preciso que o rei retomasse o poder sobre uma das capitanias doadas. Isso foi possível com o falecimento do donatário da capitania da Bahia de Todos os Santos, Francisco Pereira Coutinho, quando a Coroa negociou e indenizou o herdeiro. Em 1549, Tomé de Souza trazia em seu regimento (o documento régio em que constavam as competências e restrições do poder delegado ao agente do rei) instruções para o estabelecimento do governo geral e a fundação de uma cidade, do nada ou de um vilarejo mínimo que pudesse estar no lugar, previamente. A cidade, logo fundada, teve por nome São Salvador. No ano de 1551, o papa Júlio III, criou para a cidade o primeiro bispado na América portuguesa, que veio a ser ocupado em 22 de junho de 1552 por dom Pero Fernandes Sardinha. ***A invasão da Guanabara pelos franceses, iniciada em 1555, foi de pronto denunciada ao rei por Brás Cuba, capitão-mor em exercício da capitania de São Vicente. Sem condições para combater os franceses. Brás Cuba requisitou reforços ao governador-geral Duarte da Costa. Não foi ouvido. Só em 1560, o novo governador-geral, Mem de Sá, é incumbido da responsabilidade de expulsar os franceses da Guanabara. Mem de Sá teve sucesso, mas logo deixou o recôncavo, dando oportunidade para a volta dos franceses que se tinham refugiado no sertão. Uma segunda força portuguesa, sob o comando de Estácio de Sá, aparentado de Mem, consegue instalar-se, em 1º março de 1565, na boca da Guanabara para o oceano, no local então conhecido como Praia de Fora, hoje Urca. Como diz BRANDÃO (2015), é aceitável considerar-se que Estácio de Sá tivesse a incumbência de estabelecer um povoado e não um mero arraialtático, como diríamos atualmente, para uma guerra pontual que começava e que acabaria logo. Contudo, Estácio de Sá, por não ser capitão-mor da capitania de São Vicente, já que não se tem conhecimento dessa sua patente, estaria impossibilitado de elevar este povoado à condição de vila. Talvez por Estácio ser intrépido e muito voluntarioso, passou a conceder cartas de sesmarias para a região do entorno da Guanabara, como se fosse (ou mesmo era, “in pectore”, quem sabe) capitão-mor da capitania de São Vicente. Somente de setembro de 1565 a novembro do ano seguinte foram concedidas 45 cartas de sesmarias nesta região. Como está em BRANDÃO (2015), nos tempos anteriores a Estácio de Sá, os capitães-mores ou governadores da capitania de São Vicente concediam terras de sesmaria nas bordas da Guanabara. Estas outorgas de sesmarias provam que o Rio de Janeiro era havido, para todos os efeitos, como território da doação régia a Martim Afonso de Souza. Fato muito curioso, como afirma BRANDÃO (2015), é que Salvador Correia de Sá e Benevides, quando governador do Rio de Janeiro em 1638, tenha concedido sesmarias na estranha condição de procurador da condessa de Vimieiro, donatária da capitania de São Vicente. Que poder teria Estácio de Sá para, em 1565, dar cartas de sesmarias na região guanabarina?Ao recuperar o controle da Guanabara, Mem de Sá transfere a sede da administração municipal para o alto do morro do Castelo, em 1567, no atual centro urbano do Rio de Janeiro.Como nos informa BRANDÃO (2015), apesar de Mem de Sá usar distorcidamente seu regimento para categorizar como cidade o núcleo de pessoas estabelecido no alto do morro do Castelo, somente a partir da intervenção direta do rei dom Sebastião, em 1570, o Rio de Janeiro pôde ser assim considerado. Isso aconteceu não por emissão de foral ou por qualquer ato formal de ratificação do feito fundacional de Estácio de Sá, em 1º de março de 1565. O rei apenas fez nomeações de cargos administrativos de sua competência, fazendo claro que que queria uma cidade. A primeira conhecida é de 7 de março de 1570, quando nomeou Aires Fernandes Vitória para o cargo de almoxarife “da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”. No ano seguinte, o rei nomeou Cristóvão de Barros por quatro anos “capitão e governador da capitania e cidade de São [p. 12, 13]na Terceira ou no Faial, reunindo os filhos e as filhas de seus anteriores casamentos. Aleixo Manuel Albernaz, o Velho, e seu irmão-inteiro Manuel Albernaz (ambos filhos de “Fuão” Albernaz e “Fulana” de Faria) casaram-se com duas filhas de Jordão Homem da Costa e Apolônia Domingues (ou Rodrigues), respectivamente: Francisca da Costa Homem e Margarida da Costa. Jordão Homem da Costa e “Fulana” de Faria teriam tido, juntos, a Luís de Faria Homem, que também se radicou na região da Guanabara (BOGACIOVAS, 2005).O valor da solução genealógica de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas é que ela ajuda a entender-se a formação do congregado de bandos do Rio de Janeiro, em que se combinam no topo, as origens Manuel (ou Albernaz) /Homem da Costa (ou Costa Homem; a que se junta interligadamente o composto Mariz / Rangel de Macedo.Baltazar de Abreu e Isabel Rangel de Macedo (primeira do nome),sogros de FranciscoPor volta de 1641, Francisco da Fonseca Diniz casou-se com Isabel Rangel de Macedo (segunda do nome), filha de Baltazar de Abreu (com o acréscimo de “de Soutomaior”, em alguns registros) e de Isabel Rangel de Macedo (primeira do nome), filha de Julião Rangel de Macedo e de Beatriz Sardinha.Balthazar de Abreu seria descendente do galego dom Pedro Alvarez - ou de Abreu - de Sotomaior, o “Pedro Madruga”. Não podia ser filho, conforme diz RHEINGANTZ (1965, vol. I, p. 3), em vista da desarticulação temporal. Balthazar de Abreu foi possivelmente descendente, por algum caminho, de dom Pedro e de sua segunda cônjuge, Francisca de Duque Estrada. MACEDO SOARES (1947, vol. I, p. 31-32) transcreve o padre Antônio Carvalho da Costa, ao comentar o apelido “Duque Estrada”, em Chorographia Portugueza, Província da Estremadura, cap. 21, p. 607: Dom Pedro Alvarez de Sotomaior, fidalgo galego, visconde de Tuy, passou a este reino seguindo o partido d’el Rei Afonso V, que o fez conde de Caminha. Casou com Dona Teresa de Távora, filha de Álvaro Pires de Távora, Senhor de Mogadouro. [...] Voltando para Castela viúvo, casou segunda vez com dona Francisca de Estrada, filha de Henrique Duque Estrada, o qual era cavalheiro principal em Castela, filho de Álvaro Gonçalves Duque Estrada e de sua mulher Dona Úrsula Lopes de Mendonça, irmã de Diogo Furtado de Mendonça.Baltazar de Abreu nasceu na Madeira, após 1583, e faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de julho 1659. Foi moço fidalgo da Casa Real (MACEDO SOARES, 1947, vol. II, p. 5, 6 e 7). Baltazar de Abreu era alguém bem visto. A prova disso está em que o seu apelido “Abreu” foi adotado por vários dos seus descendentes, como o caso do filho primogênito de Francisco da Fonseca Diniz e Isabel Rangel de Macedo (segunda do nome), que se chamou Baltazar de Abreu Cardoso. Julião Rangel de Macedo e Beatriz Sardinha,genitores de Isabel Rangel de Macedo (primeira do nome), e assim avós paternos da mulher de FranciscoDo que se conclui de SOVERAL (2012, nota 62; e 2018, nota em e-mail), Julião Rangel de Macedo foi filho do abade Damião Dias Rangel, este nascido cerca de 1519 (prelado-titular de Santo Isidoro, marco de Canavezes, no ano de 1540), e de Violante Bernardes. SOVERAL (2012, nota 62) refere-se aos que seriam irmãos-inteiros de Julião Rangel de Macedo: o doutor Cosme Rangel de Macedo, do Conselho da Fazenda e desembargador do Paço, em 1583; e Jerónimo Rangel, que casou a 13 de janeiro de 1597, com certa Maria Teixeira; referido no assento de casamento como “Jrmº Rangel, da freguesia de Santa Olaia, fº se dizia de Damião Dias Rangel, abade de Santo Isidoro, já defunto, e de (espaço em branco) moça solteira.”Conforme Manuel Abranches de Soveral, o abade Damião Dias Rangel foi filho de dom Diogo Dias Rangel, prior do Mosteiro de Santo Estevão de Vilela, nascido cerca de 1495. A mãe de Damião foi Catarina Anes Toscano, com quem dom Diogo teve filhos entre 1518 e 1534. Dom Diogo deve descender, possivelmente como neto, de Pedro Álvares Rangel e de Inês Sanches de Macedo. Neto desses Pedro e Inês, seja por via feminina ou masculina, sendo presumível que o seu pai, filho ou genro de Pedro e Inês, se tenha também chamado "Diogo", daí seu nome inteiro: Diogo Dias (patronímico do nome de batismo Diogo) Rangel. Pedro Álvares Rangel foi fidalgo da Casa do rei dom Afonso III. Também sobre Julião Rangel de Macedose tem: MACEDO SOARES, 1947, vol. II, p. 6, 7, 17, 40, 55, 56, 57 e 77; e GOMES, 2017, p. 533. Julião foi fidalgo da Casa do rei dom Filipe I de Portugal. Passou à conquista do Rio de Janeiro e foi feito Juiz de Órfãos, nos fins do século 16. Em 1583, substituiu a Salvador Correia de Sá, o Velho (MACEDO SOARES, 1947, vol. II, apêndice, p. 3). Chegou ao Rio de Janeiro, em companhia do Governador-Geral Mem de Sá (BELCHIOR, 1965, p. 385, 386 e 387). Beatriz: a referência SardinhaBeatriz Sardinha é tida por diversos genealogistas como tendo sido irmã inteira do primeiro bispo do Brasil, dom Pero Fernandes Sardinha, condição que eu vinha tomando como correta, como em CARVALHO (2008). [p. 24]

Esse parentesco está em RHEINGANTZ (1965, vol. I, p. 139; 1967, vol. II, p. 196); e junto aoutras considerações em MACEDO SOARES (1947, vol. I, p. 36, 41, 44-45, 58,60-61, 73, 75, 83, 85-86, e 133-134; vol. II: p. 16-17, 40, 57, 59, 78, 80, 82 e 85;vol. I, apêndice, p. 7 e 12; vol. II, apêndice, p. 86). Parece que Rheingantz, sematenção, simplesmente repetiu Macedo Soares.No entanto, na revisão que fiz deste assunto, em 2017, observei, emdebates no portal Genea Portugal, que dom Pero Fernandes Sardinha, tendonascido cerca de 1496, em Évora, no Reino, e morto em 1556, não poderia, emabsoluto, ter sido irmão de Beatriz Sardinha, que era mulher jovem em meadosdo século 16, quando dom Pero tinha perto de 60 anos de vivo. Pelo quedepreendo das discussões, em especial do dito por Gilson Caldwell do CoutoNazareth, não se sabe quem foram os pais de dom Pero, o que é sem dúvidacurioso para quem viria a ser um prelado. O respeitado genealogista fluminenseGilson Nazareth (falecido em 2016) presume que Beatriz Sardinha, mulher deJulião Rangel de Macedo, tenha sido filha de Gaspar Sardinha e Filipa Gomes.Gaspar teria nascido entre 1524 e 1527. No ano de 1557, Gaspar e Filipa tiveramum filho, em Porto Seguro, na Bahia, de nome João, que se chamaria, quandoadulto, João Gomes Sardinha.Neste quadro, Beatriz Sardinha foi irmã-inteira, possivelmente maisnova, desse João Gomes Sardinha. Essa argumentação teria suporte, em parte aomenos, no processo de canonização do padre José de Anchieta. Em suma, FilipaGomes teria sido, com Gaspar Sardinha, mãe de João Gomes Sardinha e deBeatriz Sardinha. Concluo das entrelinhas da manifestação de Nazareth (massem que ele o diga) que dom Pero Fernandes Sardinha pode ter sido tio, sejamaterno ou paterno, de Gaspar Sardinha, ou mesmo pai de Gaspar, o que não eraincomum no tempo, como foi o caso de Julião Rangel de Macedo, filho de abadee neto de prior, como se escreveu acima. O que se pode perceber é que dom PeroFernandes Sardinha foi parente de Gaspar Sardinha, sendo regular a vinda deparentelas para as áreas de conquista.Sobre a investidura de dom Pero se tem que, por bula papal de 12 dejunho de 1514, criou-se o Bispado de Funchal, passando a ele a jurisdição sobreo Brasil. Por nova bula papal, de 25 de fevereiro de 1551, o Brasil foidesmembrado do Bispado de Funchal para constituir bispado à parte, sufragâneodo Arcebispado de Lisboa. O primeiro bispo foi dom Pero Fernandes Sardinha,que em 22 de junho de 1552 chegou à Bahia. Dom Pero morreu tragicamente,em 1556, quando de viagem para o Reino.O tio materno (e não avô materno, de acordo com a argumentaçãoacima) de Isabel Rangel de Macedo (primeira do nome), João Gomes Sardinhaandou, em 1613, barganhando terras com os índios na Banda d’Além(MACEDO SOARES, 1993) [p. 25]católico mais amplo que veio a ocupar o espaço da ermida, estabelecendo-se assim a confusão.Baltazar de Abreu Cardoso foi coronel do regimento pago do Rio de Janeiro e dono de dois grandes engenhos entre Irajá (a Penha de hoje) e Campo Grande. Baltazar de Abreu Cardoso também se vincula à Banda d’Além. Lá casou-se, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, com sua prima Isabel Sodré Pereira (RHEINGANTZ, 1965, vol. I, p. 6-7; 1967, vol. II, p. 150). Baltazar de Abreu Cardoso herdou do pai, na Banda d’Além, as terras correspondentes ao atual bairro do Fonseca, mais uma grande parte do atual bairro do Cubango, até o Baldeador, e mais chão descendo pela várzea de Icaraí (MACEDO SOARES, 1993).

O primogênito de Baltazar de Abreu Cardoso e de Isabel Sodré Pereira chamou-se

João de Abreu Sodré Pereira. Os outros filhos foram:
João de Abreu Pereira Sodré
José Pereira Sodré,
Francisco Sodré Pereira
frei Baltazar; o

mesmo Baltazar de Abreu Cardoso teve o filho ilegítimo Antônio da Fonseca de Abreu (MACEDO SOARES, 1947, vol. II, p. 8 e 9).Muito curiosamente, o “Pereira”, que vinha de dom Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Crato, e de um de seus filhos, Rodrigo Álvares Pereira, 1º Senhor de Águas Belas, em Ferreira do Zêzere, no Reino, some de uso em três gerações patrilineares daqueles que então adotaram o apelido “Abreu Sodré”; foi, no entanto, mantido por outros ramos com tronco em Francisco Sodré Pereira, no Rio de Janeiro. Na Bahia, há a descendência de um sobrinho de Francisco Sodré Pereira, de nome Jerônimo Sodré Pereira, que se casou com Maria de Azevedo. Um sobrinho-neto, Duarte Sodré Pereira, 13º Senhor de Águas Belas, foi governador de Pernambuco, entre 1727 a 1737, mas não deixou geração por lá; foi rigorosamente um reinol (ver SILVA, 1992).Naquele tempo, antes e em seguida, até o início do século 20, seja em Portugal ou no Brasil, os apelidos eram escolhidos livremente pelas pessoas na idade adulta, dando-se preferência por aquelas sobrenomeações que sinalizassem mais prestígio no repertório dos antepassados ou mesmo fora (CARVALHO, 2017, p. 207-226).

Embate entre bandos no Rio de Janeiro Em COARACY (1944, p. 170-171), no ano de 1666, Francisco da Fonseca Diniz, como vereador na cidade do Rio de Janeiro, em conjunto com Matias de Mendonça, Francisco Mendes e Lopes do Lago, todos do Senado da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, peticionaram ao rei a dizer de seu degrado com a continuidade da prisão, em Lisboa, dos revoltosos do levante de 1660, contra o governador Salvador Correia de Sá e Benevides. Em 1660, tinha havido uma revolta que depusera Salvador Correia de Sá e Benevides. Os rebeldes[p. 29]

endendo-se ao presbiterianismo em inícios do século XX (muita diferença, não?!).Com o tempo, descobriu, também, que, somente uma pequena parte da família era de imigração portuguesa recente. Em sua maioria, a família era paulista, das mais antigas. Suas origens mais remotas, encontram-se na capitania de São Vicente (onde a população mais primitiva, consistia de indígenas e poucos colonos portugueses), com diversas ligações genealógicas e histórica narradas na Genealogia Paulistana, do Dr. Silva Leme.São estas inúmeras ligações que trato neste artigo, inclusive, algumas delas, vem acompanhadas de fatos relevantes e que alteram diversos títulos da GP, como por exemplo, ao título Cubas, ao corrigir a descendência dos casais João Bicudo de Almeida e Maria Leite da Anunciação e de Antônio Pedroso de Abreu e Isabel Soares de Araújo, pais do casal tronco, peça fundamental desta narrativa, as quais, tenho imenso prazer de poder compartilhá-las.Por fim, este artigo não seria possível sem a colaboração dos amigos Marco Polo Teixeira Dutra Pheene da Silva, que deu o pontapé inicial às pesquisas desta família, ao localizar no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, o processo de dispensa matrimonial dos meus quintos avós Antônio Soares de Almeida e Ana Francisca de Camargo; Marta Miquelina Grohmann, com pesquisas nos processos de dispensas matrimoniais de Porto Feliz, arquivados na Cúria Diocesana de Sorocaba; ao primo Jonas Soares de Souza, à época, diretor do Museu Republicano Convenção de Itu, local onde encontram-se arquivados inúmeros inventários e testamentos de Porto Feliz, e, por fim, ao saudoso primo Renato Afonso Ribeiro (In Memoriam), advogado em Assis, que contribuiu com datas, locais, fotos de inúmeros familiares presentes neste trabalho. A todos eles, meu muito obrigado. São Bernardo do Campo, 06 de maio de 2018.O AutorACMSP, Dispensas Matrimoniais, vol. 1.443, Ano 1781, fls. 11-31-v.ºProcesso n.º 5-69-1443Oradores: José Soares de Abreu e Anna Maria de Almeidafls. 25“Querem casar José Soares de Abreu fº legitimo de Antonio Pedroso de Abreu, e de Isabel Soares de Araújo com Anna Maria de Almeida, fª legitima de João Bicudo de Almeida e de Maria Leite de Anunciação: Todos naturais e moradores desta Fregª de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba os quais serão dispensados do parentesco consanguíneo com linhas transversais duplicados, em 3.o grau mixto ao 2.o, e com 4.o grau mixto ao 3.o, e receberão nesta Fregªcumprindo as penitências”. [p. 178]

2º Parentesco – 4º grau misto ao 3º
1- José Soares de Abreu, orador, fº de2- Antônio Pedroso de Abreu (C.c. Isabel Soares de Araújo), fº de3- Antônio de Proença de Abreu (C.c. Francisca de Almeida), fº de PAULO DE PROENÇA DE ABREU E MARIA BICUDO DE BRITO, PAIS DE

4- João Bicudo de Proença (C.c. Sebastiana de Almeida), pai de3- Sebastião Bicudo de Almeida (C.c. Isabel Pedroso do Prado), pai de2- João Bicudo de Proença (C.c. Maria Leite da Anunciação), pai de1- Ana Maria de Almeida, oradora.3º Parentesco – 4º grau misto ao 3º1- José Soares de Abreu, orador, f.º de2- Antônio Pedroso de Abreu (C.c. Isabel Soares de Araújo), f.º de3- Francisca de Almeida (C.c. Antônio de Proença de Abreu), f.ª de CAP. MOR TOMÉ LARA DE ALMEIDA E MARIA ALMEIDA PIMENTEL, PAIS DE

4- Sebastiana de Almeida (C.c. João Bicudo de Proença), mãe de3- Sebastião Bicudo de Almeida (C.c. Isabel Pedroso do Prado), pai de2- João Bicudo de Proença (C.c. Maria Leite da Anunciação), pai de1- Ana Maria de Almeida, oradora.

No mesmo ano, devidamente dispensados, José Soares de Abreu e s/m. Ana Maria de Almeida Leite, casam-se em 24-DEZ-1781 na Matriz de Sorocaba, e, foi, justamente o registro deste casamento, que “ceifou” de SL este galho paulista. E como este fato se deu? Caros, leiam a transcrição do respectivo [p. 180]

Lº 3-B de Casamentos de Sorocaba, anos de 1773 e 1783, fl. 134-v.º

“Dos Soares com Anna MªAos vinte e quatro dias do mes de Dezembro de mil setecentos e oitenta e hu annos nesta Matriz pelas quatro oras da tarde depois de feitas as denunciaçoens canonicas na forma do sagrado Concilio de Trento, e sem descubrir impedimento e dispensados por sua Excellencia Reverendissima no parentesco de consanguinidade por linhas transversais com Provisão do Reverendo Dr. Vigario Geral Gaspar de Souza Leal em presença das testemunhas Francisco de Camargo Pontes, Yeronimo Pais de Almeida,e em presença [...] Vigario Secasarão em face da Igreja e por palavras de presente Domingos Soares de Abreu, natural desta fregª fº legitimo de Antonio Pedroso de Abreu e Isabel Soares de Araujo, naturais desta Villa com Anna Maria de Almeyda, fª legitima de João Bicudo de Almeyda e sua mulher Maria Leite,naturais desta Villa, o contrahente neto por parte paterna de Antonio de Proença natural da Parnaiba e Francisca de Almeyda, natural da Penha,e por parte materna de Domingos Soares Pais ,natural de Coritiba e Maria Leite da Silva, natural desta Parochia de Sorocaba. A contrahente neta por parte paterna de Sebastião Bicudo de Almeyda e Isabel Pedroza ambos naturais desta Villa e por parte materna de Luiz castanho de Morais natural da Parnaiba e Francisca Soares de Araujo, natural desta Villa de que fis este assento que assigno com as testemunhas. [...]. Receberão as bençãos nupciais na forma dos Atos da igreja em nove de janeiro de mil setecentos e oitenta e dous."

Como todos puderam perceber, neste registro, José Soares de Abreu é chamado pelo nome de Domingos Soares de Abreu. Este detalhe, dá margem a inúmeras especulações, que vão desde um erro, por parte do padre que lançou o assento matrimonial; ou, o noivo resolveu mudar o seu nome no ato do casamento; ou, quem sabe, José desistiu do casamento ou morreu (da dispensa ao casamento, foram nove dias!) e um irmão, por nome Domingos, assumiu o compromisso.O fato, é, quando Silva Leme abordou a descendência de Antônio Pedroso de Abreu, ao escrever o ttº Cubas, deve ter anotado os casamentos dos filhos que conseguiu encontrar, e juntou-os com o rol dos herdeiros que ele conseguiu extrair do invº de Antônio. Desta forma, acabou dando mais importância para alguns filhos, enquanto aos outros, citou apenas seus prenomes, como podemos [p. 181]

Fogo nº 133: Antonio Pedrozo de Abreu, idade 72 anos; Izavel Soares, idade 57anos. Filhos: Domingos Soares em Cuiabá, idade 30 anos; Antonio Leite, soldado de cavalo, idade 28 anos; Joze Soares, soldado de pé, idade 24 anos; Joaquim, idade 12 anos; Anna Leite, idade 23 anos; Maria Leite, idade 20anos; Francisca Leite, idade 18 anos; Rita Leite, idade 16 anos. Agregada: Ignacia, idade 40 anos.Fogo nº 136: João Bicudo de Almeida, idade 43 anos; Maria Leite, idade 33anos. Filhos: Maria de Almeyda, idade 16 anos; Anna Maria, idade 14 anos; Francisca Maria, idade 12 anos; Gertrudes Maria, idade 06 anos; Joze, idade 04 anos; Theresa, idade 02 anos.Ano 1780 – Bairro do Rio AbaixoFogo nº 196: João Bicudo, idade 56 anos; Maria Leite, idade 42 anos. Filhos: Anna, idade 25 anos; Francisca, idade 24 anos; Gertrude, idade 14 anos; Joze, idade 12 anos; Theresa, idade 11 anos; Bernardina, idade 07 anos; Mariana, idade 04 anos; Maria, idade 01ano.Fogo nº 211: Antonio Pedrozo, idade 82 anos; Izavel Soares, idade 67 anos. Filhos: Joze Soares, soldado de pé, idade 30 anos; Joaquim, idade 20 anos; Anna, idade 32 anos; Maria, idade 25 anos; Rita, idade 21 anos; Francisca Maria, casada, idade 22 anos. Filhos de Francisca: Ana, idade 03 anos; Maria, idade 02 anos; José, idade 01ano.1781 – Bairro do Rio AbaixoFogo nº 218: Antonio Pedrozo, idade 82; Izabel Soares, idade 70 anos. Filhos: Joaquim, idade 23 anos; Anna, idade 33 anos; Maria, idade 22 anos; Rita, idade 20 anos.Fogo nº 245: João Bicudo, idade 55 anos; Maria Leite, idade 45 anos. Filhos: Joze, idade 14 anos; João, idade 01ano; Francisca, idade 24 anos; [ilegível]Ano 1783 – Bairro BacaetavaFogo nº 224: João Bicudo de Almeida, idade 55 anos; Maria Leite, mulher, idade 45 anos. Filhos: Jozé, idade 16 anos; Francisca, idade 22 anos; Custódia, idade 12 anos; Gertrude, idade 14 anos; Joze, idade 12 anos; Theresa, idade 17 anos; Bernardinha, idade 10 anos; Mariana, idade 07 anos; Maria, idade 03 anos; João, idade 02 anos.Bairro Rio AbaixoFogo nº 242: Antonio Pedrozo, idade 84 anos; Izavel Soares, mulher, idade 72anos. Filhos: Anna, idade 38 anos; Joaquim, idade 22 anos; Maria, idade 30anos; Rita, idade 25 anos.Fogo nº 390: José Soares, idade 33 anos; Anna de Proença, mulher, idade 22anos. Escravos: Marcos, idade 20 anos; Antônio, idade 02.1785 - Bairro Rio AbaixoFogo nº 226: Antonio Pedrozo de Abreu, casado, idade 87 anos; Izavel Soares, mulher, idade 68 anos. Filhos: Joaquim, idade 25 anos; Anna, idade 30 anos; Maria, idade 35 anos; Rita, idade 30 anos. Escravos: 12 escravos.Fogo nº 227: José Soares, casado, idade 35 anos; Anna de Almeida, mulher, idade 27 anos. Filhos: Maria, idade //03 anos; Anna, idade //05 meses. Escravos: Marcos, idade 20 anos; Antônio, idade //04 anos.Fogo nº 228: Francisco Feliciano, casado, idade 34 anos; Francisca Maria,mulher, idade 31 anos. Filhos: Jozé, idade 06 anos; Antônio, idade 04 anos; Francisco, idade 03 meses; Anna, idade //09 anos; Maria, idade //07 anos; Isabel, idade //03 anos.Legenda: //- Menos deComentários: Aos analisarmos os censos populacionais acima, notamos que, Domingos Soares (maço de 1772), com 30 anos de idade, fº mais velho de Antônio Pedroso, à época, já vivia em Cuiabá, MT. José Soares, com então, 24 anos de idade, figura como “soldado de pé”. No maço de 1780, Domingos Soares e seu irmão Antônio Leite, não são listados em casa de seu pai, tão pouco, na vª de Sorocaba. José Soares, por sua vez, encabeça a lista dos filhos de Antônio Pedroso, com a idade de 30 anos de idade (e ainda solteiro). Sua futura [p. 184, 185]



Bacaetava / Cahativa
Brás Cubas
1507-1592
Isabel Sodré Pereira
Baía de Guanabara
José Soares de Abreu
1747-1821
João Gomes da Silva
1580-1640
Baltazar de Abreu
f.0
Baltazar de Abreu Cardoso
Catarina da Silva Sandoval
Diogo de Mariz Loureiro
Diogo Dias Rangel
Francisco da Fonseca Diniz
Francisco Sodré Pereira
Isabel Rangel de Macedo
ASBRAP
João de Abreu Pereira Sodré
João de Abreu Sodré Pereira
Maria de Mariz
Maria Leite da Annunciação
Matias de Mendonça
Paula Rangel de Macedo
Violante Bernardes
Isabel Rangel de Macedo


EMERSON


06/05/2018
ANO:225
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]