'10 - -10/06/2025 Wildcard SSL Certificates
2020
2021
2022
2023
2025
100
150
200
203
Registros (853)Cidades (0)Pessoas (0)Temas (0)
José Bonifácio de Andrada e Silva, o santista patriarca da independência

    10 de junho de 2025, terça-feira
    Atualizado em 10/06/2025 05:29:08
  
  


https://revistanove.com.br Naturalista, estadista e poeta luso-brasileiro, teve papel decisivo na independência do BrasilJosé Bonifácio de Andrada e Silva é nome conhecido entre os santistas, mas sua grandeza é nacional, já que teve papel fundamental na independência do Brasil e, por isso, é conhecido como o "Patriarca da Independência"José Bonifácio nasceu em Santos, em 13 de junho de 1763, então Capitania de São Paulo; morreu em Niterói, em 6 de abril de 1838, mas é em solo santista que seus restos mortais estão, no Pantheon dos Andradas, juntamente com os de seus irmãos, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva e um terceiro, que era padre, Patrício Manuel.Bonifácio teve uma importante atuação como naturalista, notadamente na minerologia, tendo sido internacionalmente reconhecido ainda em vida, além de ter se destacado na política, como um notável estadista e – ainda – um grande poeta luso-brasileiro.Membro de família da aristocracia portuguesa, seu pai, Bonifácio José Ribeiro de Andrada era casado com uma prima, Maria Bárbara da Silva, e tinha a segunda maior fortuna da cidade, que conquistou como mercante e ocupou diversos cargos e ofícios da Coroa Portuguesa.Seu pai foi seu primeiro mestre, mas em Santos não era possível ir além do ensino primário, então, José Bonifácio mudou-se para São Paulo aos catorze anos de idade.José Bonifácio e a escravidãoApós uma excursão científica pela Europa, que durou 30 anos, Bonifácio retornou ao Brasil, em 1819, aos 56 anos, agora Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, já com a Família Real aqui, e se deu conta de que velhos problemas ainda existiam. E o pior deles, segundo sua visão, era a escravidão.O trabalhador brasileiro era quase exclusivamente o negro, e a economia se organizara em benefício de uma classe privilegiada. Bonifácio propôs, então, um extenso programa de trabalho, que incluía abolição do tráfico, extinção da escravidão, incorporação dos índios à sociedade, miscigenação orientada para suprimir choques de raças e de classes e constituir uma "nação homogênea", transformação do regime de propriedade agrária com a substituição do latifúndio pela subdivisão de terras, preservação e renovação das florestas, localização adequada das novas vilas, aproveitamento e distribuição das águas e exploração das minas.Como, desde 1808, D. João VI não nomeara ministro um brasileiro e, tendo José Bonifácio recusado os convites recebidos para atuar como ajudante dos indicados a ministros do rei, partiu para Santos onde seu irmão Martim Francisco era diretor de minas e matas da Capitania de São Paulo.José Bonifácio e a independência do BrasilO primeiro passo de Bonifácio no caminho do processo de independência do Brasil foi aceitar o convite para presidir a eleição dos membros da junta governativa provisória de São Paulo (as capitanias haviam sido transformadas em províncias, por decreto de D. João VI, governadas por juntas provisórias).Nas eleições, Bonifácio recebeu aclamação de seu nome como vice-presidente e, como um dos secretários foi indicado seu irmão Martim Francisco. Então, em 23 de junho de 1821, José Bonifácio iniciava seu papel político no Brasil.A Junta de São Paulo foi a primeira a reconhecer a autoridade do príncipe regente D. Pedro de Alcântara e, então, em carta de 17 de julho de 1821 ao pai, o príncipe menciona José Bonifácio como o homem “a quem se deve a tranquilidade atual da província de São Paulo”.

A carta a D. Pedro

Diante de um cenário tumultuado e com a possibilidade do retorno do príncipe a Portugal e de o Brasil voltar a ser colônia, José Bonifácio escreve uma carta ao príncipe D. Pedro, que era quase uma ameaça:

É impossível que os habitantes do Brasil que forem honrados e se prezarem de ser homens, e mormente os paulistas, possam jamais consentir em tais absurdos e despotismos. V. A. Real deve ficar no Brasil quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes não só para nosso bem geral mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo Portugal. Se V. A. Real estiver (o que não é crível) pelo deslumbrado e indecoroso decreto de 19 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno número de desorganizadores, terá também que responder, perante o céu, do rio de sangue que decerto vai correr pelo Brasil”.

A carta chegou às mãos do príncipe no Rio a 1º de janeiro de 1822 e foi divulgada na Gazeta do Rio, em 8 de janeiro. Em carta ao pai, de 2 de janeiro de 1822, D. Pedro escreveu: “Farei todas as diligências por bem para haver sossego, e para ver se posso cumprir os decretos 124 e 125, o que me parece impossível, porque a opinião é toda contra, em toda a parte”.

D. Pedro tinha clara consciência da sua responsabilidade junto aos patriotas brasileiros, e estava disposto a desempenhá-lo. No dia 9 de janeiro, então, acabou declarando: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico!”

No mesmo janeiro, o príncipe, de 23 anos nomeou José Bonifácio, aos 60 anos, seu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino – o primeiro brasileiro a ocupar um cargo semelhante.

Rumo à Independência

No final de julho de 1822, as insensatas Cortes de Lisboa enviavam numerosa tropa para dominar o país. José Bonifácio tomou medidas da maior gravidade, como declarar inimigas as tropas que Portugal mandasse para o Brasil, por meio do decreto de 1º de agosto, em que D. Pedro se dava como "regente do vasto Império do Brasil pelo consentimento e espontaneidade dos povos" e, com isso, declarava guerra a Portugal.

Então, juntamente com Gonçalves Ledo, Bonifácio redigiu o extenso documento de 6 de agosto de 1822, onde expunha o legítimo ressentimento por três séculos de dominação, e avisava ao mundo que os brasileiros não mais admitiriam a volta ao regime anterior.

Independência ou Morte

No final de agosto, três navios vindos de Lisboa aportaram no Rio, com notícias de que as Cortes tinham decidido reduzir o príncipe a simples delegado temporário, e apenas nas províncias onde exercia autoridade.

José Bonifácio era quem estava na mira das Cortes, considerado o maior responsável pelos acontecimentos. Ele, então, escreveu a D. Pedro:

O dado está lançado e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores. Venha V.A. quanto antes e decida-se, porque irresoluções e medidas d‘água morna, à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem e um momento perdido é uma desgraça”.

Com sua carta seguiram cartas de D. Leopoldina, esposa de D. Pedro, simpatizante das iniciativas de Bonifácio, incitando o marido ao gesto, além de uma carta de Antônio Carlos, e outra de Henry Chamberlain.

O emissário, Paulo Emílio Bregaro, encontrou D. Pedro, que voltava de Santos, leu as cartas, demonstrou sua grande indignação, e, ao encontrar a Guarda de Honra que o esperava nas margens do riacho Ipiranga, comunicou que as Cortes queriam "massacrar" o Brasil.

Eram quatro e meia da tarde de 7 de setembro de 1822, e o príncipe, num verdadeiro brado, exclamou: “É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal”.

José Bonifácio, confirmado ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros, foi tomando providências no novo governo. Por decreto de 18 de setembro, descreveu as armas e a bandeira brasileira como se mantiveram até 1889. Por outro decreto, também de 18 de setembro, criou o tope nacional brasileiro, verde e amarelo.

A história segue ainda conturbada, mas, eis aqui, o motivo pelo qual o santista José Bonifácio de Andrada e Silva é considerado, com a atuação dos irmãos Andradas, o Patrono da Independência, declarado assim, oficialmente, apenas em 11 de janeiro de 2018.

Pantheon dos AndradasO Pantheon dos Andradas é o jazigo, em Santos, onde estão as cinzas de José Bonifácio de Andrada e Silva e de seus irmãos Antonio Carlos, Martim Francisco e Patrício Manuel, inaugurado em 7 de setembro de 1923.

O templo cívico ocupa o espaço da antiga portaria do Convento do Carmo e conta com monumento projetado pelo escultor Rodolfo Bernardelli, feito na Itália.

A estátua jacente, em relevo, de José Bonifácio de Andrada e Silva encontra-se no centro do salão principal – sob ela, em duas caixas de aço, está grande parte de seus restos mortais. Durante 31 anos, o corpo ficou sepultado na nave do altar-mor da Igreja do Convento do Carmo, sem nenhuma identificação mais significativa, até que, em 1869 foi colocada uma laje de mármore enaltecendo o santista.Confeccionada em mármore branco, à esquerda do monumento do patriarca está a urna funerária de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, iluminada por pequeno lustre pendente de vidros coloridos. A urna funerária de Martim Francisco Ribeiro de Andrada encontra-se à direita do monumento ao patriarca e, sobre ela, lustre pendente de vidros coloridos preso a duas correntes formando um triângulo invertido, um dos símbolos da Maçonaria, à qual pertenciam os irmãos Andrada.O Pantheon dos Andradas fica na Praça Barão do Rio Branco, 16, no Centro de Santos.Ilustração: plenarinho.leg.br/ VoltarPróximo Compartilhe: Diego BrígidoDiego BrígidoJornalista e turismólogoEditor da Revista Nove e do Guia 9 de Bares carla mariani carnabanda



\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\30255icones.txt


EMERSON


10/06/2025
ANO:853
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]