novembro de 2011, terça-feira Atualizado em 30/10/2025 06:06:24
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desse tempo, tem lembrança da mãe dos meninos Oscar e Elias Machado de Almeida, que foram Engenheiros e figuras de projeção nos meios políticos e culturais do Estado de São Paulo. Foi colega, também, de dona Garibaldina Pinheiro Machado, que se formou Professora e casou-se com o Prof. Benedito Maria Tolosa, primeiro Inspetor Escolar na zona. Aos 7 anos de idade, Turíbio matriculou-se na escola primária de Manéquinho Mestre ( Manoel Theodoro de Aguiar ), onde, de 1885-1887, foi colega de meu saudoso pai Sebastião Pinto Conceição. Deixando a escola, foi aprender o ofício de Seleiro. Seu mestre foi Salvador Benedito da Silva, o conhecido Salvador Seleiro. Mais tarde se estabeleceu por conta própria, negociando e trabalhando no gênero por largos anos. Só parou em 1907, quando mudou-se para São Manuel e posteriormente para São Paulo. Aos 19 anos de idade, Turíbio Vaz de Almeida, casou-se com a finada Marcelina de Paula Campos, pupila de Miguel Cioffi. Desse consórcio teve os filhos: Gersei, Ana, Leôncio, Odilon, Joana, Maria, Josefina, Marta, Abnez, Barthimeu e Damáris. Esta última, faleceu em São Francisco na Califórnia ( Estados Unidos da América do Norte ), onde residia, no dia 29 de março de 1970. Seu corpo foi transportado para São Paulo, por via aérea, sendo dado à sepultura no dia 04 de abril próximo findo. Golpe terrível para o pai amantíssimo. Barthimeu Vaz de Almeida foi meu contemporâneo na Escola Normal de Botucatu. Formado Professor Normalista, não ingressou no magistério. Por concurso, foi para o funcionalismo público do Estado de São Paulo. Fez brilhante carreira e aposentou-se como alto funcionário da Secretaria da Fazenda. Reside em Jaboticabal onde é cidadão de escol. Ausente da cidade, Turíbio não se esqueceu da terra querida. Vinha visitá-la com frequência, até que se aposentou, em 1946, como funcionário da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Resolveu então mudar-se para Botucatu, o que fez em 1958. Reside na rua Dr. Cardoso de Almeida, número 1076, na casa que foi de Nhôzinho Góes. Já então, em segundas núpcias, estava casado com dona Esmeraldina Buarque de Almeida. Aos 93 anos de idade, Turíbio Vaz de Almeida é um moço. Jovem de corpo e espírito. Sua lucidez é impressionante. Sua memória é o arquivo onde vou buscar o material para as estórias de Botucatu ( não sou historiador ). Narrador fiel e imparcial das coisas de minha terra, tenho-o na conta de um dos grandes cidadãos botucatuenses. Pela sua conduta inatacável. Pela sua fé, como bom cristão. Pelo seu espírito de solidariedade. Pelo seu senso de equilíbrio. Pela maneira de se conduzir, no lar, na igreja e na sociedade. Pobre de pecúnia, mas rico de predicados morais, o meu amigo Turíbio, é um dos homens bons da minha terra. Na sua longa vida, nestes 93 anos de idade, viu, ouviu e sentiu muita coisa. Viu a cidadezinha sertaneja e mal afamada, crescer, civilizar-se, prosperar e transformar-se numa linda e educada cidade, justificando o lema:- “Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas” e da boa gente, também. [p. 10]
Conheceu Botucatu do fim do Império e dos primórdios da República. Conheceu os homens bons que fizeram a grandeza da centenária Ibiticatu. Viu, também, muita coisa feia e atos deploráveis, que ele critica e analisa com isenção de ânimo, com justiça e sabedoria. Correio de Botucatu - 21/05/1970 )2 - TURÍBIO VAZ DE ALMEIDA E A MARCHA DO TEMPO Há dias, escrevendo sobre o Sr. Turíbio Vaz de Almeida, ( hoje com 93 anos de idade ), dissemos que ele conheceu o velho Botucatu, no fim do Império e nos primórdios da República. Conheceu os homens bons que fizeram a grandeza da centenária Ibiticatu. Viu também muita coisa feia e atos deploráveis, que ele analisa com censo crítico elevado e justiça. Turíbio tem lembrança do Capitão Tito Correa de Mello, que era Deputado à Assembléia Provincial de São Paulo, isto no fim do regime imperial. Em 15 de Novembro de 1889, gritou vivas à República. Presenciou cenas interessantes, quando muito monarquista virou republicano, acuando o Delegado de Polícia Pedro Egidio do Amaral, que se manteve fiel às suas convicções políticas e não virou casaca. Turíbio conta, que na época trabalhava na “A GAZETA”, jornal local que teve pouca duração. O nosso informante frisa, com humorismo, que não era jornalista, mas sim jornaleiro, encarregado da limpeza das oficinas e entrega do furibundo hebdomadário, como se dizia então. Ele se lembra muito bem, do professor Azurára, na tarde de 15 de Novembro. O homem tinha ido à estação da Sorocabana, saber notícias dos fatos que ocorriam na Capital Federal. Soube da Proclamação da República, que telegramas difundiam pelo Brasil afora. O Prof. Azurára, de pé, em cima de uma carroça, de chapéu na mão, apoplético, dava vivas a República. E o povo, nas ruas, correspondia entusiasticamente. E, imediatamente, todas as autoridades constituídas foram demitidas. Formaram uma junta governativa, onde figuravam os cidadãos Raphael Augusto de Moura Campos, Amando de Barros, Bernardo Augusto Rodrigues da Silva, Dr. Costa Leite e outros homens de projeção.
Em 1901, dirigido pelo médico Dr. Miguel Zacharias de Alvarenga, surgiu o “Correio de Botucatu”, decano da imprensa botucatuense e da Zona Sorocabana. Outros órgãos da imprensa surgiram depois. Entre eles, “O Botucatuense”, dirigido por Avelino Carneiro. Nas trincas e futricas locais, o “Correio de Botucatu” defendia a facção AMANDISTA, o “O Botucatuense” era grupo CARDOSISTA. Ambos eram alas do Partido Republicano Paulista, o famoso PRP.
Naqueles velhos tempos, os monarquistas eram apelidados “Cascudos” e os republicanos eram os “Farrapos”. Mais tarde, os Cardosistas eram os “Carrapatos” e os Amandistas eram os “Gafanhotos”. [p. 11]
Dos filhos de dona Pureza, vivos e em atividades, tenho algo a dizer: Maria Elisa, com 92 anos de idade, é viúva do meu tio Capitão Alfredo Pinto Conceição, um dos primeiros farmacêuticos do velho Botucatu; Carlos, com 90 anos de idade, reside na Capital, São Paulo. Comerciante, residiu longos anos em Botucatu, onde exerceu marcantes atividades nos setores comercial e político. Foi Presidente da Associação Comercial. Vereador à Câmara Municipal, em 1911, foi reeleito em várias legislaturas. Em difícil período da vida nacional, foi Prefeito Municipal de 06/03/1934 a 25/08/1935, tendo dado cabal desempenho ao seu cargo. Flávio, foi meu companheiro de trabalho na Escola Normal de Botucatu, e, também, companheiro de lutas políticas. Ótimo funcionário. Cidadão de escol. Idealista, humanitário, era o braço direito das instituições de caridade de Botucatu. Era de se admirar o calor com que defendia suas convicções políticas, religiosas e sociais. Reside na Capital onde, também residem seus irmãos Augusto César , Antonio e José. Donas Risoleta e Pureza ( Zita ), residem em Botucatu, sendo que a dona Zita é professora aposentada e casada com o Prof. Mário de Almeida Góes. O caçula Álvaro, casado com Juraci Botelho, mora em Curitiba ( Paraná )( Correio de Botucatu – 11/06/ 1970)
6 - O DE SANCTIS QUE VIROU DOS SANTOS
No meu tempo de menino, fui vizinho de um italiano bem apessoado, já idoso. Dono de longas barbas. Homem delicado, de boas maneiras. Era estimado no Velho Botucatu. Tratava-se de Felipe dos Santos, dono de sítio e de uma fábrica de cerveja. Em verdade, seu nome era Felipe de Sanctis, que ele aportuguesara para Felipe dos Santos. Um irmão de Felipe, pai do professor Baptista e do farmacêutico Honório de Sanctis, conservou o nome na grafia italiana, original, de Sanctis. José Nicoletti, que conhece bem as coisas do passado, me contou que a fábrica de Felipe dos Santos ficava na rua do Riachuelo ( hoje Amando de Barros ), onde foi a sede da A.A.Botucatuense, em frente à Casa Carvalho. Abrasileirando-se de vez, o moço italiano casou-se com Donária, uma botucatuense ( irmã de Donâna Fonseca ), da família Thomaz da Silva. Isso, por volta de 1870. Do casamento de Felipe, resultou grande descendência. Ao que me lembro, foram seus filhos: Orlando, Humberto, Nenê, Alberto, Architiclinio, Rosa, Theresa e o Nhonhô. De alguns desses filhos, tenho algo a dizer:[p. 17]
HUMBERTO, tornou-se eclesiástico. Foi seminarista em São Paulo. Ordenou-se em Roma, sendo o primeiro padre botucatuense. Dele tenho lembrança, como Secretário do Bispado de Botucatu, ao tempo do 1º Bispo Dom Lúcio Antunes de Souza, isto em 1911-1912. O bispado de Botucatu era tão grande, que, do seu vasto território, foram desmembradas as dioceses de Lins, Sorocaba, Assis, Marília, Presidente Prudente, Bauru e Itapeva. Essa a razãoporque Botucatu é Arcebispado. ARCHITICLINIO fez carreira no ensino Normal do Estado. Foi professor e diretor de várias escolas normais oficiais. No período de 1931-1934, dirigiu a nossa Escola Normal. Transferido para a Capital, exerceu funções de destaque junto ao Governo do Estado. NENÊ DOS SANTOS mudou-se para o Rio Grande do Sul. Enquanto isso, o Albertinho, dando largas ao seu temperamento boêmio, meteu-se em atividades circenses. Era dono e artista de um circo de cavalinhos. Correu o Brasil todo. Seguiu o exemplo do José Floriano ( filho do famoso “Marechal de Ferro”, que foi Presidente do Brasil ), que era lutador profissional e dono de circo. O filho NHONHÔ, teve morte trágica. Foi esmagado por um trem da Sorocabana. Nunca se apurou se foi desastre ou suicídio. DONA ROSA, casou-se com Elóy Tobias de Aguiar, “Professor de Palácio”, como diziam. Por que não era formado. Habilitara-se para o exercício do magistério, em exames realizados na Secretaria de Educação. De ELÓY me recordo como adjunto do grupo escolar “Dom Lúcio”, na Vila dos Lavradores. THEREZINHA casou-se com o jornalista Avelino Carneiro, diretor do “O Botucatuense”. Em 1880, uma das irmãs de Felipe dos Santos, regressou para a Europa, para a terra natal. E levou em sua companhia, um afilhado,um menino esperto chamado Ozório Silva. Após 14 anos de permanência na Itália, Ozório regressou ao Brasil,como ótimo funileiro,ou folheiro. E como só falava o idioma de Dante, era conhecido como o “italiano preto”. Felipe faleceu em avançada idade. E ao que me consta, nenhum dos seus descendentes reside nesta cidade. Um episódio ocorrido com um empregado da cervejaria, pelo seu ineditismo, merece ser aqui narrado. O fato passou-se assim: “O rapaz, entregador de bebidas, bebia muito. Nada havia que curasse sua embriaguês habitual. Um curandeiro, recomendou então uma SIMPATIA. Recomendou que dessem ao pau d’água um estranho remédio, que era porrete para curar alcoolismo. Era o tal de “pão de defunto”. Quando um cidadão estivesse agonizando, na hora de desencarnar, deviam colocar na boca do mesmo, um pedaço de pão. E, exalado o último suspiro, esse pão, deveria ser dado ao viciado. A coisa estrambótica foi feita. O alcoólatra, sem o saber comeu aquele pão. E nada lhe aconteceu de bem e nem de mal. O homem continuou bebendo como antes. Um dia contaram- [p. 18]
morava nas proximidades da estação recém-inaugurada, ali onde está a Vila Jaú e o Albergue Noturno, onde havia várias olarias. O primeiro serviço de Paschoal foi trabalhar na limpeza do prédio do Grupo escolar “Dr. Cardoso de Almeida”, que ia ser inaugurado naquele 1895. Depois de trabalhar algum tempo na olaria de Dinucci & Antonelli, o corajoso imigrante passou a trabalhar no curtume de um tal Ramacciotti, que acabou sendo vendido à Virginio Lunardi & Irmão, onde se aposentou após 46 anos de trabalho. Viúvo de dona Carolina, falecida nesta cidade em 31 de julho de 1948, Paschoal Jaqueta faleceu no dia 12 de dezembro de 1952. Deixou os filhos e netos bem encaminhados na vida, como foi o caso de Milton Jaqueta, falecido há pouco e que era um próspero homem de empresa. Felicio Jaqueta, o filho mais velho, casado com Emilia Leão, aposentado, é pai da Professora Zilda Carolina, casada com Natalino Foglia, de que houve os filhos Marilene, Maria Maura e Márcia Cristina. João Jaqueta, futebolista da velha guarda, o homem que tinha um canhão nos pés, já é falecido. Casado com Maria Conceição Casal, deixou os filhos Joamar e José Carlos. Angelina Jaqueta faleceu nesta cidade em 5 de maio de 1919, e a irmã Jordina, é casada com Antonio Burzaca de quem houve a filha Marineuza. Laurindo Ezidoro Jaqueta, botucatuense, é um dos valores positivos de Botucatu. Foi comerciante. Presentemente é Oficial do Registro Civil da Vila dos Lavradores, exercendo cumulativamente o cargo de Oficial do Registro Civil de Pardinho. Esportista. Rotariano dos bons, líder do laicato católico. Político prestigioso. Foi Vereador por três legislaturas consecutivas. Por três vezes foi Presidente da Câmara Municipal local. Também foi Vice-Presidente, com exercício da Presidência no segundo semestre de 1968. Foi agraciado com a medalha e comenda Vital Brazil. Sempre residiu na Vila dos Lavradores, onde exerce todas suas atividades. Casado com uma filha do falecido Amadeo Santi ( político nos tempos do PRP, quando foi sub-Prefeito e autoridade policial ), o casal Laurindo e Anita Santi Jaqueta tem os seguintes filhos: Heddy Lauro, sub-Contador do Banco do Estado em Bauru, casado com Maria de Lourdes Gomes Jaqueta; José Maria, quintoanista de Engenharia e Maria Salete, acadêmica de Engenharia. Como Vereador foi secretário na gestão da Presidência do Dr. Sebastião de Almeida Pinto, e de quem diz ter sido aluno em matéria de legislação, conforme amistosamente me afirmou. E isto muito me honra.( Correio de Botucatu – 17/11/1971 )94 - DE BANDEIRANTES E TROPEIROS VENHO . . . Para completar as evocações sobre a família Souza Nogueira, falo hoje sobre o Prof. Dr. Alceu Maynard Araújo, bisneto de José de Souza Nogueira, o velho “seu” Zéca. O General João de Castro Araújo, foi casado com Inocência de Castro Araújo, em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. Tiveram vários filhos e um deles, Teotônio José de Araújo, o mais velho, dedicou-se ao tropeirismo. Vinha da Estância, lá dos pagos, para a feira dos muares em Sorocaba. Um dia, Teotônio fixou-se em Sorocaba, casando-se com Blandina Maria de Oliveira Araújo, filha do Major Manoel Claudiano Madureira de Oliveira, Barão de Mogi-Mirim. E o gaúcho foi eleito, pelo Partido Liberal, Vereador e Presidente da Câmara de Sorocaba, de 1869 a 1872.
Do tropeiro político, descendia Firmino José de Araújo, farmacêutico e “cirurgião de palácio”, que se casou com Maria Alcida Lobo, filha do maestro ituano Manuel Alvares Lobo. O casal foi morar em Piraju. Dentre os filhos desse casal, um, o Mário Washington, foi pai deAlceu Maynard Araújo. Mário, quando estudante da Escola Normal de Itapetininga, casou-se com sua colega Altina, filha de um tropeiro paranaense, Virgílio Maynard, descendente de ingleses, cujo tronco é Thomaz Maynard, natural de Plymouth, condado de Devon. Virgílio nasceu em Castro, no Paraná. A Professora Altina ( que tem seu nome num grupo escolar de Tatuí ), mãe de Alceu Maynard de Araújo, é botucatuense, sendo filha de Olímpia de Souza Nogueira, e neta de José de Souza Nogueira. Esses Nogueiras, originários de Thomé Rodrigues Nogueira do O’, nobre da casa de Aragão, bandeirante fundador de Baependy em Minas Gerais , ( quando integrante da setecentista Capitania de São Paulo ), vieram para Botucatu, por volta de 1850/60. É por isso que o escritor Alceu Maynard Araújo colocou em seu “ex-libris” “De bandeirantes e tropeiros venho. . .” Com tais ancestrais, teria que demonstrar entranhado amor à Terra e ao Povo Brasileiro. Em seus vinte e dois livros publicados, essa é a tônica dominante, o culto das coisas e da gente do Brasil. Alceu Maynard de Araújo , nasceu em Piracicaba, aos 21 de dezembro de 1913. Cursou o grupo escolar e a Escola Normal de Botucatu. Diplomou-se Professor de Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de São Paulo. Bacharelou-se em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde fez o pós-graduado em Antropologia. É Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela tradicional faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a escola do largo de São Francisco. Durante 14 anos foi Professor de Educação Física na A.C.M. e vários colégios da Capital. Fundador dos Clubes de Menores Operários do Departamento de Cultura, da Prefeitura de São Paulo, trabalhou nos Parques Infantis e dirigiu o Centro Educacional e Recreativo do Ibirapuera. De 1946 para cá, lecionou História Social e Economia do Brasil, Direito Romano, na Faculdade de Direito do Mackenzie e foi Diretor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Aposentado da Universidade de São Paulo, foi Diretor Geral do Departamento Estadual de Administração, o DEA. Atualmente leciona “Cultura Brasileira” nas Faculdades Metropolitanas Unidas e Antropologia Tropical na faculdade de Filosofia e Letras de São José dos Campos, cidade onde foi Diretor da Faculdade de Serviço Social, da Fundação Valparaibana de Ensino. É Professor na Faculdade de Educação “Campos Salles”, na Lapa, S.P. [p. 169, 170]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]