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Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011

    1 de julho de 2011, sexta-feira
    Atualizado em 24/10/2025 02:17:32
  
  


A discussão sobre João Ramalho no IHGSP: construção da memória e leitura documentalRAFAEL CESAR SCABIN*Na passagem do século XIX para o XX, as atividades do recém fundado (1894) Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) representavam a tentativa de construção de uma História do Brasil por um viés paulista, justificando com um passado glorioso e altivo a crescente influência da elite cafeeira no cenário nacional(FERRETTI; CAPELATO, 1999; BLAJ, 2000). No interior dessa produção intelectual, tornou-se emblemática a discussão sobre a figura de João Ramalho, considerado o patriarca dos paulistas1. A presente exposição tem por objetivo analisar os pressupostos metodológicos utilizados no interior desse debate, especialmente a maneira como se abordavam as fontes disponíveis. Dar-se-á maior destaque à utilização que esses autores fizeram das cartas jesuíticas, documentação que utilizamos em nossa pesquisa de mestrado (em andamento), da qual se desprende o tema aqui abordado. A produção do IHGSP estava ligada a um uso político da História de maneira intensa e atuante2. Dessa forma, uma análise da metodologia presente nesses trabalhos ajuda-nos a compreender melhor de que forma a fabricação de tradições e identidades influencia no conhecimento do passado.

A discussão sobre João Ramalho no IHGSP teve início com a formação de uma comissão que buscava responder a uma indagação levantada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), pelo consócio José Luis Alves na reunião de 3 de março de 1899 (FERRETTI; CAPELATO, 1999: 2-3; RIHGB, 1900: 285-6). Enquanto a proposta teve pouca repercussão no próprio IHGB, os paulistas acolheram o tema e deram início a um debate acalorado.

A indagação em questão referia-se à veracidade do testamento de João Ramalho, documento citado pelo monge beneditino Frei Gaspar da Madre de Deus no século XVIII e que não havia sido encontrado por nenhum outro historiador até então. Propôs José Luis Alves que se lançassem os historiadores à caça desse documento, do qual deveria haver “copia na Bibliotheca do mosteiro S. Bento de S. Paulo ou de Santos”, além de procurar averiguar o caso com a documentação do tempo. (RIHGB, 1900: 286)

A polêmica envolvendo o testamento de João Ramalho dizia respeito à controversa conclusão que dele tirava Frei Gaspar: o patriarca dos paulistas teria chegado ao Brasil por volta de 1490, antes da frota de Cabral, e antes mesmo de Cristóvão Colombo chegar à América. Tal conclusão estava presente no manuscrito “Notícia dos anos em que se descobriu o Brasil e das entradas das religiões e suas fundações”, terminado em 1784 e publicado postumamente pelo instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1840. Essa afirmação valeu ao monge pesadas críticas de Candido Mendes de Almeida que o acusava de criador de fábulas e falsificador de documentos (RIHGB, 1877: 277, ss.).

A discussão que se desenvolveu no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, a partir de 1902, não buscou reafirmar a primazia de João Ramalho sobre Cabral no descobrimento. De fato, nem os detratores do guarda-mor do campo, nem seus partidários, iriam questionar em momento algum que o primeiro a chegar ao Brasil havia sido Pedro Álvares Cabral. O debate concentrou-se em alguns aspectos da vida de João Ramalho, buscando apresentá-lo ora como um herói modelo da paulistanidade, ora com um violento e analfabeto apresador de índios. Uma vez que a documentação sobre o andreense era escassa, consistindo em pouquíssimas citações dos cronistas (as atas da Câmara de Santo André permaneciam não transcritas), era importante defender a credibilidade de Frei Gaspar, o primeiro a tratar sistematicamente do personagem e apresentá-lo de maneira positiva. Sendo assim, ainda que os defensores de Ramalho admitissem que o beneditino houvesse errado a data de chegada do futuro guarda-mor do campo, procuravam afastar a imagem de falseador da História que rondava Frei Gaspar, com vistas a não invalidar seu trabalho como um todo. [p.]

A corrente ramalhista iria insistir principalmente na parcialidade da documentação jesuítica. Uma vez que o alcaide-mor de Santo André e os inacianos de Piratininga viviam em conflito no planalto, toda informação negativa sobre Ramalho era considerada fruto do partidarismo, ainda que se tratasse de testemunho coevo. Com maior empenho, atacaram a crônica de Simão de Vasconcelos, tido também como parcial, com o agravante de não ser uma testemunha direta do que narrava3. Campos Andrade chega mesmo a classificar sua crônica de “fabulosa e suspeita” dando como justificativa não apenas a existência de passagens de caráter fabuloso – como gigantes e amazonas – mas até mesmo o uso de metáforas que entendia como típicas desse gênero literário, como: “são vistos darem-se as mãos dois rios em uma lagôa famosa...” e “as nações que habitavam a circunferência do rio... não podiam contal-as, não só pelosdedos das mãos e dos pés ... mas nem ainda com os seixos da praia” (RIHGSP, 1902:380).

A comissão eleita pelo instituto em 1902 compunha-se de Teodoro Sampaio, Orville Derby, Antonio de Toledo Piza, João Mendes Junior e Manuel Pereira Guimarães. Buscava, inicialmente, emitir um parecer sobre o analfabetismo de João Ramalho (TAUNAY, 1953: 95). A comissão chegou à conclusão de que o alcaide-mor era analfabeto e, provavelmente, judeu; conclusão que partiu de uma análise grafológicadas assinaturas de Ramalho presentes no que restavam das atas da Câmara de Santo André da Borda do Campo. Subscreveram ao parecer, que teve Teodoro Sampaio como relator, todos os membros da comissão, com exceção de Pereira Guimarães, que publicou parecer em separado nas páginas de O Estado de São Paulo de 20 de julho de 1902 (FERRETTI; CAPELATO, 1999: 11).

Em relação ao analfabetismo do “patriarca dos paulistas”, já apontadoanteriormente por Varnhagen (RIHGSP, 1904, p.448), a comissão justificava sua posição afirmando que ele não sabia escrever seu próprio nome, uma vez que a grafia diferia muito entre as assinaturas encontradas, o que sugeriria terem sido feitas por pessoas diferentes, que completavam o sinal por Ramalho grafado (o “c” invertido e, segundo alguns, em forma de ferradura). (FERRETTI; CAPELATO, 1999: 10; 3 Afirmam FERRETTI e CAPELATO (1999, p. 9) que “este autor, se [p. 3]

TAUNAY, 1953: 95). Argumentaram os Ramalhistas a favor da improbabilidade do analfabetismo, ou da sua pouca relevância (RIHGSP, 1904: 448).

O “c” invertido encontrado nas assinaturas de Ramalho levou a comissão do IHGSP a identificá-lo como judeu, visto que ao invés da cruz, presente nas demais assinaturas, encontraram o referido sinal, reconhecido como o kàf – letra simbólica do alfabeto hebraico. O sinal será também associado pelos defensores do andreense a um símbolo maçônico, elmo de cavaleiro (sinal de nobreza), rabisco arbitrário ou símbolo do cargo que ocupava (RIHGSP, 1902: 424). Eram sustentadas essas afirmações por conjecturas as mais diversas, que não contavam com outra base documental direta senãoa própria assinatura4. Argumentaram também os ramalhistas que caso se confirmasse o judaísmo do “patriarca”, isso em nada afetaria sua imagem positiva (RIHGSP, 1904:445-6); afirmação que, ao se fazer necessária, acaba por revelar o caráter negativo que a classificação de judeu poderia adquirir na construção de um herói da nacionalidade.

Não somente aos supostos analfabetismo, judaísmo e uma possível condição de degredado referiu-se o debate. O parecer da comissão, além das conclusões tiradas das assinaturas, reafirmou a avaliação que do andreense fez o jesuíta Simão de Vasconcelos, em sua “Crônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil” (1663), na qual descrevia João Ramalho como “homem por graves crimes infames, e actualmente escommungado” (VASCONCELOS, 1865: 47), frase que seria repetida em praticamente todos os textos do debate, e sempre refutada pelos ramalhistas. Outra passagem da crônica que seria retomada com freqüência é a que apresenta o alcaide-mor como “homem rico da terra, mas infame nos vicios, amancebado publico por quasi quarenta annos” (IBIDEM: 75).[p. 4]

Outro esforço empreendido pelos partidários de Ramalho foi o de afastar a narração presente nas cartas jesuíticas do século XVI daquela presente na crônica posterior de Vasconcelos. Afirma Gomes Ribeiro:

Como explicar-se ainda não constarem tão tremendas accusações a Ramalho, nominalmente, de nenhuma das cartas dos padres Nóbrega, Anchieta, Leonardo Nunes, Balthazar Fernandes, e outros, abrangendo o periodo de 1549 a 1568 (...).” (RIHGSP, 1904, p. 425)

Não faz Gomes Ribeiro, contudo, uma análise mais pormenorizada do conteúdo dessas cartas. Mais detido é o esforço de Francisco de Campos Andrade, que contrapõe à crônica do padre Simão uma carta de José de Anchieta de 1554, buscando mostrar que, apesar de narrarem os mesmos acontecimentos e, à primeira vista, concordarem, apresentavam diferenças sutis, que demonstrariam o quanto foi desfigurado o relato mais fiel de Anchieta (RIHGSP, 1902, p. 389-90). Em suas palavras:

(...) si, para o chronista, os mamelucos de Santo André, os filhos de Ramalho, são „peiores fructos de uma arvore ruim, uma caterva de filhos de má casta, mamelucos illegitimos e desalmados", para Anchieta, que os conhecia de visu, eram „CHRISTÃOS nascidos de pae portuguez e de mãe brasilica. Si, aquelle dá a entender vagamente, insinua aéreamente que o portuguez abusava da polygamia, e os filhos eram pagãos, este, mais digno de credito, mais authentico, diz que os filhos eram christãos, nascidos de uma só mãe” (IBIDEM, p. 390, grifos do autor)

Essa argumentação não resistiria a uma leitura sistemática das cartas de Anchieta, ou mesmo a uma análise mais detida dessa única carta, visto que mais adianteé afirmado o concubinato de Ramalho que o autor diz ser omitido pelo jesuíta (LEITE, 1954: 115). O consócio do IHGSP consultou o que na verdade tratava-se de um resumo de duas cartas de Anchieta7, que foram publicadas na íntegra somente na coletânea de Serafim Leite (1954, cartas 22 e 32).[p. 16]

O que vemos nas duas cartas (uma de setembro de 1554 e outra de março de 1555) é uma descrição de João Ramalho e seus filhos bastante. negativa, muito diferente de quanto apresenta Campos Andrade em sua contraposição. De fato, Anchieta os identifica como “cristãos nascidos de pai português [J. Ramalho] e mãe brasílica”, mas ainda no mesmo parágrafo os apresenta como “exemplo duma nefanda e abominável depravação” para os indígenas (IBIDEM, p. 114-5). É ainda nessa carta que se descreve a adoção dos “costumes dos gentios” por parte dos filhos do andreense:

(...) tendo um destes cristãos trazido um cativo, entregou a um irmão dele para o matar. E matou-o de facto com a maior crueldade, tingindo as próprias pernas de vermelho e tomando o nome de quem matara em sinal de honra, como é costume dos gentios (...) E são cristãos, nascidos de pai cristão, que sendo espinho não pode produzir uvas” (IBIDEM, p. 115).

Tampouco se considerou o uso da palavra cristão nessa documentação, que não significaria, como se vê no trecho citado, uma adjetivação da fé e de práticas religiosas e morais. A palavra cristão era indistintamente utilizada pelos missivistas como contraposição a gentio, referindo-se genericamente aos portugueses (ou outros europeus em alguns casos) sem qualquer valor descritivo que não o de indicar a origem; poderia, por outro lado, adjetivar a prática também dos gentios, quando se contrapunham os batizados e os não batizados. Para compreender essa polissemia, deveria o autor levar em conta o procedimento de leitura e escrita da época. O que percebemos nessa historiografia, entretanto, é uma metodologia de leitura das fontes que procurava enquadrar a escrita do século XVI no rigor conceitual da “cientificidade” metódica.O que nos interessa aqui não é desconstruir cada utilização das cartas que se fez no debate do IHGSP (poderíamos elencar diversos outros exemplos). Mais importante é considerar como a leitura que se fazia era aleatória, retirando fragmentariamente as informações desejadas e desconsiderando a totalidade da carta e sua relação contextual e intertextual, completando as lacunas temerariamente com especulações diversas. Veja-se, como um dos muitos exemplos, nesse mesmo texto de Francisco de Campos Andrade, a conjectura que faz o autor para refutar as afirmações de uma carta do padre Balthazar Fernandes, de 22 de abril de 1568: [p. 7]



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EMERSON


01/07/2011
ANO:156
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]