dos vigários, capellães e officiaes das igrejas dascapitanias, por acto dos governadores e dos provedores-móres.17 ,
Thomé de Sousa teve regimento em 17 de Dezembro de 1548, conhecido através de diversas publicações; sua carta-patente, de 9 de Janeiro do anno seguinte, apparece agora pela primeira vez; apparecem também as cartas de Perode Góes, capitão-mór do mar da costa, de Antonio Cardoso de Barros, provedor-mor da fazenda del-Rei, do Dr. Pero Borges, ouvidor gera.das terras do Brasil; assim como as provisõesde Gonçalo Ferreira, feito thesoureiro das reiidas daquella* mesmas terras; de Antonio de Argolo, provedor da cidade, dos escrivães muto ao governador e ao provedor-mór, do thesoureiro, da correição, do almoxarifado,-do porteiroda fazenda, contos e alfândega, dos feitores, ede outros funccionarios menores, inclusive domestre de obras da cidade do Salvador, que foiLuis Dias, e do pedreiro, que foi seu sobrinhoDiogo Peres; em summa, de todos aquelles officiaes que acompanharam o governador paraterem funcções ou empregos na colônia.
Vêm a seguir, ainda do tempo de Thomede Sousa, as provisões passadas pelo provedormór da fazenda, algumas pelo governador eoutras pelo rei, para as demais capitanias, asaber, de Olinda da Nova Lusitânia: de feitore almoxarife, para Bartholomeu Rodrigues; deescrivão da fortaleza, para Lopo Gonçalves; deescrivão junto ao provedor, para Balthazar Leitão; de cakleador dos assucares, para AntônioFernandes; de alcaide do mar, para MartimFernandes; de mantimento do vigário e quat [p. VI]
noel de Moura o fiz escrever. A qual Provisãoé assignada por Sua Alteza do signal, que costuma fazer nas taes "Provisões, e passada por suaChancellaria, onde pagou quarenta reis de ordenado a Vinte, e quatro de Janeiro do dito annode 49, e fica no Livro delia registado, e venceo dito Ordenado do primeiro de Abril do ditoanno de 49.1Traslado da Provisão de Diogo PeresPedreiro sobrinho de Luiz Dias Mestre dasObras desta cidade.Eu El-Rei. Faço saber a quantos este meuAlvará virem, que eu hei por bemí, e me praz,que Diogo Peres Pedreiro, que ora vae comLuiz Dias seu Tio, que envio por Mestre dasObras da Fortaleza, que mando fazer na Bahiade todolos Santos nas terras do Brasil, hajaem cada um anno emquanto lá andar trinta, eseis mil reis, os quaes lhe serão pagos no Thesoureiro das minhas rendas das ditas terra • Notifico-o assim, e mando a Thomé de SouzaCapitão da dita Bahia, e Governador delia, cdas outras Capitanias das ditas terras do Brasil,que |lhe faça ipagar o dito ordenado, e pelo traslndo deste, que será registado no livro da despezado dito Thesoureiro pelo Escrivão de seu Cargo, e Iconheeimento do dito Diogo Peres, Mandoaos Contadores, que levem em conta ao ditoThesoureiro o que assim pagar, e este quero,que valha), e tenha força e vigor, como se fosseCarta por mini) assignada, e passada peila Chan- [p. 22]
cellaria, sem embargo da Ordenação do 2.° Livro folhas 20, que o contrario dispõe, e sendocaso, que o dito Luiz Dias falleça nas terras eloBrasil. Hei por bem, que o dito Diogo Peresfique por Mestre das obras da dita Fortaleza,e sirva assim, e da maneira, em que o serve o^dito seu Tio. Adrião Lúcio o fez em Alincii-iilflra quatorze de Janeiro de mil quinhentos, equarenta e nove. Manoel de Moura o fez escrever. A qual Provisão é assignada por Sua Alteza do signal, que costuma fazer nas taes Provisões, e é passada pela Chancellaria a vinte equatro de Janeiro do dito anno, onde pagoude ordenado quarenta reis, e fica no Livro deliaregistado, e vence seu ordenado do 1.° de Abrildo dito anno de 49. E foi pago de 1.81 reis porProvisão a Í7 de Janeiro do dito anno aFernam d´Alves Thesoureiro-mor lhos fazer pagar adiantados, que lhe serão descontados do1.° vencimento. ,, .Traslado da Carta do Ouvidor Gerai´ .A -. t )D, João por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves daquem, e dalem-mar emÁfrica, Senhor de Guiné, e da Conquista, Navegação e |comm[p. 23]
vir a boa arrecadação, os quaes três reis porcento começará a vencer o dito Pero Garcia dadata da minha Carta, por que eu o provi dosditos cargos em diante por tempo de três annos,dentro dos quaes elle dito Pero Garcia requererá ao dito Senhor para que lhe mande passar sua Carta em fôrma dos ditos Offieios, epor este mando aos Provedores da Fazenda deSua Alteza, e .Officiaes delia, que mandem´ pagarao dito Feitor, e Almoxarife os ditos três reispor cento de todo o que a dita Capitania render,e elle fizer vir a boa arrecadação em os ditostrês annos como dito é e mando ao Escrivão dadita Feitoria,e Almoxarifado, que registe estano livro delia para serem levados era conta osditos três reis por cento ao dito Pero Garcia.Cumprido assim sem duvida, nem embargo, quea elle ponhaes. Paulo da Fonseca o fez na ditaCidade a 21 de Outubro de 1550.Provisões de Diogo de Valera de Escrivão da Reitoria, e Almoxarifado, e Atfandega, e Provedoria da Capitania dos Ilhéus;e assim de seu ordenado, que lhe foi posto.Thomé de Souza Capitão desta Cidade doSalvador da Bahia de Todos os Santos, e Governador Geral em todas as terras do Brasil porEl-Rei Nosso Senhor etc. Faço saber, que oudou ora por Escrivão dante o Provedor da Fazenda, e do Feitor, e Almoxarife, e da Alfandega da Capitania dos Ilhéus a Diogo de Valerapor sentir, que é apto, e pertencente para servir os taes offieios, os quaes serviu ate ora Francisco de Caldas por outro meu mandado eagora hei por serviço de Deus não servir maisos ditos cargos e por este mando a Affonso Alves Furtado, que ora é Provedor; e a Pero Garcia ´Feitor, e Almoxarife da dita Capitania, eAlfândega, que niettain de posse dos ditos officio: ao dito Diogo de Valera, e sirvam com1elle, e não oom o dito Francisco de Caldas, ehaverá todos os proes, e precalços o dito Diogode "Valera,que aos ditos cargos pertenceremde ordenado haverá o que o dito Senhor liouver por seu serviço, o que lhe será declarado,tanto que o Provedor-mor vier ter conitmigo,e antes que sirva lhe será dado juramento piorFelippe Guilherme Juiz Ordinário na dita Cidade, que bem, e fielmente sirva os ditos Officios, e se fará assento nas costas deste por umTabellião publico de como lhe assim1 foi dadoo dito juramento, e guardará em todo o regimento do dito Senhor: uns, e outros cuiripri-oassim sem duvida, nem embargo, que a elloponham. Paulo da Fonseca o fez na dita Cidade a 28 de Abril de 1550Thomé de Souza Capitão da Cidade do Salvador Bahia de Todos os Santos, e GovernadorGeral em todas as partes do Brasil por El-BeiNosso Senhor etc. Faço saber aos que este m´euAlvará virem1, que eu provi em nome do dito Senhor a Diogo de Valera de Escrivão dante oProvedor, e do Feitor, e Almoxarife da Villade São Jorge dos Ilhéus Capitania de Jorge deFigueiredo Gorrêa, e da Alfândega delia; e ten- [p. 89, 90]
o que render na dita Capitania, e vier a boa ar,recadação para o dito Senhor, e todos os proes,e precàlços, que direitamente aos ditos officiospertencerem; e antes que o dito Antônio deMagalhães comece a servir os ditos officios lheserá dado juramento na Chancellaria desta Alçada,^ e Correição, que bem, e verdadeiramentesirva, guardando em todo o serviço de Deuse de Sua Alteza e se fará assento nas costasdesta de como lhe assim foi dado e mando aoProvedor, Feitor, e Almoxarife, e Officiaes daFazenda do dito Senhor da dita Capitania, quemettafti de posse dos ditos Officios os ditosAntônio de Magalhães´, e lhos leixem servir como dito ordenado, proes, e precàlços a elle or-tdenados, como dito é sem duvida alguma, quelhe a elle seja posta; e esta se registará nois Li-,vros dos Registos da dita Feitoria; e pelo ditoRegisto somente comi conhecimento do dito Antonio de Magalhães será levado em conta aodito Feitor todo o que montar nos ditos doispor cento, que lhe couberem haver, e lhe forem pagos do dito rendimento. Cumpri-io assim.Francisco Mendes da Costa a fez nesta Cidadedo Salvador a 14 de Setembro de 1552.
Traslado da Carta de Felifpe GuilhermeProvedor da Fazenda da Capitania do Espirito Santo digo de Porto Seguro.
Thomé de Souza do Conselho d´El-Rei Nosso´Senhor Capitão desta Cidade do SalvadorBahia de Todos os Santos e Governador Geral nestas partes do Brasil etc. Faço saber a quan-itos esta minha Carta virem´, que confiando eude Felippe Guilhem Cavalleiro da Ordem´ deChristo, que nos cargos de que o encarregaresservirá bem, e fielmente, como cumpre a serviço de Deus e de Sua Alteza o dou ora porProvedor da Fazenda do dito Senhor da Capitania de Porto Seguro por ser apto, e pertenceute para os servir;, e isto por tempo de três annosque começarão do dia, que tomar posse dosditos officios em diante, dentro no qual tempoio dito Felippe Guilhem haverá confirmação deSua Alteza dos ditos Cargos, o qual mandarárequerer com o traslado desta Provisão digodesta minha Provisão conforme ao meu Regimento e com os quaes officios não haverá or^denado algum, por Sua Alteza lhe ter já feitomercê de cincoenta mil reis de tença em cadaum anno em1 sua vida; e antes que o dito Fe-´lippe Guilhem! comece a servir os ditos offLcios, lhe será dado juramento na Chancellariadesta alçada_, e Correição, que bem, é verdadeiramente sirva, guardando em tudo o serviço deDeus, e ae Sua Alteza, e se fará assento nascostas desla, de como lhe assim1 foi dado; emando ao Feitor, e Almoxarife, e Officiaes daFazenda do dito Senhor da dita Capitania, quemetiam de posse dos ditos officios ao dito Felippe Guilhem, e lhos deixem servir sem du,vida, nem embargo algum, que lhe a ello sejaposto, e esta se registará nos Livros do Registro da dita Feitoria. Cumrpri-o assim´. &**&&*Mendes da Costa a fez na dita Cidade a 14 deSetembro de 1551. E por esta mando a PeroFernandes Feitos e Almoxarife da dita Capitania de Porto Seguro, e que até ora serviu odito Cargo de Provedor, que vista esta lho largne, e leixe servir, como se nesta contém, clhe´ entregue todos os Regimentos, e papeis tocantes ao dito Cargo de Provedor.Traslado da Carla de Vasco de AndradeEscrivão da Provedoria, Feitoria, Almoxarifado, e Alfândega da Capitania de PortoSeguro.Thomé de Souza do Conselho de El-ReiNosso Senhor, Capitão desta Cidade do Salvador Bahia de Todos os Santos, e GovernadorGeral desta parte do Brasil pelo dito Senhoretc. Faço saber aos que esta minha carta virem,que confiando eu de Vasco de Andrade, quenos cargos de que o encarregar os servirá bem,e fielmente como cumpre o serviço de Deus, ede Sua Alteza, o dou ora por Escrivão da Pro-ivedoria, Feitoria, e Almoxarifado, e Alfândegada Capitania de Porto Seguro, por ser apto, epertencente para os servir, e isto por tempode três annos, que começarão do dia, em quetomar posse dos ditos Officios em diante, dentro no qual tempo o dito Vasco de Andrade haverá confirmação de Sua Alteza dos ditos Cargos, o qual mandará requerer com o traslado,desta minha Provisão, conforme a meu Regimento, com os quaes officios haverá dois porcento de ordenado em cada um anno de todoo que render na dita Capitania, e vier a boaarrecadação: para o dito Senhor, e todos os [p. 98, 99, 100]
tencerem, sem nisso lhe ser posto duvida, nemembargo algum; porque assim1 é Minha Mercê;e elle jurará na Chancellaria, que bem, e verdadeiramente sirva, e por firmeza do que ditoé, lhe mandei passar esta Carta por mim; assignada, e sellada do meu Sello pendente. Fernão Salema a fez em Lisboa a dois dias deAbril Anno do Nascimento de Nosso, SenhorJesus Christo de 1555. André Soares a fez escrever, e é passada pela Chancellaria, e registada no Livro de Gabriel de Moura, e eu GasparLamego Escrivão da Fazenda a trasladei aquiaos 21 de Março de 1551.
Traslado da Provisão, que o Governador passou a João de Castro de Feitor, Almoxarife da Capitania de Porto Seguro.
D. Duarte da Costa do Conselho de El-ReiNosso Senhor Capitão desta Cidade do Salvadorda Bahia de todos os Santos, Governador Geralde todalas Capitanias, e terras destas Partes doBrasil pelo dito Senhor etc. Faço saber a vósFelippe Guilhem Cavalleiro da Ordem de NossoSenhor Jesus Christo Provedor da Fazenda deSua Alteza na Capitania de Porto Seguro, queJoão de Castro Escudeiro da Casa elo InfanteD. Luiz, que Santa Gloria haja me apresentouProvisão do dito Senhor de Almoxarife da Alfandega dessa Capitania, de que lhe fez Mercêpor tempo de seis annos do dito Cargo de quelhe mando dar posse: E porque os Cargos deFeitor, e Almoxarife dessa dita Capitania não são providos por Sua Alteza, e Pedro de Pina,que os serve fará em Maio deste presente annode 1556 quatro annos que serve: Hei por serviço do dito Senhor, que elle venha dar Contado que arrecadou^ e recebeu do Rendimento dosDizimos, e Direitos da dita Alfândega, que SuaAUeza tem cada anno nessa dita Capitania dotempo, que serviu;, e que o dito João de Caslrosirva os ditos Cargos de Feitor, e Almoxarifedessa Capitania o tempo conteúdo no Regimentopor ser apto, e ser certificado, que os servirábem. com os quaes haverá cada anno outro tantoordenado, como têm, e houveram, os que atéora serviram, e os proes, e precalços, que lhedireitamente pertencem, conforme ao dito Regimento e elle jurou nos Santos Evangelhos perante mim conforme ao Capitulo do Meu Regimento, que bem, e verdadeiramente sirva osditos Cargos, guardando o serviço de Deus, ed"El-Rei Nosso Senhor, e ás partes seu Direito;e pelo traslado desta, que será registada no Livro de sua Receita, e Despesa pelo Escrivãoda dita Feitoria, e Almoxarifado, e seu Conhecimento feito pelo dito Escrivão assignado porambos, em que declare tomar em si o que lhemontar haver cada anno com os ditos Cargoso tempo, que servir: Mando aos Contadores elodito Senhor, que lho levem em conta, e mande.vols que tanto que vos esta Carta for apresentadameltaes em posse dos ditos Cargos de Feitor, eAlmoxarife dessa dita Capitania ao dito João deCastro, sem duvida, nem embargo, que a elleponhaes; porque assim o hei por serviço deSua Alteza, que elle os sirva, como dito é: e istoemquantei o dito Senhor não mandar o contrario e o dito João de Castro antes que o mettaes deposse dos ditos Cargos dará fiança conformeao Regimento da Fazenda de Sua Alteza. Emando a todolos outros Officiaes da Fazendado dito Senhor e ao Capitão, Ouvidor, Juizes,e Justiças da dita Capitania, e a vós dito Pronvedor, que oonheçaes ao dito João de Castropor Feitor, e Almoxarife da dita Capitania, eAlfândega delia, conforme as Ordenações, e Regimento da Fazenda do dito Senhor. Dada nestaCidade sub meu signal, e sinete de Minhas Armas a 24 de Março de 1556 annos. Gaspar Lantego a fez digo Lamego Escrivão da Fazendaa fez. E os ditos Cargos servirá, emquanto SuaAlteza não prover, ou eu não mandar o contrairio. Dom Duarte da Costa. E eu Gaspar LamegoEscrivão da Fazenda a trasladei aos 25 do ditomez, e anno.Traslado da Provisão que o Senhor Golvernador D. Duarte da Costa .passou a Luizda Maia de Escrivão do Thesouro.D. Duarte da Costa do Conselho d´El-ReiNosso Senhor Governador Geral em todas asCapitanias, e terras da Costa do Brasil, Capitãodesta Capitania da Bahia de todolos Santos etc.Faço saber ao Provedor-mor da Fazenda do ditoSenhor nas ditas Partes, e bem assim a todos osoutras Officiaes, que ps dias passados Rodrigode Freitas Escrivão do Thesouro foi preso porvosso mandada: e (porque agora o dito Rodrigode Freitas* é sentenciado; e o seu feito está aph[p. 339, 341]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]