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Casarão dos Vergueiros - sorocabaatravesdah.wixsite.com

    8 de julho de 2024, segunda-feira
    Atualizado em 09/12/2025 21:08:54




Hoje vamos conhecer um pouco sobre a história do lugar onde já foi a Fazenda São Bento, Chácara da Saúde, Casarão dos Vergueiros e atual Faculdade de Direito de Sorocaba...

O primeiro proprietário da Fazenda São Bento, se chamava Dr. José Maria de Souza, e ele foi o primeiro advogado formado de Sorocaba. Iniciou a construção de um casarão em suas terras em meados de 1840, mas faleceu antes de vê-lo finalizado, ficando inacabado por um tempo.

O filho dele, tenente Fernando Lopes de Souza Freire, casado com Francisca Leopoldina de Souza Freire, moravam na rua Dr. Braguinha, onde ele tinha o hábito de sentar-se na porta da frente de sua casa. Foi lá que um escravo o matou, fugindo em seguida. Sua mulher Francisca, depois de um tempo, foi morar em São Paulo, aonde veio a falecer aos 96 anos, no dia 26 de fevereiro de 1939.

O casal teve uma filha chamada Messias Freire, nascida em 25 de agosto de 1861. Ela se casou em 24 de março de 1881 na Capela Episcopal de São Paulo com o Dr. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, médico formado na Alemanha e nascido em Faxina, atual Itapeva, em 24 de março de 1851. Tiveram 10 filhos: Luiz Pereira de Campos Vergueiro, Afonso Vergueiro, Lucia, Alice, Olga, Nicolau, Inez, Horácio, Roberto e Geraldo.

Com a morte do pai, a fazenda foi herdada por Messias, ficando a cargo de seu marido Nicolau, a tarefa de terminar a construção do casarão. A partir daí a propriedade passou a se chamar Chácara da Saúde.

A Chácara da Saúde era um hospital para pessoas que estivessem em recuperação de alguma doença, para que pudessem usufruir dos famosos ares mais saudáveis, sem poluição, que Sorocaba ostentava ter.

O ministro e conselheiro do Segundo Reinado, Antônio Prado fez sua estadia por lá em 29 de maio de 1888, devido a um tratamento médico.

O casarão foi primeiro imóvel sorocabano, aonde existia um serviço completo de água encanada e esgoto, duas décadas antes que Sorocaba a possuísse. Tinha um sistema particular de fornecimento de água, captada do córrego da Água Vermelha e um sistema de esgoto despejado no próprio córrego, num local mais abaixo da captação, transportando-o até o Rio Sorocaba.

Segundo o cronista e poeta Ezequiel Freire em 1882, descreve dessa forma o casarão de Nicolau Vergueiro: “A Chácara da Saúde, fundada pelo Dr. Nicolau Vergueiro, exclusivamente destinada à convalescença e restauração dos doentes, não recebe pessoas afetadas de moléstias contagiosas. Está situada num planalto, dominando extensas terras, sendo que os arredores do prédio são de terrenos areentos, muito enxutos, plantados de vinhedos e cereais. O edifício é vasto, alto, ventilado, inundado de luz, mantido com muita ordem e meticuloso asseio. Entretanto a modéstia do proprietário, que não anuncia o seu estabelecimento em retumbantes reclames, faz com que não seja a "Chácara da Saúde" tão frequentada quanto era de esperar, atenta a excelência dos ares da localidade, e a confortável hospedagem que oferece”.

Com a saída do caseiro que era alemão e não encontrando ninguém com as mesmas qualidades, Nicolau decidiu fechar a Casa da Saúde. Como o Ezequiel mencionou acima, já existia um vinhedo na propriedade, assim ele começou a investir na plantação de uvas especiais, fabricando os vinhos de nomes “Sangue Paulista” e “Caboclo” que distribuiu em Sorocaba e nos bares e restaurantes famosos de São Paulo, com uma boa aceitação, mas com o tempo os resultados obtidos não se mantiveram, assim também encerrou as atividades desse negócio.

Na década de 40, o casarão teve como dono o capitão Carlos Franco Pinto, que era o secretário geral do PTB do estado de São Paulo, presidente do partido em Sorocaba. Foi o local onde o capitão Franco Pinto recebeu Getúlio Vargas para um almoço, depois do discurso feito pelo senador e ex-presidente do Brasil na Praça Cel. Fernando Prestes no dia 6 de novembro de 1947. Lembrando que nesse dia aconteceu possivelmente o atentado que publicamos anteriormente.

Na década de 50 foi sede no 14º Circunscrição de Recrutamento, que anteriormente estava localizada na Rua da Penha e posteriormente se mudou para a Rua Álvaro Soares até que em 1966 mudou de nome e local, passou a se chamar 14ª Circunscrição de Serviço Militar e com o endereço na Santa Rosália, próximo ao SENAI.

Por um período após a saída do 14ª C.R., o casarão foi utilizado como uma éspecie de cortiço, de acordo a denúncia do Jornal Cruzeiro do Sul de 1959.

Com a criação da Faculdade de Direito em 1956 que começou a funcionar provisoriamente na Faculdade de Filosofia, surgiram possibilidades de lugares definitivos para sede, como cogitado o Convento de Santa Clara, mas optaram pelo local onde se encontrava o terreno do casarão dos Vergueiros, que era de posse da prefeitura e que segundo o prefeito Gualberto Moreira, seria demolido para acomodar a nova construção.

A demolição aconteceu nos primeiros anos da década de 60, e graças à participação do empresário e construtor, José Miguel Saker Filho (Zézo Miguel), o prédio finalmente foi construído e em 1969, estava em pleno funcionamento.

Nada faz mais sentido que a primeira faculdade de direito ser construída nas terras do primeiro advogado formado de Sorocaba...

*Curiosidade: Dr. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro era neto e tinha o mesmo nome do conhecido Senador Vergueiro, que Sorocaba homenageou com o nome da escola na Vila Hortência.

Fontes:

Sites:http://www.genealogiafreire.com.br/historia_de_sorocaba.htmhttps://www.academiamedicinasaopaulo.org.br/ Jornal Cruzeiro do Sul: 15/03/1919; 16/10/1959; 05/01/1961; 06/06/1963; 16/10/1966; 24/03/1977; 29/05/1977; 25/08/1977; 28/02/1987; 25/05/1990; 26/02/1994; 18/12/2005; 08/07/2006; 24/08/2014; 17/05/2017;



Sorocaba/SP
Escravizados
Francisca Leopoldina de Souza Freire
1843-1939
Fernando Lopes de Souza Freire
1836-1875
Sorocaba Através da História
José Maria de Souza


EMERSON


08/07/2024
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Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]