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Brasil é o único País do mundo a usar o nome hanseníase - camara.leg.br
    11 de junho de 2012, segunda-feira
    Atualizado em 23/11/2025 17:16:52




Reportagem- Daniele Lessa Soares/Rádio Câmara. Edição- Mariana Monteiro

O Brasil é o único país do mundo que fez a mudança de nome de lepra para hanseníase, em 1976. A medida veio com o objetivo de diminuir o estigma milenar associado à doença. Em sua experiência no consultório, a dermatologista e professora da Faculdade de Medicina da UFRJ Maria Leide de Oliveira ressalta que muitas pessoas enxergam a doença como uma praga divina - a lepra é a doença mais citada na Bíblia. Ela avalia que a mudança de nome não foi acompanhada por suficientes campanhas de esclarecimento.

Para Maria Leide, é preciso alertar, sem gerar pânico.“Lepra é aquela doença que não tinha cura, terrível, todas as pessoas ficavam com deformidades, altamente contagiosa. Hanseníase não, hanseníase é uma doença simples, não precisa se preocupar, tem tratamento e cura, então talvez a gente tenha banalizado muito a hanseníase”, avalia a médica.

Para Maria Leide, é preciso chegar a um equilíbrio: não gerar pânico sobre a doença e ao mesmo tempo destacar que é preciso estar atento, pois existe o risco de adoecer.

Faltam campanhasNos dias de hoje, a hanseníase ainda é uma doença endêmica em diversos pontos do País. No entanto, há anos não acontecem campanhas em massa para esclarecimento sobre a doença. O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) solicitou a realização de uma audiência pública sobre hanseníase na Comissão de Direitos Humanos.

Ele lembra que a campanha que mais marcou a população foi feita na década de 80. “Tem uma turma nova se infectando e quando chega ao hospital já está debilitada pois não sabe que tem hanseníase. Há anos o Ministério da Saúde não faz uma campanha de prevenção. Quando eu era garoto, me lembro de uma campanha onde uma mulher aparecia colocando uma chaleira de água no fogão, e ela não sentia o fogo queimando seu braço. A partir daí passei a prestar atenção em mim e na minha família”, comenta o deputado, enfatizando a necessidade de uma campanha nacional.

Movimento de reintegração

Pacientes de hanseníase e voluntários criaram ou participam do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, o Morhan. Cristiano Araújo nasceu na colônia de Marituba, no Pará, filho de pacientes internados. Foi enviado para um orfanato, mas retornou aos sete anos – também com a doença.

Ao longo de sua vida, travou um embate constante pela liberdade. “Quando ia me casar, fui convidar o diretor do hospital e ele me disse: você não sabe que tem que pedir autorização para namorar, que dirá para casar? E eu respondi: doutor, o senhor está aqui para cuidar da minha saúde, mas dos meus sentimentos, cuido eu”. O questionamento de Cristiano lhe custou 15 dias na cadeia da colônia.

Ao longo de sua vida, Cristiano mergulhou no movimento social em busca de liberdade e cidadania. Hoje, é vice-coordenador do Morhan. Sonha com um País sem a doença que marcou sua história. “É um absurdo que hoje existam crianças de nove anos com sequelas da hanseníase. Isso marca a vida de uma pessoa, fica mais difícil para estudar, para trabalhar, tudo fica mais difícil. Uma pessoa com sequelas da hansen não é vista como uma pessoa com deficiência: as pessoas logo dizem que é um leproso”, diz Cristiano, ressaltando o grande preconceito que ainda cerca a doença e o seu antigo nome.

Na busca de um olhar menos estigmatizado, o Morhan recebe apoio de diversos artistas. É caso de Ney Matogrosso, que há mais de 10 anos apoia a causa, participa de eventos e se deixa fotografar para cartazes de campanhas.

O desconhecimento sobre a doença ainda existe porque o Estado brasileiro deve uma campanha de esclarecimento para a população. Mas uma campanha que não pode ser de 10 dias, e sim constante, como toda a América Latina fez e como toda América Latina acabou com a doença”, afirma o cantor.

Em 2010, 92,4% dos novos casos de hanseníase nas Américas aconteceram no Brasil.



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