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Como a figura da mãe de Jesus ainda divide cristãos 75 anos após dogma da Assunção de Maria

    26 de novembro de 2025, quarta-feira
    Atualizado em 26/11/2025 20:44:16


Há 75 anos a Igreja Católica definiu o último da lista de dogmas, sacramentando a história de que a mãe de Jesus foi levada aos Céus de corpo e alma.TOPOPor BBC

"Pronunciamos, declaramos e definimos como sendo um dogma revelado por Deus: que a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, tendo completado o curso de sua vida terrena, foi assumida, de corpo e alma, na glória celeste", publicou o papa Pio XII (1876-1958) em 1º de novembro de 1950.

Foi a última vez que a Santa Sé proclamou um dogma: a assunção de Maria, portanto, integra a lista de 43 "verdades de fé", crenças oficializadas pela Igreja Católica como sendo "inquestionáveis" para os que seguem essa religião.

A afirmação papal de 1950 foi feita por meio de um documento chamado constituição apostólica, categoria dentre as mais importantes dentro da máquina burocrática que rege os assuntos da fé católica.

Assim, Pio XII buscou encerrar uma questão que desde os primeiros séculos era debatida por teólogos e controversa entre populares: qual teria sido o fim da mãe de Jesus, já que os textos bíblicos não se ocuparam de contar sobre seus últimos dias.

O entendimento religioso era o de que ela não poderia ter tido um fim comum aos demais humanos.

"Para ser mãe de Deus, Maria não estava sujeita ao poder do pecado, portanto, não poderia também ficar sujeita ao poder da morte", explica à BBC News Brasil a cientista da religião Wilma Steagall De Tommaso, coordenadora do grupo de pesquisa A Palavra É Imagem: Arte Sacra Contemporânea, História e Religião, na Fundação São Paulo, e coautora do livro A Glorificação de Maria em Corpo e Alma.

"Jesus foi gerado por Maria e, por isso, a carne do filho era a mesma carne da mãe. Se a carne do Filho, Jesus Cristo, não se corrompeu, a mãe também não deveria experimentar a corrupção da carne, sendo glorificada na alma e no corpo da mesma forma que Jesus", completa De Tommaso.

"Embora o dogma seja algo recente, estamos falando de uma crença antiga", diz à BBC News Brasil o teólogo Raylson Araujo, pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

"O dogma veio de uma reflexão interna da Igreja."

Mas, se o papa Pio XII buscava encerrar a questão, fato é que nem o dogma foi capaz de botar uma pedra sobre o assunto.

Em outros meios cristãos, a ideia de Maria alçada de corpo e alma ao céu é vista como uma invenção; dentro da Igreja Católica, também não há consenso teológico se a mãe de Jesus morreu e, então, foi levada para junto de Deus ou se, chegado o momento, ela foi alçada aos céus sem precisar passar pela experiência da morte.

Há ainda duas curiosidades — um tanto opostas em si — sobre a proclamação do último dogma.

Por um lado, Pio 12 tomou o cuidado de, em um movimento um tanto democrático, consultar bispos de todo o mundo para saber se havia apoio popular para que a tradição da assunção de Maria se convertesse em uma verdade de fé.

Em maio de 1946, o papa publicou uma encíclica na qual apresentou a questão ao episcopado, questionando como suas comunidades viam a proposta de um "dogma de fé" da "assunção corpórea da santíssima Virgem".

Pio 12 citava que era importante saber a posição tanto do clero quanto dos fiéis.

De acordo com informações do Vaticano, 1181 respostas foram recebidas, sendo a esmagadora maioria favorável — 1169 diziam concordar com a definição do novo dogma.

Em artigo publicado sobre o tema, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Orani João Tempesta afirmou que, por causa dessa consulta, a decisão papal veio para confirmar "a fé de toda a Igreja".

No livro O Dogma da Imaculada Conceição, o bispo Pedro Carlos Cipolini escreveu que o que se fez foi "uma espécie de concílio por escrito". Já o frade, teólogo e professor Clodovis Boff afirmou que o que foi feito foi "uma democracia de verificação".

Por outro lado, a declaração do dogma da assunção de Maria foi o único episódio em que o papa claramente evocou um princípio formulado por outro dogma — e que soa como autoritário: a ideia da infalibilidade papal, instituída em 1870 por Pio IX (1792-1878). Afinal, na sua declaração ele enfatiza que o faz pela "própria autoridade"."Dogma de fé é tudo aquilo que o magistério da Igreja, de modo ordinário e costumeiro, proclama como verdade revelada por Deus e que os católicos aceitam na profissão de fé ou no credo", define a cientista da religião De Tommaso. A especialista explica que a palavra tem origem grega e significa "uma obediência de fé".

A construção teológica

Ao longo dos séculos de cristianismo, a Igreja Católica sedimentou as poucas informações dos textos bíblicos sobre Maria, mesclou-as com tradições populares e, pouco a pouco, foi consolidando uma biografia da mãe de Jesus calcada em doutrina, fé e dogmas.

Destas verdades consideradas inquestionáveis, são quatro os pilares que ajudam a compreender o status de Maria dentro do catolicismo: a ideia de que ela é a Mãe de Deus, por ter gerado Jesus; a narrativa de que ela também foi concebida "sem a mancha do pecado original", ou seja, de forma milagrosa; sua virgindade perpétua; e, por fim, a assunção.

Mas se a história da assunção só foi oficialmente sacramentada há 75 anos, essa versão sobre o destino de Maria circula desde os primeiros séculos do cristianismo. Em 377, o bispo Epifânio de Salamina (c. 320-403) afirmou que ninguém sabia se Maria havia morrido ou não.

Desde essa época, textos apócrifos relatando Maria sendo levada ao céu já circulavam. São possivelmente do século IV o texto chamado O Livro do Repouso de Maria e também os relatos das Narrativas da Dormição dos Seis Livros.

"O que se percebe, historicamente, é uma construção visando a justificar a importância teológica de uma mulher tão especial para ter sido escolhida para gerar Jesus", afirma à BBC News Brasil o historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.Nos séculos seguintes, espalharam-se diversas versões, muito possivelmente baseadas nessas, de que a mãe de Jesus não havia morrido — e, sim, levada diretamente ao Reino de Deus.

Algumas narrativas diziam que anjos a vieram buscar. Outras, que o próprio Jesus encarregou-se disso. O historiador e bispo Gregório de Tours (538-594) debruçou-se sobre o assunto, buscando explicações teológicas para o que ele chamou de "assunção corpórea" de Maria.

De Tommaso ressalta que as dimensões da vida de Maria estiveram em ampla discussão durante "toda a Patrística", o período filosófico cristão do século 1º ao século 8º.

"Percebe-se essa realidade nos primeiros escritos da literatura cristã antiga", exemplifica.

Ela lembra que Aristides de Atenas, intelectual que viveu no século 2º, defendia o cristianismo como religião ressaltando que Jesus seria o "Filho de Deus […] que nasceu de uma virgem santa, sem germe de corrupção".Há registros que por volta do ano 600 já havia celebração em memória desse episódio da assunção. Os papas Sergio I (650-701) e Leão VI (880-929) reconheceram e aceitaram esse costume, que se arraigava.Teólogos católicos passaram a oscilar entre aceitar e defender a doutrina — ou, pelo menos, tolerar.E o assunto acabou aparecendo em textos de Boaventura (1217-1274), Tomás de Aquino (1225-1274), Afonso de Ligório (1696-1787) e muitos outros. O papa Bento XIV (1675-1758) declarou que a ideia da assunção de Maria era "uma opinião piedosa e provável".Convenientemente, a data da comemoração foi trazida para o 15 de agosto, data que desde o ano 18 a.C., por imposição do imperador Augusto (63.a.C - 14 d.C.) era o grande feriado festivo de Roma Antiga.Segundo Moraes, em 1925, o papa Pio XI (1857-1939) recebeu de um grupo de religiosos eslavos "uma petição" que buscava inserir a crença na assunção de Maria no rol dos dogmas católicos. "Havia a expectativa que isso ocorresse ainda naquele ano", conta.Quando o dogma foi proclamado, há 75 anos, a tradição já era tão forte que a afirmação estava "naturalizada" dentro da Igreja, argumenta o teólogo.Ele reconhece que esse papel importante de Maria dentro do catolicismo funcionou muito bem porque "é um rosto feminino" que dá o toque materno à religião."A Igreja Católica passou a extrair os relatos a respeito de Maria a partir de tudo o que era construído pela própria Igreja, pelas opiniões dos teólogos, pelos documentos papais e também pelas lendas transmitidas, pela tradição, pelos milagres atribuídos a Maria", enumera."Soa como se sempre tivesse existido e se apaga, principalmente aos fiéis, a história do dogma", comenta."Esse dogma é o último estágio da exaltação a Maria. Coloca a assunção de seu corpo ao céu sem que este tivesse experimentado qualquer tipo de corrupção, uma visão piedosa largamente sustentada pela comunhão romana", analisa Moraes.DormiçãoDe Tommaso lembra que os evangelhos e outros textos bíblicos "silenciam sobre a morte" de Maria. E isto fez com que a explicação precisasse deixar de ser histórica e ser dogmática, segundo ela.A cientista da religião cita entendimento teológico de Joseph Ratzinger (1927-2022), que depois seria o papa Bento XVI, para definir a assunção de Maria como "afirmação teológica" e não "histórica".Nunca houve consenso, contudo, sobre como teria se dado essa assunção, se com a mãe de Jesus ainda viva ou imediatamente após a morte.Em geral, os de tradição oriental, os ortodoxos, tendem a entender que Maria teve morte natural, sua alma foi recebida por Jesus e seu corpo foi ressuscitado e levado aos céus — no que seria uma antecipação privilegiada daquilo que ocorreria com todos os humanos para o julgamento final.É o que eles costumam chamar de dormição de Maria, episódio celebrado também no 15 de agosto.Entre os católicos de tradição ocidental, contudo, prevalece o entendimento de que Maria foi levada ao céu, de corpo e alma, antes de morrer.Na definição do dogma, o papa se furtou a definir isso."No texto em que proclama o dogma, o papa fala em ´terminado o curso de sua vida terrena´. Virou um grande ´morreu ou não morreu´", pontua Araujo."É fato que um dogma não pode ser anulado, negado, mas ele pode ser revisitado e passar por reinterpretações. E escolas teológicas entendem o dogma da assunção porque ele nos comunica o que o Senhor nos espera no dia final. Em Maria há a antecipação disso e, preservada do pecado original, ela não precisa ter seu corpo corrompido. […] Essa é a interpretação, para além de pensar Maria sendo levada por anjos.""A discussão teológica é essa. Claro que, no popular, essa conversa geralmente é tratada de maneira mais convencional: alguns vão dizer que ela morreu e depois foi levada por anjos; outros, que ela era vista pelos discípulos quando subiu aos céus", diz ele."O detalhe, para o fiel, pode não fazer diferença. Afinal, ele vê na assunção a esperança de vida eterna para todos e ponto. Para os teólogos, contudo, isso é importante", diz Moraes.O que está claro no entendimento católico é a diferença entre a subida de Jesus aos céus e a subida de Maria. Conforme explica De Tommaso, é por isso que se diz "ascensão", no caso de Jesus — este teria subido por sua própria conta. De Maria, o termo é "assunção", porque "ela é levada"."Por isso a Igreja no primeiro milênio representava a dormição em imagens em que Maria está deitada. Em torno dela estão os apóstolos. E sua alma, como criança envolta em um pano, está no colo do filho que desceu em glória rodeado por anjos para buscar a mãe", descreve De Tommaso.ProtestantesOs cristãos protestantes têm mais divergências com os católicos sobre as questões envolvendo Maria.O ponto de partida dessa impossibilidade de conciliação é a premissa de que, para esses segmentos cristãos, tudo precisa ser embasado pela Bíblia."No universo protestante a autoridade última é concedida às escrituras sagradas, enquanto na Igreja Católica Romana esta detém a autoridade última. Os dogmas, neste sentido, são ou pronunciamentos do próprio papa, quando fala da cátedra de Pedro, ou quando há uma manifestação do papa juntamente com o colégio de bispos, num concílio ecumênico", contextualiza à BBC News Brasil o teólogo e pastor luterano Valdir Steuernagel, autor do livro Um Olhar Sobre Maria, Serva do Senhor."No caso do dogma sobre Maria se pode perceber que há vários dogmas que se referem a ela e que foram sendo desenvolvidos no decorrer dos séculos", observa ele.Steuernagel também acredita que no Brasil, por conta da formação católica da nação construída pela colonização portuguesa, historicamente foi consolidada uma visão dos protestantes como "oposição", de "contraditório"."Estabeleceu-se assim [o cristianismo não católico] com uma postura e linguagem fortemente crítica a esse catolicismo e, como tal, acabou relegando o papel de Maria a uma ´escondida´ personagem em nosso alfabeto bíblico", reconhece ele, lembrando que os evangélicos costumam considerar os católicos "mariólatras".Para o pastor, essa leitura está mudando."A minha percepção é de que quanto mais vamos nos encontrando num Brasil menos católico e mais evangélico, tanto mais liberdade a tradição evangélica, à qual pertenço, terá para mergulhar nas Escrituras e então perceber o papel dessa Maria que se qualifica como serva do Senhor e de quem tanto se pode aprender e que tanto nos ajuda a moldar o seguimento a Jesus", avalia ele.O teólogo Moraes vê esse papel de Maria, embasado por dogmas dentro do catolicismo, como se ela fosse vista como um meio-termo entre um santo e o próprio Deus."Ela tem um local de destaque incomum, acima de um santo normal. É vinculada diretamente com a Santíssima Trindade, alguém que não é inserida diretamente na Trindade [o entendimento de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo], mas alguém que orbita essa Trindade de maneira especial, afinal porque é mãe de Deus", analisa ele.O professor acredita que aí esteja o ponto de difícil entendimento entre protestantes e católicos."A ´mariolatria´ dos católicos é algo que sempre incomodou os protestantes", diz Moraes.O teólogo Araujo discorda dessa visão protestante. "Definitivamente, Maria não pleiteia ser a quarta pessoa da Santíssima Trindade. Definitivamente", diz o teólogo. "A Igreja leva isso muito a sério."Ele comenta que há uma cobrança do Vaticano para que a devoção mariana seja feita "com os pés no chão".Segundo ele, o que ocorre é chamado de hiperdulia, que seria uma veneração especial a Mãe de Jesus.Dulia, que vem do termo grego para o verbo honrar, é a denominação teológica para a devoção que os católicos nutrem pelos santos.



Deus
Nossa Senhora da Assunção
Giovanni Maria Mastai-Ferretti
1792-1878
Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, Papa Pio XII
1876-1958
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Maria
Jesus Cristo
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]