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Paulistânia Tradicional

ABR.
27
HOJE NA;HISTóRIA
48

    27 de abril de 2022, quarta-feira
    Atualizado em 31/12/2025 05:54:16




Francisco de Brito Peixoto: o bandeirante que abriu o primeiro caminho por terra entre o Brasil e o Uruguai

O primeiro caminho por terra entre o Brasil e o Uruguai foi obra de um bandeirante paulista que também plantou a semente do tropeirismo: Francisco de Brito Peixoto.

Nascido em 1650, na vila de Santos SP, era filho de Anna da Guerra do Prado e Domingos de Brito Peixoto. Seu pai era neto de povoadores da Capitania de São Vicente e, no final do século XVII, partiu do Porto de Santos rumo ao sul do Brasil com mais de 60 homens. Entre eles estavam os filhos Sebastião e Francisco. Levaram armas, mantimentos, ferramentas e, com esses recursos, fundaram em 1676 a Vila de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, atual Laguna SC, conforme registros do próprio Francisco.

Ele permaneceu na nova vila, onde mais tarde, entre 1715 e 1718, financiou com recursos próprios a exploração, posse e povoamento dos campos do Rio Grande de São Pedro do Sul, hoje RS, representando a Coroa portuguesa. Francisco estabeleceu a primeira ligação terrestre entre Laguna, Rio Grande, Maldonado, Colônia do Sacramento e Montevidéu.

Alinhado aos indígenas minuanos do pampa, foi responsável por iniciar os primeiros movimentos pecuários luso-brasileiros na região platina. Corajosamente, diante da ameaça dos castelhanos de Buenos Aires, montou entrepostos, enviou homens à Colônia do Sacramento, recém-ocupada por Portugal, e deu início ao comércio de gado, mulas, cavalos e couro, abastecendo São Paulo e abrindo caminho para o futuro tropeirismo.

Foi o primeiro a integrar a Região do Prata ao Brasil, estabelecendo a rota Sacramento, Laguna, Paranaguá, Curitiba, Sorocaba e São Paulo. Seu sucesso inspirou outros bandeirantes, como Francisco de Souza e Faria e Cristóvão Pereira de Abreu, que chegaram a ter contato direto com ele. Francisco já reunia tropas de gado e mulas para venda e transporte quando os demais ainda preparavam suas entradas.

Em 1726, Francisco escreveu ao rei de Portugal uma carta histórica, relatando suas ações:

"Mandei, no serviço de Sua Majestade, que Deus guarde, para o Rio Grande de São Pedro, 31 homens à minha custa, e por capitão deles o meu genro João de Magalhães, a quem ordenei que, chegando à paragem do Rio Grande, escolhessem lugar conveniente para formar casas em forma de povoação. [...] Também digo a Vossa Mercê que tenho adquirido a boa amizade dos índios minuanos, [...] por estarem as campanhas francas para delas se tirar quanto gado quiserem."Com esses relatos, a Coroa passou a investir, a partir de 1732, na concessão de sesmarias, promovendo o início do povoamento luso-brasileiro em terras platinas.Francisco nunca se casou oficialmente, mas teve diversos filhos com mulheres indígenas. Com Severina Dias, da etnia Carijó, teve Ana, Maria e Sebastião de Brito Peixoto. Com outra indígena, teve mais quatro filhos: Domingos Leite Peixoto, Victor de Brito, Ana da Guerra e Catarina de Brito. Com Paula Dias do Prado, teve Luís de Brito Peixoto. Sua descendência se espalhou por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Uruguai.Em 1721, foi preso por ordem do Capitão-Mor Manuel Manso de Avelar, possivelmente por motivações políticas, já que Francisco denunciava contrabandos na região. Mas logo foi libertado e, no mesmo ano, recebeu carta patente do rei D. João V como Capitão-Mor de Laguna, da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro, por três anos.Assumiu o comando da Ilha de Santa Catarina entre 1721 e 1724, sucedendo Bernardo Cavalcanti de Mello. Após ser libertado, Francisco prendeu Avelar e o enviou à vila de Santos, onde seus bens foram confiscados após investigação.Em 1732, solicitou ao rei concessão de terras de Garopaba, em Santa Catarina, até o rio Tramandaí, no Rio Grande do Sul, como reconhecimento por seus esforços, investimentos e serviços prestados à Coroa. Recebeu uma sesmaria de légua e meia em quadro.Faleceu em 31 de outubro de 1735, na cidade de Laguna, que ele próprio fundou. Seus restos mortais estão no altar principal da Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos, construída por ele em 1696.Francisco de Brito Peixoto é reconhecido como um dos maiores bandeirantes paulistas da história, não apenas por incorporar a região platina ao Império Português, mas por dar início ao tropeirismo, movimento que conectou o sul do Brasil ao sudeste por meio do comércio de mulas e gado.Há estátuas em sua homenagem no Museu Paulista do Ipiranga e na cidade de Laguna SC.



Estradas antigas
Santos/SP
Cavalos
João V, O Magnânimo
1689-1750
Francisco de Brito Peixoto
n.1650
Laguna/SC
Anna da Guerra do Prado
Domingos de Brito Peixoto
n.1620


EMERSON


27/04/2022
ANO:334
  testando base


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