trecho da aula magna "Raízes Populares da Cultura Brasileira" realizada no Theatro Municipal de Paulínia em 2009.
Vai gente na minha casa me jogar coisas na cara. Eu tenho um azar para isso, da peste. Não sei se acontece com vocês. Eu não vou na casa de ninguém, aperriar ninguém, para converter ninguém a coisa nenhuma. Mas na minha casa de vez em quando baixa um.
Outro dia chegou, que sujeito inconveniente. Ele sabe que eu sou escritor, chegou na minha casa e disse:"Eu soube que você está escrevendo um livro", uma coisa muito espantosa, sendo escritor. Eu disse Estou. Aí ele disse rapaz isso está ultrapassado.Eu digo ultrapassado por quê? Ele disse porque o computador... Eu digo olha pode estar ultrapassado mas enquanto existir gente como eu; eu gosto de ler e gosto de ler livros e eu só gosto de ler deitado e eu não vou ficar embolando com o computador na cama não.
Pois bem vai gente na minha casa e tudo considera ultrapassado. Reparem outra vez já faz uns 20 anos, agora outra coisa, as modas vem e passam.
Tem uma certa vantagem de ter 82, porque há uns 10 anos atrás ou 20, vinha gente na minha casa me jogar na cara um pensador canadense que eu não aguentava mais nem ouvirFalar o nome.
Aí vieram me dizer que eu parasse de escrever porque Herbert Marshall McLuhan1911-1980 mcluhan tinha provado que a televisão, ainda era época da, a televisão tinha tornado o livro ultrapassado.
Aí eu disse e você tomou conhecimento das teorias de Mark luhan como?
Ele disse "ele escreveu um livro."Eu digo "como é rapaz?" Esse eu não levo a sério não. me desculpe, o sujeito para dizer que que o livro está ultrapassado, escreve um livro, porque ele não sustentou num programa de televisão né.
É porque ele sabe que a televisão é efêmera e o livro fica, prestar, não é?. Quero dizer daqui a 20 anos ninguém vai saber mais quem é Max luhan e Cervantes vai continuar, Dostoiévski vai continuar não a mim ninguém me engana