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Nova sede do Museu "Casa do Tropeiro" é inaugurada graças a um grupo de apaixonados pela preservação da história




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Autor: João Maurício da Rosa (Portal Porque)A nova sede do Museu “Casa do Tropeiro” foi inaugurada no último sábado (27) na Rua Barão de Cotegipe, 1.146, na Vila Leão. Casa modesta, ficou apertada para meia centena de visitantes. Tanto que a Orquestra de Viola Zé Franco teve que se apresentar lá fora, sob o sol, que também serviu para iluminar as salas, já que não havia luz elétrica, pois os fios foram furtados na noite anterior.

Um recomeço difícil, como tem sido desde o começo, segundo o jornalista e historiador Sérgio Coelho de Oliveira, fundador e presidente do Centro de Estudos Históricos Caminhos das Tropas (Cehicat). Todas as peças exibidas no Museu foram adquiridas ao longo de 40 anos pelo jornalista, recebidas como doação ou já pertenciam à sua família que nasceu em meio às tropeadas nos anos 1870.

O acervo reúne aproximadamente 300 traias, como os tropeiros chamavam seus utensílios essenciais para cavalgadas entre Sorocaba e o Rio Grande do Sul: celas, estribos, arreios, chaleiras, facas, punhais, facões e armas. Tem também livros, artigos, um manequim vestindo traje típico, gravuras do agrônomo, pintor e escritor Mário Mattos e uma maquete simulando o cotidiano tropeiro sobre e sob a ponte do Rio Sorocaba na rua XV de Novembro.

Eu sou repórter e nas minhas andanças pela região, onde eu via peças de importância histórica, eu adquiria e armazenava na garagem de casa”, comenta Sérgio. Há sete anos, ele decidiu fundar o museu e, com ajuda de amigos apaixonados pelo tropeirismo, alugou a primeira sede no Além Ponte. Em fevereiro de 2020, o museu foi transferido para a mesma rua Barão de Cotegipe, número 1.136, e agora ficou dez metros mais longe, no 1.146.

“Esta casa é paga por meia dúzia de caras que estudam o tropeirismo. Ela não tem ajuda nenhuma da Prefeitura, do Estado, da União, de ninguém. Ela faz parte do esforço coletivo de um grupo de pessoas que gostam do tropeirismo. E eu encerro pedindo para que adotem tropeirismo e venham nos ajudar”, disse Coelho em breve discurso na abertura do evento.

A preservação da história e a difusão da identidade tropeira em Sorocaba e região é a missão adotada pelo Museu, daí o apelo de Coelho em busca de mais aficionados pela matéria. “As escolas divulgam muito pouco”, atesta. A memória do tropeirismo, segundo ele, estaria apagada não fossem estudos do historiador Monsenhor Castanho, que fez o primeiro artigo sobre o tema em 1938, sob pseudônimo de Aluísio de Almeida.

O trabalho do Monsenhor Castanho teve prosseguimento com a historiadora Vera Ravagnani Job, falecida em 2022. Hoje restam o Museu e as comemorações da Semana do Tropeiro, idealizada pela historiadora há quase 60 anos. Neste ano, será realizada a 57ª edição da Semana do Tropeiro que começa com a saída de uma tropeada de Itararé para Sorocaba com chegada prevista para 25 de maio e desfile oficial da tropa no dia 26 de maio com percurso entre o Clube União Recreativo Campestre até o Parque das Águas.

Terra dos burros

Sérgio é bisneto do tropeiro Joaquim Coelho de Oliveira, natural de Tatuí, que participava do comércio de muares no auge das feiras realizadas em Sorocaba nos anos de 1870. A tradição foi seguida por seu avô até os anos 1910, quando o tropeirismo começou a decair com a chegada das estradas e ferrovias. Quando estudava em um seminário, na década de 1970, Sérgio ouviu de um colega de sala que Sorocaba era “a terra dos burros”. Ao chegar em casa, comentou para o seu pai e recebeu a primeira aula de tropeirismo, pois o pai nasceu em uma invernada de tropas no Rio Grande do Sul.

“Era considerada uma ofensa chamar Sorocaba de terra dos burros. Quer queiram ou não queiram, Sorocaba foi construída sobre o lombo de mulas e burros. A história é essa, Sorocaba era um grande centro, um grande mercado de burros para todo o País. O pessoal fala que é terra dos burros para ofender, mas na verdade é uma glória. Mais tarde a gente passou a exaltar isso, como afirmação de nossa identidade histórica”, diz.

Segundo Sérgio, depois dos bandeirantes, a quem Sorocaba deve a sua fundação estimada em 1654, o tropeirismo seria o ciclo econômico mais importante para o desenvolvimento regional e para a transição da vila para o município de Sorocaba. “Foi um ciclo que durou quase dois séculos”, argumenta.

De acordo com Aluísio de Almeida, o ciclo do tropeirismo começou por volta de 1733, quando o português Cristóvão Pereira de Abreu, abriu estrada ligando Curitiba a Sorocaba, enquanto conduzia mulas e gado. Mas, o auge dos negócios se deu entre 1750- quando foi instalado o Registro de Animais, uma espécie de alfândega, ao lado da ponte sobre o Rio Sorocaba – e 1897, quando aconteceu a última feira, mas não encerrou a atividade, que adentrou pelo Século 20.

“A importância deste Museu é exatamente resgatar o tropeirismo que é a nossa história. Então, essa é a Sorocaba nossa, que nós temos tanto orgulho. Eu, pelo menos, tenho. Ela é construção deste ciclo. Tem o ciclo do algodão e da indústria têxtil, mas o mais forte, pelo tempo que durou, foi o tropeirismo”, argumenta Sérgio.

Como pesquisador apaixonado, o jornalista lamenta que o Museu seja atualmente o único esforço pela preservação da memória dos tropeiros em Sorocaba. “Somos cerca de 20 pessoas para garantir as despesas mínimas para manter isso aqui. É um trabalho que precisa ser feito, pois a Prefeitura não tem mais museu. Sorocaba é a capital do tropeirismo e só tem um museu particular. A metade dos vídeos que temos aqui foram feitos pela minha esposa, minha irmã, meu irmão e meu tio”, conta.

Sua esposa, Sônia, também faz o papel de relações públicas. Atende a imprensa e acompanha os visitantes. Perguntada sobre o roubo da fiação elétrica e a segurança das peças em exibição, ela conta que na sede anterior já teve um furto de vários objetos. Mas, segundo ela, Sérgio não deixou barato. Vasculhou a Feira da Barganha e lá estavam eles. Comprou tudo e trouxe de volta, mas esta é outra história.




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