No dia 1º de maio de 1994, há exatos 30 anos, o Brasil perdeu Ayrton Senna. O ídolo brasileiro liderava o GP de San Marino quando a barra de direção do FW14 da Williams quebrou, e o carro parou de responder aos comandos do tricampeão. Senna seguiu reto na curva Tamburello, bateu forte na barreira e não resistiu. Ele não foi o primeiro a sofrer com aquela curva, que também causou acidentes gravíssimos de Nelson Piquet e Gerhard Berger anos antes.O traçado antigo do Autódromo Enzo e Dino Ferrari oferecia velocidade e muito perigo. A curva Tamburello era localizada logo após uma zona de alta velocidade na largada, e exigia apenas uma leve tomada dos carros ao lado esquerdo que não tirava a aceleração dos pilotos. Para aumentar o perigo existente, a área de escape até o muro era muito pequena. Atrás da curva, estava localizado o Rio Santerno, que impedia uma mudança no traçado.Em 1987, Nelson Piquet buscava a primeira vitória no ano em Ímola. Ele havia ficado em segundo lugar no GP do Brasil e conquistou o melhor tempo no primeiro treino de classificação de San Marino. A Williams despontava como o carro a ser batido no grid, e o então bicampeão era o favorito para a prova. Na segunda classificação, no sábado antes da corrida, veio o maior choque da carreira de Piquet até então.Um dos pneus traseiros do FW11 da Williams perdeu pressão instantaneamente e o carro rodou na pista até colidir com o muro na curva Tamburello. Piquet estava a mais de 250km/h e bateu muito forte, sofreu um traumatismo craniano, lesões no tórax e no tornozelo e também perda de memória. O brasileiro queria correr no dia seguinte, mas foi vetado pelo médico-chefe da F1, Sid Watkins."O que aconteceu com o carro é que foi totalmente para fora. Depois disso, eu tentei fechar os meus olhos. Acho que não tenho nenhum problema, apenas um pequeno problema no meu tornozelo esquerdo, mas acho que posso ajeitar para a corrida de amanhã."No dia da batida de Nelson Piquet, Ayrton Senna afirmou ao jornal O Globo que um acidente na Tamburello só ocorreria com uma peça quebrada no carro. Sete anos depois, ele perderia a vida naquela mesma curva."Nelson não erraria nunca em um trecho simples como esse. A saída da Tamburello para a Villeneuve é de altíssima velocidade. Andamos ali de pé colado no chão, o que nos leva a mais ou menos 290km/h, mas para dirigir é muito simples. Acidente ali só mesmo quando quebra alguma coisa no carro."Dois anos depois, em 1989, mais um acidente impressionante e assustador na Tamburello, dessa vez com Gerhard Berger, então piloto da Ferrari. Ainda na quarta volta da corrida, o carro vermelho seguiu reto ao invés de fazer a curva para a esquerda e foi direto no muro. Poucos segundos depois da batida, a Ferrari foi tomada pelo fogo.O combustível caiu no corpo de Berger, que sofreu com muitas queimaduras. O resgate chegou ao carro do austríaco em apenas 15 segundos e conseguiu salvá-lo antes de uma tragédia. Sem intoxicações e danos graves pelo fogo, o piloto tinha fissuras em alguns ossos do corpo que o tiraram da corrida seguinte, em Mônaco.- O carro se tornou incontrolável. Quando percebi que o carro estava descontrolado, tirei as mãos do volante. Perdi a memória por um instante e, quando dei por mim, o carro estava em chamas – disse o piloto austríaco.Nada foi feito com a Tamburello após os acidentes graves de Piquet e Berger. Em 1991 e 1992, Michele Alboreto e Riccardo Patrese também bateram na curva e tiveram ferimentos, mas a situação seguiu a mesma. O Rio Santerno impedia qualquer mudança no local, e as batidas continuaram, ainda sem a morte de um piloto.Em um final de semana que já contava com dois acidentes graves e uma morte, o GP de San Marino de 1994 mudou tudo em Ímola. Ayrton Senna havia alertado sobre o risco da queda de temperatura dos pneus em uma entrada do safety car durante a corrida. Uma forte batida na largada forçou a presença do carro de segurança, e aconteceu como o tricampeão havia alertado.Logo após o safety car deixar a pista, Senna abriu uma distância de meio segundo para o segundo colocado, Michael Schumacher. Quando passou da largada, Ayrton seguiu em alta velocidade, mas a barra de direção do FW16 da Williams quebrou e o carro parou de responder aos comandos do tricampeão, que foi reto na Tamburello e bateu forte em um acidente fatal. Senna morreu aos 34 anos.Foi apenas após a morte de Ayrton Senna que a Tamburello passou por mudanças. A solução foi acabar com a curva de mais de 250km/h e colocar uma chicane no local. A área de escape foi finalmente aumentada.