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1996, há 30 anos...
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*Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa Conhecer
1996, segunda-feira ver ano



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RedaçãoPLANO DA OBRACONHECER é uma coleção de 51 fascículos semanais que formarão 13 volumes temáticos, além de 1 volume de Índice já encadernado, a ser vendido ao final da coleção.Com um moderno sistema de auto-encadernação, que permite encadernar cada fascículo assim que é adquirido pelo leitor, as capas duras estarão à venda nas bancas junto com o 1º fascículo de cada volume, totalizando 13 capas.Os fascículos serão compostos de 40, 48 ou 56 páginas e formarão volumes de tamanhos distintos.As 3ªs e 4ª capas dos fascículos apresentam o Recorte Escolar, um valioso auxiliar na pesquisa e informação para os trabalhos escolares de Cultura e História do Brasil.O fascículo 1 trará como brinde o fascículo 2; junto com o fascículo 3, como brinde, virá um exclusivo Pôster Cronológico da História do Brasil; e no fascículo 5 será ofertado, também como brinde, o caderno Brasil em Dados, com 16 páginas das mais atualizadas informações estatísticas, a ser encadernado no final do volume 5, de Geografia. [contra-capa]

Em pouco mais de cem anos, um pequeno reino da península Ibérica lançou-se aos mares, forjou a mais formidável geração de navegadores que a Europa já conhecera, colonizou as ilhas vulcânicas do Atlântico, conquistou posições ao longo de toda a costa africana e atingiu finalmente os empórios de especiarias asiáticas. Em 1500, quando a vertiginosa expansão portuguesa chegou às praias brasileiras, o pavilhão das cinco quinas já tremulava nos quatro cantos do mundo.

No final da Idade Média, as cidades estavam em pleno desenvolvimento. Crescia o volume das transações comerciais, e uma nova classe se fortalecia, a dos mercadores. Por toda a Europa, os metais preciosos, perfumes e outros produtos exóticos alcançavam altos preços; entre estes últimos estavam as especiarias orientais — a pimenta da Índia, o cravo, a canela, o gengibre etc. —, que valiam seu peso em ouro. Grandes caravanas recolhiam as mercadorias no mar Vermelho ou no golfo Pérsico, trazendo-as para as margens do Mediterrâneo, onde eram entregues aos comerciantes das cidades italianas. A partir de 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos, as rotas de acesso ao Oriente foram interrompidas. O fluxo de mercadorias proveniente das Índias (termo pelo qual se designava, na época, toda a Ásia) começou a diminuir, exatamente quando um grande mercado se abria para o setor. Era preciso encontrar outro caminho que colocasse essas riquezas ao alcance dos europeus. A procura desse novo caminho marcaria o início de uma nova época dentro da história ocidental. Foi o período das “Grandes Navegações” ou dos “Descobrimentos Marítimos”, expressões que designam a fase inicial da navegação oceânica a partir da península Ibérica (Portugal e Espanha) e, mais tarde, da Holanda, França e Inglaterra, que tiveram como conseqüência a descoberta das Américas e o contato direto e permanente entre a Europa, África e Ásia.

Viagens fantásticas

Na verdade, há muitos séculos os europeus vinham timidamente se lançando aos mares desconhecidos. Contam as sagas islandesas que, a partir de 982, uma expedição liderada por Erik, o Ruivo, colonizou a Groenlândia. Nessa época, o sul da região permanecia livre do gelo durante praticamente todo o ano, sendo chamada, exatamente por isso, de Terra Verde. Teriam atingido, a seguir, vários pontos do litoral norte-americano.

Em meados do século XIII, quando a Groenlândia sofreu um processo de crescente esfriamento — o que contribuiu para o fracasso da colonização —, outros europeus voltaram-se para os domínios mongóis no Oriente. Em 1245, o franciscano Giovanni de Pian del Carpine chegou até Caracorum, nas estepes da Mongólia.Seguiram-se outras expedições de religiosos, mas a mais famosa de todas foi a realizada em 1254 por Marco Polo, filho e sobrinho de mercadores venezianos. Numa primeira viagem, Marco Polo chegou até as fronteiras da China; posteriormente visitou Pequim. Mais tarde, na Europa, relatou todas as suas experiências (viagens realizadas e relatos fantásticos de que tomara conhecimento) no Livro das Maravilhas, best seller medieval e obra de referência indispensável a todos os futuros grandes navegadores.Navegar é precisoEm 1385, a ascensão da dinastia de Avis em Portugal, com o apoio dos grandes comerciantes e do povo, a “arraia miúda”, veio confirmar o forte peso da camada mercantil na sociedade. Nos anos seguintes, o governo de Lisboa tornou clara a sua intenção de conseguir melhores posições no comércio in-Acima, biombo japonês retratando a chegada de caravelas portuguesas, no final do século XVI. À esquerda, mapa do chamado périplo africano, a exploração sistemática da costa ocidental da África, empreendida por navegadores portugueses entre 1434 e 1488.ternacional. Enquanto o comércio manteve suas antigas características, Portugal não pôde competir com Veneza e Gênova, melhor localizadas geograficamente para distribuir pela Europa os produtos chegados do Oriente. Mas a tomada de Constantinopla pelos turcos fez com que o transporte das mercadorias passasse a ser realizado através de várias etapas terrestres e marítimas, o que era complicado e aumentava os custos; os portugueses propuseram-se então a circundar a África, na busca de um caminho marítimo para o Oriente. Eles já haviam ocupado Ceuta, na costa africana. Tratava-se agora de navegar rumo ao sul, até o extremo meridional da África, de onde seguiriam para leste.

Realizar esse projeto não era fácil. Embora a maioria dos europeus de cultura acreditasse que a Terra fosse redonda e que o oceano Atlântico, por maior que fosse, não acabava num abismo, e sim junto a outras terras, quase todos temiam “outros perigos”. Muitas pessoas cultas sustentavam, por exemplo, que nas vizinhanças da linha do equador a temperatura subia tanto que a vida era impossível. E até mesmo os pilotos de navios acreditavam que havia zonas onde as águas ferviam e grandes pedras-ímã puxavam os barcos para o fundo. A esses perigos imaginários somavam-se outros, reais, como as tempestades, as correntes marítimas, os ventos desfavoráveis e as ameaças de escorbuto e fome. Por tudo isso, lançar-se ao “mar oceano” exigia muita coragem, já que o europeu do século XV não tinha idéia do que iria encontrar no caminho. É verdade que, antes da queda de Constantinopla, os portugueses já haviam descoberto as ilhas dos Açores e da Madeira (1420) e, em 1434, Gil Eanes havia ultrapassado o cabo Bojador, no extremo ocidental da África. Mas isso não significava senão um terço da distância a ser percorrida para se fazer o contorno do continente. De todas as maneiras, os portugueses teriam que esperar o aprimoramento das técnicas de construção naval (a caravela, uma invenção portuguesa, por exemplo) e de instrumentos mais adequados à navegação em alto-mar (o quadrante, o sextante, a bússola aperfeiçoada etc.).

Contornando a África

O grande incentivador das navegações portuguesas foi o Infante Dom Henrique, o Navegador, filho de Dom João I, fundador da dinastia de Avis, que durante anos manteve em Sagres, no Algarve, um grupo de astrônomos, construtores navais, cartógrafos e pilotos experimentados de toda a Europa. Graças a esse homem, que praticamente orientou a epopéia portuguesa das navegações de 1418 e 1460, a pesquisa marítima sistemática e as viagens e descobertas sucederam-se rapidamente. Em 1483, Diogo Cão descobriu a embocadura do rio Congo. Dois anos depois, em uma segunda viagem, explorou 1 450 milhas do litoral africano. Embora não tenha descoberto a sonhada passagem para o oceano Índico, Diogo Cão deixou preparado o caminho para Bartolomeu Dias.Em agosto de 1487, com uma frota composta por duas naus e um pequeno barco com provisões adicionais, Bartolomeu Dias iniciou sua viagem. Meses depois, sem tomar consciência do fato, a [p. 5, 6]

Nos anos seguintes ao descobrimento do Brasil, tornou-se evidente que o Tratado de Tordesilhas — que dividia as terras da América entre Portugal e Espanha — não bastava para garantir o monopólio mercantil português na nova “conquista” de Dom Manuel I. Um número cada vez maior de barcos espanhóis e, sobretudo, franceses percorria o litoral da colônia, dedicando-se à extração do pau-brasil. Era preciso, portanto, vigiar o extenso litoral; em 1516, a frota de Cristóvão Jaques realizava a primeira das expedições guarda-costas.

Dez anos depois, o mesmo navegante conduziria nova esquadra ao Brasil, confiscando três navios franceses e aprisionando trezentos de seus tripulantes. Mas o litoral era extenso demais para ser guardado por navios de combate — que, além disso, tornavam-se cada vez mais necessários na Ásia portuguesa. Mais ainda, os indígenas brasileiros não conheciam a moeda e as relações mercantis, como ocorria com as populações do Oriente e mesmo da África; não se submetiam ao trabalho regular nas feitorias, tornando ineficaz a exploração do pau-brasil em grande escala. Para que o território descoberto em 1500 permanecesse português e se tornasse uma colô[...] nia rentável, em termos de exploração mercantil, a Portugal só restava um caminho: o de povoá-lo efetivamente.

A busca de um modelo

A primeira expedição colonizadora foi confiada a Martim Afonso de Sousa, um português de trinta anos, com fama de ser bom soldado, administrador eficiente e leal ao rei. A ele Dom João III outorgou poderes nunca conferidos a qualquer pessoa: era capitão da esquadra e de toda a terra que descobrisse, com plena jurisdição sobre as pessoas que o acompanhassem; tinha o direito de justiça, podendo inclusive aplicar pena de morte; estava autorizado a doar terras, nomear funcionários e mesmo estabelecer uma autoridade com jurisdição sobre todo o território (um governo-geral). Isto aconteceria — e certamente o indicado seria o próprio Martim Afonso — se a expedição descobrisse os metais preciosos que já haviam surgido na América espanhola.

Pode-se dizer que a expedição deveria levantar todas as potencialidades da terra brasileira, em termos de defesa, exploração agrícola e extrativismo. A partir desse balanço, Dom João III (o sucessor de Dom Manuel) determinaria o ritmo e o modelo de colonização. Caso permanecesse a dependência ao pau-brasil — isto é, se os metais preciosos não [...] fossem descobertos — o monarca certamente se inclinaria por um modelo colonizador que não me comprometesse em demasia os cofres da Coroa. O modelo, utilizado com êxito nas ilhas portuguesas do Atlântico e já sugerido para o Brasil por intelectuais ligados ao trono, era o das capitanias hereditárias.

A expedição

A 3 de dezembro de 1530, a esquadra de Martim Afonso afastou-se de Lisboa. Eram dois galeões, duas caravelas e uma nau, que transportavam quatrocentas pessoas. Ao atingir o litoral pernambucano, Martim Afonso defrontou-se com três navios franceses; afundou um e apreendeu os outros dois. Dali, duas embarcações foram destacadas para explorar o litoral do Maranhão, enquanto as restantes seguiam rumo ao sul.

Na Bahia ficaram dois homens e muitas sementes. No Rio de Janeiro foi construída uma "casa forte", enquanto um grupo ia explorar o interior, voltando com histórias mirabolantes sobre minas de ouro e prata. Em Cananéia foi organizada outra expedição para procurar ouro: oitenta homens embrenharam-se nas matas e nunca mais retornaram.

A frota prosseguiu rumo ao rio da Prata mas, a meio caminho, sobreveio uma tempestade e a viagem foi interrompida. Pêro Lopes de Sousa, irmão de Martim Afonso, conduziu um barco até o sul do continente, penetrando pelo estuário platino. Seu retorno foi uma nova desilusão: nenhum sinal das sonhadas riquezas na região meridional.Nesse ponto encerrava-se a fase exclusivamente exploratória da missão. A frota [...]O ouro foi procurado, infrutiferamente, do Maranhão ao rio da Prata e por duas expedições ao sertão. Martim Afonso de Sousa fundou, então, a primeira vila do Brasil e plantou os primeiros canaviais. [p. 13, 14]Apesar de haverem buscado as regiões meridionais do continente, estabelecendo-se nessas áreas até então inexploradas os primeiros focos difusores da cultura europeia, os jesuítas não permaneceram por muito tempo fora do alcance das frentes de colonização. A partir da segunda década do século XVII, o apresamento dos indígenas reunidos nas missões tornou-se uma atividade extremamente rendosa para os habitantes de São Paulo e, em menor escala, de Assunção, duas cidades americanas situadas na "boca do sertão", longe do litoral.Duas fases da caça ao índioDesde 1562, quando João Ramalho levou a guerra às tribos do vale do Paraíba, os paulistas verificaram que a "caça ao índio" podia transformar-se numa atividade econômica sistemática. De resto, não havia muitas opções: longe do litoral, sem dispor de solos apropriados ao cultivo da cana, São Paulo sobreviveu à custa de uma agricultura precária. E foi para conseguir escravos para suas plantações que os paulistas investiram sobre as aldeias de "índios bravos" do Anhembi (Tietê) e do Jeticaí, nas últimas décadas do século XVI.

Em 1606 e 1607, Manuel Preto e Belchior Dias Carneiro conduziram bandeiras ao sul do Brasil. Poucos anos depois, os jesuítas estabeleceram suas missões nessas áreas — e a "caça ao índio" ganhou nova dimensão. Em vez das expedições às aldeias de "índios bravos", os paulistas organizaram-se para atacar as missões jesuíticas, que reuniam milhares de indígenas habituados ao trabalho agrícola — e desarmados.

Em 1619 o experiente sertanista Manuel Preto deu início à ofensiva bandeirante, atacando aldeias da província jesuítica do Guairá. Os resultados foram promissores, a ponto de, em 1623, São Paulo ser uma cidade de mulheres e velhos. A população masculina alistava-se nas bandeiras organizadas pelos paulistas mais prósperos e partia para o sertão.

A 18 de setembro de 1628, deixava São Paulo a mais poderosa bandeira até então organizada. Eram 2 000 índios flecheiros e 900 mamelucos, liderados por 69 paulistas. No comando estava o mestre-de-campo Manuel Preto; seu imediato era Antônio Raposo Tavares. Seu destino, a região do Guairá. Seu objetivo: desencadear a ofensiva geral contra as aldeias jesuíticas. Foram quatro anos de combates, mas, em 1632, a província jesuítica do Guairá deixara de existir. Em seguida, os bandeirantes diversificaram suas frentes. Em 1632 atacaram a recém-organizada província do Itatim; em 1633 Raposo Tavares fez as primeiras incursões em território rio-grandense. Entre 1635 e 1637 Raposo Tavares e outros sertanistas destruíram a província do Tape; no ano seguinte foi a vez da província jesuítica do Uruguai, golpeada por Fernão Dias Pais (tio de Fernão Dias Pais Leme, um dos maiores vultos da segunda fase do bandeirismo, a de busca de metais preciosos).Armas para os guaranisO bandeirismo de apresamento teve sua fase áurea entre 1628 e 1638, com a destruição sucessiva das missões do Guairá, Tape e Uruguai. Sem meios de recuperar o terreno perdido, os padres recua- [p. 38]





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