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Data: 01/01/2010-
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Anais de História de Além-Mar XI (2010)
   

o favorecimento às obras de conversão dos índios pela Companhia de Jesuse a defesa dos índios batizados; a regulação das relações entre Bahia ePernambuco e o estímulo da busca e descoberta de minas. Além disso,o governador vinha com o poder de distribuir mercês e nomear ocupantespara os mais variados ofícios.27

Nomeado em dezembro de 1590, Souza ainda estava em Portugal em abril de 1591, envolvido no planejamento e organização de sua viagem. Neste mesmo mês, teve atendido o pleito de levar consigo 20 homens ao Brasil e conseguiu, com Luiz Fernandes Carvalho, o empréstimo de capital suficiente para empreender a viagem.28 É uma tarefa difícil recuperar os nomes das pessoas que acompanharam Francisco de Souza na sua primeira ida ao Brasil. Sabemos que o governador foi embarcado com sua comitiva em duas urcas flamengas, conforme se apreende da autorização passada pelo reipara que os provedores e oficiais dos armazéns permitissem que mercadores fretassem as urcas para trazer açúcar e outras fazendas, apesar das disposições contrárias em relação às embarcações estrangeiras.29

Alguns dos nomes que, mais tarde, se fixaram na vila de São Paulo, muito provavelmente, vieram com o governador. Segundo Frei Vicente, o primeiro visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça foi nesta viagem, na qual todos teriam ficado doentes, exceto o governador, que cuidara deles até que, só quando chegou ao Brasil, adoecesse.30 Além do visitador, Gabriel Soares de Souza, autor do Tratado descritivo do Brasil, teria voltado ao Brasil naquelas urcas, depois de ficar cerca de sete anos na corte pleiteando mercês e apoio para sua empreitada mineral, que teria entusiasmado bastante a D. Francisco.

Para Afonso Taunay, seguindo Frei Vicente, Gabriel teria vindo ao Brasil em 1590, portanto antes de D. Francisco. Quem sincronizou as duas vindas, de Gabriel Soares e Francisco de Souza, foi Varnhagen. Francisco Adolfo de Varnhagen, História Geral do Brasil. Antes da sua separação e independência de Portugal, Tomo II, São Paulo, Edições Melhoramentos, 1956, 5.ª edição integral.

Outro nome importante é o de Diogo de Quadros, homem queesteve com Francisco ao longo de quase toda sua trajetória e extremamenteenvolvido com a questão mineral, sobretudo com a fundição do ferro emSão Paulo. Quadros era cavaleiro fidalgo e detentor do hábito da ordem deSantiago; serviu dez meses em Mazagão, depois foi ao Marrocos para inter [p.109]mediar a libertação de cativos – lá ele mesmo caiu em cativeiro e acabou se libertando por conta própria. Lutou ainda, segundo ele, contra os ingleses nos anos 1580. No seu pleito junto ao rei, afirmava que desejava ir ao Brasil com oito mil réis de tença, em troca da cavalaria de Mazagão, para a qual tinha sido indicado.32 As promessas minerais de D. Francisco, alimentadas ainda pelo obstinado Gabriel Soares, devem tê-lo convencido a substituir as honrosas, mas pouco lucrativas praças do Norte da África, pelas acalantadas riquezas das partes do Brasil, onde faria longa carreira.33Outros nomes prováveis são: o capitão de infantaria Diogo Lopes de Castro; os soldados de origem basca e irmãos Diogo e Pedro Arias de Aguirre; o mineiro alemão Jacques de Oalte; o engenheiro de Gueldria, nos Países Baixos, Geraldo Betting; o engenheiro-mor e capitão de artilharia, gentil-homem florentino, Baccio de Filicaya; o açoriano Simão Borges Cerqueira; o secretário particular Pedro Taques; os mineiros Gaspar Gomes Moalho e Manoel Pinheiro Azurara34; os cortesãos Paschoal Leite Furtado, Domingos Gomes Pimentel, Mathias Lopes e Jacome Rodrigues Navarro; o sargento-mor Pedro de Oliveira; o alferes Jorge João; o mineiro e fundidor de ferro Domingos Rodrigues; o mineiro Manoel João e Diogo Gonçalves Laço.35 Outro nome especulado é o do também engenheiro florentino, Alessandro Massaii.36 O que sobressai na composição desta lista, um tanto exaustiva, é o nítido aparato militar e seu forte sentido técnico. Ademais, a presença de castelhanos, alemães, flamengos e italianos – além dos portugueses – denota um pouco dos tempos filipinos e a amplitude de seu império.Afora a própria experiência militar, a atuação e a governança nessa área eram também atributos fundamentais ao ofício dos governadores. No caso de D. Francisco, o regimento que utilizava já trazia reforçada a incumbência de fortificar a terra e empreender conquistas. Além disso, ele vinha imbuído da necessidade de aplicar efetivamente o Regimento dos Capitães Mores, feito em 1570 ainda no reinado de D. Sebastião. Inspirado nas Ordenanzas de Carlos V, de 1534, que organizou o modelo castelhano dos tercios, o Regimento foi aplicado em 1585 na Paraíba por Martim Leitão. O primeiro sargento-mor do Brasil, função já derivada do Regimento, foi nomeado em________________________________________32 INTT, Chancelaria de Filipe I, Livro 21, f. 193v, 08 de fevereiro de 1591.33 Segundo seu memorial feito em Valladolid em 1602, Quadros ainda “foi duas vezes a Pernambuco a cousas do serviço de Vmd e que indo com Feliciano Coelho a guerra dos potiguar foi ferido de uma espingardada em um braço e que há sete anos que serve de capitão da capitania de Sergipe.” AGS, Secretarias Provinciais, Libro 1463.34 Geralmente identificado como castelhano e de nome Miguel pela historiografia. De fato seu nome era Manoel Pinheiro Zurara, nascido em Portugal mas com família residente em Nova Granada, conforme indica os autos de processo contra ele levados a cabo em Assunção, Paraguai, em 1606. Archivo Nacional de Asunción (ANA), Seccion Civil y Criminal, 1549, 4.35 Sobre os acompanhantes de Francisco de Souza: Francisco de Assis Carvalho FRANCO, “Os companheiros...”, op. cit.; Frei Vicente Salvador, op. cit.; A. TAUNAY, “São Paulo...”, op. cit.36 Quem tenta provar a atuação deste engenheiro, inclusive em São Paulo, é Nestor GOULART REIS, São Paulo, vila, cidade, metrópole, São Paulo, Via das Artes, 2004. [p. 110]





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Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama