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A Utilização Da História No Decorrer Da Conquista Da América. Prof. Dr. Adailson José Rui Universidade Federal de Alfenas, UNIFAL-MG

JUN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
191

    junho de 2010, terça-feira
    Atualizado em 13/11/2025 05:26:02
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O fragmento em epígrafe faz parte da dedicatória da obra História del Peru,preparada por Diego Fernandez e dedicada ao rei da Espanha, Felipe II (1556-1598). Nele temos uma primeira ideia do valor atribuído ao longo do século XVI, àHistória. Ela traz a verdade, mantém a memória viva e ensina. Esses aspectosindicam a manutenção do conceito clássico de História cunhado por Heródoto:História magistra vitae (mestra da vida). Diego Fernandez, ao valorizar ohistoriador pelo trabalho que desempenha aponta para o uso político da História,como prática que se manifesta em diferentes formas. Neste artigo apresentamosalgumas delas.1- Funções da históriaDando continuidade à perspectiva desenvolvida na Antiguidade e na IdadeMédia de se fazer uso da História como instrumento que permitia a construção damemória histórica de forma a sustentar os interesses do presente, na América doséculo XVI, a História foi utilizada como instrumento manipulado quepossibilitava perpetuar a memória dos grandes feitos; como mecanismo quepermitia mostrar e divulgar as heróicas realizações de algumas personalidadesou dos grupos aos quais elas pertenciam com a finalidade de se obterembenefícios e recompensas por eles; como maneira de denunciar irregularidadescomo forma de se alcançar reparações; como meio de harmonizar ou pelo menostentar harmonizar os valores culturais de grupos específicos (conquistadores,mestiços e nativos) e, como instrumento que propiciava o conhecimento ao qualse poderia desenvolver ações transformadoras.A existência das diferenças e dos interesses particulares, bem como dasconsequentes explicações direcionadas, presentes nas obras produzidas na [Página 2 do pdf]

explicando aquilo que estava ocorrendo. É ilustrativo a esse respeito o comentáriofeito pelo escrivão real Agustin de Zarate ao dedicar ao rei Felipe II(1556-1598) aHistoria del Descobrimento y Conquista de la Provincia del Perú, y de las guerras ycosas señaladas en ella1. Nas palavras do autor:

“Chegando ao Peru vi tantas revoltas e novidades naquela terra, que mepareceu coisa digna de registrar, logo depois de ter escrito sobre o meutempo, percebi que não se podia entender bem, senão fosse apresentadoalguns antecedentes referentes a origem (dos acontecimentos dopresente); e assim de grau em grau fui recuando até encontrar-me nodescobrimento da terra; porque vão os negócios tão dependentes unsdos outros, que por qualquer que falte não tem os que seguem aclaridade necessária; o qual me compeliu a começar (como dizem) doovo troiano. (ZARATE,1947 p.459 – A tradução é de nossa autoria)2

Os autores, que escreveram sobre a Conquista no decorrer do século XVI,narravam a história da qual direta ou indiretamente haviam participado, porémsempre enaltecendo as suas próprias realizações ou as daqueles que os mandaramescrever. Agustin de Zarate, por exemplo, demonstra-se sempre fiel à Coroa e aosinteresses dela no Peru. Essa perspectiva assumida pelos “historiadores” do séculoXVI e princípios do XVII que escreveram sobre a América conduziu aodesenvolvimento de uma nova concepção de “verdade” que consistia em ter e darprovas convincentes que pudessem explicar, justificar e legitimar os seusinteresses. As “provas” podiam ser tanto a participação direta, como testemunhosdeles nos episódios descritos, como as informações conseguidas em documentosou ainda, o recurso a outros autores que consideravam fidedignos; a história nãodeveria limitar-se ao fato, mas sim deveria explicá-lo. É nesta perspectiva queencontramos os autores das crônicas e histórias da Conquista, independentementeda categoria social a que pertenciam. [Página 4 do pdf]

conflitos enfrentados contra os índios da “província” de Chamula e doRepartimiento de índios e também as cartas deixadas por Pedro de Valdivia,conquistador e posteriormente governador do Chile de 1545 a 1552. Sobre aconquista, foram escritas por ele onze cartas dirigidas a diferentes destinatários,entre os quais estão o Imperador, a Corte, o Conselho das Índias e HernandoPizarro, chefe militar da conquista do Peru (VALDIVIA, 1960, p. 1-74). Nessascartas, relata os trabalhos realizados para conquistar e manter o domínio sobre oVale do Mapoucho e terras circunvizinhas. O conteúdo dessas cartas foi utilizadopor Alonso de Gongora Marmolejo e Pedro Mariño de Lobera, entre outros autoresdo século XVI, que escreveram sobre a conquista do território do Chile.

2- As primeiras histórias sobre a Conquista da América

Entre as primeiras Histórias produzidas sobre a Conquista que tiveramcomo fonte os relatos diretos dos conquistadores, sejam escritos ou orais,encontra-se a Historia General de Índias e a Historia de la Conquista de Mexico,ambas de Francisco Lopes de Gomara; a Historia del Descobrimento y Conquista dela Provincia del Peru, y de las guerras y cosas señaladas en ella de Agustín de Zaratee a Historia del Peru de Diego Fernandez.

Francisco Lopez de Gomara nasceu em Gomara em 1511, estudou naUniversidade de Alcalá de Henares e, ordenado sacerdote, foi professor de retóricana mesma instituição. Durante o período de 1531 a 1541, esteve na Itália ondeconviveu com os principais integrantes do movimento humanista. De lá, regressoucom a expedição de Carlos V que combatia em Spezzia onde conheceu HernánCortés, passando a ser o capelão da sua família. Foi um dos primeiros a utilizar asCartas de Relação como fontes para a elaboração da História da Conquista.Conheceu particularmente o conteúdo das elaboradas por Cortés e ouviu osdepoimentos orais do próprio conquistador. Obteve informações de outrosconquistadores como Pedro Mártir de Anglería, Gonzalo Fernández de Oviedo,Andrés de Tapia e frei Toribio de Motolinía. Partindo dessas informações, semnunca ter estado na América, elaborou a sua versão da História da Conquista em duas partes. Na primeira, apresenta uma história geral da conquista e, na segunda,uma biografia (oficial) de Hernán Cortés1. O vínculo de Lopez de Gomara comCortés, associado à tendência de valorização do indivíduo presente noRenascimento, ajuda-nos a compreender as razões que levaram Gomara a exaltarCortés apresentando-o como o único condutor da conquista, o líder eminente, cujaimagem é enfatizada mediante os exageros nas dimensões das dificuldadessuperadas pelos conquistadores, graças à atuação de Cortés.

Em relação à conquista do império Inca, além da Historia General de Indiasde Francisco Lopes de Gomara, encontramos também a presença direta daquelesque participaram da conquista e dos conflitos a ela internos na Historia del Peru deDiego Fernandez e na Historia del Descobrimento y Conquista de la Provincia delPeru, y de las guerras y cosas señaladas en ella de Agustin de Zarate. Sobre DiegoFernandez, sabemos que esteve no Peru no período da guerra civil, provocada pelaimplantação das Ordenanzas de 1542, de Carlos V, em função dos abusos dosencomenderos em relação aos índios, segundo as denúncias de Bartolomeu de lasCasas, entre outros. Foi morador de Palencia (titulação que fazia questão demanter, ligada ao seu nome, para garantir os benefícios do Repartimiento deíndios) nomeado escrivão pelo vice rei do Peru, Andrés Hurtado, historiador e cronista, conforme afirmado pelo próprio Diego Fernandez no início da segunda parte da sua obra:Depois veio como vice-rei do Peru don Andrés Hurtado de Mendoza,marques de Cañete, e entendendo o que fiz e aquilo em que me ocupei,nomeou-me como historiador e cronista daqueles reinos, mandando(pelo título que para isso me deu) que eu começasse a escrever a partir da ida do presidente Gasca do Peru para a Espanha, pressupondo o vicerei (segundo disse) que o descobrimento daquela terra e as paixões do marques don Francisco Pizarro e todo o mais que precedeu, já havia sidoescrito por outros autores, divulgado e impresso (FERNANDEZ, 1963,p.242-243 / a tradução é de nossa autoria)2

A primeira publicação da obra de Francisco Lopes de Gomara ocorreu em 1552, em Zaragoza,sendo reimpressa em 1553, em Medina del Campo, e, em 1554, em Amberés, e novamente em Zaragoza. [p. 7 e 8 do pdf]

A Historia del Peru está dividida em duas partes. Na primeira, narra os acontecimentos que geraram a guerra civil: o confronto entre o governador Gonzalo Pizarro, rebelado contra as novas leis, e o primeiro vice-rei do Peru, Blasco Nuñes Vela, encarregado de implementá-los. Na segunda, dá ênfase aos acontecimentos ocorridos após a derrota de Gonzalo Pizarro pelas forças do vice rei. No conjunto, trata-se de uma obra de caráter oficial cujo objetivo principal é ode exaltar os feitos do vice-rei.

Agustin de Zarate chegou à América na companhia do vice- rei Blasco Nuñez Vela em 1544, no decorrer da guerra travada entre os herdeiros de Francisco Pizarro e a Coroa. Escreveu a Historia del Descobrimento y Conquista de la Provincia del Peru, y de las guerras y cosas señaladas en ella como resultado das investigações por ele realizadas para entender o que se passava. A História por ele escrita foi publicada pela primeira vez em Ambéres, em 1555.

As obras de Diego Fernandez e as de Agustin de Zarate juntamente com as de Francisco Lopes de Gomara, foram utilizadas pelos contemporâneos comoroteiro e parâmetro na elaboração de outras versões para a história da Conquista.No entanto, entre elas existe uma diferença: enquanto as obras de Diego Fernandese Agustin de Zarate foram utilizadas como uma espécie de banco de dados queauxiliavam os autores a explicar e justificar os relatos que escreviam, a de Gomarafoi utilizada como fonte de contestação e inspiradora de novas versões para aHistória da Conquista.Autores como Bernal Diaz del Castillo, Fernando Alva Ixotlichtil, DiegoMuñoz Camargo e o Inca Garcilaso de la Vega contestaram a obra de Gomara, poisnela não viam a presença da verdade. Francisco Lopes de Gomara apresentava aConquista como uma façanha exclusiva de Cortés, omitindo ou esquecendocapitães e nativos que participaram da empresa. Para os autores oriundos dessascategorias, a verdade precisava ser registrada. Já a utilização da obra de DiegoFernandez e de Agustin de Zarate não foi a mesma seguida pelos contestadores deFrancisco Lopez de Gomara; as obras por eles redigidas serviram mais como“banco de dados” do que como objeto de contestação. Entre os autores que [Página 9 do pdf]



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EMERSON


01/06/2010
ANO:148
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]